Quatro pedólogos experientes colaboraram de forma independente para produzir mapas de solos nível detalhado (escala 1:10.000) da área de estudo. Todos seguiram as bases da metodologia utilizada para levantamentos de solos convencionais, conforme descrito no item 2.1.1. Nenhuma restrição foi imposta quanto à classificação, legenda ou unidades de mapeamento, sendo apenas solicitado que seguissem como padrão para a classificação o SiBCS. Por se tratar de um mapa de escala grande, seria necessária a classificação até o sexto nível categórico (série) (EMBRAPA, 1995), porém, como o SiBCS está definido somente até o quarto nível categórico (sub-grupo), foi solicitado a cada um dos pedólogos que acrescentassem somente a informação sobre a textura a cada unidade de mapeamento além do quarto nível categórico para facilitar as comparações entre mapas. Para a padronização das siglas da legenda referente às unidades de mapeamento, seguiu-se o padrão que está estabelecido no SiBCS até o terceiro nível categórico, sendo utilizado a partir do quarto nível categórico as seguintes siglas: (t) típico, (lp) léptico, (lat) latossólico, (n) nitossólico, (are) arênico, (ab) abrúptico, (frag) fragmentário. Para a informação da textura, adotou-se as seguintes siglas: (mt arg) muito argilosa, (arg) argilosa, (med) média, (ar) arenosa.
Nesse estudo a intenção foi fornecer aos pedólogos informações as quais se tem acesso quando uma área será mapeada, pretendendo-se que estas fossem aproximadamente o equivalente ao que é comumente disponível em levantamentos reais. Sendo assim, todos os pedólogos tiveram acesso às mesmas informações: par estereoscópico de fotografias aéreas coloridas na escala 1:10.000; mapa de curvas de nível de 5 metros de eqüidistância vertical na escala 1:10.000; mapa pedológico semidetalhado da região na escala 1:100.000
(OLIVEIRA; PRADO 1989) juntamente com a descrição e caracterização das unidades de mapeamento (OLIVEIRA, 1999); mapa geológico da região na escala 1:100.000 (MEZZALIRA, 1966); e mapa de limites e de talhões da área de estudo na escala 1:10.000 para servir como referência de localização.
Cada pedólogo realizou o número de visitas à área de estudo que considerou necessário, sendo estas em período que a cultura da cana-de-açúcar acabara de ser colhida com queima da palha. Nestas foram feitas observações de campo relacionadas de aspectos da paisagem, por meio tradagens para avaliar atração magnética, textura, cor, entre outras. Os locais onde cada pedólogo fez suas observações foram demarcados com um aparelho GPS, sendo estes posteriormente plotados nos seus respectivos mapas base, para que pudessem utilizá-los como auxílio na delimitação das suas unidades de mapeamento. Cada qual indicou os locais onde desejava examinar perfis e obter resultados de análise do solo de 0-20 e 80-100 cm de profundidade.
Buscou-se abrir trincheiras o mais próximo do local indicado por cada um dos pedólogos (Figura 3), sempre dentro dos mesmos padrões especificados por eles. Após a abertura das trincheiras, cada pedólogo foi levado separadamente para examinar o perfil do solo daqueles locais que solicitou (Figuras 1 a 4 dos anexos) para então fazer a descrição morfológica (Tabelas 1 a 16 dos anexos) e coletar amostras para serem envidas para análise. As amostras que cada um coletou passaram então por análises químicas e granulométrica (Tabela 17 dos anexos), seguindo a metodologia descrita anteriormente (item 2.2.1.4). Quanto aos resultados das análises de solo de 0-20 e 80-100 cm de profundidade (Tabela 18 dos anexos), foram repassados aos pedólogos aqueles referentes aos pontos da grade amostral que se situavam mais próximos dos locais por eles indicados. Estes nunca ficaram mais distantes do que cinqüenta metros dos locais especificados, e geralmente mais próximos, sempre dentro do mesmo padrão fisiográfico e geológico.
De posse dos resultados analíticos dos perfis e pontos amostrais, juntamente com as observações e anotações geradas em campo, cada pedólogo elaborou sua legenda, definiu as unidades de mapeamento de acordo com sistemática que julgou adequada, de maneira a obter o melhor mapa de solos que ele pudesse fazer.
2.2.2.1 Elaboração do mapa de solos convencional A
Para a elaboração do mapa de solos A, o pedólogo A tomou como mapa base a carta planialtimétrica da área plotada com seus limites e carreadores com uma fotografia aérea ao
fundo. Pela analise da fotografia aérea plotada no mapa base, observou-se que havia solos mais vermelhos, desenvolvidos provavelmente a partir de diabásio e, solos mais claros desenvolvidos provavelmente a partir de siltito. Assim, decidiu-se fazer uma incursão ao campo para verificar se os diferentes padrões de solos revelados pela fotografia aérea realmente ocorriam no campo. Na visita, toda a área foi percorrida, sendo confirmadas as variações de solos observadas na fotografia aérea, e detectadas outras mais. A partir de então, foram demarcados no mapa base 6 locais para examinar o perfil do solo.
Após a abertura das trincheiras, foi feita uma segunda incursão a campo para fazer a descrição morfológica completa e coleta de amostras de todos os horizontes identificados no exame dos perfis dos solos. Concomitantemente, foram traçados os limites preliminares das unidades de mapeamento que haviam sido identificadas até o momento.
No escritório, de posse dos resultados analíticos das amostras coletadas dos perfis, juntamente com as descrições morfológicas destes, indicou-se 27 locais nos quais se desejava consultar resultados de análises químicas e granulométrica de 0 a 20 e de 80 a 100 cm de profundidade. De posse desses resultados analíticos, foram feitos novos ajustes nos limites das unidades de mapeamento e solicitada uma terceira e última visita ao campo para realizar observações de campo (totalizando 11 observações), sanar dúvidas e definir os limites finais das unidades de mapeamento.
De volta ao escritório, tendo em mãos o mapa base (plotado com os pontos com análise de solo, locais onde foram examinados perfis, realizadas tradagens e demais observações), descrições morfológicas dos perfis e resultados de análises de solo, foi definida a classificação de cada unidade de mapeamento e os limites dos polígonos delineados para cada uma delas.
2.2.2.2 Elaboração do mapa de solos convencional B
Para a elaboração do mapa B, o pedólogo B tomou como mapa base a carta planialtimétrica da área plotada com seus limites, carreadores e com uma fotografia aérea ao fundo e as fotografias aéreas. O primeiro passo foi tomar as fotografias aéreas, ainda em escritório, e observá-las sob estereoscópio. Em seguida, foram traçados sobre as fotografias aéreas os limites das unidades fisiográficas observadas sob visão estereoscópica. Então foi solicitada a primeira visita a campo para reconhecimento da área a ser mapeada.
Na primeira incursão a campo à medida que toda a área ia sendo percorrida, foram feitas observações de campo por meio de tradagens e observação da paisagem do local, sendo
todas estas anotadas em caderno de campo. Concomitantemente, foi elaborada uma legenda preliminar de unidades de mapeamento, específica para esta área, visando enquadrar as unidades que estavam sendo identificadas. Várias vezes foram feitas observações a respeito do relevo da área com auxílio do estereoscópio e das fotografias aéreas, e a própria paisagem local, para ajustar os limites das unidades de mapeamento. Após esta primeira visita, foram solicitados resultados de análises químicas e granulométrica de 0 a 20 e de 80 a 100 cm de profundidade de 34 locais.
Foi necessário um segundo dia de campo para realizar mais observações de campo e finalizar o delineamento dos polígonos e identificação das unidades de mapeamento. Nesta visita indicou-se 10 locais onde se desejava examinar o perfil do solo para então classificar as unidades de mapeamento. Após a abertura das trincheiras foi feita a terceira incursão ao campo para examinar os perfis, fazer anotações acerca das características morfológicas, e coletar amostras para serem enviados para análise.
Tendo à mão o mapa base (plotado com os pontos com análise de solo, locais onde foram examinados perfis, realizadas tradagens e outras observações), anotações de campo e resultados de análise de solo, foi estabelecida a classificação para cada uma das unidades de mapeamento. Para finalizar o mapa foi realizada uma quarta visita ao campo para sanar dúvidas, realizar as últimas observações (totalizando 26 observações) e checar os limites das unidades de mapeamento.
2.2.2.3 Elaboração do mapa de solos convencional C
Para a elaboração do mapa C, o pedólogo C utilizou como mapa base a carta planialtimétrica da área plotada com seus limites e mapa de talhões. Tendo em mãos as informações base da área a ser mapeada, em escritório, antes da primeira incursão a campo, foi feito um planejamento prévio de 18 locais onde se desejava obter resultados de análise de 0 a 20 e de 80 a 100 cm de profundidade, e de 11 locais para examinar o perfil do solo.
De posse do mapa base e dos resultados analíticos dos locais solicitados, foi feita a primeira incursão ao campo. Nesta foram realizadas observações de campo, tradagens para avaliação da textura, cor, atração magnética, entre outras. Conforme a área foi sendo percorrida foram realizadas observações de campo, e delineados os limites prévios das unidades de mapeamento. As observações realizadas foram anotadas no verso do mapa base.
Após a abertura das trincheiras, foi feita uma segunda incursão ao campo para examinar os perfis do solo nos locais que haviam sido planejados à priori. Foram feitas
anotações acerca das características morfológicas, e coletadas amostras dos horizontes para serem enviados para análise.
Em escritório, com o mapa base (plotado com os pontos com análise de solo, locais onde foram examinados perfis, feitas tradagens e outras observações de campo), resultados de análises de solo e anotações de campo, foram então definidos os limites das unidades de mapeamento e sua classificação. Antes da finalização do mapa foi feita uma terceira visita a campo, na qual foram realizadas novas observações (totalizando 23 observações) e checados os limites finais das unidades de mapeamento e sua classificação.
2.2.2.4 Elaboração do mapa de solos convencional D
Para a elaboração do mapa de solos D, o pedólogo D juntamente com um especialista em cartografia de solos tomaram como mapa base a carta planialtimétrica da área plotada com seus limites e talhões com uma fotografia aérea ao fundo. Primeiramente de posse das informações base da área a ser mapeada, foi feito um planejamento prévio dos locais estratégicos para serem visitados e realizar tradagens e demais observações (textura, cor, entre outras), para a partir de então realizar a primeira incursão ao campo.
Durante as visitas ao campo foram realocados os locais visitados que foram planejados no escritório, conforme se julgou necessário. Em cada local de observação foi feita a avaliação da textura de campo, cor, atração magnética, presença ou não de pedregosidade e demais avaliações possíveis mediante tradagens, sendo todas estas observações anotadas em caderno de campo. Foram necessários quatro dias de campo para percorrer a área identificando as unidades de mapeamento e realizando estes procedimentos em 35 locais. Em seguida, foram solicitados resultados analíticos de 0 a 20 e de 80 a 100 cm de profundidade de 28 locais e indicados 4 locais para examinar o perfil do solo. No exame do perfil do solo foram anotadas as características morfológicas e coletadas amostras dos horizontes para serem enviadas para análise.
Tendo em mãos os resultados das análises de solo e as anotações de campo, o especialista em cartografia de solos definiu os limites das unidades de mapeamento e sua classificação. Como auxílio foram utilizados os estereopares de fotografias aéreas e um MDE da área gerado a partir da carta planialtimétrica fornecida. Para finalizar o trabalho, foi solicitada uma quinta incursão ao campo, para sanar as dúvidas e então finalizar o mapa.