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4. BULGU VE YORUMLAR

4.3.6. Matematiksel Mantıksal Zekâ

É possível dividir a história da Consip em ao menos dois momentos principais: o primeiro compreendido entre os anos de 1997 a 2000, no qual a empresa ficou responsável pela gestão da tecnologia da informação nas áreas de finanças e contabilidade do Governo Central italiano; e outro após o ano 2000, quando o Ministério da Economia e Finanças atribuiu à referida entidade a responsabilidade pelo Programa de racionalização da despesa pública, transformando-a em central de compras.

Conforme noticia Broggi (2006), Consip SpA – cujo nome original era CON.SIP, sigla para Concessionária Servizi Informativi Pubblici – nasceu, em 1997, como ferramenta operacional para gerar mudanças e inovação na gestão de tecnologia da informação, nos termos do Decreto Legislativo nº 414, de 19 de novembro de 1997175.

Cumpre registrar que o referido Decreto Legislativo nº 414/1997, no item 2, especificou que essas atividades seriam desenvolvidas por estrutura corporativa societária, a serviço único e exclusivo do Estado, para operar de acordo com as diretrizes estratégicas estabelecidas pela Administração, sendo sua participação acionária totalmente controlada,

                                                                                                                         

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direta ou indiretamente, pelo Tesouro do Estado italiano, igualando-a a um organismo de direito público176.

Em realidade, a estratégia de melhoria na gestão da tecnologia de informação delegada para a Consip fazia parte de um processo de reforma mais amplo, capitaneado pelo então Ministro de Economia e Finanças da Itália, Carlo Azeglio Ciampi. Os marcos legais desse processo de reforma foram a Lei nº 94, de 3 de abril de 1997, e o Decreto Legislativo nº 279, de 7 de agosto de 1997, os quais definiram “novos critérios de gestão das finanças públicas”, apoiando-se em bases organizacionais e instrumentais sólidas que seriam capazes de fazer o melhor uso da inovação, especialmente na área de tecnologia da informação177.

Broggi (2006) sintetiza os principais fundamentos desse processo de mudança:

essa mudança seria realizada com base em um modelo extremamente inovador que iria privilegiar o recurso ao mercado para assegurar o desenvolvimento e a gestão de sistemas de informação da Administração Pública, a fim de alcançar o objetivo primordial a máxima eficácia e solidez econômica da atividade, mantendo ao mesmo tempo dentro do controle da administração da definição de estratégias e garantindo ao mesmo tempo a continuidade e fiabilidade dos resultados obtidos, especialmente em algumas áreas altamente críticas178.

O desenho estratégico traçado inicialmente para a Consip era voltado para a modernização e racionalização dos sistemas eletrônicos da Administração Pública italiana, consubstanciando-se em “organismo instrumental de ação” para atuar frente a projetos de alta complexidade tecnológica e promover a integração da estrutura ministerial179.

Portanto, durante a primeira fase da Consip, compreendida entre 1997 e 2000, a empresa era responsável pela gestão dos sistemas informáticos estratégicos da Administração Pública, otimizando a aquisição e manutenção dos recursos de tecnologia da informação.

Já o segundo momento da história da Consip iniciou-se no ano 2000, com a Lei Financeira nº 488, de 23 de dezembro de 1999, que traçou, no art. 26, as bases para o sistema italiano de aquisições públicas e o respectivo programa de racionalização de compras da Administração Pública.

O principal objetivo do referido Programa era promover a contenção da despesa pública, pautando-se pela “racionalização organizativa da atividade contratual da

                                                                                                                         

176

SENATO DELLA REPUBBLICA ITALIANA. Disponível em: www.senato.it. Acesso em: 24 de maio de 2014.

177

. BROGGI, Danilo. Consip: una novità nella pubblica amministrazione. Milano: Franco Angeli, 2006, p 8.

178

BROGGI, Danilo. Consip: una novità nella pubblica amministrazione. Milano: Franco Angeli, 2006, p 9.

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Administração Pública”,180 de forma a otimizar as atividades do processo de compras públicas de bens e serviços, por intermédio do desenvolvimento de tecnologias inovadoras.

Esses novos horizontes estabelecidos pela Lei Financeira de 2000 e consolidados posteriormente pelas Diretivas Europeias 2004/17/CE e 2004/18/CE estimularam a identificação de soluções tecnológicas, consolidando a base para a modernização das estruturas de compras governamentais na Itália.

Até aquele momento, a competência em matéria de aquisição de bens e serviços da Administração Pública central italiana era atribuída ao órgão denominado Provveditorato generale dello Stato181.

De acordo com o Decreto n.94, datado do ano de 1923, o Provveditorato era responsável por adquirir, armazenar e distribuir os bens e serviços para cada um dos ramos da Administração Pública, além de administrar o patrimônio imobiliário estatal.

No final dos anos 90, notadamente a partir da Lei n. 59, de 15 de março de 1997, conhecida na Itália como Lei Bassanini182, iniciou-se a extinção do Provveditorato Generale dello Stato, efetivamente concluída no ano de 2001183.

Nos termos da referida Lei, restou delegado, pelo parlamento italiano ao Governo, a autorização para elaboração de Decreto legislativo revisando as competências legais dos entes locais e regionais, para implementar o que se pode denominar federalismo administrativo. Objetivamente, o que se pretendia era, de um lado, garantir o maior nível de descentralização possível por lei ordinária para as Administrações locais e regionais, sem a necessidade de modificação constitucional e, de outro, reformar a Administração Pública e implementar a simplificação administrativa em matéria contratual.

Essas transformações iniciadas em 1997 e intensificadas a partir do ano 2000 pautaram-se nas induções fomentadas no Direito Administrativo Europeu, especialmente

                                                                                                                         

180

DI MARIA, Roberto; PROVENZANO, Carmelo. Eficienza, competitività ed inovazione della pubblica amministrazione: alcune considerazioni economico-giuridiche sul modello Consip. Revista eletronica del Centro di Documentazione Europea dell’Università Kore di Enna. Dispnível em http://www.unikore.it. Acesso em 02 de abril de 2015.

181

DI MARIA, Roberto; PROVENZANO, Carmelo. Eficienza, competitività ed inovazione della pubblica amministrazione: alcune considerazioni economico-giuridiche sul modello Consip. Revista eletronica del Centro di Documentazione Europea dell’Università Kore di Enna. Disponível em Disponível em: http://www.unikore.it. Acesso em: 02 de abril de 2015.

182

Franco Bassanini era, na ocasião, o Ministro per la Funzione Pubblica e o responsável pela condução do processo de simplificação administrativa.

183

FIORENTINI, Luigi. Il nuovo Provveditorato generale dello Stato, in Giornale di diritto amministrativo, 1998, n. 12, p. 1115.

diante da intensa atividade, no âmbito comunitário, para promoção da harmonização e unificação administrativa do aparato administrativo dos Estados-membros184.

Para Zuccolotto (2005), o processo de reformulação iniciado em 2000, na Itália, teve como parâmetro sobretudo o modelo dinamarquês de compras públicas nacionais, no qual existia uma estrutura externa atuante como facilitadora, ou seja, oferecendo para a Administração Pública uma variedade de serviços, por intermédio de contratos-quadros capazes de padronizar bens e serviços de uso comum em diversas instituições e, simultaneamente, realizar o monitoramento contínuo da oferta e da procura185.

Assim, decisiva foi a atuação do Ministério da Economia e das Finanças da Itália, que promoveu releitura sobre a contratualidade pública, introduzindo importantes modificações no que tange aos mecanismos de despesas das Administrações Públicas e lançando os pilares para a criação da central de compras nacional.

Para tanto, naquele momento, o referido Ministério identificou na Consip a entidade ideal para a execução do Programa de racionalização. Broggi (2006) aponta que pesquisas e dados técnicos demonstram que a Consip desempenhou papel crucial nesse processo, fornecendo elementos e know-how adquiridos desde 1997 que ampliaram a concorrência entre os fornecedores de produtos e serviços, criando alta conectividade de redes e conhecimentos entre a Administração Pública e empresas186.

Neste sentido, Di Maria e Provenzano (2015) apresentam a seguinte explicação:

o centro da política de reforma iniciada é representado pela atribuição dada a Consip de centralizar e consolidar as convenções quadro nacionais contendo as operações de fornecimento da Administração Pública italiana e de redefinir os procedimentos eletrônicos para facilitar a velocidade e a eficiência dos processos aquisitivos. Em particular, o public procurement, entendido como um contrato de fornecimento que rege a transferência de bens e serviços do setor privado para o público, representa um importante instrumento através do qual se promove a disseminação de práticas concorrenciais mercado interno único e sustentar as políticas industriais para apoiar o crescimento da produtividade de vários setores e para todo o sistema econômico187.

                                                                                                                         

184

BORGIA, Giuseppe. Il Provveditorato generale dello stato: uno strumento da rivitalizzare, in Giornale di diritto amministrativo, 1997 n. 6, p. 590

185

ZUCCOLOTTO, Stefania. Evoluzione storica del processo di acquisto della Pubblica Amministrazione. In: RASSEGNA, Astrid, 2005. Disponível em: http://www.astrid-online.it/Outsourcin/Note-e- con/Zuccolotto_Evoluzione-acquisti_18050.pdf

186

BROGGI, Danilo. Consip: una novità nella pubblica amministrazione. Milano: Franco Angeli, 2006, p 10.

187

DI MARIA, Roberto; PROVENZANO, Carmelo. Eficienza, competitività ed inovazione della pubblica amministrazione: alcune considerazioni economico-giuridiche sul modello Consip. Revista eletronica del Centro di Documentazione Europea dell’Università Kore di Enna. Disponível em: http://www.unikore.it. Acesso em: 21 de abril de 2015.

Após o Ministério da Economia e Finanças da Itália ter atribuído à referida empresa a responsabilidade pela gestão do Programa de Racionalização de Gastos Públicos em bens e serviços, para transformá-la em central de compras, a Comissão Europeia iniciou, ainda no ano 2000, investigação preliminar para verificar se os contornos jurídicos e legais desenvolvidos pela Itália para criação da agência central de compras atendiam os requisitos comunitários188.

Em 2001, a Comissão Europeia confirmou o reconhecimento da relação in house providing entre a Consip e o Ministério da Economia e Finanças e, portanto, restou validado em nível comunitário a introdução do sistema Consip de compras centralizadas da Administração Pública italiana.

Até o ano de 2013, a Consip atuava essencialmente sobre duas áreas de atividade: uma afeta ao serviço de tecnologia da informatização e de governo eletrônico do Ministério da Economia e das Finanças e da Corte de Contas e outra voltada para a implementação e execução do programa de racionalização da despesa pública para aquisição de bens e serviços. Em julho de 2013, a Lei nº 135/2012 transferiu a competência de serviços de tecnologia da informação da Consip para a Società Generale d’Informatica SpA – Sogei, outra empresa in house do Ministério da Economia e das Finanças, que passou a ser a responsável em atender às necessidades de automação e informatização dos processos de gestão e de negócios189.

Atualmente, é possível afirmar que a Consip funciona como verdadeira Central de Compras, prestando serviços não só para a Administração Central italiana, mas também para as Administrações Públicas regionais e municipais.