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Como mencionado previamente, nas sessões síncronas que aconteceram durante a fase 1, 1415 entidades foram identificadas. Essas entidades foram categorizadas, organizadas e apresentadas em porcentagem na figura 30. Nesta figura, cada uma das quatro tonalidades de linhas representa uma das quatro sessões síncronas que aconteceram na fase 1, conforme a legenda do lado direito. Na parte inferior do gráfico as sub-categorias de entidades estão dispostas diagonalmente e elas podem ser relacionadas as suas categorias mais amplas nos retângulos em roxo (concreta, abstrata e metafórica). As alturas das linhas, no meio do quadro, marcadas por uma figura geométrica (losango, triângulo, quadrado e círculo) indicam a quantidade do uso de cada tipo de entidade em cada sessão síncrona. No topo do gráfico, há um eixo que indica em seus ambos extremos os dois tipos de discurso sugeridos na teoria Bernsteiniana (discurso horizontal e discurso vertical). Dessa forma, os resultados sobre as entidades exibidos na parte inferior do quadro podem ser alinhados e interpretados de acordo com a verticalidade e a horizontalidade do gráfico:

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Figura 30. Estrutura do conhecimento na fase 1

0 5 10 15 20 25 30 35 40 A-MP C-Ry B-Ang D-Te hand mind

horizontal discourse vertical discourse

concrete abstract metaphoric

B C % % % % % % % % %

Os resultados exibidos na figura 30 revelam dois aspectos da linguagem usada durante as sessões síncronas. Por um lado, as linhas indicam alguma variação no uso de entidades nas sessões síncronas. Por outro lado, elas revelam uma tendência de concentração dos pontos mais altos no lado esquerdo do gráfico. Essa concentração dos pontos mais altos das linhas indica uso intenso de entidades concretas do dia-a-dia, concretas especializadas, abstratas genéricas e abstratas semióticas. Dessa forma, essas sessões síncronas são constituídas por um discurso mais horizontal; ou seja, os participantes nessas sessões síncronas usaram linguagem mais concreta durante as interações. Quanto a variação mencionada previamente, ela se torna evidente com a observação das linhas ao longo do gráfico. A primeira diferença que será comentada refere-se ao uso de entidades concretas nas sessões síncronas A e C, e a segunda diferença refere-se ao uso de entidades especializadas e entidades semióticas nas sessões síncronas B e D. Essas diferenças e tendências serão discutidas em mais detalhes nos próximos parágrafos.

O uso de entidades concretas foi freqüente nas sessões síncronas A, C e D e menos freqüente na sessão B como indicado na figura 30. Entretanto, nas sessões A e C, o uso de entidades concretas do dia-a-dia é mais parecido e mais freqüente do que nas sessões síncronas B e D. Durante a maior parte das sessões A e C, os participantes discutiram o ensino em escolas públicas, isto é, o contexto profissional dos alunos:

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Exemplo 120

Student: I stopped crying at the students because I had my car scratched.

concreta abstrata metafórica

dia-a-dia especializada genérica semiótica institucional técnica processo qualidade Car students

Exemplo 121

Student: I tried to work with songs. I thought it would be interesting. They (students) can hardly listen to the song. They (students) have got too many things to discuss among them rather than studying.

concreta abstrata metafórica

dia-a-dia especializada genérica semiótica institucional técnica processo qualidade songs, song they (students) they (students) them (students)

Nas sessões síncronas A e C, os participantes passaram grande parte do tempo discutindo sobre seus contextos profissionais (contexto educacional), e trouxeram para a interação entidades concretas, como mostram os exemplos 120 e 121. A linguagem usada por eles está presente em suas vidas diárias como coisas concretas que fazem parte do ambiente que os cercam como pessoas (alunos, professores, mães etc.), e lugares (Pompéia, Bauru) e não como termos técnicos ou metáforas. Em outras palavras, eles não usam termos mais elaborados que são freqüentemente relacionados ao tipo de linguagem característico de contextos educacionais e acadêmicos (Halliday, 1993; Martin, 1990). Apesar serem sessões síncronas em contexto educacional e ter como tópico de discussão “ensino”, que também é educacional, a linguagem usada pelos participantes não é intensamente constituída por termos institucionais, técnicos ou metafóricos. Isso porque os participantes não usam conceitos governamentais ou científicos para apoiar/ justificar seus conselhos e sugestões sobre o ensino. Tão pouco, usaram linguagem mais elaborada, como

173 poderia ter acontecido no caso deles terem usado entidades metafóricas mais freqüentemente.

As outras duas sessões representadas no gráfico, sessões B e D, apresentam um uso diferente de entidades concretas especializadas, mas um uso parecido de entidades abstratas semióticas. Isso se deve ao fato de que o foco da conversa nas sessões síncronas B e D refere-se ao desenvolvimento das atividades no curso:

Exemplo 122

Teacher: Maybe you can do steps 1b and 1c of Unit 2] and after that see if you want to add anything to Step 1a.

concreta abstrata metafórica

dia-a-dia especializada genérica semiótica institucional técnica processo qualidade

steps 1b

1c Unit 2 Step 1a

Embora durante ambas as sessões síncronas B e D os participantes direcionem grande parte da conversa ao desenvolvimento das atividades, há alguma diferença em relação à parte do desenvolvimento das atividades que é privilegiado por eles. Na sessão síncrona B, o foco do desenvolvimento das atividades refere-se principalmente à como e quais textos devem ser escritos durante as atividades. Isso explica a maior freqüência de uso de entidades abstratas semióticas. Por outro lado, na sessão síncrona D, os participantes não conversam apenas sobre como as atividades devem ser desenvolvidas, mas também sobre as ferramentas que devem ser acessadas para desenvolver as atividades. Isso explica a maior parte de entidades concretas especializadas:

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Exemplo 123

Student: I would like to know where I can do steps 6 and 7 in the Portfolio or in the Forum de discussao.

concreta abstrata metafórica

dia-a-dia especializada genérica semiótica institucional técnica processo qualidade Portfolio

Forum de discussao

steps 6 7

O uso de entidades abstratas semióticas durante as sessões síncronas B e D indica que elas foram constituídas por um discurso mais vertical. Entretanto, o uso de entidades abstratas técnicas e metafóricas é bem menor do que o uso de entidades concretas e, em oposição ao discurso vertical, o uso mais freqüente de entidades concretas dá as sessões uma aparência de conversa informal e cotidiana; ele empurra as interações para uma tendência maior ao discurso horizontal. Nas sessões síncronas A e C, o ensino-aprendizagem é trazido à discussão quando os alunos conversam sobre seus próprios contextos profissionais. Entretanto, o freqüente uso de entidades concretas nessas sessões revela que o processo de ensino-aprendizagem é discutido como ofício, ao invés de ser discutido como uma atividade que depende de conceitos e princípios científicos para ser desenvolvida.

Um último aspecto a ser mencionado nessa parte da análise diz respeito a diferença no uso de entidades por grupos de alunos que estavam cursando o mesmo módulo do curso, Desenvolvimento Profissional, durante o mesmo período do módulo. Essa diferença pode ser relacionada à falta de preparo dos participantes antes de iniciarem as sessões síncronas, o que fez com que as sessões estivessem abertas à mudanças e adaptações repentinas e, possivelmente, a falta de clareza nos objetivos da sessão. A falta de objetivos e preparo detalhado das sessões podem ser confirmados por alguns exemplos encontrados nas próprias sessões. No primeiro exemplo, um dos alunos quer saber por que ele é o único aluno na sala de bate-papo até aquele momento:

Exemplo 124

Student N: Where is everybody?

175 No exemplo 124, é possível observar que o tempo para o início da sessão não foi considerado rigorosamente pelos participantes, incluindo a professora. Ela responde à pergunta feita pelo aluno N com uma explicação sobre a possibilidade dos alunos chegarem atrasados e, ao fazer isso, a professora passa a idéia de que chegar atrasado às sessões é esperado e que não é nenhum problema. No próximo exemplo, que também foi coletado do início de uma das sessões síncronas, a professora pergunta à aluna sobre o que ela gostaria de falar:

Exemplo 125

Teacher: Would you like to discuss a bit about Unit 1? Any specific part of it?

O exemplo 125 mostra que não havia um tópico previamente preparado e acordado para discussão na sessão síncrona. Ao apresentar esses exemplos é possível argumentar que as grandes diferenças no uso de entidades podem ter origem na falta de preparo das sessões síncronas como parte do planejamento do curso e das atividades. Isso não significa que o curso deve ter necessariamente como objetivo o desenvolvimento de sessões síncronas parecidas em todos os módulos. Porém, se isso for almejado, preparo prévio é necessário. Os alunos podem participar de atividades prévias as sessões síncronas que permitiriam sua conscientização sobre o objetivo da conversa, sobre os papéis dos participantes e sobre o tópico a ser discutido. Também pode ser importante conscientizar os participantes sobre os tipos de comportamento que podem favorecer o alcance dos objetivos e sobre os tipos de comportamento que podem dificultá-los, como chegar atrasado para as sessões ou causar digressões. Além disso, se o objetivo for direcionar a discussão para o ensino, pode ser necessário reflexão e decisão do tipo de conhecimento sobre o ensino que deve ser trazido para a discussão: o ensino deve ser discutido como ofício que envolve maior uso de entidades concretas para ser desenvolvido, ou deve ser discutido como uma atividade mais complexa que envolve conceitos e definições mais elaboradas? O mesmo ponto de vista pode ser considerado durante a discussão sobre as atividades no curso, sobre o tipo de orientação que é realmente necessário para que os alunos participem do curso. O ponto a ser considerado é: por que alunos de um mesmo curso (porém de grupos diferentes) recebem orientação diferente? E, além disso, é

176 importante decidir quando e porque uma sessão síncrona deve ser usada para ajudar alunos a encontrar ferramentas na plataforma de aprendizagem, ou para orientar os alunos durante a produção de textos. A discussão será direcionada agora aos resultados da análise das sessões síncronas que aconteceram na fase 2.

Benzer Belgeler