2.2. FREIGHT FORWARDER İŞLETMELERDE MÜŞTERİ MEMNUNİYETİ
2.2.2. Müşteri Memnuniyeti
dos uniformes da Guarda Nacional eram adequados para a realização das funções pragmáticas que eram exigidas de uma indumentária militar no Brasil do século 19, considerando desde já que não constituíam, no nível governamental, objeto de preocupação? Até o momento não temos elementos suficientes para uma avaliação mais completa. Observemos, antes de mais nada, que necessitamos de pesquisas mais sistemáticas sobre os padrões tecnológicos de manufatura de vestuário naquele período a fim de que possamos conhecer, dentre outros elementos importantes, as costuras então utilizadas. Neste caso, para nosso trabalho, lançamos mão de um recurso inicial, a comparação com o padrão dos uniformes civis oficiais do Império brasileiro.
Pudemos, assim, desenvolver alguns encaminhamentos iniciais a respeito do problema. Os panos utilizados no uniforme eram flexíveis e não representavam peso excessivo para o usuário, favorecendo assim a mobilidade dos guardas nacionais. Protegiam contra o frio e eram também resistentes a choques de pequena intensidade, com exceção da pelúcia que revestia as barretinas. Apenas o feltro era suficientemente impermeável para uma proteção eficaz contra a chuva. Quanto à estrutura e ao manuseio, vimos que as abas das casacas favoreciam o movimento, mas o corte da casaca de infantaria e da sobrecasaca e os cuidados para vestir e tirar o uniforme ofereciam algumas dificuldades. O abotoamento das casacas permitia regular a temperatura, função a que os panos não atendiam eficientemente. As costuras asseguravam a resistência das peças a choques.
Estas considerações feitas até o momento indicam que as funções pragmáticas realizadas pelos uniformes da Guarda Nacional não consideravam prioritariamente as necessidades de um corpo que pudesse ser mobilizado para desempenhar atividades bélicas e, portanto, realizar um esforço físico intenso. Estes uniformes atenderiam, por sua estrutura e pelas técnicas empregadas em sua manufatura, a funções pragmáticas gerais também realizadas pelo vestuário civil. De fato, já observamos como as costuras desses uniformes são semelhantes, nos aspectos que consideramos, àquelas das casacas de senadores, ministros e conselheiros de Estado. Além disso, a camurça era empregada nesses dois tipos de uniformes. Quanto às peças de indumentária, casacas, sobrecasacas e calças compridas eram utilizadas comumente no vestuário civil masculino, e a barretina, na forma apresentada, era a única peça exclusivamente militar.
Verificamos, dessa maneira, que poucos elementos de indumentária – o comprimento das abas das casacas e a barretina – eram especificamente concebidos na Guarda Nacional para compor um uniforme militar e suprir as necessidades de um esforço físico mais intenso do que aquele despendido em atividades civis. Em razão disto, as funções pragmáticas do uniforme não eram objeto de atenção sistemática na tropa e, por conseqüência, a preocupação com os panos empregados era pequena. Já ressaltamos em nossa análise como eram escassas as referências a funções pragmáticas na legislação da milícia e o mesmo se dava com relação aos materiais.
Estes eram regulados apenas pontualmente ou para algumas funções bastante específicas. No primeiro plano de uniformes, somente para as insígnias da barretina se indicava que eram de metal. Os panos só apareceram no segundo plano, na composição das bandas: previstas em 1831 como insígnias de oficiais subalternos para cima, sem definição do material, em 1852 foram concedidas aos sargentos (oficiais inferiores) bandas de lã, e para os postos acima na hierarquia, bandas de seda. É possível, para explicar esta situação, que talvez houvesse panos
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de uso tão fortemente estabelecido no senso comum – seria, então, o caso do feltro e da camurça das casacas –, que o governo não via a necessidade de controlá-los por disposições regulamentares. O mesmo se sucederia com os botins, cujo material não era definido, sendo, por isso, previsível uma utilização majoritária do couro, embora ainda seja necessário coligir e analisar as informações esparsas a respeito. No comércio os panos também não eram valorizados. Nos anúncios comerciais com ofertas de uniformes da Guarda Nacional os materiais raramente eram discriminados, vale dizer, não constituíam item a ser destacado na mercadoria ofertada. Os panos também não distinguiam os componentes das diferentes armas militares. A casaca do guarda de infantaria e a casaca do guarda de cavalaria eram ambas de camurça. Nesses casos, observamos que os materiais não tinham um uso diacrítico para algumas distinções fundamentais na organização da tropa. Ainda assim, esses materiais pareciam assumir maior importância nas funções diacríticas e simbólicas dos uniformes. Eles serviram em alguns textos literários para sinalizar o pertencimento dos indivíduos a classes e estratos sociais, categorias profissionais, gênero, enfim, indicar as referências situacionais das pessoas. Nas peças teatrais de Martins Pena, com guardas nacionais como protagonistas, que analisaremos mais adiante, os tecidos chita e baeta são referências constantes nas descrições das roupas de homens definidos como “pobres”.
Roupas de baixo e higiene do corpo
Quando consideramos, uma vez mais, as peças dos uniformes da milícia na legislação, constatamos que não havia disposições regulamentares sobre algumas roupas cujo uso certamente não era dispensado pelos guardas nacionais para garantir o bom desempenho das ações exigidas para a execução dos serviços da tropa. Neste âmbito não encontramos peças tais como camisas e ceroulas. Podemos chamá-las roupas de baixo, um termo não consagrado no período26, mas
que pode ser aplicado aproximativamente, pois estas duas peças eram definidas como roupas que se vestiam por baixo de outras roupas (MORAES, 1877, I, p. 320, 364). O que parece caracterizá-las, em primeiro lugar, era o fato de constituírem roupas que se usavam diretamente sobre a pele. As meias, outro tipo de peça igualmente excluído do modelo governamental, eram definidas justamente como a parte do vestuário que cobria pernas e pés (MORAES, 1877, II, p. 293).
A ausência de roupas de baixo na regulamentação sobre o uniforme indica que não havia, neste nível de definição do modelo, preocupação com as funções de higiene do corpo. Apesar desta ausência, a higiene era certamente uma questão que se apresentava em relação aos uniformes da Guarda Nacional. Ver, por exemplo, que Daniel Roche (1989) faz referências a propósito do Exército francês nos séculos 17 e 18, quanto à utilização de uniformes sujos. Não há por que não supormos que o mesmo problema, com as implicações para lavagem (ou falta dela) e cheiros diversos, não ocorresse com a indumentária militar da tropa brasileira.
Nas práticas dos guardas nacionais as roupas de baixo também não eram valorizadas. No comércio dos uniformes as camisas, por exemplo, eram anunciadas em jornais mas não como mercadorias especialmente oferecidas aos guardas nacionais, tal como ocorria com casacas e barretinas. Embora utilizadas pelos milicianos, elas não eram vistas como peças componentes da indumentária militar da tropa.
26. Não o encontramos no dicionário de Moraes Silva.