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4.2. ARAŞTIRMA VERİLERİNİN ANALİZİ VE BULGULARIN

4.2.3. Bulgular ve Yorumlar

No contexto que envolve o saber técnico e codificado, a experiência de processos compartilhados trazem diferentes contribuições aos participantes da equipe técnica.

Na visão dos pesquisadores, o processo significou, além do contato com uma realidade diferente, a possibilidade de estar envolvido com a prática de construir. As etapas de trabalho traçadas e realizadas conjuntamente com a comunidade representaram importantes oportunidades de transformação de conhecimento. O levantamento de dados representou uma experiência para compreender como se fazem a coleta de campo e a análise destes dados. Já o processo sobre o esgoto da

comunidade representou uma forma de aprendizado técnico e prático para soluções do sistema pesquisado.

Sempre lidar com a execução de algo é muito enriquecedor. A gente vê os problemas que acontecem que são inevitáveis. É lidar com problemas reais e não dados que a gente recebe prontos. Fazer este levantamento foi muito enriquecedor.

Outra contribuição foi poder lidar com eles, poder, de fato, estabelecer esta relação de troca. No caso do esgoto, por exemplo, eles falaram: ‘lá na Camilo Torres eles usaram as caixinhas pré-fabricadas que não são caras. E a impressão que eu sempre tive é que as caixas pré-fabricadas é que seriam muito caras e inviável. Depois disto a gente fez uma pesquisa e viu que de fato era uma possibilidade (SANTOS, Cecília Reis Alves do. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

O começo do processo já foi legal. Pois a comunidade não tinha recursos e a gente não tinha recursos de informação. Então, este começo foi muito importante para nós estudantes, pois nunca tínhamos feito um levantamento topográfico, com GPS... Esta parte foi legal, pois quando a gente vai fazer um trabalho a gente já tem os dados prontos.[...] Na parte do esgoto foi muito bacana. Porque o nosso conhecimento técnico, na verdade não existia. Teoricamente nós não conhecíamos muita coisa sobre o esgoto, mas nós conhecíamos as ferramentas e sabíamos a quem procurar para ajudar a gente a entender.

[...] A gente aprendeu muito assim na Dorothy. Não só do esgoto, mas da construção... O que eles pensam, o que é importante para eles. A gente nem imagina [...] Não é a nossa ideia e o nosso conceito de construção que é o que vale. E sim a necessidade da pessoa naquele momento. [...] A gente não pode levar a nossa ideia de construção de casa, de cidade pronta. Temos que estar sempre abertos a dos outros (BOAVENTURA, Carolina A. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

Quanto aos limitadores do processo, a visão técnica corresponde à visão dos moradores da comunidade. A falta de recursos e a questão política/ comunitária foram enxergadas pelos pesquisadores consultados como importantes impedimentos para a dinâmica da mediação da informação.

A questão política e financeira. Muitas coisas a gente pensa e não tem como executar. Mesmo com os moradores dando um jeito, pedindo dinheiro emprestado isto é uma limitação. E a questão política, por não ter o apoio da prefeitura municipal, por não ter a posse garantida... Esta instabilidade política e jurídica são limitadores do projeto (de pesquisa) e do arquiteto e do moradores na comunidade (SANTOS, Cecília Reis Alves do. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

A falta de ação da organização político-comunitária é também identificada como um impedimento das ações do processo. No entanto, os pesquisadores compreendem este fator como uma possibilidade de autocrítica acerca da postura técnica durante a parceria. A necessidade de se adaptar a metodologia ao contexto de inserção, poderia ser feita de modo a desenvolver medidas específicas para aquela realidade. No caso das ocupações, poderia ser levantado a busca por ações de incentivo à mobilização comunitária.

A gente ainda tem um despreparo metodológico. E um desconhecimento desta realidade. Acho que isto é inevitável porque não é comum este tipo de relação entre a universidade e as comunidades. É compreensível... Então, ao longo do processo, a gente foi aprendendo a melhor forma de passar informação, de reunir com todo mundo (SANTOS, Cecília Reis Alves do. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

A maior dificuldade com eles foi a questão da mobilização. Como chegar neste povo? Como fazer eles se envolverem no processo? É tudo feito de forma muito sutil. A gente sempre preocupou muito com a maneira de falar, com a maneira de conversar, para não se tornar nada impositivo. Nós fomos muito sutis, não nos envolvemos muito na parte de mobilizar eles e isto interferiu no nosso processo (BOAVENTURA, Carolina A. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

Entre as dificuldades de se construir conjuntamente com a comunidade, evidencia-se o conflito entre as formas de se pensar a construção do espaço da moradia. Baseada em uma lógica que privilegia o planejamento, em função da eficiência da execução, a ação do grupo de pesquisa teve de sofrer adaptações quando colocada no contexto da Comunidade Irmã Dorothy, em função da questão emergencial dos moradores e o imediatismo do processo autoconstrutivo.

Uma coisa que dificultou muito é que tudo na Dorothy é para agora. A pessoa quer arrumar a casa dela, ela está com o problema do banheiro e ela vai resolver agora. E a gente não conseguia dar esta resposta na hora. A gente foi acostumado a ter que pensar no projeto, raciocinar o melhor angulo... Então a gente demorou muito para dar as respostas para eles. E a gente chegava lá as coisas já estavam sendo feitas ou já tinham sido feitas. A pessoa está com uma dúvida no banheiro e você não sabe resolver aquilo na hora, ela vai fazer aquilo naquele final de semana (BOAVENTURA, Carolina A. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

Para se contornar o conflito de visões, as pesquisadoras enxergam a necessidade de se privilegiar o aumento do contato com a comunidade, através de mais visitas de campo. A partir da diminuição do tempo de coleta de informações

técnicas e de produção dos meios informacionais traria a possibilidade de maior abertura das discussões construtivas com a ocupação.

Deveria ter acontecido um contato pessoal antes. Pois alguns moradores não ficaram sabendo do processo que estava acontecendo. Enquanto uns se envolviam muito, outros nem sabiam que existiam. Eu faria isto diferente: aumentar esta proximidade entre o grupo e todos os moradores. E outra coisa que eu mudaria é aumentar o número de visitas. Por mais que a gente não tivesse um material para apresentar e não discutir com eles, nossa presença já levantaria outras discussões (...).

Sobre a representação de imagem, da maquete, da cartilha... Eu acho que a linguagem com eles é muito direta. Muito mais direta das que a gente fez. E é muito mais em uma conversa do que em um material. (...) Tudo funciona melhor ali com eles. Conversando, explicando... Se precisar rabisca um desenho no chão, com a pedrinha na areia. Eu acho que isto funciona mais e eles entendem mais na fala do que nos meios (SANTOS, Cecília Reis Alves do. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PRAXIS. Entrevista concedida ao autor. Vide Apêndice D).

Exemplificando essa observação, a FIG. 52 ilustra uma discussão bastante produtiva ocorrida entre os pesquisadores e os membros da comunidade em torno de um replanejamento da linha de esgoto na RUA A, em junho de 2011. Sem qualquer pesquisa anterior ou qualquer produção elaborada e discutida internamente no grupo de pesquisa,\ e, utilizando somente o conhecimento dos presentes, desenvolveu-se em campo, através de um desenho na rua de terra, uma descrição do processo de construção da rede de esgoto, que foi rapidamente compreendido por ambas as partes.

FIGURA 52 Descrição do processo de construção da rede de esgoto através de desenho na rua de terra

Fonte: Grupo de Pesquisa PRAXIS. Dados trabalhados pelo autor.

No caso dos pesquisadores, o processo de mediação da informação na construção da moradia novamente apresenta importantes contribuições, mesmo com suas limitações e dificuldades. Por permitir o contato de formas diferentes de pensar o processo construtivo, moradores e autoconstrutores elucidam o choque de metodologias e valores. Nesta situação, o relacionamento desses participantes constrói o embate de posturas divergentes que possibilita a mudança da visão pessoal, a apreensão de informações e a transformação dos envolvidos. O processo de mediação da informação é passível de ser enxergado como uma síntese do confronto de ideias a partir da troca horizontal. A visão técnica elucida isto claramente, ao confirmar a necessidade do conflito para se definir uma relação mediadora.