• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

1. KAVRAMSAL BOYUTLARIYLA MÜŞTERİ İLŞİKİLERİ YÖNETİMİ

1.7. MÜŞTERİ SADAKATİ

1.7.3. Müşteri ile Temas

Se no começo dos anos 1960, como afirmou Roberto Schwarz (1978, p.66), o engajamento de intelectuais de esquerda – que a partir do nacional-popular, combatiam o latifúndio, o imperialismo, etc. - parecia sob medida para o Brasil desenvolvimentista, cuja aspiração ao progresso encontrava barreiras nas formas arcaicas de propriedade e poder, esse cenário no qual se agitavam as massas para lutar pela reforma agrária e medidas de modernização burguesa propiciou um clima de „instabilidade‟ ou de possibilidades. O que pode ser evidenciado pela situação do presidente Goulart pré-golpe, que:

[...] não poderia ser mais grave: pressionado pelo jogo de interesse das diversas classes e grupos, precisaria definir suas opções. O pacto interclasses, que até então articulara a industrialização com a incorporação das massas ao sistema político, através de mecanismos de controle e concessão, estava irremediavelmente condenado. Incapaz de resolver a crise, oscilando na tensão de pressões inconciliáveis, o governo trabalhista acabaria por ceder terreno à reorganização do Estado pelo caminho do regime militar. (HOLLANDA, GONÇALVES, 1997, p. 20).

Dessa forma, o movimento da intelligentsia engajada que ligada à cultura passou a se estruturar e começou a se organizar junto às massas, foi estancado pelo golpe militar. Ou ainda,

Partes da intelectualidade mais desperta, em especial os estudantes, começaram uma verdadeira “ida ao povo” e tomaram o partido da reforma social profunda, fora dos planos governamentais. A mobilização, amplamente caucionada pelas desigualdades inaceitáveis do país, somava os impulsos oficialistas e subversivos. A ambiguidade favorecia a radicalização aventureira e desembocava em meses explosivos, de pré- revolução desarmada, a que o golpe de 64 pôs um termo. (SCHWARZ, 1999, p. 173-4).

O golpe militar de 1964 se impôs diante da estrutura de sentimento que floresceu nos anos anteriores e veio a mudar o curso do Cinema Novo (e das artes). De maneira geral, os cinemanovistas passam, então, a traduzir em seus filmes tanto a perplexidade como a tentativa de explicar a „reviravolta‟ histórica. Em um momento fortemente marcado pela expansão do mercado de bens culturais, pela euforia do chamado milagre econômico, encampado pelo governo autoritário, pela efetivação de um novo consumidor no país e por um público afeito à televisão, em plena expansão, o Cinema Novo procurou problematizar os imperativos desse mercado e diagnosticar o momento, também se

preocupando em ampliar o público. Busca, assim, desenvolver a viabilidade de um cinema crítico nas condições adversas:

As transformações sofridas pela produção cinematográfica cinemanovista, a partir de 1964, demonstram a multiplicidade de caminhos a serem percorridos por intelectuais que desejam manter sua individualidade autoral, inserindo-se da melhor maneira possível em um mercado cultural em expansão e, ao mesmo tempo, refletindo sobre a sociedade brasileira em plena transformação. (MALAFAIA, 2012, p. 215-216)

A tentativa de entender a derrota do projeto sufocado pelo golpe está evidenciada em filmes mais reflexivos que ganham uma dimensão mais analítica. Algumas das produções mais importantes deste período são: O Desafio (Paulo César Saraceni, 1966),

Terra em transe (Glauber Rocha, 1967), A Derrota (Mário Fiorani, 1967), O bravo guerreiro (Gustavo Dahl, 1968) e Fome de Amor (Nelson Pereira, 1968). Filmes que expuseram uma auto-crítica do próprio intelectual/cineasta em relação à ilusão de sua proximidade com o povo. Essa proximidade citada aqui anteriormente – e que aos intelectuais se mostrava viva no início da década - agora passa a ser discutida no próprio tecido da narrativa. É um momento de crítica ao populismo anterior ao golpe, tanto no sentido político como no estético- pedagógico.

O filme de Glauber Rocha, Terra em Transe (1967), sem dúvida, é uma síntese-condensação desse estado de espanto diante da nova conjuntura política e da derrota do projeto revolucionário. Glauber demonstra esse transe na própria narrativa, permeada pelo tema do subdesenvolvimento, de nação incompleta. A personagem principal do filme, o intelectual e poeta Paulo Martins, na fictícia República de Eldorado, é uma figura imersa em contradições, caminhando entre a “lucidez e a loucura” (RUBBO, 2008, p. 116). Passa-se, então, no cinema glauberiano - o qual pode ser considerado uma própria síntese e expressão social e histórica dos anos 1960 e 1970 - da alegoria da esperança, delineada pela profecia de

Deus e o diabo..., para a alegoria do desencanto de Terra em Transe (XAVIER, 2001, p.131)20.

A salvação presente em Deus e o Diabo... passa, então, a ser ocupada pela percepção do fracasso. Agora, o nacional-popular também é repensado e colocado em outros termos: nos questionamentos de quem é o povo ou que lugar está reservado a ele no cenário político. Ao assumir para si a tarefa de „dissecar‟ o intelectual de esquerda e expor suas fraquezas, o Cinema Novo cumpriu uma função essencial no período pós-golpe

20 Interessante notar como essa trajetória fílmica do cineasta coincide com um traço de sua personalidade

definida por Darcy Ribeiro, em depoimento, no documentário de Silvio Tendler, Glauber o filme, Labirinto do

(NAPOLITANO, 2001, p.116), tanto que o filme de Glauber teve à época uma recepção polêmica entre militantes políticos e produtores culturais, gerando inúmeros debates (RAMOS, 2006, p.5)21.

Napolitano (2001, p.116) acredita que nessa auto-crítica, o Cinema Novo e

Terra em Transe (Glauber Rocha, 1967) em particular, realizou uma tarefa histórica que “nem o teatro (momentaneamente "implodido" a partir do seu público) nem a música popular (consagrada, comercialmente, pelo grande público sem compromisso político, mas sensível às mensagens ideológicas das canções) tinham condições de realizar”. Ou seja, coube ao cinema a tarefa que além de histórica, acreditamos ser social, de refletir acerca de um passado recente e ao mesmo tempo tecer a crítica ao presente. Realizado no calor da hora, a importância de

Terra em transe se deveu por revelar a experiência do choque diante do golpe militar, bem como tecer a crítica ao populismo, jogos de interesse e às amarras do poder em relação à sociedade, maiores e mais sufocantes do que se imaginava antes do golpe. Ao mesmo tempo em que expôs a face regressiva da sociedade que ganhou vulto com o governo militar, bem como a decadência da burguesia tropical.

Além disso, outro fator formal definido por Xavier (1983, p. 166) preponderante no Terra em Transe é o dilema ou o jogo de forças presente em uma visão na qual a intensão predominante é a totalizante, mas que está repleta de elementos particulares desgarrados (os quais a montagem se esforça para organizar). A essa contradição e às determinações que em Terra em Transe impossibilitam uma escolha, ou ainda, revelam mesmo uma dúvida, incerteza histórica, o Tropicalismo vai responder de maneira diversa.