1. MALİYET KAVRAMI, FAALİYET TABANLI MALİYETLEME
3.2. Örnek Laboratuvarda Faaliyet Tabanlı Maliyetleme Yönteminin
3.2.5. Uygulama Sonuçlarının Değerlendirilmesi 80
3.2.5.1. Maliyetlerin Bütçe Uygulama Talimatı Fiyatları ile
... minha semana foi horrível. Provas! Mas ainda bem que eu não tirei sequer uma nota vermelha, graças a Deus (D., diário)
A Escola é muito legal, eu adoro a aula de artes e de ciências e português, artes eu tirei 10; em ciências também e em português eu não sei (...) Como prova eu vou deixar a minha prova de ciências para você ver (F., diário)
A instituição escolar é tida como educadora essencial, importante para o fortalecimento da cidadania e da identidade. É um assunto bastante complexo. A escola surge várias vezes nos diários para relatar fatos do cotidiano e também para falar sobre sonhos para o futuro. Há valorização de aulas e de atividades que envolvem a produção de experiências e a capacidade de se comunicar e de se relacionar com as outras pessoas. Os relatos mostram que ao mesmo tempo em que há valorização da escola por promover a educação formal, há lamentações da rotina escolar, tais como cumprimentos de horários e atividades avaliativas. Contraditoriamente, o sucesso dessa fase de provas, caracterizada como tensa, é registrado nos diários com entusiasmo.
No primeiro relato, há um agradecimento a Deus pelo bom desempenho nas atividades escolares. E no segundo, a adolescente realmente deixou sua prova de Ciências no diário para eu ver: prova bem escrita, com nota dez e o escrito tradicional da professora -“parabéns” - que se configura como uma forma de incentivo à continuidade da dedicação aos estudos.
Outra manifestação dos aspectos positivos da escola está na valorização de atividades formativas complementares oferecidas pela escola:
Por ser fim de ano, comecei a pegar mais firme nos estudos, apesar de eu nunca ter sito má aluna, quero ser cada vez melhor, então peguei um livro também para ler de William Shakespeare, Romeu e Julieta, pois sempre ouvi falar, mas nunca havia lido e não sabia que a história era tão linda. (M, diário)
... terça estou participando do curso de informática que o R. está dando, até que ele está ensinando bem (R.)
Nossa, hoje teve aula de Canto, foi da hora (E.)
... tô querendo passar o Natal aqui mesmo pois todos os meus familiares disseram que virão para a minha casa. Eu e minha classe e alguns professores será bem legal pois faremos um amigo secreto (A., diário)
Os registros mostram o interesse dos jovens pela cultura intelectual. No primeiro trecho, o interesse em ler uma obra clássica com o objetivo de dar uma atenção a mais aos estudos. Observo que as adolescentes demonstram uma boa competência lingüística e mostram entusiasmo pelas atividades formativas da escola, o que mostra, mais uma vez, a desmitificação de que os adolescentes não lêem, não gostam de ler, não se interessam pela escola. O que, numa prática discursiva ideológica, aponta o desinteresse do jovem pelo estudo, significa, na realidade, a inviabilidade das políticas públicas educacionais em promover oportunidades para que os jovens continuem seus estudos.
Aproveita-se, ainda, para reproduzir a expressão “da hora”, que é identificada como gíria urbana, mas perfeitamente apropriada pelo jovem rural, com o sentido de “muito legal”.
Por ora, atentemos à valorização das atividades formativas, tais como o curso de informática que iniciou em 2009. Aliás, o jovem do campo lida com muita naturalidade com as novas tecnologias. É comum encontrar, nesse assentamento, adolescentes portando mp3 (mas desejando o mp5) e celulares modernos, por exemplo. Além disso, não é incomum o acesso a páginas de relacionamento na internet, que geralmente é feito em lan house, na cidade. No mês de setembro de 2010, o assentamento foi contemplado com acesso à internet, o que aproxima
ainda mais os espaços sociais do campo e da cidade. Outro ponto a destacar, já no último registro, é sobre a importância de atividades interativas que ocorrem na escola entre professores e estudantes e, nesse caso, o “amigo secreto” é uma prática urbana, que promove manifestações de afeto e amizade pelo outro. As meninas assistem a jogos de futebol pela televisão, torcem por determinados times e também praticam o jogo de futebol. CASTRO et al (2009) mostra, em sua pesquisa, que nem sempre essa facilidade que o/a jovem tem em transitar entre espaços e práticas rurais e urbanas é vista com tranqüilidade. As autoras observam que essa aproximação com valores urbanos (gírias, modos de se vestir) gera um discurso que discrimina os jovens por não serem autenticamente rurais. Isso leva a imaginar que tal discurso preconceituoso espera que os jovens do campo tenham comportamentos e práticas que os caracterizem, preconceituosamente, como “caipiras”. Ou seja, ainda há o esforço em dicotomizar o urbano e o rural. Porém, apesar de serem considerados, geograficamente, como espaços distintos, na prática eles estão unificados e se completam. É necessário que esses espaços possam ser ressignificados. Sobre esta questão, é interessante observar o seguinte argumento:
... temos hoje uma singularização da categoria juventude no meio rural que, como vimos, é recente e, no entanto, inserida num contexto que a caracteriza como problemática, pelo tema da migração para a cidade. O que pode parecer um paradoxo: afirmar sua identidade rural sem incorporar um antagonismo com o jovem urbano tem sido um processo de ressignificação nesse novo contexto e a partir da relação com a identidade juventude. O que é apontado como diferente pelos jovens dos movimentos sociais rurais em relação aos jovens urbanos são elementos identitários que reforçam laços com o espaço rural como lugar de vida, de trabalho, de relação com a natureza. Um espaço distinto da cidade, que seria melhor se tivesse acesso a bens e serviços que, atualmente, estão ainda restritos ao espaço urbano. Embora os próprios jovens afirmem ser os do campo
mais família, mais comprometidos que os urbanos, em muitos eventos eles se
articulam diretamente com os movimentos sociais urbanos, tais como a Torcida Organizada Gaviões da Fiel, o movimento estudantil das metrópoles e grupos de
hip hop. Portanto, a identidade rural é construída de forma contrastiva em
relação ao urbano, mas sem representar ruptura com a cidade. De fato, a identificação como jovens reforça diálogos e aproximações entre os distintos contextos e ‘juventudes’ (CASTRO et al, 2009, p. 192).
A pesquisa que realizei com as adolescentes não revelou, nem nos diários nem nas entrevistas, que elas sofram críticas por aderirem a alguns valores urbanos. Ao contrário, para elas, é muito comum incorporarem práticas urbanas como modos de se vestir, o que, vale reforçar, não significa que elas não tenham identificação e, principalmente apego afetivo com a identidade de seu grupo social.
A valorização da escola enquanto formação será aprofundada quando atentarmos para as aspirações profissionais. O que se quer é destacar que, mais que um espaço de socialização que visa a transmissão de conhecimento e exercício de deveres em relação a aulas, provas, horários e relacionamentos com professores, a escola é um espaço de práticas de sociabilidade. A escola é o lugar de encontro com os amigos, de expressão de uma subcultura juvenil, de trocas afetivas, de namoros.... Ela possibilita o encontro de uma geração. Os discursos retirados dos diários podem ilustrar a citação:
Nesses últimos dias de férias foi horrível por causa da minha mãe. Ela não deixa eu sair nem em frente de casa. Ela pensa que a gente só porque somos adolescentes tem que ficar as férias todas dentro de casa fazendo serviço o dia inteiro. Só na semana que eu saio. Sabe qual o lugar? É a escola que eu estudo de manhã e à tarde eu faço curso. Só esse lugar que eu freqüento. E de final de semana sabe qual lugar que eu vou? ficar o dia inteiro fazendo serviço e ela não deixar eu sair pra lugar nenhum (L, diário)
Hoje eu fiquei em casa o dia inteiro. Essas férias foi horrível. As aulas está chegando ainda bem (F, diário)
Hoje cedo fui na cidade no médico (...) essas férias está chata. Não tem nada pra fazer. Ainda com essa gripe suína as aulas parou29 (P., diário)
Férias!! Tão desejadas e queridas! Mas observamos que bastam alguns dias de folga para as adolescentes sentirem falta desse ambiente de trocas de experiências. A visão de escola que o jovem possui é ampla; é algo que vai além da sala de aula e dos conteúdos que devem absorvidos para preencher estatísticas sobre escolarização. Trata-se de pensar desenvolvimento humano em toda sua plenitude. É um espaço social onde os atores se movimentam e exercem práticas de sociabilidade. Dito de outra forma, a escola é a instância em que o indivíduo dá início à sua vida social. É lamentável o não reconhecimento desse espaço, pelos formuladores de políticas públicas, como uma potência para a interação entre o conhecimento e a vida social, pautada pela valorização da história e cultura dos seus protagonistas.
O próximo tópico vai adentrar em outros espaços sociais que, junto com a escola, promovem atividades em que se cultivam as relações sociais e afetivas.
29 Referência à gripe suína que teve seu agravamento no mês de julho/2009, provocando, inclusive, mortes. Por causa do alto número de pessoas infectadas, os governos estadual e municipal, como forma preventiva, estenderam o recesso escolar que geralmente ocorre em julho. As aulas retornaram apenas em meados do mês de agosto.