2. MARKA DENKLİĞİ BİLEŞENLERİ
2.1. Marka Farkındalığı
2.1.2. Marka Çağrışımları ve Marka İmajı
O MST foi fundado oficialmente em 1984 e tem como objetivo principal a organização dos trabalhadores na luta em prol da reforma agrária no Brasil. Entretanto, o Movimento é decorrência de um processo de gestação que contou com o aporte de movimentos e lutas anteriores. “O Movimento [...] é filho das lutas pela democratização da terra e da sociedade. No final da década de 1970, quando as contradições do modelo agrícola se tornam mais intensas e sofrem com a violência de Estado, ressurgem as ocupações de terra.” (MST, 2010, p. 9).
Conforme o Movimento (2010, p. 9)
Em setembro de 1979, centenas de agricultores ocupam as granjas Macali e Brilhante, no Rio Grande do Sul. Em 1981, um novo acampamento surge no mesmo estado e próximo dessas áreas: a Encruzilhada Natalino, que se tornou símbolo da luta de resistência à ditadura militar, agregando em torno de si a sociedade civil que exigia um regime democrático. Em todo o país,
novos focos de resistência à ditadura das armas e das terras surgiram: posseiros, arrendatários, assalariados, meeiros, atingidos por barragens.
No ano de 1984, em um encontro nacional realizado no Município de Cascavel, Estado do Paraná, trabalhadores rurais envolvidos nesse processo de luta pela democratização da terra e da sociedade “[...] decidem fundar um movimento camponês nacional, o MST, com três objetivos principais: lutar pela terra, lutar pela reforma agrária e lutar por mudanças sociais no país.” (MST, 2010, p. 9).
O Movimento é, na atualidade, um dos principais movimentos sociais de trabalhadores do Brasil e da América Latina.
O MST tem importante atuação em âmbito nacional. Entretanto, atua de diferentes formas, também, em âmbito internacional, em cooperação com outros movimentos, como, por exemplo, a Via Campesina, da qual faz parte. Interage com outros movimentos de trabalhadores nacionais, como, por exemplo, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento das Fábricas Ocupadas (MFO), o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros, mesmo porque, em última instância, alguns dos principais móbeis desses Movimentos estão relacionados entre si (MAURO apud RUBBO, 2012; MST, 2010).
Considerando-se que, segundo Harrison (1968), toda teoria social é um complexo de ideias, ou seja, parte de contribuições anteriores, torna-se pertinente identificar quais são ou foram as principais influências desses Movimentos.
As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o Movimento de Educação de Base (MEB) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) – alas progressistas da Igreja Católica, além da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – tiveram importante influência, em especial nos primórdios do processo de formação política e escolar de integrantes dos quadros do MST, antes e depois da fundação desse Movimento.
Além de componentes da ala progressista da Igreja Católica, também participam da CPT integrantes da Igreja Protestante de Confissão Luterana, que tiveram importante contribuição no apoio aos trabalhadores rurais e suas entidades que, anos mais tarde, formariam o MST (CALDART, 2004; STEDILE; FERNANDES, 2001; WELCH, 2009). Entretanto, posteriormente, o MST passa a adotar iniciativas para ter o controle do processo educativo dos próprios integrantes (DAL RI, 2004; STEDILE; FERNANDES, 2001).
O MST (1999; 2001c), bem como alguns de seus intelectuais orgânicos (CALDART, 1997; MAURO apud RUBBO, 2012; STEDILE; FERNANDES, 2001), em diversos momentos, reiteram que Movimento aprendeu com a história e com as experiências dos
lutadores do povo ou das classes trabalhadoras, tanto do passado mais remoto, quanto do passado mais recente ou mesmo com movimentos e lideranças contemporâneas. “Foi assim que o Movimento se fez como é: aprendendo dos lutadores que vieram antes [...]” (MST, 2001c, p. 37). Segundo Stedile (STEDILE; FERNANDES, 2001, p. 57), “Não inventamos nada. [...] Os que vieram antes cometeram erros e acertos. Procuramos aprender com eles, para não cometer os mesmos erros e repetir os acertos.”
Reconhecem, ainda, que não inventaram uma educação ou uma pedagogia, ainda que tenham criado uma nova forma de lidar com as teorias existentes (CALDART, 1997; MST, 1999; STEDILE; FERNANDES, 2001). A Pedagogia do Movimento é do MST, porém, “Isto não quer dizer que o MST tenha inventado uma nova pedagogia, mas ao tentar produzir uma educação do jeito do Movimento, os Sem Terra acabaram criando um novo jeito de lidar com as matrizes pedagógicas ou com as pedagogias já construídas ao longo da história da humanidade.” (MST, 1999, p. 6, grifo do autor).
Entretanto, foi necessária a construção de um projeto educativo combinando a escolarização com preocupações mais amplas, com a formação humana e com a capacitação de militantes. Assim, em caráter de síntese, o MST partiu de teorias pedagógicas existentes para constituir um projeto pedagógico e educativo próprio (MST, 2001c).
Mauro (apud RUBBO, 2012, p. 23) destaca que já no primeiro Congresso do MST “[...] a ideia era aprender com os processos organizativos de luta dos outros países.” Numa perspectiva internacional, segundo Mauro (apud RUBBO, 2012, p. 24),
A experiência da revolução cubana, nicaraguense, e depois, mais adiante, toda a experiência acumulada na América Latina, Revolução Mexicana, a tentativa de reforma agrária no Peru, o processo em El Salvador, enfim, as experiências dos anos 1980 foram muito importantes para o nosso movimento.
Já em relação às contribuições nacionais, Mauro (apud RUBBO, 2012, p. 28) destaca que
O MST consegue conjugar os ingredientes da mística revolucionária que resgata a experiência nicaraguense, cubana, a própria experiência bolchevique, conjuga com isso as experiências históricas no Brasil, as lutas pela terra, Canudos, Quilombos, Ligas Camponesas, mas também com esse outro lado da Teologia da Libertação que foi muito importante no surgimento do nosso Movimento. E isso evidentemente é o que conforma o MST como uma espécie de síntese. Ele não é Igrejeiro. Ele conjuga vários ingredientes, no meu modo de ver, positivos desses amplos processos de aprendizados desenvolvidos em diferentes áreas.
Conforme Stedile (STEDILE; FERNANDES, 2001, p. 38)
Outra coisa que assimilamos [...] é ter abertura para aprender com os outros. Nunca tivemos pretensão de ser os primeiros. Não estamos inventando o
fogo. Desde as primeiras lutas, sempre houve essa vocação de querer saber onde os outros erraram, onde acertaram. Com o objetivo de aprender, fizemos várias conversas, seja com os remanescentes dos líderes das Ligas Camponesas, da ULTAB, do Master, seja com a CPT.
Stedile (STEDILE; FERNANDES, 2001) diz ainda que o Movimento sempre teve abertura para aprender com os outros, desde sua gênese, tanto com as organizações do Brasil, quanto com as organizações camponesas da América Latina. Além de diversos outros nomes, seja do âmbito nacional, seja do internacional, de um passado mais mediato ou mais imediato, Stedile aponta que
[...] fomos buscar nos pensadores clássicos de várias matrizes algo que pudesse contribuir com nossa luta. Lemos Lenin, Marx, Engels, Mao Tsé- Tung, Rosa Luxemburgo. De uma forma ou de outra, captamos alguma coisa de todos eles. Sempre tivemos uma luta ideológica e pedagógica dentro do movimento de combater rótulos. (STEDILE; FERNANDES, 2001, p. 60)
Entretanto, o MST não copia, nem faz transposição mecânica dessas experiências, mas faz adequações às diferentes realidades dos assentamentos ou acampamentos e, nesse processo de adequação, consegue algum avanço ou diferenciação (BALDUÍNO, 2001; CALDART, 1997; MST, 1999; MAURO apud RUBBO, 2012; STEDILE; FERNANDES, 2001). “A prática concreta da luta pela reforma agrária nos ensinou que não se pode copiar experiências, porque cada espaço, cada realidade local, traz novos elementos que vão sempre se recriando a partir do conhecimento já acumulado.” (STEDILE; FERNANDES, 2001, p. 59).
Em documentos do MST são citados nominalmente Che Guevara, Fidel Castro, Florestan Fernandes, Gramsci, José Marti, Lenin, Leonardo Boff, Makarenko, Pistrak, Marx, Paulo Freire, entre outros. Ainda que alguns sejam mencionados numa epígrafe, por exemplo, esses nomes dão indicativos das influências teóricas e também da ideologia e da visão de mundo desse Movimento.
Quanto à educação, para o MST a democratização dos conhecimentos técnico- acadêmico-científicos é considerada tão importante quanto a democratização da terra. Por isso, o Movimento, desde seus primórdios, investe na educação dos Sem Terra e “[...] luta desde 1984 pelo acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis para as crianças, jovens e adultos de acampamentos e assentamentos.” (MST, 2010, p. 23).
O MST (2010) atua em todos os níveis e em diferentes modalidades de ensino, seja formal ou não formal. Na Educação Básica tem escolas próprias de Educação Infantil, as Cirandas, e de Ensino Médio. Segundo o Movimento (2010, p. 23) “Hoje, o trabalho com educação no MST está organizado em todo o país, desde a educação infantil à educação superior, em várias áreas do conhecimento.”
Os nossos esforços nessa área buscam, sobretudo, alfabetizar todos os companheiros e companheiras de acampamentos e assentamentos, e a conquista de condições reais para que todas as crianças e adolescentes estejam na escola. Para isso, é preciso capacitar e habilitar professores para que se tornem sabedores das necessidades dos estudantes. (MST, 2010, p. 23)
Já no Ensino Superior, convênio com o Governo de Cuba resultou em vagas para Sem Terra em curso de Medicina e, com o Governo da Venezuela, em curso de Agroecologia (MST, 2010).
Em decorrência de convênios com universidades públicas, realiza cursos adequados à realidade e às necessidades dos Sem Terra especialmente.
Por meio de parcerias com universidade públicas, trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST estudam em 50 instituições de ensino. [...] São cursos técnicos de nível médio (como Administração de Cooperativas, Saúde Comunitária, Magistério e Agroecologia), cursos superiores e especializações (como Pedagogia, Letras, Licenciatura em Educação do Campo, Ciências Agrárias, Agronomia, Veterinária, Direito, Geografia, História). (MST, 2010, p. 24)
Para o MST é fundamental a garantia de apropriação dos conhecimentos técnico- acadêmico-científicos referentes aos diferentes níveis de ensino não só por seus integrantes, mas por toda a classe trabalhadora.
Feita essa breve introdução sobre as conjunturas de fundação e de atuação, bem como de dados mais elementares dos Movimentos, no capítulo seguinte são apresentadas questões mais específicas sobre os projetos de educação desses Movimentos.