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5. MÜZAYEDE SİSTEMİ

5.4 Müzayede Evi Uygulaması

5.4.1 Müzayede evi etmeni

Segundo Salgado (2008) existe uma descrença por parte dos editores tradicionais quanto à adoção dos e-readers e conteúdos digitais. No trabalho de pesquisa de autoria de Salgado (2008) ficou demonstrada, a partir das declarações dos entrevistados pertencentes aos quadros gerenciais de algumas editoras, a existência de uma resistência à chegada desses novos modelos associadas à necessidade de se adaptarem a um novo formato.

Por outro lado, o segmento educacional acredita que o potencial da tecnologia da informação poderá ajudar a complementar o material impresso e, por isso, é vista como uma boa oportunidade (SALGADO, 2008). Dentro da indústria do livro, diversos segmentos já se encontram ofertando conteúdo digital, como é o caso dos segmentos infantis e de referências

Campo Organizacional da Tecnologia da Informação (TI) Campo Organizacional do Livro Novas Tecnologias de Leitura

(dicionários e enciclopédias). Entretanto, nos dois casos prevalece ainda o formato tradicional como a principal fonte de recursos das organizações que as produzem (PINSKY, 2009).

Pinsky (2009) ainda reforça que mesmo com o advento da tecnologia, esta não pode ser considerada como uma ferramenta de utilização garantida como regra geral por parte dos leitores. Uma das justificativas utilizadas por Pinsky (2009) envolve fatores socioculturais. Aqui se pode acrescentar ainda as questões econômicas e as da inclusão digital.

Não se pode afirmar que a tecnologia por si só represente um diferencial competitivo das organizações editoriais (PINSKY, 2009). Complementa Borgman (2007 apud PINSKY, 2009) que outros fatores sociais influenciam a forma e o desenvolvimento das mesmas. Em resumo: uma vez disponível, nem sempre uma nova tecnologia torna-se objeto de interesse na sociedade (PINSKY, 2009).

As alterações também provocadas pelas mudanças dos hábitos de consumo especialmente nas novas gerações, que tendem a absorver melhor as potencialidades das novidades tecnológicas, faz com que outros agentes passem a atuar de forma diferenciada e incisiva sobre a cadeia produtiva do livro, como a Amazon – de livraria para editora, Apple e Sony – produtora do suporte para a mídia; Microsoft, Google e Yahoo – software de leitura e acesso. Estas organizações são capazes de provocar impactos substanciais (PINSKY, 2009).

Diante dos fatos observados, a cadeia do livro enfrenta um dilema que fatalmente afeta o mercado: a demanda. Para se entender a relação entre os elos da cadeia se fará necessário o entendimento dos movimentos por parte dos leitores dos conteúdos dos livros – digitais ou não. Diferentemente do que Perrow (1986) descreve sobre o que ocorreu com o setor fonográfico, onde o poder de influência do público era relativamente baixo, no setor editorial a forma de acesso ao produto/conteúdo será decisivo para o sucesso das organizações, aumentando assim a importância destes atores na evolução do mercado. Talvez por isso Earp e Kornis (2005) afirmem que o problema do livro é, acima de tudo, de distribuição, que depende, sobretudo de informação.

Os hábitos de leitura de livros digitais entre os brasileiros foi alvo de pesquisa. Ela revela que 3% (três por cento) da população brasileira lêem livros em formato digital. Foram baixados cerca de sete milhões de livros gratuitos da internet (AMORIM, 2010).

A pesquisa teve uma abordagem qualitativa com oito grupos de discussão realizados em quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. O conjunto dos participantes era composto por leitores, frequentadores de livrarias, usuário e não usuários do livro digital, profissionais e estudantes (AMORIM, 2010).

Amorim (2010) detectou que dentro dos grupos de foco o acesso aos livros se verifica basicamente nas livrarias e sebos (estruturas físicas tradicionais) e que a Internet serve de referência de preços para a aquisição de livros. Para as pessoas que participaram da pesquisa, os livros digitais estão difundidos e associados exclusivamente à Internet, demonstrando com isso, grande desconhecimento de quem fornece os livros digitais. Elas também apresentaram rejeição inicial ao livro digital por julgarem que o acesso a eles fosse feito apenas através do computador, suporte tecnológico associado a aspectos negativos como o fato de não permitir anotações e por apresentar conflitos com outras ferramentas de comunicação, justificando desta forma sua preferência pelos livros impressos em papel.

Ao serem apresentados ao e-reader e ao tomarem conhecimento das qualidades do equipamento - leitura fácil, leveza e de fácil transporte, uso simplificado, entre outras opções - os grupos de pesquisa passaram a ter reação diversa da provocada pelas impressões iniciais, tornando o produto objeto de desejo de consumo desses participantes (AMORIM, 2010). A percepção do valor do equipamento de suporte de leitura apresentado, Kindle, variou de R$1,5 mil em Recife a R$ 5 mil na cidade de São Paulo, enquanto que a quantia disponibilizada para sua aquisição, variou entre R$ 200,00 a R$1,5 mil em Recife e São Paulo respectivamente (ver Tabela 7) (AMORIM, 2010).

Tabela 7 Valores dos e-readers – percepção e disponibilidade

Cidades Percepção do valor do

equipamento e-reader Valor disposto a pagar pelo equipamento e-reader

São Paulo R$ 3 mil a R$ 5 mil R$ 1,5 mil

Rio de Janeiro R$ 2 mil a R$ 3 mil R$ 1 mil

Porto Alegre R$ 2 mil a R$ 3 mil R$ 1 mil

Recife R$ 1,5 mil R$ 200,00/R$300,00

Fonte: Os leitores brasileiros e o livro digital (AMORIM, 2010)

Um fato interessante é que os equipamentos reader são pessoais e dificilmente serão emprestados - até porque alguns equipamentos ainda possuem outros aplicativos personalizados - como ocorre com a plataforma impressa do livro. Assim, a evolução desses

equipamentos ditará a aceitação dos conteúdos digitais por parte da população. Essa etapa somente será superada quando houver uma popularização desses equipamentos principalmente no tocante à variável preço, atualmente pouco acessível à boa parte da população brasileira, visto que o valor para a disseminação do mercado será em torno de R$200,00 a R$300,00 (AMORIM, 2010).

Na primeira etapa da pesquisa, foram feitas as seguintes perguntas: “Qual o preço aceitável para um livro digital ?”, “Você pretende comprar livros digitais ?” (AMORIM, 2010). As respostas dadas – uma redução média de preço em cerca de ¼ do valor praticado de

“preço de capa” atualmente pelo mercado e a não intenção de adquirir o produto - entram em

discrepância com a informação da comercialização de cinco milhões de livros digitais vendidos desde o lançamento do iPad no início do ano, atingindo assim 22% do mercado americano (CBL, 2010), e com o anúncio da rede Waterstone da venda de 700 mil e-books desde setembro de 2008 (18 meses antes do lançamento do iPad) (NEILL, 2010). Enquanto isto no Brasil o MEC informa que foram realizados cerca de quinze milhões de downloads a partir do site www.dominiopublico.gov.br (CBL, 2009).

Os dados levantados no parágrafo anterior leva a crer que a evolução do mercado de e- books crescerá vigorosamente. Para Kohn (NEILL, 2010), até 2013 a venda de e-books representará cerca de 8% do faturamento de sua empresa, enquanto que nos EUA a venda de e-books no primeiro trimestre cresceu 252% produzindo um faturamento US$ 91 milhões.

A chegada dos tablets24, entre eles o Ipad da Apple, vem atender a exigências dos usuários que verificaram a necessidade de uma maior interação e outras funcionalidades, de acordo com Phil McKinney em entrevista a revista Info (GREGO, 2010). O tablet da Apple já se encontra em uso para fins de otimização empresarial por diversas organizações – companhia de eventos, hotéis, companhias aéreas, como ferramenta de trabalho, ampliando ainda mais o escopo de atividades a que se propõe o equipamento (KIM, 2010).

A abertura digital está possibilitando o surgimento de novos canais, cada vez mais específicos e de acordo com cada suporte. Assim como existirão pessoas que ignorarão os novos equipamentos de leitura, existirão outros que permanecerão utilizando os próprios celulares e mais especificamente o iPhone. Por isso a empresa Ether Books da Inglaterra

proporcionará o envio de contos, ensaios e poesias (INGLATERRA: editora aposta em contos para iPhone, 2010), corroborando com a previsão de Valente (BRAGANÇA, LITTO,

et al., 2010), durante o 1º Congresso do Livro Digital em março de 2010, para quem os livros

estarão disponíveis na maior quantidade possível de formatos, sendo isto uma alerta para que todos os agentes se preparam para esta plataforma multiformato.

Benzer Belgeler