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Algılanan Değerin Yordanmasına İlişkin Çoklu Regresyon Analizi

3. KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE MARKA DENKLİĞİ ANALİZİ

3.8. Algılanan Değerin Yordanmasına İlişkin Çoklu Regresyon Analizi

EDUCAÇÃO NO TRABALHO ASSOCIADO: POTENCIALIDADES E DESAFIOS Neste capítulo apresentam-se alguns dos considerados mais relevantes potencialidades e desafios enfrentados por OTAs, inclusive aquelas organizadas pelo MST, especialmente no que se refere à ideologia e à educação.

Este capítulo tornou-se uma necessidade decorrente de reflexões e inquietações suscitadas no processo de desenvolvimento desta pesquisa.

Essas reflexões foram desenvolvidas num capítulo à parte, pois os capítulos anteriores estavam focados em princípios específicos, tendo como objeto principal os Movimentos discriminados.

Todavia, para além de movimentos sociais propriamente ditos, há outras iniciativas de resistências das classes trabalhadoras com vistas ao estabelecimento de relações de trabalho diferenciadas ou mesmo a outra formação econômico-social, iniciativas essas que podem aplicar ou não as categorias classe social e luta de classes.

Alguns desses desafios e potencialidades perpassam essas iniciativas, sejam elas classistas ou não. Porém, nesta pesquisa, são priorizadas as organizações classistas, pois, por um lado, os desafios são maiores, mas, por outro, as potencialidades também, em especial no que se refere à educação, ao trabalho, à concepção de gestão, à ideologia, entre outros elementos.

Assim, este capítulo é uma espécie de síntese, na tentativa de aprofundar algumas reflexões, ampliando a abrangência do debate, em certa medida, com um tom prospectivo, porém, sem pretensão de um exercício de futurologia.

O recurso ao passado mais remoto, como realizado com os cartistas e owenistas, bem como ao passado mais recente e ao presente, como foi realizado em relação à trajetória do MST, parece fundamental para a realização de análises conjunturais e para planejamento de ações imediatas ou mediatas.

As principais pesquisas que subsidiam essas análises e questionamentos foram as realizadas por Alaniz (2003), Ariosi e Dal Ri (2004), Dagnino e Novaes (2011), Dal Ri (2004), Dal Ri e Vieitez (2008), Novaes (2011), Novaes e Dagnino (2011), Novaes e Faria (2011), Vieitez (1997), Vieitez e Dal Ri, (2001; 2009a; 2009b), entre outros autores.

Alguns questionamentos que servem de ponto de partida para este capítulo são: qual a influência da ideologia dominante para a ocorrência do que apontam algumas dessas pesquisas em relação às dificuldades enfrentadas por OTAs? Qual o potencial das OTAs para

o combate à ideologia dominante e para a contribuição para o processo de constituição e de difusão de uma ideologia e de uma visão de mundo concernentes à classe trabalhadora?

Organizações de Trabalho Associado integram o movimento cooperativista internacional. Trata-se de uma forma de organização à qual movimentos sociais de trabalhadores recorrem quando se propõem a organizar a produção, numa perspectiva autogestionária. Dal Ri e Vieitez (2008, p. 48-49), com base em Santos (2002)55, entendem que

Uma organização de trabalho associado é, em geral, um empreendimento econômico. Pode ser uma fábrica ou fazenda, uma prestadora de serviços ou uma escola. São organizações privadas pertencentes a um coletivo de trabalhadores que podem emergir pela iniciativa de um pequeno grupo de interessados ou como parte de um movimento social, de modo pacífico dentro da Ordem ou como parte de amplo conflito social [...].

Segundo Dal Ri e Vieitez (2008, p. 48), a maior parte das OTAs “[...] é constituída por cooperativas de trabalhadores que surgem em situações e contextos sociais diversos.”

As OTAs nascem no terreno da organização do trabalho, ou seja, da produção, e este é o campo primordial sob o qual prosperam ou não. Entretanto, logo que conseguem alcançar um mínimo vital de recursos para garantir a sobrevivência do empreendimento e, concomitantemente, um mínimo de massa crítica, as OTAs tomam consciência de que a educação e a re-educação de seus associados são uma força fundamental para seu funcionamento e desenvolvimento, o que as induz a desencadearem ações educativas de vários tipos. (DAL RI; VIEITEZ, 2008, p. 26)

Além de questões relacionadas à ideologia, à fuga ao desemprego e à precarização, bem como à busca de estabilidade no trabalho, outro fator que instiga à formação de OTAs é recusa ao trabalho heterogerido.

Portanto, coloca-se como um desdobramento natural que uma fração dos trabalhadores repudie o novo padrão de relações de trabalho imposto e busque no trabalho associado – sob o qual detém um controle que é inimaginável no regime do assalariamento – aquela garantia mínima de segurança que as reformas estão suprimindo. (DAL RI, 2008, p. 51)

Isso leva setores de trabalhadores a criar iniciativas, como as OTAs, que se pautam pela autogestão.

A autogestão, para Alaniz (2003, p. 17), refere-se a

[...] iniciativa de desenvolver relações de trabalho mais igualitárias, desburocratizadas, distribuição eqüitativa de responsabilidades e poder de decisão do coletivo sobre a organização [...]. O conceito de autogestão vem representar a igualdade de condições e interesses que possui o coletivo dos trabalhadores, por isso é recorrente na história o fato de as organizações geridas pelos trabalhadores organizarem-se de forma democrática, por meio de conselhos operários, comissões de fábricas, entre outras.

55 SANTOS, B. S. (Org.). Produzir para viver. Os caminhos da produção não capitalista. Rio de Janeiro:

Entre os principais fatores de diferenciação dessas organizações, segundo Dal Ri e Vieitez (2008), está o recurso ou não, bem como a incidência desse recurso, ao trabalho assalariado, assim como a outras formas de exploração do trabalho subordinado. Além da tentativa de fugir ao desemprego ou à precarização e também da busca por estabilidade no trabalho, outro fator importante é a questão das diferentes vertentes ideológicas que influenciam essas organizações.

O terceiro fator que contribui para a formação do trabalho associado é o ideológico. Este fator tem uma menção segura na literatura existente. As correntes ideológicas são várias, podendo ser detectadas influências advindas do cooperativismo, do anarquismo, do socialismo utópico, do socialismo científico e da Igreja Católica. Contudo, a influência ideológica na gênese das organizações que formam o universo das cooperativas não parece ser grande, com exceção de certos movimentos nos países periféricos, como é o exemplo do MST. (DAL RI; VIEITEZ, 2008, p. 51-52, grifos dos autores)

A introdução da ideologia nessa discussão tornou-se uma necessidade, até porque se trata de uma temática abordada no capítulo anterior, mas que, pela especificidade daquele capítulo, não pôde ser abordada. Porém, ainda que neste capítulo seja enfatizada a questão da ideologia, não se subestima nem se ignora a importância de outras questões, além da ideologia, implicadas com o cotidiano dessas organizações.

Ainda que seja feita menção às OTAs, num tom que sugere generalização, ressalta-se que há inúmeras especificidades entre elas, com variações, em termos de implementação ou de avanços nos quesitos mencionados como desafios ou potencialidades (DAL RI; VIEITEZ, 2008; 2009; NOVAES, 2011; NOVAES; FARIA, 2009; 2011).

Além disso, ressalta-se que, para fins destas análises, estão sendo levadas em consideração principalmente OTAs que adotam perspectiva de classe social, assim como uma postura de vinculação com as lutas mais amplas das classes trabalhadoras, para além dos interesses e necessidades mais imediatos, corporativistas ou particulares.

Dados resultantes de pesquisas recentes, como, por exemplo, (ALANIZ, 2003; ARIOSI; DAL RI, 2004; DAL RI, 2004; DAL RI; VIEITEZ, 2008; NOVAES, 2011; NOVAES; DAGNINO, 2011; NOVAES; FARIA, 2011; VIEITEZ, 1997; VIEITEZ; DAL RI, 2001; 2009a; 2009b), apontam dificuldades em se conseguir, em parte, a participação e a adesão de trabalhadores aos princípios do trabalho associado, mesmo em OTAs em estágios mais avançados de aplicação desses princípios.

Como destacado no capítulo I, desde os primórdios do desenvolvimento do capitalismo industrial, setores ou movimentos de trabalhadores constituíram associações e escolas, dentre outras formas de organização, para fins não só de sobrevivência imediata, haja

vista a crescente precarização das condições de vida, mas também visando a radicais transformações no sistema vigente ou mesmo visando a uma formação econômico-social que não a do capital.

Essas iniciativas registram avanços e recuos, não obstantes as inúmeras contradições e dificuldades, mesmo porque têm projetos contra-hegemônicos e perpassam a história das classes trabalhadoras, desde a Revolução Industrial até os dias atuais.

As potencialidades das OTAs, enquanto um processo autoeducativo das classes trabalhadoras com vistas à transição para além do capital, bem como os desafios e dificuldades por elas enfrentadas são das mais variadas ordens (ALANIZ, 2003; DAGNINO; NOVAES, 2011; DIAS, 2011; GALLO, 2004; NOVAES; DAGNINO, 2011; NOVAES; FARIA, 2009; 2011; SILVA, 2004; VIEITEZ; DAL RI, 2001; 2009).

Entre essas dificuldades estão a questão financeira, a questão da formação técnico- acadêmico-científica e, principalmente, a formação político-ideológica, que tem relações diretas com as ideologias e visões de mundo defendidas pelas organizações e com as ideologias e visões de mundo que permeiam a mentalidade de seus associados. Em última instância, as dificuldades e os desafios enfrentados pelas OTAs têm relações diretas ou indiretas entre si, além de, em certa medida, serem comuns a diferentes OTAs.

As OTAs, mais especificamente aquelas que se aproximam ou adotam uma perspectiva socialista, demonstram possuir significativo potencial educativo, principalmente no âmbito político-ideológico, pois se pautam pelos princípios da autogestão, nos limiares das condições objetivas e subjetivas, até porque não estão isentas dos efeitos das relações sociais – em especial as de produção – hegemônicas na formação econômico-social vigente (DIAS, 2011; GALLO, 2004; SILVA, 2004).

Empenham-se em superar ou romper com alguns paradigmas típicos do modelo de administração hierárquico-vertical e heterogerido e com o elemento fundante do capital, o trabalho assalariado. Combatem ainda o sexismo, o racismo e outras formas de hierarquizações verticais, como, por exemplo, geracional, étnica, acadêmica e econômica. Conforme Novaes e Faria (2011, p. 181) “A autogestão pressupõe a redução ao máximo dos níveis hierárquicos, para favorecer a horizontalização das relações no interior das empresas.”

Se, por um lado, as relações de trabalho, portanto, de produção, estabelecidas nas OTAs não estão isentas das contradições e dos conflitos inerentes ao modo de produção capitalista, por outro lado, apresentam significativas diferenças e também avanços, se comparadas a organizações heterogeridas, que operam na lógica do mercado de trabalho (DAL RI; VIEITEZ, 2008; 2009; NOVAES, 2011).

No que se refere às relações de trabalho propriamente ditas, destaca-se que o trabalhador associado não é um proprietário, no sentido hegemônico desse termo, nem mesmo vendedor ou comprador de força de trabalho. Assim, o associado tem uma relação de trabalho essencialmente diferente da realidade do trabalhador assalariado. Isso toca no ponto fulcral para manutenção ou mudança no sistema do capital, que é a questão da propriedade privada dos meios de produção e do trabalho assalariado, dialeticamente relacionados entre si (DAL RI; VIEITEZ, 2008; VIEITEZ; DAL RI, 2009).

Na autogestão, as diferenças salariais são abolidas ou, quando existirem, serão decididas em comum acordo pelo coletivo de trabalhadores, pois este é o único critério objetivo a justificar as diferenças de remuneração. A inferiorização dos trabalhadores será abolida pela participação de todos nas decisões sobre os assuntos que dizem respeito à empresa e à sociedade, inclusive sobre por que produzir, o que, quanto e como será produzido determinado produto. Num plano mais amplo, significa o controle da sociedade pelos trabalhadores. (NOVAES; FARIA, 2011, p. 180, grifos nossos)

Porém, quando nem todos os associados têm afinidades ou entendem os pressupostos e, mais ainda, os objetivos do trabalho associado, pode haver conflitos ou descontentamentos, pois a adesão a uma OTA, por parte de determinadas pessoas, pode ser, ao menos num primeiro momento, decorrência da necessidade de sobrevivência imediata ou da falta de opção (ALANIZ, 2003; DAL RI; VIEITEZ, 2008).

Assim, por um lado, há casos de associados que se sentem empregados; por outro lado, há casos em que associados sentem-se patrões (ARIOSI; DAL RI, 2004). Ambas as situações são incompatíveis com a perspectiva do trabalho associado (DAL RI; VIEITEZ, 2009; VIEITEZ, 1997). Há que se considerar, ainda, a cultura da apatia, da dependência ou da subordinação que, não raramente, leva associados a agirem como se trabalhassem em empresas heterogeridas, como aponta Gallo (2004) ao analisar empreendimentos econômicos solidários.

A formação técnico-acadêmico-científica é uma das questões que também demanda atenção, pois, além de, em alguns casos, estar vinculada diretamente às condições de sobrevivência das organizações, pode causar conflitos entre associados, seja por questão de ocupação de cargos ou funções e seus desdobramentos, dada a cultura meritocrática presente ou mesmo inerente ao sistema do capital, até porque o mais comum é que o referencial de análise da ampla maioria das pessoas sejam os pressupostos do mercado de trabalho, inconciliáveis com os pressupostos do trabalho associado (VIEITEZ; DAL RI, 2009).

Além disso, a formação técnico-acadêmico-científica nos moldes hegemônicos comumente não confere com determinados princípios do trabalho associado, uma vez que

reflete os padrões de relações de trabalho e de produção inerentes ao sistema do capital – trabalho assalariado heterogerido, divisão hierárquico-vertical do trabalho, desenvolvimento sustentável, entre outros.

Isso implica riscos de serem estabelecidas relações de trabalho e critérios de produção subordinados aos equipamentos tecnológicos, e não à decisão dos trabalhadores associados, acentuando-se os riscos de distanciamento das propostas autogestionárias e, consequentemente, de aproximação dos modelos heterogeridos de produção (GUTIERREZ, 1997; MÉSZÁROS, 2002a).

A adoção ou não de determinados recursos ou processos tecnológicos tem implicação também com uma questão vital, que é a sustentabilidade. Para Mészáros (2005, p. 72, grifos do autor),

A sustentabilidade equivale ao controle consciente do processo de reprodução metabólica social por parte dos produtores livremente associados, em contraste com a insustentável e estruturalmente estabelecida característica de adversários’ e a destrutibilidade fundamental da ordem reprodutiva do capital.

Portanto, a mudança de mentalidade precisa ocorrer não só no que se refere às relações humanas, mas também no que se refere às demais dimensões da natureza, na tentativa de se evitar ou reduzir as agressões ou determinados impactos negativos ao meio ambiente, questão elementar para a reprodução da vida no planeta. Isso demanda profundas alterações na produção, circulação e também no âmbito do consumo (MÉSZÁROS, 2002a; 2006).

Nakano (1997, p. 45) aponta que, apesar dos riscos implicados, na maioria das vezes pode tornar-se inviável a sobrevivência em alguns setores da produção sem a adoção de determinadas tecnologias, majoritariamente concebidas para a produção na lógica do capital.

No entendimento de Novaes e Dagnino (2004, p. 207) “As decisões e escolhas tecnológicas não são guiadas por critérios técnicos, mas incorporam os valores do capitalismo e fortalecem a acumulação do capital. O que nos levaria a pensar que a C&T existentes representam muito mais um obstáculo do que um veículo para a emancipação do ser humano.” Assim, a questão da aplicação da ciência e da tecnologia é um ponto de tensão nessas organizações.

Outro desafio que organizações autogestionárias enfrentam é a ausência ou a baixa incidência de participação dos associados nas diferentes instâncias das organizações, haja vista a resistência ou a recusa, pelos mais diversos motivos, de associados a se candidatarem ou a assumirem determinados cargos ou funções, em especial aquelas que demandam maiores responsabilidades e empenho pessoal (ARIOSI; DAL RI, 2004).

Gutierrez (1997, p. 28) sustenta que a participação é “questão clássica para a autogestão”.

Participar significa, em termos bem claros, mais trabalho! Tanto no que diz respeito ao cotidiano da produção, quanto nas questões de política administrativa e comercial. E a participação só é possível quando as pessoas estão sinceramente empenhadas nela, num ambiente de segurança e liberdade, confiando uma nas outras. Ou seja, no ambiente característico das experiências autogestionárias.

Apesar da filosofia e das práticas diferenciadas da OTAs, é comum que uma parcela de associados tenha sido educada, na prática, para o trabalho na lógica da heterogestão e, assim, estejam fortemente influenciados por posturas individualistas, culturas organizacionais e marcas de experiências anteriores (ARIOSI; DAL RI, 2004).

Conforme Ariosi e Dal Ri (2004) podem ocorrer ainda dificuldades advindas do fato de pessoas não aceitarem as decisões tomadas pelo coletivo. Por outro lado, o coletivo pode não aceitar opiniões muito divergentes. Dessa forma, o aprendizado vivencial de situações de conflitos e sua resolução são fundamentais para o desenvolvimento da cultura democrática.

Por se pautarem por modelos democráticos de gestão, em que todos participam das discussões, concepção e implementação das deliberações das assembleias, a própria dinâmica de funcionamento, organização e gestão das OTAs é “[...] um importante elemento pedagógico, é um currículo que, por não fazer parte dos conteúdos programáticos explicitados, encontra-se oculto.” (DAL RI; VIEITEZ, 2008, p. 288). As organizações autogestionárias

[...] são boas fontes de preparação técnica, profissional e comercial para uma prática solidária e democrática dos sócios, dirigentes, executivos, técnicos e funcionários da organização [...]. A vivência cooperativista possibilita o intercâmbio de informações e de experiências dos associados entre si, entre os associados e outros profissionais e parceiros da cooperativa, por meio da prática da participação, discussão, avaliação, críticas e sugestões solicitadas a todos em assembléias e reuniões de grupo. Ainda a rotação e a renovação obrigatórias dos dirigentes possibilitam a formação de novas lideranças que poderão ter influência democrática em suas comunidades. (ARIOSI; DAL RI, 2004, p. 95-96)

Gutierrez (1997, p. 30) enfatiza que “Não há atalhos.” Para o êxito – ou mesmo redução dos riscos de fracasso – das iniciativas autogestionárias, é indispensável um envolvimento para além das relações meramente formais ou simulacros de coletivo, o que não ocorre de um momento para outro. Trata-se de um processo, envolvendo fatores complexos, demandando um processo educativo teórico-prático.

O efetivo engajamento do coletivo, em contraposição aos simulacros de envolvimento, isto é, meramente formais e aparentes, bem como o “[...] amadurecimento das questões

através da reflexão, do debate e da busca argumentativa [...]”, como contraponto ao “[...] falso atalho das eleições internas [...]” e a uma simples consulta censitária, são indispensáveis para o processo autogestionário (GUTIERREZ, 1997, p. 31).

As relações democráticas também demandam aprendizado. Quanto maiores as organizações, maiores os desafios, as dificuldades e os riscos de contradições a que estão sujeitas.

No entanto, no plano político, a evolução da democracia cooperativa não é linear e progressiva, mas efetiva-se com avanços e recuos próprios dos conflitos e das contradições da realidade econômica, social e política da sociedade. No cerne do movimento cooperativista existem várias contradições, dentre elas, pode-se citar que em cooperativas pequenas a participação nas assembléias gerais é intensa e abrangente, porém, quando as cooperativas crescem rapidamente e aumentam sua complexidade organizacional, há um declínio na participação política. Muitas organizações buscam uma maior descentralização administrativa e decisória para resgatar a participação do quadro social. (ARIOSI; DAL RI, 2004, p. 93)

Por outro lado, quanto mais amplas as experiências, maiores as complexidades e os desafios. Por conseguinte, em tese, maiores as possibilidades de contribuições significativas que sirvam de subsídio para que se possa planejar ou executar experiências mais amplas, envolvendo significativos setores das classes trabalhadoras.

Ariosi e Dal Ri (2004, p. 96) apontam algumas das potencialidades e dificuldades para a difusão e aprendizado de práticas autogestionárias.

As relações democráticas presentes na maioria das organizações desse tipo não podem, porém, ser separadas da estrutura e da dinâmica das relações capitalistas predominantes. Somente com uma visão de conjunto é possível realizar uma análise mais séria sobre o assunto. Mas elas podem, por exemplo, educar os indivíduos inclusive para uma prática democrática mais ampla na sociedade.

A educação se apresenta como uma possibilidade no processo rumo à autogestão e ao trabalho associado.

Neste contexto, vai ficando cada vez mais clara a necessidade de uma educação formal e política, porque elas não se separam. Ainda é tudo muito difuso, porém é inegável a recusa desses trabalhadores de viverem de maneira passiva aquilo que lhes é imposto. Aí pode estar a chave da subversão, a porta de entrada de um novo tipo de educação, formal e política, o exercício da democracia direta, numa sociedade em que a tecnologia, os mecanismos de controle e os sistemas de informação se sofisticam e penetram cada vez mais a vida de cada um de nós. Os trabalhadores das empresas de autogestão têm sido capazes de buscar e de exercitar aquilo que chamamos de democracia direta, abandonando a perspectiva de administrar as coisas e caminhando para uma gestão voltada para o sujeito que age. (NAKANO, 1997, p. 44)

Pode-se depreender dos argumentos apresentados pelos autores que uma das principais dificuldades enfrentadas pelas OTAs é a questão da participação nas instâncias e nos processos decisórios.

Entre os desdobramentos disso, numa relação dialética de causa e efeito, está a tendência de que certas pessoas ou grupos ocupem, indefinidamente, cargos ou funções de liderança ou de tomada de decisões mais estratégicas, inclusive sob a alegação de que não há

Benzer Belgeler