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1.3. Araştırmanın Önemi

2.1.12. Müzakere becerileri ve dil

A compreensão de novos processos educacionais exige uma investigação questionadora do objeto música e de seu contexto contemporâneo.

Para essa compreensão, não há como fugir da análise histórica, cultural e econômica acerca da modernidade e sua possível superação: a Pós-modernidade. Para alguns autores, o termo pós-moderno é apenas um sinônimo de contemporaneidade, mas julgamos essa simplificação muito redutora. Como o tema é bastante polêmico, os pensadores contemporâneos se dividem ao tratar do assunto e compreendê-lo em suas diversas manifestações, lançando sobre ele diferentes luzes e abordagens, tornando-o deveras complexo.

O uso do termo pós-moderno significando o fim da Modernidade liga-se ao fato de nossa era estar centrada na informação e na velocidade, tendo à disposição um sistema integrado e uma rede de comunicação organizada que possibilita, àqueles que podem acessá- la, a troca de informações e a interação quase instantânea dos continentes, e se baseia na evidência de uma consciência global e de uma atitude mental pluralista. No entanto, para outros, esses eventos não constituem uma novidade em sua essência, e a Modernidade como período histórico-cultural ainda está em curso.

Seja como for, não se pode falar em Pós-modernidade sem fazer um confronto com os ideais e as características da Modernidade.

Na Modernidade, o homem e o mundo deixam de ser explicados por vínculos metafísicos e religiosos, libertando-se para agir de acordo com seu próprio entendimento. Estabeleceram-se novas formas de agir e pensar, baseadas não mais numa razão metafísica, mas na razão iluminista. Entendia-se, que pelo uso da razão, o homem deveria julgar, decidir e agir de acordo com os valores éticos (através da educação), de modo a atingir uma organização social justa e hegemônica. Nesse sentido, o Iluminismo se caracterizava por uma busca dos ideais gregos, sobretudo aqueles baseados na razão aristotélica, e não mais na razão neoplatônica.

Segundo Habermas, a Modernidade, embora em crise, não foi superada. Argumenta que dentro das próprias condições instauradas neste período é possível avançar, abrindo mão de uma racionalidade fechada, por meio do que chamou de “razão comunicacional”.

(Habermas, 1990: 289) Diz isso porque acredita que na Modernidade criaram-se condições que enclausuram a própria razão, gerando novas formas de poder, homogeneizando contextos e pessoas, impondo-se como instrumento de controle.

Para aqueles que acreditam na instauração de uma nova era, a pós-moderna, a crise da Modernidade explica sua superação.

O termo Pós-modernidade, diga-se, vem sendo empregado de modo bastante genérico. O problema está em nomear um movimento ainda em mutação (que ainda se produz), sem que se identifiquem melhor suas características distintivas. O pós-moderno seria talvez melhor definido como o momento de transição, no qual se vem anunciando o fim do período moderno, o que, para muitos, ainda não se consolidou.

Freqüentemente pós-moderno tem se referido às condições atuais, às mudanças desencadeadas pelas tecnologias, pela comunicação de massa, pela informação fragmentada, veloz e supérflua, por vezes sem reflexão. Para Lyotard (1993: 15), é “o estado da cultura após as transformações que afetaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes”.

Alguns autores, como Santos (1986), vêem, a partir da observação dos fatos sociais, indícios significativos que sinalizam as diferenças entre a Modernidade e a Pós-modernidade. Naquela, as fábricas, os objetos, a sociedade de consumo, a notícia, a luta política, o subjetivismo, a unidade. Neste, o chip, o shopping, os signos, o espetáculo, o ecletismo, a pluralidade, os simulacros do real, o egocentrismo narcisista. Segundo Santos (1986: 9), o pós-moderno “invadiu o cotidiano com a tecnologia eletrônica de massa e individual, visando à sua saturação com informações, diversões e serviços”. Para ele, na era da informática, “lidamos mais com signos do que com coisas”.

Jameson acredita que a teoria do pós-moderno é conflitante e dialética, enquanto houver incerteza sobre estarmos diante de uma ruptura ou de uma continuidade: “é apenas reflexo e aspecto concomitante de mais uma modificação sistêmica do próprio capitalismo.” (Jameson, 1996: 16) Para Jameson, é inevitável falar em pós-moderno, mas ressalva que o termo deve ser acompanhado de seus dilemas, e sua inconsistência deve ser forçosamente relatada. (Jameson, 1996: 25)

Uma terceira posição sugere uma transição, ou seja, “não saímos totalmente das asas da Modernidade e nem estamos integralmente em outra era”. (Gatti, 2005: 601) Conforme Goergen (1997: 63), “Modernidade e Pós-modernidade não se encontram numa relação de superação de uma pela outra, mas numa relação dialética”.

Em tempo, esclarecermos que a discussão acerca da Pós-modernidade é uma tentativa de se entenderem as raízes da cultura contemporânea através de seus componentes mais representativos nas esferas social e cultural. Não tencionamos interpretar o pós-moderno, nem tampouco tomar posição na contenda, mas não podemos deixar de falar em ensino musical renovado sem nos referirmos ao processo cultural vivido pela sociedade contemporânea.

As expressões culturais de nossa sociedade e sua atitude intelectual caracterizam-se pela perda de um centro17 único norteador, em prol de um pensamento pluralista, não linear. Longe de ser uma nova corrente de pensamento, ao contrário, é uma grande corrente cultural não hermética, que se amplia como uma rede ou teia. Significa uma ampliação de pensamentos, concepções e ações através de diferentes montagens, sobreposições e simultaneidades, sem a pretensão da busca do novo ou do original, mas admitindo o resgate do antigo e as similaridades com o passado. Nesse sentido, na Pós-modernidade não existe a necessidade de romper com o passado ou de negá-lo. O passado deixa de ser “ultrapassado”, para se tornar uma possibilidade. As tendências podem ser revisitadas, recicladas, justapostas e transformadas sem perderem seu caráter único, mas, ao mesmo tempo, perdendo-o. É uma era ainda sem rumo definido. Nossa postura diante desses fatores se compromete mais com as evidências, não necessariamente ligadas ao termo específico, já que uma concepção pós- moderna ou contemporânea nos permite olhar para o objeto música de uma forma mais abrangente. Antes de prosseguir, vejamos como a música se insere nesse contexto, para depois tratarmos de sua função e compreensão.