Tem como atividade principal ou acessória a intermediação e a aplicação de recursos (próprios ou de terceiros), em moeda nacional ou estrangeira, e guarda ou custódia de valores.
O Conselho Monetário Nacional atua como órgão máximo no Sistema Financeiro Nacional, sendo responsável por determinar as principais normas, adequação do volume dos meios de pagamentos à conjuntura do País, controlar o valor interno e externo da moeda, zelar pela liquidez e solvência das instituições componentes do Sistema Financeiro Nacional (FARIA, 2003).
O Banco Central do Brasil (BACEN) é o órgão executivo central do sistema financeiro, sendo responsável por fiscalizar o cumprimento das normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional. Conforme Silva (2006b) o BACEN, também tem como competência
[...] emissão do papel-moeda, o recebimento de compulsório dos bancos comerciais, a realização das operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras, a realização das operações de compra e venda de títulos públicos federais, fiscalização das instituições federais e diversas outras atividades.
De acordo com o BACEN (2011), para demonstrar a segmentação do quadro 4, as instituições financeiras foram agrupadas conforme suas funções de crédito, em segmentos, a saber:
Instituições de Crédito de curto e curtíssimo prazo: Bancos Comerciais, Caixas Econômicas, Bancos Cooperativos, cooperativas de crédito e Bancos Múltiplos com carteira comercial;
Instituições de Crédito de médio e longo prazo: Bancos de Investimentos, Bancos de Desenvolvimento, Caixas Econômicas e Bancos Múltiplos com carteira de investimento ou desenvolvimento;
Instituições de Crédito para Financiamento de Bens de Consumo Duráveis: Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (Financeiras) e Bancos Múltiplos com carteira de créditos, financiamentos e investimento;
Instituições de Crédito habitacional: Caixas Econômicas, Associações de Poupanças e Empréstimos, Companhias Hipotecárias, Sociedades de Crédito Imobiliários e Bancos Múltiplos com carteira de créditos imobiliários;
Instituições de Intermediação no Mercado de Capitais: Sociedades Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Bancos de Investimentos e Bancos Múltiplos com carteira de investimento;
Instituições de Arrendamento mercantil (Leasing): Sociedades de Arrendamento Mercantil e Bancos Múltiplos com carteira de arrendamento mercantil;
Instituições de Seguros e Capitalização: Seguradoras, Companhias de Capitalização, Entidades Fechadas e Abertas de Previdência Privada, Empresas de Factoring e Consórcios.
As instituições financeiras captadoras de depósitos à vista têm a característica de criadoras de moeda, no sentido de que intermediam as posições dos recursos captados e os recursos disponibilizados junto a seus clientes por meio de movimentação financeira (FRANCISCO et
al,. 2011).
Purificação (1995, p. 34), diz que “[...] a principal característica do banco comercial, como hoje o conhecemos, consiste na sua criação de moedas”. Com referência às instituições financeiras, o Banco Comercial, Caixa Econômica Federal, Banco Múltiplo e as Cooperativas de Crédito são as únicas instituições que podem criar moeda pela diferença de taxas entre as operações de captação de recursos e as operações de créditos.
Mendes (2004) aponta para a relevância dos bancos para a sociedade, os quais representam um papel de repasse dos recursos entre os agentes poupadores e os tomadores de créditos. Ressalta ainda a necessidade de remuneração adequada aos acionistas dessas instituições a fim de motivar a adoção da gestão baseada no valor e ampliar a cultura de mercado de capitais.
A tabela 1 mostra a representatividade das instituições financeiras bancárias do Sistema Financeiro Nacional.
Tabela 1 - Participação das instituições no segmento bancário em relação ao patrimônio líquido (em bilhões de reais)
Instituição do segmento bancário 2007 2008 2009 2010
Dez Dez Dez Dez
Bancos Públicos 11,55 31,99 9,00 9,93
Banco do Brasil 24,26 29,96 36,12 50,50
Caixa Econômica Federal 10,59 12,70 13,14 15,44
Bancos Privados Nacionais 194,70 263,62 300,85 353,01 Bancos com Controle Estrangeiro 46,38 99,18 100,68 106,37
Cooperativas de Crédito 7,69 9,41 11,07 13,15
Total 295,17 446,86 470,86 548,39
Fonte - BACEN, 2012.
De acordo com a tabela 1, as cooperativas de crédito apresentaram um crescimento, no período de 2007 a 2010, de 58,48%, o equivalente a R$ 5,46 bilhões de reais. Este crescimento fez com que ultrapassasse o segmento de bancos públicos. Salienta-se, entretanto, que, nesse contexto, não está sendo considerado o patrimônio líquido dos bancos cooperativos do Brasil e tão somente das cooperativas de crédito.
a) Banco Cooperativo do Brasil
Os bancos cooperativos são equiparados aos bancos comerciais, com a participação acionária exclusiva das cooperativas de crédito singulares, centrais, federações ou confederações de cooperativas de crédito, conforme preceitua a Resolução nº 2.788, de 30/11/2000 (BRASI, 2000). Também como os bancos comerciais, os bancos cooperativos são constituídos sob a forma de sociedade anônima fechada, devendo, em sua denominação, constar a expressão
Banco Cooperativo. Sua área de atuação está restrita aos Estados, onde estão situadas as sedes
das pessoas jurídicas controladoras, ou seja, as centrais de cooperativas de crédito.
Conforme BACEN (2011), de acordo com a relação dos 50 maiores bancos e consolidados do Sistema Financeiro Nacional, data base setembro/2011, os bancos cooperativos, BANCOOB e BANSICREDI, juntos, ocupam o 14º lugar no ranking de instituições financeiras bancárias com o maior volume de ativos totais, na ordem de R$ 29.734.847 (em milhões de reais). De acordo com Fortuna (2001, p. 29)
[...] o Banco Central concedeu autorização para que as cooperativas de crédito abrissem seus próprios bancos comerciais, podendo fazer tudo o que qualquer outro banco comercial já faz [...]. A constituição do banco cooperativo vai permitir também levantar recursos no exterior, atividade vetada às atuais cooperativas de crédito.
Portanto, uma das principais funções do banco cooperativo é a representação junto ao Serviço de Compensação de Cheques e Outros Papéis (SCCOP), por meio das quais,as cooperativas de crédito podem fornecer a seus associados/clientes talões de cheques, cartão de débito, cartão de crédito, bem como fazer diretamente a compensação de títulos e documentos (BACEN, 2011).
De acordo com a Resolução nº 2.788, de 30/11/2000 (BRASIL, 2000), o banco cooperativo tem como função promover a integração das cooperativas singulares, administrar seus recursos financeiros junto ao sistema corporativo, criar novos produtos e serviços, bem como estimular a viabilização das cooperativas de crédito, facilitar o acesso ao meio circulante e aumentar a alavancagem financeira.
A figura 8, apresentada a seguir, mostra o relacionamento do Banco Central com os bancos cooperativos e a inserção das cooperativas de crédito no Sistema Financeiro Nacional.
Figura 8 – Ligação entre Banco Central, Banco cooperativo e cooperativas de crédito
Fonte - Schardong, 2002, p.79.
A figura 8 apresenta a ligação do Banco Central com os bancos cooperativos e seus relacionamentos, considerando seus produtos e serviços. Em seguida, surgem as cooperativas de crédito que, por meio dos bancos cooperativos, têm acesso ao mercado financeiro, podendo efetuar operações de captações de recursos, talões de cheques, acesso ao sistema de compensação de cheques e outros papéis. Com isso, dilatam sua inserção no mercado financeiro e podem se equiparar aos demais bancos comerciais, no que tange aos produtos e serviços oferecidos.
Para que possam atuar no mercado financeiro, os bancos cooperativos devem obedecer às normas e regulamentações emanadas pelo Banco Central. Com o advento da Resolução nº 2.788, de 30/11/2000, foi possível aos bancos cooperativos a aprovação de autorização, constituição e funcionamento (BRASIL, 2000). Com isso, podem atuar diretamente no mercado financeiro nos mesmos produtos e serviços oferecidos pelos bancos comerciais. Essa Resolução possibilitou que as cooperativas de crédito passassem a ter acesso a quase todo o mercado financeiro, tais como: negociações de títulos públicos e privados e acesso ao sistema de pagamento brasileiro etc.