• Sonuç bulunamadı

2.4. Söylem Özneleri Bağlamında 1991-2014 Yılları Arası Dönemde

2.5.3. Makedonya Türkleri

O trabalho foi construído pelos alunos de doutorado Sérgio Mariucci, Maricia da Silva Ferri e pela doutora Vera Lúcia Felicetti, todos pertencentes ao programa de pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Os pesquisadores dedicaram a atenção da investigação aplicando a ferramenta de pesquisa –questionário- a alunos oriundos do 1º, 2º, 3º e 4º anos do Ensino Médio, perfazendo uma amostra de 423 estudantes. As escolas destes alunos são privadas e públicas e dividem-se entre os três Estados da região sul do Brasil (MARIUCCI et al., 2012, p.3).

As conclusões se comparadas com os dados obtidos no contexto de Porto Alegre são muito próximas. O diálogo é estabelecido já no início da reflexão quando os autores descrevem:

As aulas particulares perduraram como uma “sombra” do sistema oficial na medida em que as escolas não davam conta de uma atenção personalizada das necessidades específicas de cada aluno em termos de aprendizagem. Vale observar que as aulas particulares, no Brasil, são um fenômeno muito mais frequente entre os alunos da rede privada de ensino e, portanto, com condições financeiras de investir no aprimoramento da educação. (MARIUCCI et al., 2012, p.4).

Novamente a afirmação vem reforçar as origens do fenômeno. Sendo ele voltado para as elites econômicas, mesmo com as recentes possibilidades apresentadas por Nascimento (2007) e os avanços em termos de políticas educacionais que universalizaram o acesso à Educação Básica no Brasil, por meio de políticas de inclusivas e investimentos, ainda muito deve ser feito para que as possibilidades entre os sujeitos sejam coerentemente mais igualitárias. O grande problema do Brasil, com as suas imensas dimensões/contradições, conforme os autores, é o convívio que permanece da realidade de pais que consideram o estudo como uma perda de tempo e dinheiro, pois querem e precisam de seus filhos para garantir a subsistência por meio de trabalho em oposição total em relação àqueles que interpretam o estudo como a maneira de sucesso (e garantias) profissionais. Os alunos que participaram da pesquisa base dessa dissertação, confirmam que o estudo (principalmente de nível superior) é a chance de “estabilidade financeira”, “construção de uma carreira”, “melhores salários” e “garantia de emprego”.

Mais pontualmente sobre os dados empíricos dos pesquisadores em comparação com os dados da dissertação. Primeiro, sobre a frequência em aulas particulares, fora do espaço escola, no caso da pesquisa deles correspondendo ao ano de 2011, 27,7% respondeu afirmativamente para o questionamento. Nos dados desta dissertação, o percentual de frequência totalizou 56,6%. A disciplina mais procurada pelos alunos, mais uma vez, foi a matemática, com 17,5%, seguida por física, com 13,9%. Reafirmando os contextos anteriores, a primeira disciplina da área de humanas a ser citada é a de Língua portuguesa com uma distância considerável das anteriores, pois seus percentual alcança apenas 4,3% das respostas. Os entrelaçamentos entre todas as pesquisas citadas ao longo desta dissertação colocam em evidência o fenômeno e comprovam muito mais pontos em comum do que diferenças. Portanto, conforme afirmam os autores (MARIUCCI et al., 2012) é possível constatar que os alunos das escolas públicas e privadas encontram, nas aulas particulares, uma possibilidade de superação das dificuldades de aprendizagem ou, até mesmo, buscam um atendimento mais personalizado.

Assim finalizamos o recorte proposto para os entrelaçamentos entre as pesquisas sobre educação na sombra. Explicamos, no entanto, que Pierre Bourdieu não será retomado em um espaço novamente porque a sua teoria foi sendo utilizada ao longo de toda a reflexão. A seguir dedicamos um espaço específico para as reflexões finais do trabalho.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS: REFLEXÕES E PERSPECTIVAS

Afinal, talvez mais do que nunca, é preciso explorar a transgressão, ultrapassar os limites que o mundo social impõe a si mesmo e a todos nós, olhar com mais atenção para as relações entre poder e saber (Veiga- Neto, 2004, p.17)

A tentativa de construção de um panorama das aulas particulares, a partir de um recorte temporal e contextual (ano de 2013 na cidade de Porto Alegre), permitiu que os pesquisadores chegassem a algumas conclusões. Primeiro que o fenômeno das aulas particulares vem crescendo e seguindo a tendência mundial. Segundo, que a atividade se mantém mais presente em um grupo social específico, ou seja, entre aqueles com maiores recursos financeiros e que estão preocupados com uma formação ampla para os seus herdeiros. No entanto, um terceiro apontamento, é o de que a prática está também presente nas classes sociais que não têm tantos recursos financeiros. As aulas particulares que demandam investimento financeiro aparecem de forma mais reduzida, mas formas alternativas de formação complementar são buscadas pelos alunos. Por exemplo, a grande referência encontrada pela pesquisadora nos dados sobre os cursos preparatórios alternativos, aqueles que não exigem pagamento pelas aulas. Confirmando, desta forma, que é no ciclo final do percurso escolar que a prática está intensificada. Objetivando o enfrentamento dos exames de ingresso nas instituições de ensino superior, os alunos concluintes do Ensino Médio procuram formas de preparação mais intensa para que consigam o ingresso nas Universidades.

Em contraponto, um dado faz um apontamento preocupante,em certo momento da análise constatou-se que a parcela dos respondentes que interpreta os onze/doze anos de escolarização como também uma forma de preparação para o enfrentamento dos exames foi muito pequena. Então concluiu-se que há uma interferência entre os discursos dos alunos e da

escola. Enquanto esta considera a formação escolar como preparação para o exame vestibular, os alunos não compartilham dessa visão. A preparação para os exames vestibular, segundo os alunos, é feita em cursos preparatórios específicos. Mais ainda, nem mesmo as aulas particulares, frequentadas por eles ao longo do último ano de escolarização, são compreendidas como preparação para os exames de ingresso. A característica principal das aulas particulares, determinada pelos alunos participantes, é ser complementar aos estudos da escola e servir para sanar dúvidas pontuais, de matérias escolares pontuais. O desejo comum aos alunos das três instituições é alcançar vantagem competitiva. O que na verdade é um grande paradoxo. As aulas demandam investimentos financeiros, assim aqueles alunos inseridos inicialmente em um ambiente de mais qualidade de formação educacional, os da escola particular (é sabido e explícito que a qualidade da educação pública no Brasil não é a mais positiva) são os que os pais e responsáveis tem mais condições de investir na complexidade de alternativas de formação. Foi salientado nos dados que as atividades extracurriculares estão mais difundidas e pluralizadas entre esses alunos. Como comparar vantagens competitivas entre eles?

O capital cultural herdado pelo sujeito é fator influente na sua formação. Então, novamente, como visto, os pais e responsáveis dos (e pelos) alunos da escola particular são os que mais alcançaram índices no questionamento sobre grau de escolaridade. Os herdeiros dessas famílias já iniciam o processo com um provável distanciamento dos outros. Consequentemente, a escola pública de baixa qualidade acaba sendo uma provável reprodutora de estagnação social. Como enfrentar essa falácia deve ser discutido atentamente por pesquisadores em educação, por formuladores de políticas públicas e por todos envolvidos com os processos educativos. Se a escola cabe sancionar e afirmar posicionamentos paternos e maternos, influenciando diretamente na construção identitária do aluno é preciso que a educação na sombra seja iluminada. Vamos mais além então, se a escola particular, que só por ela já demanda um grande investimento financeiro, é considerada como de qualidade, quando comparada com a educação das escolas públicas, porque motivo, então, a prática da educação na sombra está muito mais presente entre os seus alunos?

Relevante para a análise as preocupações dos alunos quando interrogados sobre a continuidade dos estudos (Ensino Superior), nos três espaços igualmente, pois tanto os alunos da escola pública, quanto os da escola privada, defendem que para construir uma carreira, ter sucesso, ter recursos financeiros, estabilidade e consequentemente, qualidade de vida é preciso formação superior. Ela seria, então, a garantia de todas as possibilidades para o futuro. Reforçamos, como o(s) discurso(s) das instituições refletem subjetivamente e objetivamente

nas interpretações dos alunos. As expectativas e as esperanças que eles atrelam a obrigatoriedade dos certificados é preocupante. Caso algo fuja a esse determinismo dos certificados, as frustrações serão imensuráveis, pois não são criados e nem aceitos os caminhos alternativos. Estão condenados ao fracasso os que não conseguirem seguir o esse percurso? Os alunos das escolas públicas, filhos de pais com menor grau de instrução, com empregos melhores remunerados, com maior número de irmãos e com rendas mensais menores estão com seus caminhos já determinados pela herança cultural da família? Como romper com esse ciclo vicioso?

Então, finalizamos retomando alguns estudos futuros que foram propostos ao longo da escrita do trabalho. Ao longo dos estudo de doutorado, a pesquisadora pretende desenvolver alguns deles: primeiro, é preciso investigar a questão sobre a interpretação de qualidade de vida dada pelos alunos, já que eles a associaram à futuro profissional e remuneração; segundo, a distância entre os discursos da escola e do aluno sobre o final do percurso escolar, pois os alunos, diferentemente da instituição, não interpretam que estejam preparados para enfrentar os exames de ingresso nas universidades e, por último, objetiva-se um olhar mais crítico sobre a questão das disciplinas da área de exatas serem tão referenciadas, sendo as consideradas mais problemáticas a matemática, a física e a química.

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APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Prezado(a) Senhor(a) Diretor(a),

A sua escola está sendo convidada a participar voluntariamente de uma pesquisa educacional, intitulada “Investigação sobre as formas de preparação para o ingresso no Ensino Superior: uma educação na sombra ou uma sombra na educação?”. A pesquisa tem como objetivo delinear um panorama das aulas particulares dentro do contexto brasileiro. Pretende-se conhecer quem são os alunos e os professores deste sistema, bem como, pontuar quais são as disciplinas e como elas estão articuladas dentro do sistema das aulas particulares. Este sistema definido como “educação na sombra” passa a existir somente na sombra do sistema formal. Sendo ele ainda não investigado de forma mais exaustiva no contexto do Brasil.

Vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCRS, a pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender como esta educação paralela está construída dentro e fora das escolas e que implicações ela acarreta para o sistema formal de ensino e para a formação futura dos alunos. Sabe-se que o sistema existe e está em processo de expansão no mundo inteiro, mas as pesquisas sobre o tema ainda são poucas. Pretendemos, assim, tornar este objeto mais visível para todos os envolvidos: professores, pais/ responsáveis, alunos, pesquisadores e formuladores de políticas.

Desta forma, a opinião dos aluno é de fundamental importância para este estudo, uma vez que irá contribuir para o entendimento deste objeto de investigação. Entendemos que a contribuição da escola e dos alunos é fundamental para o avanço do debate proposto.

Caso exista a concordância em participar o aluno será convidado a responder um questionário que contém questões, as quais objetivam compreender a realidade do uso das aulas particulares.

Salientamos que nomes não serão pedidos no questionário e todas as informações serão analisadas pela pesquisadora responsável de forma confidencial. Apenas a pesquisadora terá acesso às informações dadas. As conclusões feitas a partir das informações fornecidas poderão ser utilizadas em publicações da área de educação sobre o assunto pesquisado. Todos envolvidos estão convidados a participar da construção da pesquisa e serão muito bem recebidos pela pesquisadora ao longo de todo o processo.

Os procedimentos que garantem a não utilização das informações de modo que prejudiquem as pessoas serão assegurados, inclusive no que se refere à autoestima e ao prestígio. Os resultados do estudo serão sempre apresentados como o retrato de um grupo e não

podem ser acompanhadas pelos participantes e por toda a comunidade interessada na investigação sobre educação.

Esta pesquisa trata-se de uma Dissertação de Mestrado em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS – e será desenvolvida pela mestranda Nádia Studzinski Estima de Castro, sob orientação da professora Dr. Marta Luz Sisson de Castro.

Assinando este termo de Consentimento estou ciente de que:

1. A minha participação na pesquisa iniciará após a leitura, o esclarecimento de possíveis dúvidas e do meu consentimento livre e esclarecido por escrito. A assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido será em duas vias, permanecendo uma delas comigo e outra com a pesquisadora.

2. Esta pesquisa é de natureza quantitativa e responderei um questionário com questões abertas, não sendo obrigada a responder todas as questões.

3. Estou ciente de que os dados do questionário poderão ser divulgados através de publicações científicas ou educativas, como artigos e apresentações em eventos de Educação.

4. Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre minha participação na referida pesquisa.

5. Minha identidade será preservada, portanto, será considerado o sigilo e anonimato tanto na coleta de dados quanto na divulgação dos resultados.

6. Minha participação na realização desta pesquisa não implicará lucros nem prejuízos de qualquer espécie, tanto para mim quanto para a escola. Estou ciente de que tenho total liberdade para desistir de participar da referida pesquisa a qualquer momento, e que esta decisão não implicará em prejuízo ou desconforto pessoal.

Eu, _____________________________________ declaro que estou de acordo em participar voluntariamente desta pesquisa e que fui devidamente esclarecido (a) de todos os aspectos constantes neste termo.

Porto Alegre, ___ de __________________ de 2013.

________________________ Assinatura do(a) Diretor(a)

________________________ Nádia Studzinski Estima de Castro

________________________ Prof. Dra. Marta Luz Sisson de Castro

Pesquisadora: Nádia Studzinski Estima de Castro – (51) 9238-8146 – [email protected]

Orientadora: Dra. Marta Luz Sisson de Castro - [email protected] Comitê de Ética em Pesquisa/PUCRS – (51) 3320 – 3345 – [email protected]

Prezado aluno,

Primeiramente gostaria de agradecer pela sua colaboração com a pesquisa desenvolvida para a minha Dissertação de Mestrado em Educação pela PUCRS. O tema da pesquisa é “Investigação sobre as formas de preparação para o ingresso no Ensino Superior: uma educação na sombra ou uma sombra na educação?”. As suas respostas são muito importantes para que o processo investigativo possa ter continuidade.

Com este questionário, quero conhecer a sua opinião sobre o tema, assim sendo, as respostas irão colaborar com minha investigação e validar ou não alguns conceitos construídos no decorrer do meu estudo. Fique bem à vontade para responder as questões e lembre-se que não é preciso identificar-se.

Atenciosamente, Nádia Studzinski Estima de Castro. QUESTIONÁRIO Panorama individual 01. Idade: __________ 02. Gênero: F M 03. Bairro de residência: ______________________ 04. Número de irmãos: __________ Panorama familiar 05. Responsável: Pai Mãe Pai e Mãe Avó Avô Outro:_____________