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MARKA KAVRAMI VE ĠLGĠLĠ KURAMSAL AÇIKLAMALAR

2.1. Marka Kavramı

sistema tradutório alemão:

Nossas versões, mesmo as melhores, partem de um princípio falso. Pretendem germanizar o sânscrito, o grego, o inglês, em lugar de sanscritizar o alemão, grecizá-lo, anglizá-lo. Têm muito mais respeito pelos usos de sua própria língua do que pelo espírito da obra estrangeira... O erro fundamental do tradutor é fixar-se no estágio em que, por acaso, se encontra sua língua, em lugar de submetê-la ao impulso violento que vem da língua estrangeira.

Uma tradução recriada pelo tradutor, deveria ter em sua capa a menção clara de

que era uma obra do autor X na versão do tradutor Y. Isso evitaria que lêssemos um romance de Dostoievsky pensando ser dele quando, na realidade estaríamos lendo um texto de, por exemplo, Os irmãos Karamázov, na versão do tradutor Y.

7.2 Nossa língua – como se aprende a falar

O jornal La Nación45, de Buenos Aires menciona um seminário do Instituto de

Neurologia Cognitiva (INECO), no qual vários investigadores, dentre os quais o Doutor Lambon Ralph, professor de neurologia cognitiva da Universidade de Cambridge e a Dra. Karalyn Patternson investigadora do Medical Research Council reuniram-se em grupos para investigar os problemas da afasia, dos transtornos cognitivos da linguagem e de como o ser humano aprende a falar.

Patterson e Lambon que lideram, presentemente, importantes grupos de

investigação britânicos cuja finalidade é elucidar como se adquire, desenvolve e produz a linguagem, confessam não terem chegado ainda a nenhuma conclusão.

Cito:

El tema es apasionante. “Los chicos – explica Patterson – nacen con un conjunto de herramientas perceptivas que se desarrollan mui rápido: pueden ver, oír, sentir, y todo eso se inscribe en un conjunto de patrones coherentes y repetibles. Se sabe que aprenden a comprender el lenguaje asociando

44 CAMPOS, Haroldo. A arte no horizonte do provável. Perspectiva. São Paulo. 4a. ed. 1977. 45

La Nación, de 28.02.2006, in : www.lanacion.com.ar

patrones de sonido con un particular hecho perceptivo. Pero “cómo aprende a hablar?

O problema da auto-tradução realizada por autores perfeitamente bilíngües deve

ser encarado a partir das seguintes definições: o que é, realmente, a chamada “língua materna”, língua materna x língua estrangeira, e o problema da autotradução para um autor bilingüe.

Segundo Silvana Serrani-Infante46, em seu trabalho Identidade e segundas

línguas: as identidades no discurso, o problema da língua materna está vinculado ao

que se considera como sendo uma língua nacional. A autora cita o texto de Todorov47

que, ao responder à pergunta “o que é uma nação”, sugere três modelos: o de raça, visto como uma “comunidade de sangue” na qual se nasce e se permanece sempre, o de contrato, realizado por um ato de vontade, por um compromisso de viver adotando regras e projetando porvires comuns e, o terceiro que tem as preferências de Todorov seria, segundo as palavras do autor:

A antinomia das duas “nações” pode ser superada se aceitarmos pensar a nação como cultura. Tal como a “raça”, a cultura pré-existe ao indivíduo, e não se pode mudar de cultura do dia para a noite (...). Mas a cultura tem também traços comuns com o contrato; ela não é inata, mas adquirida; e mesmo se essa aquisição for vagarosa, ela depende, no fim das contas, da vontade do indivíduo e pode dizer respeito à educação. Em que consiste sua aprendizagem? Em um domicílio da língua, antes de tudo; em uma familiarização com a história do país, com sua paisagem, e com seus costumes de seu povo de origem, regidos por mil códigos invisíveis. (P.424).

Instâncias de legitimação: a torre de Babel

O primeiro artigo de Victoria Ocampo, Babel, havia sido escrito em francês.

Segundoa autora, da mítica confusão entre as línguas surge uma nova linguagem, e com ela uma nova autoridade que encontra origem e genealogia no longínquo texto bíblico. Em sua introdução, Ocampo formula uma versão alternativa do original [O texto foi auto traduzido por Ocampo, porém não tive acesso ao original francês]:

46 Serrani-Infante. Identidade e segundas línguas :as identidades no discurso. In : SIGNORINI, Inês

(Org). Linguagem e Identidade. FAPESP, FAEP/UNICAMP. Campinas (SP). 1998.

47

TODOROV, T. Nous et les autres. Editions du Seuil. Paris. France. 1988.

Jeová no alteró las palabras de que los hijos de Noe se servían; pero modificó la concepción que cada uno de sus cerebros tenía de esas mismas palabras. Las palabras continuaron, pues, siendo exteriormente lo que hasta entonces habían sido; pero internamente, se diferenciaron para cada hombre. Las palabras continuaron, pues, sonando como esas habían sonado siempre; pero su resonancia fue distinta en cada oído. (P.34)

O professor Eduardo Gramutti, em programa televisivo apresentado na TV

Cultura, explicou que há um jogo de poder entre os dois módulos do cérebro humano: um módulo formado pelo córtex pré-frontal que é reflexivo e outro pelo sistema anímico que prega a imediatez . O ser humano vive as conseqüências da luta travada entre ambos, pois enquanto que o primeiro comanda a reflexão e é detentor do pensamento e da linguagem o outro exige a satisfação rápida e animal do desejo a

qualquer preço. Cito Italo Calvino48

tudo começou com o primeiro narrador da tribo. Os homens já trocavam entre si sons articulados, referindo-se às necessidades práticas de suas vidas; já existiam o diálogo e as regras que o diálogo não podia deixar de seguir, esta era a vida da tribo: um código de regras muito complicadas, que deviam modelar todas as ações e todas as situações. [...] A Narrativa oral primitiva, assim como a fábula popular que se transmitiu até quase nossos dias, modela-se sobre estruturas fixas, quase poderíamos dizer sobre elementos pré-fabricados, que permitiriam, porém, um enorme número de combinações.

Babel representa um ponto desfavorável para Jehová, causado pelo desafio da

proibição de dessacralizar o âmbito divino. O castigo subseqüente, isto é, a condenação a uma incomunicabilidade permanente, se prolonga até Ocampo, que se considera herdeira de suas conseqüências. A origem, que busca, se revela plurilíngue e é impossível de ser solucionada na unicidade. A linguagem, que não pertence a ninguém, é usurpação e sinal de exílio, marcando uma perda continuada.

48 CALVINO, Italo. Cibernética e fantasma (Apontamentos sobre a Narrativa como processo

combinatório) In : Una Pietra Sopra. Turim. Einaudi, 1980. [de uma palestra de 1967] Seleção de Andrea Lombardi (17-50-2006)

Serrani-Infanti propõe, também, para essa análise, o trabalho de Dabène, L.49,

que problematiza a conceituação do par: “língua materna x língua estrangeira” salienta ele serem esses termos utilizados para designar um leque de diferentes situações lingüísticas complexas que envolvem diversos tipos de plurilingüismo.Um deles seria

uma maneira consciente e organizada de pensar, sentir e reagir das pessoas, a grupos, a questões sociais ou, mais geralmente, a qualquer evento no ambiente, um outro seria

o das capacidades do bilíngüe que divide da seguinte forma:

1. Bilingüe é a pessoa com competência em dois sistemas lingüísticos tal qual a de falante nativo;

2. Bilingüe é quem possui uma competência mínima em uma das quatro habilidades lingüísticas – compreender, falar, ler e escrever – em uma língua diferente da sua.

Assim poder-se-á falar do:

Bilingüismo precoce (línguas aprendidas simultaneamente e desde a primeira infância;

Bilingüismo residual ou regressivo, quando se conservam somente algumas competências reduzidas;

Estudos recentes insistem na distinção entre

bilingüismo equilibrado (os níveis de competência são relativamente equivalentes) e

bilingüismo dominante em que as competências são assimétricas;

bilingüismo ativo (competência de compreensão e expressão efetivas nas duas línguas;

49

DABÈNE, L. Repères sociolinguistiques pour l’enseignement des langues. Hachette. Paris. 1994.

bilingüismo passivo (uma das línguas só é dominada no nível da compreensão)”

Benzer Belgeler