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3. RÖNESANS’TA ORTAYA ÇIKAN ESTETİK DÜŞÜNCELER

3.1. Rönesans Dönemi Düşünürleri ve Düşünceleri

3.1.5. Marsilio Ficino (1433-1499)

principalmente, sobre o perfil dos alunos, a história dos leitores e inúmeros outros eixos. Leis, planos e projetos foram concebidos com o objetivo de promover a leitura na escola. Há ainda muitos estudos sobre o professor enquanto leitor, enquanto mediador, mas existem poucas investigações sobre como o professor utiliza a biblioteca escolar na formação do leitor.

O exercício consciente, planejado das atividades escolares pode somar experiências diversificadas que permitirão à comunidade escolar (pais, alunos, professores) superar a mera reprodução dos modelos instituídos na sociedade. Democratizar o acesso ao conhecimento significa lutar contra o ensino que tenta reproduzir e manter o poder dominante.

Do mesmo jeito que se buscam alternativas para a aproximação do aluno ao espaço da biblioteca, é necessário pensar em estratégias para aproximar o professor do universo que ele dispõe, pois somente após seu conhecimento, ele poderá propor estratégias diferenciadas de utilização desse espaço pedagógico. A biblioteca é um dentre o leque de recursos didáticos que a escola disponibiliza ao professor para que ele atinja os objetivos de seu curso. Seu objetivo primordial seria desenvolver e fomentar a leitura e a informação.

Infelizmente, como constatado nos capítulos anteriores, são ainda poucas as bibliotecas escolares no Brasil; segundo dados estatísticos sobre educação no país, apontados pelo INEP, no Censo 2004, somente cerca de 25% das escolas da rede pública possuem biblioteca, fato esse que se torna mais grave nas regiões norte e nordeste, onde a proporção tem uma forte queda para somente 10%. Das 52.932 bibliotecas escolares existentes, no Brasil, ainda segundo a mesma fonte, 45.966 estão localizadas na área urbana, correspondendo a 86% do total. As restantes 6.966 encontram-se na área rural. A ser destacado que, na área urbana, a rede privada concentra o maior número de bibliotecas (17.279), seguida das redes estadual (16.192), municipal (12.356) e federal (139). Na área rural, o maior número de bibliotecas

pertence à rede municipal (4.786), seguido pelas redes estadual (1.905), privada (232) e federal (43). 66

Esses números apresentam uma realidade muito longe do que seria a ideal, ou seja, em toda escola, uma biblioteca. Seria importante, como ressalta Silva (1999), estudos e estatísticas mais aprofundadas para compreender melhor a realidade da biblioteca escolar no Brasil. Uma proposta para a coleta dessas preciosas informações seria a formulação de perguntas mais diretivas no Censo Escolar, promovido pelo INEP,anualmente, que precisariam informações quanto à prática do professor e à utilização da biblioteca escolar. Dessa maneira, teríamos dados mais qualitativos e menos quantitativos e, com isso, um melhor retrato da situação, para posterior interferência mais específica.

Bourdieu (1998) aborda a questão da construção do currículo, apontando para a valorização das tradições culturais de cada grupo (subordinados e dominantes), propondo que a escola seja um dos meios para a quebra da reprodução dos modelos da sociedade dominante. Essa interferência seria mais diretiva e poderia representar uma expectativa de mudança na dinâmica de reprodução cultural, pois, se aplicadas dentro do conceito da pedagogia racional de Bourdieu e Passeron (1975), as crianças das classes dominadas teriam uma educação que lhes possibilite ter – na escola – a mesma imersão duradoura na cultura dominante que faz parte – na família – das crianças das classes dominantes.

A biblioteca escolar poderia ser uma grande aliada se a questão for romper com modelo de reprodução. Podemos levantar essa possibilidade, quando analisamos os documentos oficiais e as orientações dadas pelas normas que regimentam, por exemplo, os recursos materiais, os planos, a capacitação dos professores (formação inicial e continuada). É possível detectar uma predisposição para que o trabalho da biblioteca atinja esse objetivo se as orientações, por exemplo, das diretrizes oficiais fossem seguidas.

Para que o professor, um dos protagonistas dessa ação pedagógica, se engaje cada vez mais nessa política de transformação, implica que se torne um sujeito leitor ativo, que utilize e se integre ao universo da biblioteca escolar. Proporcionar uma condição favorável para que o professor sinta-se parte desse espaço pedagógico é:

66 - Número de Bibliotecas, por Localização e Dependência Administrativa, segundo a Região Geográfica e a Unidade Federativa, em 31/03/2004, Censo 2004, INEP acesso :

constituir um acervo adequado às necessidades do professor; reservar um tempo para o professor ser usuário desse espaço; preparar atividades diferenciadas voltadas para esse usuário;

formá-lo tanto na universidade quanto continuamente para sua utilização.

É, pois, necessário que os professores experimentem eles próprios a condição de leitores e usuário desse espaço, afinal, como nos lembra Roland Barthes “A leitura não é um conceito abstrato. É antes uma prática concreta, um exercício lingüístico”.

A formação do professor e do profissional responsável pela biblioteca escolar, somada à valorização da biblioteca escolar no Brasil, precisa ser mais bem debatida e estudos serem realizados para a compreensão da situação.

Em sua formação inicial, despertar o olhar do professor de língua portuguesa para o potencial da biblioteca escolar na formação do leitor, despertando seu olhar para a importância da leitura literária como parte integrante de seu trabalho, e promover estudos ao longo de sua formação sobre as questões que envolvem a construção do leitor, o qual seja capaz de realizar tanto a leitura como fonte de prazer, como fonte de informação.

Debater sobre o currículo da licenciatura de Letras, envolvendo as disciplinas de Metodologia de Ensino, Didática, principalmente, já seria uma valiosa contribuição nesse processo de construção.

Propor uma aproximação entre ensino da leitura na escola e biblioteca com a preocupação de não inventar fórmulas, nem teorias, sem visão muito reducionista, mas engajar-se, no mínimo, com o compromisso do acesso a todas as formas de cultura (por exemplo, um Projeto de Leiturização, sugerido por Foucambert).

Um intercâmbio de saberes na formação inicial de professores e bibliotecários poderia ser um aliado na mudança do olhar desses profissionais em relação à leitura e à biblioteca, provocando assim uma interferência no mundo e na sociedade.

A formação continuada dos professores é sem dúvida necessária, mas como argumenta Denise Trento R. Souza (2006), enquanto essa formação estiver centrada no “argumento da incompetência”, ou seja, enquanto ela tentar suprir o que a formação inicial deixou de executar, não cumprirá seu papel, pois estará sempre “tapando os buracos” e não se integrará as reais necessidades dos professores e da escola.

Bibliografia