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Madencilik

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2.1. SEKTÖRLER

2.1.3. Madencilik

Bravo-Ortega e De Gregório (2005) defenderam que a abundância de recursos naturais exerce um efeito positivo sobre a renda per capita, embora esteja negativamente correlacionada com a taxa de crescimento econômico. Ou seja, países exportadores de commodities primárias tenderiam a crescer menos que seus pares especializados em produtos industrializados, mas poderiam desfrutar de um bem-estar social maior.

De acordo com o modelo desenvolvido pelos autores, o crescimento econômico é uma média ponderada entre as taxas de crescimento do setor de recursos naturais e da indústria, sendo que o setor primário emprega uma quantidade constante de capital humano e não cresce25, enquanto o setor secundário pode adicionar capital humano indefinidamente e crescer a taxas positivas. Por essa razão, uma maior dotação de recursos naturais aumenta a renda per capita, mas reduz o ritmo de crescimento da economia ao provocar a expansão do tamanho do setor primário.

Ainda segundo o modelo, uma maior quantidade de capital humano produz taxas de crescimento mais altas para uma determinada dotação de recursos naturais, de modo que sua abundância apenas limita o crescimento econômico quando o nível de capital humano é baixo e não há recursos humanos suficientes para serem empregados em atividades que melhorem o crescimento.

Bravo-Ortega e De Gregório aplicaram seu modelo em regressões de crescimento para o período entre 1970 e 1900, utilizando a mesma medida de abundância de recursos utilizada por Sachs e Warner, e concluíram que o impacto negativo dos recursos naturais sobre o crescimento é neutralizado ou mesmo revertido em países com elevados níveis de capital humano.26 Elevados índices de capital humano, demonstram, se contrapõe ao efeito negativo que o deslocamento de fatores de produção da indústria para a exploração de recursos naturais exerce sobre o crescimento econômico. Em outras palavras, a educação seria o remédio mais adequado para tratar a Doença Holandesa.

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Um pressuposto condizente com o pensamento econômico clássico.

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Os autores utilizaram como medida o número médio de anos de estudo da população com mais de 25 anos de idade.

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Os autores alegam ainda ser possível formalizar a ideia de um desenvolvimento conjunto de setores industriais de alta tecnologia simultaneamente aos de recursos naturais, em um modelo multissetorial, desde que a economia seja rica em capital humano – caso de países como Estados Unidos, Austrália e Canadá. Em particular, a experiência dos países escandinavos, onde o desenvolvimento dos recursos naturais foi acompanhado do crescimento de uma base industrial ligada ao setor primário – por exemplo, a indústria de madeira e celulose que emergiu a partir da exploração de produtos florestais – parece validar esse pressuposto.

A country would not benefit from giving away its natural resource endowment, as one might mistakenly conclude from models that emphasize only the growth effect. A country that is rich in natural resources can start with a high level of income, accumulate human capital, and see its growth accelerate. In this sense, natural resources need not be a curse. However, extremely low levels of human capital may cause such an economy to stagnate, because it then tends to specialize in natural resources extraction.

(BRAVO-ORTEGA; DE GREGÓRIO, 2005, p. 27)

Os autores comparam a experiência de países escandinavos e sul-americanos, ambos exportadores líquidos de recursos naturais. Eles observam que, por volta de 1870, as duas regiões possuíam economias relativamente próximas em tamanho. Naquele ano, a renda per capita de Finlândia, Noruega e Suécia era muito semelhante àquela de Argentina e Chile (ambos os grupos na faixa entre US$ 1.1 mil e US$ 1,6 mil). Em 1990, no entanto, esse valor alcançou a faixa entre US$ 16 mil e US$ 17 mil nos países escandinavos, mas ainda se encontrava no intervalo dos US$ 6 mil nos vizinhos sul-americanos. Para eles, o estoque inicial de capital humano das duas regiões foi um fator decisivo – embora, certamente, não o único – por trás dessa desigualdade. Entre 1870 e 1890, ponderam, a taxa média de alfabetização era de 99% na Dinamarca, 98%, na Noruega e na Suécia, e 89%, na Finlândia, mas não passava de 46%, na Argentina, 30,3%, no Chile e 14,8%, no Brasil.

It is difficult to explain the greater persistence of growth in Scandinavia than in Latin America without remarking on the educational gap that emerged between the two groups of countries over the period 1870-1910, and which remained large throughout the twentieth century (BRAVO-ORTEGA; DE

GREGÓRIO, 2005, p. 7).

O elevado nível educacional da força de trabalho nos países nórdicos teria facilita a alocação de trabalhadores entre diferentes atividades econômicas e o desenvolvimento de segmentos

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industriais atrelados ao processo de exploração dos recursos naturais: ainda no século 19, a Dinamarca começou a substituir a exportação de grãos pela de carnes; Suécia e Noruega migraram do comércio de madeiras para o de celulose e a Suécia foi capaz de adotar e aperfeiçoar as técnicas metalúrgicas britânicas, que lhe permitiram constituir sua própria indústria metalúrgica.

Situações que teriam causado uma crise social na América Latina, como a provocada pela crise do nitrato, que levou a uma migração em massa para as cidades no Chile, se mostraram, na Escandinávia, um episódio schumpeteriano de destruição criativa (BRAVO-ORTEGA; DE GREGÓRIO, 2005, p. 9). A distinção entre o desempenho da América Latina e da Escandinávia também teria relação com questões institucionais. Já no começo do século 19, escandinavos empreenderam reformas agrárias e educacionais, além de práticas políticas favoráveis ao livre comércio, na contramão da maioria dos países latino-americanos.

Blomström e Kokko (2007) afirmam que o processo de transformação de Suécia e Finlândia, de países agrícolas subdesenvolvidos em economias avançadas e de bem-estar social, sugere ser possível às economias exportadoras de produtos primários construírem fundamentos sólidos para o desenvolvimento sustentável, a diversificação e o crescimento de indústrias avançadas com base na exploração de seus em recursos naturais.

Ainda de acordo com os autores, embora tenham perdido espaço na produção, nas exportações e na geração de empregos ao longo das últimas décadas, as indústrias baseadas em recursos naturais ainda respondem por uma fatia significativa da economia dos países escandinavos – as indústrias madeireira e siderúrgica empregam, juntas, quase um quinto da força de trabalho industrial e garantem cerca de um quarto das exportações da Suécia, com participação ainda mais relevante na Finlândia.

The continuing prominence of these sectors implies that raw-material-based production is not only a temporary stage in economic development, but can instead be a sustainable element of an advanced industrial structure (BLOMSTRÖM; KOKKO, 2007, p.214).

Conforme lembram Wright e Czelusta (2007), a história revela uma série de casos bem- sucedidos de desenvolvimento baseado na produção e exploração de recursos naturais, que desafiam a tese de uma associação intrínseca entre a dotação de recursos naturais e o subdesenvolvimento. Os Estados Unidos, maior economia do mundo, são o principal

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exemplo. De acordo com os autores, os americanos eram os maiores produtores de praticamente todos os principais recursos minerais entre o fim do século 19 e início do século 20, exatamente quando se transformou também no maior produtor de produtos manufaturados. Para os autores, o rápido desenvolvimento industrial americano não ocorreu

apesar da abundância de recursos naturais, mas também em função dela, como demonstra o

fato de que a intensidade mineral relativa das exportações americanas cresceu de modo expressivo entre 1879 e 1914.

The American economy may have been resource abundant, but Americans were not renters living passively off of their mineral royalties. Clearly the American economy made something of its abundant resources. Nearly all major U.S. manufactured goods were closely linked to the resource economy in one way or another: petroleum products, primary copper, meat and poultry packing, steel works and rolling mills, coal mining, vegetable oils, grain mill products, sawmill products, and so on. The only items not conspicuously resource-oriented were various categories of machinery. Even here, however, some types of machinery (such as farm equipment) serviced the resource economy, while virtually all were beneficiaries in that they were made of American metal.These observations by no means diminish the country’s industrial achievement, but they confirm that American industrialization was built upon natural resources. (WRIGHT E CZELUSTA, 2007, pg. 185 e 186)

David e Wright (1997, apud WRIGHT; CZELUSTA, 2007) argumentam que a abundância de recursos minerais dos Estados Unidos não foi o resultado exclusivo de sua dotação geológica, mas refletiu um processo intensivo de prospecção, de investimentos massivos em tecnologias de extração, refino e aplicação, educação nas áreas de mineração, minérios e metalurgia, desenvolvimento de mercado e infraestrutura de transporte, além de estruturas legais, institucionais e políticas favoráveis ao desenvolvimento do setor, de modo que, em 1913, a participação norte-americana na produção superava, em grande medida, sua fatia nas reservas mundiais conhecidas.

Como observado em International (2009), muitos dos mercados emergentes no período que antecedeu a segunda Guerra Mundial eram exportadores de commodities, cresceram mais rápido que qualquer outro grupo durante a década de 1930 e hoje figuram entre as economias mais desenvolvidas do mundo. Entre os países de alta renda membros da OCDE, alguns são grandes exportadores líquidos de recursos naturais. São os casos notórios de Noruega, onde o balanço das commodities corresponde a 64% das exportações, Austrália (41,8%), Nova Zelândia (17,3%) e Canadá (15,7%).

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