O cruzamento entre o mapa A o mapa B gerou uma matriz de confusão entre as unidades de mapeamento destes (Tabela 25 dos anexos). A matriz resultante é apresentada na forma de mapa de concordância (Figura 16), no qual as cores mais claras representam concordância em nível categórico mais detalhado.
Figura 16 - Mapa de concordância da matriz de confusão entre o mapa A e mapa B
O cruzamento entre os mapas A e B resultou em uma correspondência espacial para o primeiro nível categórico de 68,74% (125,37 ha). Do primeiro para o segundo nível categórico houve uma redução de 5,04 % (9,20 ha) na correspondência observada, que ficou em 63,70 % (116,18 ha) com este aumento no nível de detalhamento. Para o terceiro nível categórico da classificação observou-se uma redução de 3,83 % (6,99 ha) na correspondência, diminuindo para 59,87 % (101,19 ha). Para o quarto nível categórico, verificou-se uma redução de 17,01 % (31,20 ha) na correspondência, a qual ficou em 42,86 % (78,17 ha). Quando considerado além do quarto nível categórico a textura, novamente ocorreu uma redução de 18,54 % (33,82 ha) na correspondência, que fica em 24,32% (44,35 ha) (Tabela 2). As principais discordâncias para o primeiro nível categórico se deram entre unidades de mapeamento muito semelhantes. O caso de discordância que envolve maior área, parte da unidade PVAdab med/arg, do mapa A, se sobrepôs à unidades classificadas como Cambissolos no mapa B. A região em que se deu esta divergência ocorrem Argissolos não muito profundos (horizonte B se estende até cerca de 70 cm de profundidade), conforme observado em perfil e na descrição dos solos da área de estudo (item 2.3.1). Assim sendo, solos menos desenvolvidos (Cambissolos) ocorrem associados em meio a Argissolos nesta
porção da área de estudo, sendo estes discriminados no mapa B. Em um segundo caso, parte da unidade MTft mt, do mapa A, se sobrepôs às unidades NVeft mt arg e CXveft arg, do mapa B. De maneira análoga, parte da unidade NVeft mt arg, do mapa A, sobrepôs parte das unidades MTft arg e CXveft arg do mapa B. Tais solos ocorrem associados na paisagem da área de estudo, confundindo-se em meio a esta, uma vez que têm como material de origem o diabásio, possuem altos teores de óxidos de ferro e bases trocáveis e ocorrem em situação de relevo relativamente declivoso.
Para o segundo nível categórico, a maior área de divergência se deu pela sobreposição entre a unidade PAeab ar/med, do mapa A, e a unidade PVAdab ar/med, do mapa B. Para a classe Argissolo, o segundo nível categórico da classificação é dado pela notação de cor determinada pela comparação com a carta Munsell (EMBRAPA, 2006). De acordo com Campos e Demattê (2004), a avaliação da cor do solo, quando executada pelo olho humano, é subjetiva, podendo ocorrer divergências na classificação. Estes autores, estudando as divergências ocorrentes na determinação da cor do solo por diferentes pedólogos, observaram que estas são grandes a ponto de afetarem na classificação dos solos estudados, conforme observado neste caso.
A maior parte da área divergente para o terceiro nível categórico é representada pela sobreposição entre unidade PVAdab med/arg, do mapa A, e a unidade PVAeab med/arg, do mapa B. Uma provável causa para tal divergência pode ser a alta variabilidade de alguns atributos do solo na área de estudo, tais como saturação por bases, conforme observado por Silva (2000), em estudo também desenvolvido na região de Piracicaba. Para classificar a unidade do mapa A foi usado como referência o resultado de análise do ponto 85 (Tabela 18 dos anexos), que revela caráter distrófico e inclusive saturação por alumínio superior a 50 %. Já para a o mapa B foram consultados os resultados analíticos dos pontos 12 e 24, os quais apesar de estarem próximos ao ponto 85 apresentam caráter eutrófico. Tal fato, de acordo com Silva (2000) torna o mapeamento de solos pouco eficiente em áreas onde esta elevada variância de curta distância é evidente.
A maior parte da área de discordância no quarto nível categórico é representada pela sobreposição entre as unidades PVAdab ar/med, PVAdab med/arg e PVAdt med/med, do mapa A, e a unidade PVAdlat ar/med, do mapa B. Tal divergência se deu em duas regiões próximas ao rio Capivari. Observou-se neste caso que houve uma maior compartimentação desta região no mapa A, sendo que este subdividiu mais as unidades de Argissolos Vermelho-Amarelos. Um segundo caso se deu pela sobreposição entre a unidade NVeflat mt arg, do mapa A, e a unidade NVeft mt arg, do mapa B. Este se deu nas proximidades do topo mais elevado da área
de estudo: enquanto o mapa A classifica a maior parte como Nitossolo latossólico, o mapa B classifica dessa forma apenas a parte superior mais plana, e a encosta, que apresenta certa declividade, como Nitossolo típico. Portanto, a divergência está relacionada à ocorrência/ausência do horizonte B latossólico abaixo do horizonte B nítico, o qual é identificado pela descrição das características morfológicas do perfil do solo. Por razões óbvias é impossível examinar perfis por toda a área mapeada para determinar os limites entre os solos (BRADY; WEIL, 2004). Desse modo, o pedólogo reúne evidências, por meio de observações (tradagens, observação da paisagem, entre outras), e com base nos seus conhecimentos faz sua predição a respeito da distribuição espacial dos solos. Assim, nesse caso cada pedólogo estabeleceu relações entre o solo e aspectos ambientais, baseando sua predição no seu próprio modelo mental, construído com base em seus conhecimentos (teóricos e tácitos) e na experiência adquirida em levantamentos realizados anteriormente.
Para o quarto nível categórico quando acrescida a informação de textura do solo, foram verificados três casos de discordância. O primeiro deles se deu pela sobreposição entre a unidade NVeflat mt arg, do mapa A, e a unidade NVeflat arg + NVdflat arg, do mapa B. Um segundo se deu pela sobreposição entre a unidade MTft mt arg, do mapa A, e a unidade MTft
arg, do mapa B. No último caso verificou-se a sobreposição entre a unidade PVAdab med/arg,
do mapa A, e a unidade PVAdab ar/med. Em todos estes casos, houve divergência quanto à classificação textural, entretanto sempre para classes texturais adjacentes. Isso pode ser explicado pelo fato de os solos desses locais apresentarem teores de argila próximos aos limites entre classes texturais. Soma-se a isso o fato de haver grande variação de textura do solo na área de estudo, provocada pela diversidade de materiais geológicos, o que aumenta as chances de ocorrência de divergências.
Em uma análise geral, percebe-se que o enfoque utilizado na elaboração destes dois mapas foi bastante semelhante, sendo as discordâncias fruto de critérios de predição, porém relacionadas a solos bastante similares, que se confundem na paisagem natural da área. Apesar de ambos os mapas terem sido elaborados na mesma escala, cada executor utilizou critérios próprios para delimitar e classificar as unidades de mapeamento, sendo o resultado fruto dos conhecimentos (teóricos e tácitos) e de experiências anteriormente adquiridos e postos em prática no mapeamento desta área.