3.4. EFQM Mükemmellik Modeli ve Gelirin Mükemmel İdaresi (GEMİ)
3.4.5. Mükellef Hizmetleri İle İlgili GEMİ Projesi Doğrultusunda Yapılan
A transformação das moradias na Comunidade Irmã Dorothy segue os padrões de hierarquia e de expansão explicitados anteriormente nesta Seção. Para ilustrar a transformação da ocupação, realiza-se a comparação dos dados referentes à caracterização das residências, entre agosto de 2010 e junho 2011.
Dentre as mudanças identificadas, está a alteração na composição da comunidade. Como demonstrado na FIG. 44, das 42 moradias visitadas em maio de 2011, 31 delas (73,81%) foram encontradas famílias que lá residiam há mais de 10 meses, ou seja, que participaram do primeiro levantamento ocorrido em agosto de 2011. Já em 11 residências, famílias que estavam lá há menos de 10 meses, o que comprova uma dinâmica interna de entrada e saída de moradores.
FIGURA 44 - Tempo de moradia – Irmã Dorothy 1, maio/2011
Fonte: Grupo de Pesquisa PRAXIS. Dados trabalhados pelo autor.
O abandono “da luta” pela moradia por parte de alguns possibilita o intercâmbio de residências dentro da comunidade. É o caso do casal Florisvaldo e Jardeane que trocaram de casa na ocupação três vezes. Por não terem condições de construir a própria casa, limitados por um problema crônico de saúde de Florisvaldo, a melhoria de sua condição de moradia só era possível através do advento da mudança de moradias.
Eu tenho meus dois filhos e minha esposa, tomo remédio controlado porque sou diabético, sou hipertenso. Quando deu o derrame eu fiquei com sequela neste braço e nesta perna. Não tem como eu trabalhar, como é que eu vou fazer da minha vida? Condição de saúde precária. (...) O rapaz que construiu aqui desistiu do barraco. E a gente morava em um barracãozinho ali em baixo, que quando chovia molhava tudo. O Lacerda foi e conseguiu isto daqui para mim. Porque o rapaz daqui desistiu daqui... Não quis mais lutar e desistiu. E como eu estava no sofrimento ali em baixo, o pessoal viu qual família que estava mais precisada e foram e conseguiram isto aqui para mim (MONTEIRO, Florisvaldo, morador Comunidade Irmã Dorothy. Entrevista concedida ao autor. informação verbal).
Quanto à expansão das residências, esta pode ser vista na FIG. 45. Na comparação do número de cômodos, em 30 residências analisadas nos dois levantamentos, pode-se perceber um aumento considerável das casas com mais de três cômodos e uma redução das casas com menos de dois cômodos.
FIGURA 45 - Número de cômodos nas residências – Irmã Dorothy 1, Agosto de 2010 x Maio 2011.
Fonte: Grupo de Pesquisa PRAXIS. Dados trabalhados pelo autor.
As moradias com mais de quatro cômodos passaram de dois para quatro, o que representa um aumento percentual de 6.67% para 13.33% da amostragem. O destaque do levantamento fica por conta das moradias de três cômodos que, em maio de 2011, passaram a representar a maioria das casas analisadas, com aumento de oito para 13, de 26,67% para 43,33%. Por outro lado, as moradias de dois cômodos, que estavam em maioria em agosto de 2010, com 12 unidades, tiveram seu número reduzido para sete unidades, diminuição percentual de 40.00%
na amostragem entre levantamentos, pois passaram de oito, em 2010, para seis, em 2011, redução percentual de 26.67% para 20.67%.
Como estabelecido anteriormente, a expansão das residências também acompanha uma transformação dos materiais construtivos. A comparação da consolidação da comunidade/ dos materiais de vedação das moradias entre agosto de 2010 e maio de 2011 pode ser vista da FIG. 46 abaixo.
FIGURA 46 - Consolidação da comunidade/ Materiais vedação das Residências – Irmã Dorothy1, Agosto de 2010 x Maio 2011.
Fonte: Grupo de Pesquisa PRAXIS. Dados trabalhados pelo autor.
O grande aumento das residências de alvenaria como parte das melhorias empreendidas pelos moradores/autoconstrutures ao longo do tempo de ocupação, o que indica a continuidade do forte processo de consolidação da comunidade. De agosto de 2010 a maio de 2011, as moradias compostas somente de alvenaria passaram de 17 para 26, aumento percentual de 48,57% para 74,29%. As moradias
com mais de um material construtivo, mas que apresentavam no mínimo um cômodo de alvenaria em sua constituição - (L) + (M) + (A), também tiveram um pequeno aumento, já as que passaram de cinco (14,29%) para seis (17,14%). Neste universo, destaca-se a situação dos lotes 34, 47 e 70, que em 2010 representavam residências compostas somente de alvenaria e que em 2011, dado o processo de expansão destas (com o aumento do número de cômodos) passaram a ter mais de um material de vedação, de madeirite e/ou lona.
Entre os demais materiais construtivos, as casas de madeirite também tiveram um pequeno aumento, ao passarem de dois (5,71%) para três (8, 57%). Já as casas de lona ou em transição da lona para a alvenaria deixaram de existir na análise da amostragem em 2011.
É importante ressaltar que a contínua melhoria da construção das casas ocorre mesmo dentro da difícil situação política e judiciária da comunidade. Apesar da iminência de despejo e da influência de eventos políticos (como as eleições para governador), o investimento na casa é constante e parte fundamental do orçamento mensal familiar.
Você fica com medo de sair para trabalhar, voltar e não ter casa mais. O único sonho da gente está aqui, está tudo aqui. Por causa do movimento, tem esta ameaça de despejo você não tem vontade nem de trabalhar. Afeta o trabalho –você tem que ficar brigando com o patrão. Às vezes na escola, tem que faltar. Tem que ficar em recuperação... Tudo isto afeta. Eles falaram ai que se determinado político ganhasse, que dia primeiro de janeiro de 2011, se ele ganhasse ia despejar todo mundo. Nisto dai todo mundo fica apreensivo, fica sem saber o que faz, se arruma a casa, se não arruma... Fica aqui em um beco sem saída. Situação difícil (DA SILVA, Guilherme, morador Comunidade Irmã Dorothy. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).
Não vim para ficar aqui, marcar um terreno, montar um barraco para mim fazer uma bagunça para futuramente eu vender. Que eu mesmo penso que, no meu caso, que estou aqui lutando, fazendo o que estou fazendo, não é para mim. É para ter um lugar para criar minha filha. Tenho uma menina pequena e uma mulher. Então estou lutando, não é para ter um aconchego para deitar e dormir. Isso sim é provável, é bom. Mas eu estou mais lutando por um caminho. Para chegar para minha filha e dizer que hoje a gente não paga aluguel, não moramos debaixo de uma ponte (TCHUNAI, Márcio, morador Comunidade Irmã Dorothy. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).
Para salientar essas transformações, a FIG. 47 exemplifica a mutação de alguma das residências ocorrida pela dinâmica do processo autoconstrutivo, período de trabalho de DIÁLOGOS na Comunidade.
FIGURA 47 - Moradias na comunidade Irmã Dorothy 1 – Agosto/2010 x Maio/2011
Fonte: o autor.
A interação de pesquisadores/arquitetos com os moradores da ocupação torna possível visualizar a forte rapidez da mudança do cenário de atuação: a reposta autoconstrutiva reflete uma situação de emergência para com a carência de moradia, o que origina a mutabilidade de suas construções em um curto período de tempo. A partir desta constatação, pode-se inferir que a prática construtiva popular não condiz com uma suposta “paralisação das atividades” enquanto se planeja as intervenções mais “eficientes” para depois executá-las. Os processos compartilhados de produção do espaço representam, assim, um avanço quando comparado aos atuais modelos adotados pelo poder público, que se baseiam na lógica de planejamento/execução para intervir em assentamentos populares.
6.4.2 As redes de esgoto construídas na comunidade e a influência do