Adotamos a pesquisa qualitativa com metodologia etnográfica porque, desde o inicio do desenvolvimento da ação investigativa, quando definimos o objeto a ser estudado, suspeitávamos que essa fosse a metodologia adequada para responder às questões levantadas, pois o objetivo definido revelou-se muito complexo, com infinitas nuances e matizes. A partir desse pressuposto adotamos a observação participante, utilizada para nos aproximar ainda mais desse objeto, facilitando o processo de pesquisa e controle, no que se refere às nuances filosóficas, sociológicas e antropológicas dentro do campo da educação porque entendemos que:
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[...] a pesquisa educacional apresenta três abordagens epistemológicas principais. Uma tradição é representada por estudos empíricos-analíticos ligados a métodos quantitativos. As outras duas tradições estão mais fortemente vinculadas a abordagens qualitativas e podem ser divididas em estudos fenomenológicos- hermenêuticos e estudos orientados pelo referencial teórico do materialismo dialético (WELLER e PFAFF, 2010, p.19).
Tendo como base os estudos desenvolvidos por essas autoras, por Lapassade (2005), Angrosino (2009), Fino (2011), Martins (2008) e com o campo da pesquisa definido, iniciamos a nossa coleta de dados, adotando como estratégia operacional a observação participante, desenvolvida sistematicamente (duas vezes por semana), por um longo tempo. Essa estratégia nos pôs em contato direto com os processos desenvolvidos na Gincana literária, nos transformando em investigador e instrumento na coleta dos dados e na interpretação dos mesmos,
Foi necessário nos empoderarmos desses processos, adquirindo e treinando novas habilidades, para utilizarmos essa técnica de investigação denominada observação prticipante, como nosso procedimento científico principal, a partir de alguns critérios como planejamento, resposta a objetivos prévios, validação, precisão, verificação e controle. Isso exigiu de nós mais introspeção e capacidade de avaliar a subjetividade e a intersubjetividade tão comuns nos processos colaborativos.
Entendemos, portanto, observação participante como uma técnica empregada para coletar dados no locus definido como campo de pesquisa, abrangendo todos os atos do pesquisador, no que se refere à negociação para penetrar no campo pesquisado, participar dos processos vivenciados, registar, analisar, selecionar, validar e controlar os dados, definindo a relevância dos mesmos.
Normalmente essa observação se realiza em três momentos distintos, pois se constitui em grande desafio adquirir a confiança dos atores envolvidos nos processos investigados, uma vez que:
O grande desafio do investigador é conseguir aceitação e a confiança dos membros do grupo social onde realiza o trabalho de campo. Para tanto, o êxito de uma pesquisa dessa natureza dependerá da capacidade do investigador de, harmoniosamente, integrar-se ao grupo pesquisado. O pesquisador-observador formal e revelado será parte do contexto que está sendo observado/investigado e ao mesmo tempo modifica o contexto e é por ele (MARTINS, 2008, p.25).
Assim, no primeiro momento definido como observação geral, realizamos a solicitação de acesso ao campo e a definição de protocolos e estatutos para que se estabelecesse a interação com os atores que transitam nele. Em seguida tivemos o segundo momento que foi o da observação descritiva, quando adquirimos uma visão geral do campo
de pesquisa e do objeto de estudo. Finalmente chegamos ao terceiro momento. O momento da observação seletiva ou depuradora, caracterizado pelo enfronhamento do pesquisador dentro dos processos desenvolvidos, realizando uma escuta ativa e refinando as observações registradas no diário de bordo, como preconiza as pesquisas de natureza etnográfica.
[...] a etnografia se caracteriza fundamentalmente pela procura de fontes múltiplas de dados e evidências, para com isso obter diferentes perspectivas sobre o caso pesquisado, e pela coleta de dados que consiste na observação participante e na escuta ativa. A técnica etnográfica consiste na inserção do pesquisador no ambiente, no dia-a-dia do grupo investigado – Estudo de Caso. Os dados são coletados no campo, em geral, por meio da observação participante e entrevistas quase sempre semi-estruturadas (MARTINS, 2008, p.52).
Portanto, a observação participante, dentro do planejamento definido, foi um elemento facilitador para o desenvolvimento dessa pesquisa. Adotamos uma abordagem etnográfica, com foco nas relações educacionais e sociais estabelecidas, pois o nosso objetivo era retratar o fenômeno estudado de uma maneira que mesclasse o subjetivíssimo com a objetividade, para que de forma mais detalhada e apurada, pudéssemos analisar as informações obtidas, oriundas dos dados colhidos, com maior densidade cientifica, imprimindo a estas informações, após a análise, as implicações sociais, econômicas e culturais intrínsecas ao desenvolvimento humano.
Dessa forma, todas as observações diretas foram registradas no diário de bordo já citado, onde foram detalhados todos os processos vivenciados durante a investigação, para amplir a qualidade do método adotado e apontar novas formas de aferição de resultados, pela linha de pesquisa adotada, como pensam Weller e Pfaff (2010).
Nessa direção caminhamos. A observação participante possibilitou a coleta dos dados registrados em nosso diário de bordo. Este constitiu-se na principal ferramenta de registro da investigação desenvolvida, durante o longo período de desenvolvimento da pesquisa, pois consideramos os dados recolhidos dessa forma como a principal fonte a ser utilizada no nosso estudo, uma vez que:
O dado coletado, ao longo dessa permanência junto das pessoas, provém de muitas fontes, e principalmente da “observação participante” propriamente dita (o que o pesquisador nota, “observa ao vivo” com as pessoas, compartilhando de suas atividades), das entrevistas etnográficas, das conversas ocasionais de campo dos estudos dos documentos oficiais e dos documentos pessoais (LAPASSADE, 2005, p.69).
Para a análise dos dados e compreensão da realidade investigada, utilizamos as informações qualitativas e quantitativas, referente aos processos desenvolvidos,
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identificando nas entrelinhas dos diálogos observados, fossem eles orais ou corpóreos, os valores, as crenças, os sonhos, aspirações e desejos diversos, graças à etnografia adotada por nós nesse estudo de caso.
Assim, justificamos a escolha da metodologia etnográfica, adotando como estratégia principal a observação participante, porque numa pesquisa qualitativa se identifica com mais segurança e precisão o elemento fundante do processo investigado. Esse é inclusive um postulado de Bento (2011) que entende ser a investigação qualitativa um facilitador da compreensão das narrativas e dos seus significados dentro do campo investigado.
Dessa forma, considerando a heterogeneidade, ampliamos a amostra coletada, analisando os dados quantitativos apurados, a partir da identificação do elemento fundante dos processos desenvolvidos na sala de aula, no período de realização da Gincana literária do CMHPA. Para concluir trataremos a seguir dos instrumentos utilizados no decorrer do nosso estudo.