3. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE TEORİK YAKLAŞIM
3.5. İÇSEL BÜYÜME MODELLERİ
3.5.3. Lucas’ın Beşeri Sermaye Modeli
A proposta dos autores da “teoria do posicionamento” nega a estrutura como sendo o que determina as posições e defende a construção social dos sujeitos, que passa também pelas posições que ocupam nas suas relações:
a) Em vez de estruturas sociais rígidas, a idéia de “story lines” culturais:
A idéia de “story line” é central para a teoria do posicionamento. Ela propicia uma forma de unir as mecânicas gerais da interação com o “melhor quadro” (incluindo a vida e a história dos participantes e suas culturas). Quando se interage, o significado e a “força” do que é dito são dependentes das “histórias” que o sujeito traz para essas interações. Algumas dessas histórias são pessoais com a pessoa com quem o sujeito interage. Por exemplo, é fácil pensar exemplos de coisas que se disse aos amigos, cujo significado depende de algum evento passado ou eventos que experimentaram juntos.
Elas são histórias geradas na cultura (na sociedade), com diferentes características e relativas a diferentes tipos de coisas. Podem aparecer problemas quando o sujeito não está inconsciente destas “story lines” ou quando a “história” a que um sujeito está se remetendo em sua interação é diferente daquela de que a outra pessoa está falando.
As “story lines” são, portanto, as experiências anteriores dos sujeitos que eles trazem para suas relações e a maneira como cada um deles percebe a ele e ao outro na relação. Essa proposição contempla o sujeito em sua constituição sócio-
histórica, mas ao mesmo tempo atual, em relação constante com os limites e possibilidades de ação, de acordo com os outros envolvidos.
b) Em vez de papéis e estatutos, os posicionamentos possuem três conceitos centrais: posição, força social da ação e linha de história.
a. Ao aceitar o "papel" como um fator fortemente determinado, deve-se aceitar a estrutura social, as injustiças e tudo o mais, enquanto dadas. As posições são constituídas pelos direitos, deveres e obrigações já aceitos socialmente sobre autoridade, poder, hierarquia e reconhecimento (social), o que não implica determinação. É o sujeito quem decide. Em muitos casos, eles podem estar satisfeitos com seus direitos. Em outros, a distribuição de direitos e obrigações pode ser mudada. Em vez de regras, que os teóricos da psicologia discursiva consideram um conceito rígido, propõem a idéia de convenções sociais. Uma convenção é, de acordo com os autores, simplesmente uma expressão dos modos pelos quais contamos histórias em nossa cultura, porque o sujeito não aprende e posteriormente age de acordo com as regras; elas são, na verdade, constituídas nas relações, aprendidas nas práticas dos sujeitos e utilizadas para expressar as normas da própria prática.
b. O posicionamento também está relacionado à força social implicada no ato de assumir ou atribuir ao outro uma determinada posição. Esta se refere ao “... poder presente nos enunciados na construção das práticas sociais e de realidades conversacionais” (VAN LANGENHOVE; HARRÉ, 1999). Esse conceito sustenta-se na noção de linguagem em uso proposta por Wittgeinstein (citado por HARRÉ; GILLET, 1999), em que a linguagem é considerada, em si mesma, uma prática social. Ao falar, as pessoas realizam ações, em que posições são negociadas de acordo com determinados propósitos sociais e conduzem a determinadas conseqüências para a interação em curso (DAVIES; HARRÉ, 1999).
c. A linha de história refere-se ao conjunto de significados associados pelos sujeitos à posição negociada e que permite definir o sentido de uma posição
em uma determinada interação. Ela é desenvolvida a partir da história conversacional imediata, ou seja, do desenvolvimento da conversa entre os interlocutores naquele momento interativo específico, como a partir da seqüência de coisas já ditas em outros relacionamentos, ou seja, das experiências anteriores de significação.
2.3.5. “Sistemática de posicionamento” na perspectiva do “agir organizacional
”
O sujeito é um “sujeito agente” social e discursivo, com interpretações e atos expressivos próprios que produzem a partir de contextos nos quais estão inseridos e dentro dos quais todos vivem, movimentam-se e fazem as vidas. Por essa razão, não se pode especificar plenamente o sujeito como um objeto cuja natureza possa ser definida isolada de um contexto e cujos processos mentais possam ser desvendados pela medição e descrição objetivas.
• Social: Como qualquer pessoa, o “sujeito” relaciona-se com os outros e os interpretam mesmo enquanto os outros se relaciona com ele e o interpretam. Todos compartilham e negociam conceituações e significados de acordo com os discursos nos quais são peritos. Na dinâmica da relação, cada um visa certa posição, mas atribui também ao outro com está em relação, uma posição correlativa que complete, reforce e ajuste a sua. As atribuições tanto a si mesmo quanto ao outro se fazem por meio das ações dos sujeitos na relação. Assim, numa equipe de projeto, o fornecedor que convida o cliente a participar das reuniões de concepção propõe a este uma relação de parceria que autoriza a co- concepção.
• Discursivo, no sentido de que usa símbolos cujo significado é uma função de seu uso do discurso. O discurso envolve tanto as interações simbólicas quanto as convenções e relações, nas quais essas interações são limitadas por regras informais e interconectadas umas com as outras de forma que refletem “a ordem
das coisas”, como Foucault denominou-as. Os sujeitos estão constantemente agindo em meio a influências avaliatórias e interpessoais, utilizando os recursos que tem para realizar seus planos, projetos e intenções, colocados em funcionamento nas ações coordenadas dos episódios da vida cotidiana (HARRÉ; GILLET, 1999).
Uma posição está relacionada às situações em que é possível ao sujeito ocupá-la, de acordo com os diversos domínios e grupos de objetos; ela pode ser alterada - em termos de estatuto, de prestígio, de autoridade, de atribuições e de competências -, ou completamente redefinida no decurso histórico, de acordo com as alterações de interlocutores e de cenários. A “posição” pode ser entendida, portanto, como algo que se constitui nos processos relacionais da pessoa com ela mesma, com os outros e com o ambiente sociocultural.
As relações de posicionamento são processos de ações e decisões, com relação ao outro (individuais e coletivos); o sujeito “habita” muitas posições diferentes, e cada uma delas possui seu próprio agrupamento de significados. Algumas dessas entrarão em conflito com outras e exigirão negociação e ajuste para serem simultaneamente mantidas. Essa característica de equilíbrio, integração ou correção, significa que uma determinada posição não está livre de influências da subjetividade de um indivíduo. Essas relações podem ser simétricas, complementares ou hierárquicas, mas, em todos os casos, elas tendem à completude. A completude não necessariamente quer dizer “justeza”, mas que as relações se equilibram. A ausência do equilíbrio entre as posições é o que gera o conflito.
O ajustamento mútuo é tentado, mas nem sempre é possível. Acredita-se que o que motiva os sujeitos é a busca desse ajustamento mútuo, mas ele será sempre o possível negociado entre os sujeitos agentes envolvidos. O ajustamento mútuo pode ainda não ocorrer, mas sim uma “acomodação suficiente” para que se consiga atingir os objetivos propostos.
Os sujeitos podem aceitar e ratificar (tornar válida) a posição que lhe atribuem (porque os valoriza, porque têm interesse, porque não têm escolha etc.). Mas eles podem também a contestar e tentar estabelecer uma outra relação. Assim, no caso
do projeto, o cliente pode não aceitar a posição de co-concepção porque não tem interesse em participar do projeto, porque não quer gastar o tempo de seus funcionários com o projeto ou porque a hierarquia interna à sua empresa não os autoriza. Em outros casos, o sujeito que se encontra em uma posição não “boa” pode organizar estratégias que mudam o processo, que o transformam, como, por exemplo, essa mesma empresa cliente, diante de uma exigência por um produto estritamente necessário e importante dentro de suas hierarquias de necessidade, possa participar como co-projetistas, o que mudaria a forma como até então eram tratadas as relações com seus fornecedores.
“Um posicionamento” será compreendido como constituído a partir das necessidades e das finalidades do sujeito, dentro de um campo de ação delimitado pelos outros processos de posicionamento dos outros sujeitos. Ele pode ser individual e institucional. Ambos estão em inter-relação e os posicionamentos institucionais podem entrar em conflito ou em desacordo com outros processos institucionais. Por exemplo, os processos de posicionamento dos outros sujeitos em outros processos são delimitadores dos campos de ação e decisão, uma vez que as posições e seus respectivos atributos em jogo não possam ser autorizados ou validados, porque entrariam em conflito com as outras posições que os sujeitos institucionais ocupam.
Os posicionamentos institucionais se referem às instituições concretas públicas e socialmente reconhecidas, locais onde práticas específicas são autorizadas “oficialmente”, mas que são também espaços ou campos de ação e de decisão para os sujeitos em uma prática específica. As práticas alimentam o próprio local físico e promovem ao mesmo tempo a movimentação e transformação das posições dos indivíduos e do discurso.
A “biblioteca” (Foucault, 1969) - por exemplo, todo o campo de ações e decisões de uma profissão -, é constituída, portanto, dos resultados dos processos relacionais constituídos dentro de um mesmo campo de ação e também da inter-relação entre outros campos de ação de outros processos, que se consolidam em práticas concretas, documentadas formalmente. Ou seja, a posição sujeito está em relação com outras posições que constituem outros campos de ação distintos dos seus, mas
que em determinados momentos ou circunstâncias se inter-relacionam, de acordo com a necessidade de recursos técnicos humanos do projeto.
Uma posição constitui-se na relação da pessoa com ela mesma: sua compreensão do mundo, suas expectativas e seus valores, na relação com o outro, pois é o “aval” do outro ou dos outros que validam ou autorizam a posição proposta por alguém.
Uma posição é ainda e simultaneamente:
a) Uma finalidade e uma estratégia meio/fim: a posição pode ser ela mesma a finalidade da ação, ou pode ser uma instrumentalização para alcance das metas; intencional porque é dirigida a um fim (HARRÉ; GILLETT, 1999), os pensamentos são intencionais, no sentido de que são sobre coisas ou são dirigidos a fins que surgem na atividade humana, parcialmente racional, porque em parte se conhece as atribuições das posições e em parte se desconhece, visto ser também uma atividade subjetiva e, como tal, apropriada pelo sujeito e parcialmente limitada pelo campo de ação – não é possível falar de uma posição que não tem nada a ver com o contexto sócio- situacional; por exemplo, não se pode ocupar a posição de médico, mesmo sendo um médico, numa relação afetiva.
b) É limitada pelas contingências da situação: é contingencial porque não é sempre a mesma. Numa outra situação, a posição ocupada por alguém pode ser outra.
c) É o resultado dos ajustes discricionários ou autônomos do processo. São transformados no decorrer da relação. O processo relacional é como se “cortasse as arestas” da posição de cada um dos componentes por um lado, ao mesmo tempo, vai sendo desenhado pelas posições - na medida em que as pessoas aceitam, rejeitam, fazem pequenas ou propõem pequenas alterações à posição, elas estão também desenhando (estruturando) o próprio processo relacional.
Finalizando, a noção de “posicionamento”, se for situada numa perspectiva processual, não designa um atributo individual, mas um fato relacional, em que onde os comportamentos de um ator são compreensíveis somente nas relações que os unem aos comportamentos de outros atores que estão em contato com ele num contexto determinado. Dessa forma, a significação das “posições” depende de sua relação complementar, bem como do contexto no qual esses sujeitos se inscrevem, da situação que eles organizam, sendo essa ao mesmo tempo quadro e intriga, decoração e cenário, implicando certa temporalidade dos atos e das cenas.