4. BULGULAR VE TARTIŞMA
4.1. Maxma-14 Kiraz Anacında Sürgün Çoğaltım Çalışmaları
O jornalismo é uma atividade em que os fatos são soberanos. Eles são o referente do discurso jornalístico, “o efeito de realidade da cadeia dos signos, uma espécie de ponto zero da significação”. (RODRIGUES, 1993, p. 27) Entre os acontecimentos e as notícias, existe uma relação de íntima sintonia e dependência. Se para serem noticiáveis, os acontecimentos necessitam ser comunicáveis; a atividade jornalística, para existir como tal, também depende de fatos passíveis de lhe servirem de referências.
O acontecimento, ao ser noticiado, faz da notícia acontecimento: um acontecimento discursivo, ao qual o teórico português Adriano Rodrigues se referencia como o “meta-acontecimento” da notícia, capaz de facultar ao relato noticioso a condição de reconstituição da realidade. A notícia, então, se faz como “um novo acontecimento que vem integrar o mundo”.
A novidade inaugurada pelo acontecimento-notícia porta “valores de credibilidade, sinceridade, clareza, justeza, coerência e correção, satisfação e aceitação”, os quais Rodrigues classifica como “atos inerentes ao discurso” ou, “atos ilocutórios”, que acontecem “ao dizerem-se”. E, para além da ilocução própria ao discurso noticioso, as notícias, segundo Rodrigues, também se fazem enquanto “ato perlocutório”, isto é, “produzem qualquer coisa pelo fato de dizerem”, “produzem um novo estado de coisas”. (RODRIGUES, 1993, p. 31)
Os media, ao conferirem notoriedade pública aos acontecimentos, multiplicam indefinidamente o alcance dos atos enunciativos ilocutórios e
perlocutórios, atuando sobre o mundo. Assim, “os registros do meta-acontecimento só aparentemente coincidem com os registros dos acontecimentos referenciais”, ou seja, aqueles que embasaram a notícia.
Os fatos, uma vez noticiados, se inscrevem na ordem do discurso, da visibilidade simbólica, transformando-se em atos discursivos. O jornalismo produz discurso por meio do seu produto-notícia que, com sua discursividade, disponibiliza ao leitor um tipo de experiência e de conhecimento que são sempre particularizados, ou seja, significam de forma diferente para cada indivíduo. Gilles Deleuze contribui para esse entendimento quando ele afirma que “o brilho, o esplendor do acontecimento, é o sentido”, ou seja, que “o acontecimento não é o que acontece (acidente), ele é no que acontece (...)”.
E, portanto, o acontecimento, “é o que deve ser compreendido, o que deve ser querido, o que deve ser representado no que acontece”. (DELEUZE, 2006, p.152) Ele quer dizer com isso que, no acidental e na contingência de todo acontecimento, existiria algo de significação para o sujeito, de forma que o caráter único e universal que persiste em todo acontecimento se singulariza sempre que o sujeito entra em contato com o que lhe acontece.
Isso não significa que existam acontecimentos privados e coletivos, individuais e genéricos, mas que, de algum modo, selecionamos - no que acontece - o que, para nós, é acontecimento. Assim é que se pode concluir que há sempre a possibilidade do desencadeamento de vários acontecimentos ou de nenhum, dependendo da forma como cada indivíduo se posiciona e se relaciona com o que acontece.
A compreensão de Delleuze sobre o acontecimento é preciosa na medida em que ela requisita a prerrogativa da seleção individual e pessoal do sujeito. Uma seleção que se realiza, antes de mais nada, a partir da realidade psíquica desse sujeito e a partir do lugar que cada indivíduo ocupa em sociedade.
Sigmund Freud, ao discorrer sobre o que ele denomina de “’teste de realidade”, em seu texto “A Negativa” (FREUD, v.XIX,1990, p. 23-76), esclarece como o sujeito identifica e constrói a realidade a partir da sua percepção individual. A realidade seria tudo o que está fora do “eu” – e por isso é percebida como estranha - mas, ao mesmo tempo, é o “eu” que elabora essa realidade, na medida em que reencontra nela as representações de seu mundo subjetivo, que são as suas percepções individuais, internas e primitivas.
A partir dessa noção de realidade construída por meio da “individualidade particular do sujeito”, Freud apaga os limites de fronteira da antítese da subjetividade e da objetividade. A objetivação está permeada pela subjetivação desde o início, pois o sujeito só percebe a realidade que lhe faz sentido: um sentido que de algum modo se relaciona com o seu ego.
Assim, é próprio do ser humano selecionar, recortar, montar e representar a realidade. Só nos relacionamos com a imensidão do mundo por partes que nós mesmos escolhemos de acordo com as condições psíquicas, emocionais, individuais e sociais de que dispomos. Percebemos e experimentamos a vida de uma maneira sempre única, por mais que estejamos entre semelhantes.
2.8 DEPOIS DA NOTÍCIA: A EXPERIÊNCIA
Walter Benjamin, por volta de 1935, já citava o jornal como um dos indícios, dentre outros, da decadência da possibilidade da experiência, pelo homem. Dizia ele:
“Se a imprensa se propusesse a fazer com que o leitor pudesse se apropriar de suas informações como de um aparte da sua experiência, faltaria inteiramente com seu objetivo. Mas seu objetivo é exatamente o oposto, e ela o atinge: excluir rigorosamente os acontecimentos do contexto em que poderiam afetar a experiência do leitor”. (BENJAMIN,1983, p.31)
Para Benjamin, os princípios da informação, bem como a sua diagramação e forma lingüística - substituindo as antigas relações entre os homens e colocando a informação no lugar da narrativa - contribuem para que nenhum leitor tenha “qualquer coisa para contar ao outro”. A informação, no seu entender, visa comunicar “o puro em-si do acontecimento”, enquanto a narração – “uma das mais antigas formas de comunicação”, aproxima o narrador do leitor ou do ouvinte, oferecendo-se como experiência e possibilitando a experiência. (BENJAMIN,1983, p.31)
O que Walter Benjamin diagnosticava então, como a “ruína e desaparecimento da experiência” (BENJAMIN,1983, p.50) na modernidade, tem a ver com as conseqüências da primeira guerra mundial para o ser humano que, a