(figuras 88 e 89) da edição de julho de 2005. Seção fixa na revista a partir da edição de maio/junho do mesmo ano, ela sempre t raz a experiência de um chef em uma viagem a lugares reconhecidos por sua import ância no mundo da gast ronomia. O
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exemplo citado traz o chef Olivier Anquier, um francês radicado no Brasil, em visita ao Mercado Ver-o-Peso, localizado no Estado do Pará.
O local é reconhecido por ter uma exuberância particular de cores, sabores e ingredient es t ípica da região Nort e do Brasil. A int enção da report agem é ver o prof issional da alt a gast ronomia descobrindo essa f ace da comida brasileira. Na represent ação dessa viagem a revist a invest e em uma mist ura de sof ist icação e elementos típicos. A sofisticação é vista no uso de fotos em preto e branco, que dão leveza às paginas. Já os elementos típicos da cozinha paraense, considerada uma das mais tradicionais do Brasil, podem ser vistos permeando todas as imagens. Mais uma vez podemos observar um caráter de exoticidade nessa representação. Afinal, é o chef francês visitando um lugar que é extranho até para o restante do nosso País.
Observamos que a nova imagem de Claudia Cozinha é aquela que busca, mais do que as imagens dos projetos anteriores, o desejo de “ ser visível e existir no mundo” . Em um universo que valoriza a sofisticação e a busca pelo statusa qualquer preço, a tentativa da revista é alcançar, mais do que nunca, esse mundo, sofisticando seu conteúdo, mas criando uma imagem visual que chame a atenção do leitor diretamente.
FFiigguurraa 8888:: Claudia Cozinha, agosto de 2005, páginas 18 e 19
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No entanto, vemos também que o design editorial da página não acompanha a mesma sofisticação. Quase não há brancos, todos os espaços são preenchidos por textos ou fotos. As páginas acabam dando a entender que trata-se de uma matéria de turismo e não de cozinha. Afinal, nenhuma das fotos desperta a gula de comer algo do que ali é mostrado. Desperta sim a vontade de ir àquele lugar.
Essa mat éria f az aparecer um elo muit o comum, que explica a imagem que temos ainda hoje da comida típica brasileira: sua ligação com o turismo. Nas capitais litorâneas do Nordeste, a comida de turista é uma, baseada em peixes e moquecas, e da população é outra, baseada na carne-seca e farofa, por exemplo. Vende-se uma imagem que não corresponde exatamente à realidade. Naquelas páginas, a realidade de Belém parece ser a de um lugar onde a comida não importa, o que não é verdade. Aqui t urismo se alia à gast ronomia, e os dois deveriam se int egrar como t ext os da cultura. Azambuja (2001:1) considera que:
“ A gast ronomia como um produt o, ou mesmo um at rat ivo de uma det erminada localidade, é bast ant e int eressant e e import ant e do pont o de vist a t uríst ico, pois apresent a novas possibilidades, na verdade, não t ão novas, mas nem sempre bem exploradas, que são as diversas f ormas de t urismo volt adas para as caract eríst icas gast ronômicas de cada região.”
Claudia Cozinha, nessa matéria, fez a associação pretendida entre os dois, sistemas
da cultura, gastronomia e turismo, mas nos parece nítido que o segundo acabou ganhando maior destaque. Essa é uma tendência da seção “ Viagem gastronômica” , que acaba iluminando o turismo em detrimento da cozinha visitada.
É nítido, nesse momento, que a revista se mantêm, no “ Segundo Mundo” das revist as ligadas ao universo da cozinha, embora t enha adot ado o lema da gastronomia. Afinal, ao mesmo tempo que sofistica a viagem de um chef francês ao
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Brasil tradicional, traz elementos típicos das revistas de receita, como a seção “ Cozinha Prática” (figura 90). Nela temos uma foto e uma receita por página, numa composição simples, que cumpre a tarefa de manter o público mais fiel ligado à revista, oferecendo receitas. Mas vemos um exagero visual que não compõe de maneira harmônica com os desejos de sofisticação de Claudia Cozinha.
Paradoxalmente a revista se apropria de um conteúdo sofisticado, erudito, mas com um formato mais popular, que remete mais à culinária do que, talvez, a publicação gostaria que ocorresse. Assim, Claudia Cozinha assume um projeto editorial com toques mais refinados, formato popular e conteúdo que oscila entre as duas fronteiras.
Em relação ao tema desse estudo, a comida brasileira, a revista, no período do
corpusanalisado, não deixou claro se haverá um espaço fixo para essa cozinha. A comida
típica é vista em alguns momentos, mas há, como em Gula e Prazeres da
Mesa uma nítida tendência que aponta para a “ releitura” de pratos
típicos. A diretora de redação da revista, Gisella Tognella41afirma que,
em 2006, a revista passará a dedicar mais espaço para o tema, mas o fato ainda não foi observado no período subsequente ao do corpus deste trabalho. Vemos na tabela 3, as matérias que foram produzidas
sobre comida brasileira nesse período. E, na sequência, trabalharemos o exemplo mais significativo desse período – ao lado da “ Viagem Gastronômica” no Pará – sobre a representação da comida brasileira.