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Para Sguissardi (2006), a integração do País à economia mundial enfatiza o novo papel atribuído ao mercado na alocação dos recursos e diminui as funções do Estado, em especial quando este é pensado como provedor dos serviços sociais − entre eles, a educação.

Peroni (2003), referindo-se às influências dos organismos internacionais nas políticas públicas da área educacional, salienta que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) propõe que o Estado:

[...] atue no eixo da fixação de metas, da avaliação de desempenho, do uso de incentivos, com o fim de aumentar a eficácia e a equidade do sistema, reforçar a autonomia e a iniciativa dos centros educacionais¨, desta maneira, ¨caracteriza também o novo tipo de relação que deverá estabelecer-se entre o sistema educacional, o Estado e a sociedade civil [...] (CEPAL, 1995, p. 206).

Quanto ao Banco Mundial, a autora afirma que há uma “posição explícita” da vinculação entre educação e produtividade, numa visão claramente economicista, sem a preocupação dos documentos cepalinos de vincular esses objetivos ao desenvolvimento da cidadania.

Nesse contexto, países da América Latina e, particularmente, o governo brasileiro, durante a década de 1990, promoveram ampla reforma educacional, aí incluída a educação superior.

No caso específico do Brasil, a Constituição Federal prevê em seu art. 214 (BRASIL, 1988) a necessidade de se estabelecer em lei o Plano Nacional de Educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades, por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas.

No ano de 1996, foi aprovada a Lei nº 9.39410, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), estabelecendo direcionamentos em prol da expansão das oportunidades educacionais, por meio da abertura de instituições de ensino superior privadas, de norte a sul do País, revelando, como lógica constitutiva desse processo, uma clara indução à privatização desse nível de ensino. Em seu art. 87, a LDB institui o

10 A Lei nº 9.393, de 20 de dezembro de 1996, foi publicada no DOU de 23/12/96, e estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

período 2001-2011 como a Década da Educação, cujas diretrizes e metas deverão estar em sintonia com a “Declaração Mundial sobre Educação para Todos”11.

Embora prevista na Constituição Federal/1988 e na LDB/1996, somente no ano de 2001 a Lei nº 10.172 aprova o Plano Nacional de Educação (PNE), elaborado pela sociedade civil, que se organizou junto aos sindicatos e trabalhadores da educação, que foi defendido por senadores e deputados de oposição ao governo daquele período.

Assim, segundo Sguissardi, (2006), o Plano Nacional de Educação (PNE), visando combater o cenário crítico da educação superior no Brasil, teve, dentre outros, os seguintes propósitos: 1) ampliar as vagas de forma compatível com a meta de 30% da faixa etária de 18-24 anos até o ano 2011 e atingir, no médio prazo, uma proporção de 40% das matrículas no setor público; 2) promover a autonomia nos termos constitucionais, incluindo a escolha dos dirigentes; 3) resolver a questão da desigualdade da oferta regional de vagas na graduação e pós-graduação e buscar melhor oferta de cursos e vagas em áreas de conhecimento que melhor respondam às necessidades do projeto nacional de desenvolvimento; 4) modificar o sistema de seleção, com atenção para as minorias raciais e socioeconômicas (cotas); 5) revisar carreiras e matrizes salariais de docentes e funcionários técnico-administrativos das IFES; 6) ampliar a supervisão, pelo poder público, da oferta e expansão dos serviços públicos de educação superior prestados por IES públicas e privadas, aperfeiçoar e aplicar a atual legislação sobre reconhecimento ou renovação da condição de universidade; e 7) estabelecer novo marco legal para as Fundações de Apoio Institucional (FAIs), regulamentando suas atribuições na prestação de serviços, de modo a garantir seu estrito controle e o retorno dos recursos financeiros e patrimoniais auferidos.

No ano de 2007, foi aprovado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que, segundo Hadad (2008), é uma tradução instrumental − um plano executivo do PNE. O PDE (BRASIL, 2007), em conformidade com a política nacional de educação, procura a sustentação em seis pilares: visão sistêmica da educação; territorialidade; desenvolvimento; regime de colaboração; responsabilização; e mobilização social. Estabelece, para isso, metas quantitativas e sinalizações mais efetivas para os grandes eixos da educação básica, superior, profissional e continuada. Para a educação superior, especificamente, sinaliza sobre o financiamento do ensino público, expansão das

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O programa de Educação Para Todos da Unesco, de 1998, foi construído com base nas seguintes premissas: a educação é um direito universal; a educação é a chave do desenvolvimento humano

instituições federais (que, associadas à reforma e a outros dispositivos legais, vem se efetivando por meio de criação universidades federais, transformação de CEFETs em IFETs, criação de novos cursos, expansão por meio da modalidade educação a distância e, mais recentemente, no ano de 2007, pela edição do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), com ênfase no Plano de Desenvolvimento Institucional e nos processos de avaliação (implementação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), entre outros.

Especificamente, em relação à educação superior, o PNE (BRASIL, 2001) propõe como metas para o decênio 2001-2010 duplicar o número de alunos nas salas de aula das universidades públicas federais12, atingir a meta de 18 alunos/professor13, aumentar a taxa de conclusão de cursos de graduação (chegar a 90%), além de ampliar a oferta do ensino noturno, democratizar o acesso à graduação e propiciar a interiorização da universidade.

O Projeto de Lei do PNE para o decênio 2011-2020 tem para a educação superior a meta de elevar a taxa bruta de matrícula para 50% (em 2008 era de 25,2%) e a taxa líquida para 33% (em 2008 era de 13,7%) da população de 18 a 24 anos. A taxa bruta corresponde ao total de matrículas no ensino superior dividido pelo total de jovens de 18 a 24 anos. Já a taxa líquida considera apenas as matrículas desta faixa etária.

Para alcançar essa meta, uma das estratégias previstas é de elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nas universidades públicas para 90% (noventa por cento), ofertar um terço das vagas em cursos noturnos e elevar a relação de estudantes por professor para 18 (dezoito).

Assim, as políticas públicas de educação visam cumprir dispositivo constitucional no qual a União deve exercer, em matéria educacional, função distributiva, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios.

Para Dourado (2008), o plano de trabalho do Governo Lula pauta suas ações para a educação superior na visão gerencialista, ao restringir a reforma universitária à melhoria dos indicadores educacionais, entre outros, por meio do incremento dos

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Conforme PNE, Lei nº 10.172/2001, na América Latina, o Brasil possuía um dos índices mais baixos de porcentagem de matriculados na educação superior (menos de 12%) dentro da população de 18 a 24 anos, ao passo que na Argentina este índice atingiu 40%, no Chile, 20,6%, na Venezuela, 26%, e na Bolívia, 20,6%.

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processos de gestão, e a uma visão reducionista de autonomia, entendida com mecanismos de captação de fontes alternativas de financiamento.

Assim, por serem objeto do controle social, as IES, privadas ou públicas, estão sujeitas a avaliações interna e externa, com implicações, no caso das públicas, no financiamento, na autonomia, na gestão democrática e no controle.

Benzer Belgeler