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MüĢahedelerde Cinler

Belgede İslam inancında cinler (sayfa 87-95)

E. CĠNLERĠN SAYISI VE DĠĞER CANLILARA NĠSBETĠ

I. BÖLÜM

7. MüĢahedelerde Cinler

Em abordagem sistêmica, esta dissertação fez prospecção histórica para conhecer como se deu a ocupação nas margens dos cursos d‟água nas cidades históricas formadas durante a economia da mineração do ouro, no período colonial de Minas Gerais, coincidentemente na região do quadrilátero ferrífero, onde no século XXI, desenvolve-se a economia do ferro. Pesquisou duas épocas que denominou Cenário do Ouro, época dos tombamentos e Cenário do Ferro, época dos instrumentos de zoneamento de uso e ocupação do solo urbano. Escolheu como caso a aprofundar o estudo desta ocupação as margens do Córrego do Seminário em Mariana.

Em seguida, discorreu sobre o Cenário Ouro e o Cenário Ferro especificamente em Mariana, tendo como parâmetro a espacialização abordada nas Normas de Preservação elaboradas pelo IPHAN para Mariana em 2008. Algumas considerações finais emergem do material trabalhado e são apresentadas a seguir.

Na historiografia para o estudo do Cenário Ouro percebe-se que não houve preocupação com a preservação das margens de cursos d‟água urbanos. A mineração de aluvião e de morros que se deram nessas áreas adotava sistema unicamente voltado para a subtração do metal, não dedicando atenção ao passivo ambiental que é percebido até os dias deste século XXI. Na captação de água para abastecer os chafarizes, há pouca referência à qualidade e modo de captá-la, dedicando-se mais aos problemas de distribuição no chafariz inclusive aos de cunho social, pois havia o temor de rebeliões de escravos a partir de seus constantes encontros no mesmo local ao buscarem a água. No retorno das águas servidas aos cursos d‟águas naturais, a preocupação era com os transtornos causados nos logradouros públicos e não com a poluição. As medidas de saneamento surgirão após as epidemias já no século XIX.

Pode-se concluir que a vegetação que cobria os impactos legados às margens dos corpos d‟água pela mineração, captação e esgoto de dejetos, tornou-se paisagem admirada tanto pelos relatos dos viajantes estrangeiros e dos funcionários públicos nos séculos XIX, como pelos modernistas no século XX que as pretenderam

protegidas através dos tombamentos. A exuberância da cobertura vegetal com alusões aos pomares e hortas é recorrente nas explanações estudadas. A moldura ao urbanismo colonial foi destaque paisagístico na descrição do tombamento. Nos processos de tombamentos há alusão indireta ao curso d‟água enquanto paisagem apenas.

A questão levantada na Introdução: a economia do ferro acarretou expansão

urbana degradadora do núcleo histórico tombado pela economia do ouro em Minas

Gerais, notadamente nas margens dos cursos d‟água? pode ser respondida afirmativamente enquanto ocupação impactante das áreas de espraiamento natural e das áreas de preservação permanente das margens dos cursos d‟águas.

Igualmente, para a outra questão: além da exploração de aluvião nos cursos d‟água,

a mineração do ouro preservou as margens no núcleo urbanizado até a época

dos tombamentos na década de 1930? percebe-se que a ocupação com construção nas margens dos corpos d‟água era evitada devido às cheias nos períodos chuvosos, mas a baixa densidade populacional da época pouco induzia esta ocupação. Mas, a área de espraiamento ou zona inundável da Rua de Baixo ou Rua do Piolho, desocupada no plano elaborado pelo engenheiro Alpoim na década de 1740 já estava ocupada na época do tombamento em 1938. Em 2008, ela é o Centro Comercial da cidade de Mariana, o Setor 5154 das NP-Mariana com as

características sucinta e gravemente descritas onde a verticalização chega ao inusitado terceiro pavimento, a tipologia arquitetônica é a pseudocolonial e contemporânea em ocupação em área de risco inundável.

Por ser o Decreto-lei n° 25/37 a base legal para a proteção do patrimônio tombado pelo IPHAN, as NP-Mariana foram elaboradas com foco em duas épocas, a do tombamento em 1938 e quando elas são contratadas através de plano de trabalho em 2008. No período de setenta anos entre ambas não se estudou a urbanização. Houve levantamento da alteração da tipologia e morfologia urbana tombada,

154 IPHAN. NP

– Mariana. Normas de Preservação para o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da

Cidade de Mariana. 3/3. Anexo I. Mapa 01/02. Diretrizes de Preservação para os Setores Morfológicos/ poligonal e Setores Morfológicos. 2008.

acrescendo a valorização da arquitetura intermediária entre os dois períodos: a eclética, a art-déco e a ferroviária, anteriormente não consideradas no tombamento.

Não se cogitou de estudos das margens dos mananciais, preferindo sempre a

Leitura Morfológica do Sítio Urbano Histórico155. Não há plano ou desenho urbano para as margens dos cursos d‟água. As Diretrizes para as Normas de Preservação foram extraídas das determinações das leis federais ambientais que surgem a partir de 1965, não demonstrando sensibilidade para o problema.

No entanto, o PCVD/OP/M elaborou anteprojetos de tratamento paisagísticos para Ouro Preto, inclusive para o Vale do Córrego Sobreira (Anexo6) apresentado no Capítulo I. Mas para Mariana preferiu paisagismo apenas para as praças. Na proposição para o Vale do Córrego Sobreira, cuja metodologia se aplicaria para outros vales, estabelece melhorias de uso dos espaços que se adotadas em 1975 não redundariam na degradação atual. Estabelece saneamento através de coleta regular de lixo e implantação de sistema de esgoto segundo indicações do setor Infraestrutura urbana do Plano, enfatiza a preservação da cobertura natural existente, preocupa com o porte e tipo de árvore sugerindo inclusive nos quintais árvores frutíferas e bananeiras. Não há confirmação da utilização deste Plano em Mariana.

As NP-Mariana foram concretizadas em matriz de diretrizes a serem aplicadas pelo IPHAN ou pelo poder municipal e para elas o quadro da FIG. 61 pretende contribuir sintetizando as variáveis que influenciaram na ocupação das margens dos cursos d‟água por nível de relevância quanto à degradação constatada nas duas épocas, no cenário ouro e no cenário ferro, perante as Diretrizes156 estabelecidas.

Elas vêm sendo adotadas pelo Escritório Técnico do IPHAN de Mariana com a anuência da Superintendência Regional/MG, enquanto aguarda pela regulamentação em portaria legal.

155 IPHAN. NP

– Mariana. Normas de Preservação para o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da

Cidade de Mariana. Título do Volume 2/3 das NP-Mariana. 2008.

A lentidão no processo de gestão das instituições responsáveis e a distancia entre a aplicabilidade das Diretrizes estabelecidas para as áreas já ocupadas e o consequente impacto já consolidado nas margens dos mananciais dentro da poligonal tombada é enorme. Extrapola a gestão tradicional do IPHAN devendo passar por integração de ações institucionais com os órgãos e agentes que atuam na cidade promovendo seminários e eventos com a comunidade para definição desses agentes, como bem determinam as Diretrizes das NP-Mariana. Ainda se complementam com implantação de educação patrimonial e ambiental e sugestão de fiscalização para a Prefeitura por meios de convênios e a participação em conselhos de gestão das águas.

As determinações são para todo o conjunto urbano tombado, esta dissertação aprofundou os estudos buscando-as para o maior conhecimento das ocupações nas margens dos corpos d‟água, aspecto pouco trabalhado nas NP-Mariana. Assim como o movimento modernista brasileiro há noventa anos instituiu a proteção do patrimônio nacional através dos tombamentos, “nos tempos que correm se desenha mais um desafio. Está aí uma nova oportunidade de esta sociedade dizer o que é e como se quer a si mesma. Irá aproveitá-la?” (SANTOS, 1988, p.185). Um século depois um novo movimento pode ser necessário para não se perder em definitivo o legado histórico do período aurífero nacional.

Dedicando este trabalho para as cidades históricas mineiras, notadamente para Mariana, pretende-se contribuir para a sustentabilidade urbana reafirmando a

transgeracionalidade preconizada nos tombamentos. Mariana sendo sede de

universidade federale de escritório do IPHAN possui gestores a somar com a comunidade local para trabalhar esse processo junto ao poder municipal e ao poder econômico centrado nas minerações ferríferas.

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Benzer Belgeler