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2.2. Etkileme Davranışları

2.3.2. Etkileme taktikleri

O conceito de inteligência coletiva proposto por Pierre Lévy tem como suporte o conceito de ciberespaço, ou rede. Segundo Lévy (1999: 17):

“O ciberespaço (que também chamarei de 'rede') é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo.”

Entendida essa definição, o ciberespaço se torna condição essencial para o desenvolvimento de uma “inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”. (Lévy, 2003: 28) − a chamada inteligência coletiva −, que transcende os limites do sujeito e do objeto e segundo a qual inteligente não é o “eu-indivíduo”, mas o “eu-coletivo”. Lévy considera que pensamos em interação com os outros não só de indivíduo para indivíduo, mas também no âmbito das instituições, da cultura, das regras que influenciam e participam23 de nosso pensamento. Desse modo, as relações de coletividade não se estabelecem apenas em nível social, mas também do interior do sujeito, que pensa coletivamente.

Para Lévy, somos um nó de comunicação entre várias redes e, embora a consciência seja individual, temos apenas a sensação de pensar individualmente (Lévy apud Costa, 1993: 60):

“Ora, não haveria pensamento se num dado momento não houvesse essa espécie de efeito de unidade cujo ponto mais elevado é a consciência, mas também não haveria pensamento se essa unidade não estivesse mergulhada numa rede múltipla e heterogênea, com elementos vivos, sociais, semióticos, afetivos etc.”

Desse ponto de vista, a inteligência é resultado de relações complexas em que interagem vários sujeitos e objetos, e o sujeito pensante/inteligente “é um dos microatores de uma ecologia cognitiva que o engloba e restringe” (Lévy, 1993: 135), e a consciência, uma das interfaces entre o organismo e seu meio, deformando ou reinterpretando os conceitos herdados. A base desse pensamento está na noção de ecologia, ou “[n]o estudo das dimensões técnicas e coletivas da cognição.” (Lévy, 1993: 137) Assim, as representações se propagam nesse meio ecológico composto pelas mentes humanas (inteligências individuais), redes técnicas de armazenamento (de transformação e transmissão dessas representações) e conhecimentos que contribuem para a constituição das culturas.

A fim de compreender melhor a inteligência coletiva e como ela se relaciona com as questões da contemporaneidade, analisaremos suas quatro características:

1) Distribuída por toda parte – é, para Lévy, um fato incontestável, pois o conhecimento não tem endereço certo e o saber se torna o que as pessoas sabem, de modo que “ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa e todo saber está na humanidade.” (Lévy, 1999: 29) Todos os saberes são valorizados de acordo com seu contexto e todos têm algo para aprender ou para ensinar.

2) Incessantemente valorizada – uma inteligência deve ser empregada e desenvolvida como um recurso precioso e, ao contrário da crença geral, não se deve desperdiçá- la, pois há ainda muita ignorância a respeito da inteligência dos indivíduos em todos os segmentos sociais.

3) Coordenada em tempo real – é a possibilidade de coordenação e interação dos membros de um mesmo universo virtual de conhecimentos, a fim de que possam estabelecer ações, trocas e ressignificações através de novos meios de comunicação, um espaço móvel e virtual de interações sucessivas “entre conhecimentos e conhecedores coletivos inteligentes”. (Lévy, 1999: 29)

4) Mobilização efetiva das competências – o primeiro passo para essa mobilização consiste em identificar as competências e reconhecê-las em sua diversidade. Nesse ponto, Lévy nos lembra que “os saberes oficialmente válidos representam uma ínfima minoria dos que hoje estão ativos” e que reconhecer o outro em sua inteligência é contribuir para a construção de sua identidade social, ao passo que negar-lhe esse reconhecimento “alimenta o ressentimento e sua hostilidade, sua humilhação, a frustração de onde surge a violência”. (Lévy, 1999: 29)

Lévy argumenta que, sem ser fixa ou programada, a inteligência coletiva nasce e cresce com a cultura, e, por meio da transmissão, da invenção ou do esquecimento, o patrimônio comum é responsabilidade de cada indivíduo. A idéia central aí é que só é possível pensar coletivamente, pois quem não estabelece essa relação dialógica não pode pensar, do mesmo modo que quem nunca falou com ninguém não aprende a falar.

Mais que uma definição, Lévy apresenta um projeto humanista, centrado primeiramente no conhecimento de si mesmo e passando pelo conhecimento do outro, de forma a se conhecerem e pensarem juntos, transcendendo o “penso, logo, existo” e alcançando o “formamos uma inteligência coletiva, logo, existimos eminentemente como

comunidade”. (Lévy, 1999: 32) Nesse sentido, os suportes tecnológicos viriam colaborar para uma outra dimensão de comunicação dinâmica (em tempo real), mudando a concepção de pensamento e inteligência e também a linguagem, que passa a se dar também por meio de imagens, projetando nosso imaginário e nossos gestos mentais.

Montado esse panorama acerca das inteligências, justificamos nossa escolha teórica pela crença de que nenhuma das três perspectivas apresentadas − inteligência cognitiva/afetiva, inteligências múltiplas e inteligência coletiva − exclui ou desmerece as demais, mas elas antes revelam um modo único de pensar, mas mais abrangente. Acreditamos ainda que a articulação dessas idéias pode concorrer para que a inteligência no âmbito escolar, sobretudo no ensino musical, venha a ser melhor compreendida, para que no ensino/aprendizagem da música se considerem várias possibilidades com respeito aos alunos, ao objeto de estudo, às sucessivas e dinâmicas relações que se estabelecem entre e a partir deles, aluno e música.

Entendemos que o professor deve considerar a inteligência sob a ótica da cognição e da afetividade de Piaget e levar em conta as competências individuais, as facilidades (talentos a serem desenvolvidos) e dificuldades (a serem superadas) de cada um, conforme Gardner. Essa consideração deve contemplar também o modo próprio de aprender e estabelecer relações de cada aluno, pois nossa responsabilidade é valorizar ao máximo a diversidade dessas qualidades humanas, inclusive por novos meios de comunicação e suas interações, como propõe Lévy.