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Visâl Orucu Bağlamında Hz. Peygamber’in Örnekliği

3. Visâl Orucu ile ilgili Rivayetin Değerlendirilmesi

4.2. Mecâzi Anlamda

Conforme foi colocado, neste trabalho, a investigação foi feita através de observações, já relatadas no tópico anterior, e de entrevistas. Optamos em utilizar a entrevista semi-dirigida como instrumento para a coleta de dados, os quais devem ser coerentes com os princípios metodológicos

adotados

.

De acordo com Alonso (1995), a entrevista semi-dirigida pode ser caracterizada como um ‘processo comunicativo’, uma conversação entre duas pessoas (na figura do entrevistador – que dirige e registra todo o processo - e do entrevistado), permitindo uma argumentação deste último sobre um tema predeterminado. Essa técnica é bastante utilizada nas ciências humanas e em pesquisas qualitativas.

É importante destacar a importância e o papel da fala como unidade de análise no procedimento da entrevista. Segundo Aguiar (2002), a linguagem é um instrumento que materializa as significações construídas social e historicamente, sendo fundamental no processo de mediação da subjetividade. Conforme nos diz a autora “Por meio da palavra, podemos apreender os aspectos cognitivos/ afetivos/ volitivos constitutivos da subjetividade, sem esquecer que tal subjetividade e, portanto, os sentidos produzidos pelos indivíduos são sociais e históricos” (Ibid, p. 131).

A opção pela utilização desse instrumento de investigação permite ainda o reconhecimento de uma postura ativa dos indivíduos diante de suas realidades, além de uma posição construtiva e transformadora de suas histórias, possibilitando dar significados às suas vivências,ou seja, tendo a capacidade de se apropriarem de seu contexto e dar-lhe significado. Logo, o papel do entrevistador nesse processo é tentar construir idéias e discussões a partir das experiências trazidas pelos próprios sujeitos.

Nesse aspecto, concordamos com González Rey (2002) ao afirmar que em uma pesquisa qualitativa, o instrumento tem o papel de induzir a construção do sujeito, funcionado como um meio para a produção de indicadores.

Neste tipo de entrevista, é estabelecido previamente um guia temático que remonta aos objetivos do estudo, mas que pode ser modificado de acordo com a lógica que o discurso vai seguindo, sendo determinada na relação que o pesquisador estabelece com os sujeitos entrevistados. Alonso (1995) afirma que o entrevistador interage verbalmente de duas formas: as consígnias, instruções que determinam o tema do discurso dos entrevistados, e os comentários, que são explicações, observações ou perguntas exploratórias.

Os conteúdos a serem coletados nas entrevistas foram gravados com o consentimento dos participantes e transcritos. As informações coletadas foram muito ricas e nos possibilitou trabalhar com uma vasta gama de conteúdos.

O material foi submetido a uma análise de conteúdo, método que focaliza os significados do texto, as intencionalidades e os sentidos dos produtores do discurso, relacionados com o contexto em que estão inseridos (NAVARRO y DÍAZ, 1995).

A análise de conteúdo pode ser definida como:

Um conjunto de técnicas de análises das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 2000, p. 42).

Diante da ampla utilização de informações eminentemente qualitativas, que caracterizam as ciências sociais, surge este tipo de análise, o qual supre uma necessidade de sistematização e objetivação desses conteúdos comunicativos diversos.

O lugar ocupado pela análise de conteúdo na investigação social é cada vez maior, nomeadamente porque oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e de complexidade, como, por exemplo, os relatórios de entrevistas pouco directivas. Melhor do que qualquer outro método de trabalho, a análise de conteúdo (ou, pelo menos, algumas das suas variantes) permite, quando incide sobre um material rico e penetrante, satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva, que nem sempre são facilmente conciliáveis (QUIVY; CAMPENHOUDT, 1992, p. 224- 225).

De acordo com Bardin (2000), na análise de conteúdo, o material coletado passa por uma codificação, com objetivo de transformar os dados brutos do texto, através de recortes e agregações, em função de uma unidade de análise, a qual pode ser de ordem lingüística (uma palavra) ou temática. A partir daí, os dados coletados passam por um processo de categorização, na qual os elementos retirados do corpus da pesquisa formarão conjuntos identificados como categorias de análise.

Esse processo de categorização ou estabelecimento de categorias pode ser de natureza semântica, sintática, léxica ou expressiva. Estas podem ser definidas antecipadamente, em função dos objetivos e hipóteses pré-estabelecidos, ou podem

ser resultantes do próprio processo de análise, surgidas a partir do discurso dos entrevistados. Os métodos centrados no nível semântico são os mais clássicos da análise de conteúdo, muito utilizados no campo psicológico.

A análise de corte semântico enfoca os temas surgidos a partir da fala dos entrevistados, considerando a direção (positiva, negativa ou neutra) e a intensidade (mais ou menos pronunciada) em que as temáticas surgem.

Ao final, há uma de exploração do material, através do processo de inferência e interpretação dos dados, realizada por meio de uma leitura crítica fundamentada, de acordo com o objetivo que se quer alcançar pelo pesquisador.

A partir do que foi discutido, optamos por realizar uma análise de conteúdo de natureza semântica, pois acreditamos que essa escolha contribui para a compreensão de como estão acontecendo os processos de inserção marginal dos trabalhadores do tráfico de drogas, a partir de suas vivências.

6. COMPREENDENDO AS VIVÊNCIAS DOS TRABALHADORES DO TRÁFICO DE