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2. KABLOSUZ MOBİL İLETİŞİM

2.3. LMDS ve Kablosuz Uzak Bağlantı

Pode-se afirmar que a base da corrente francófona se apoia nos trabalhos e estudos desenvolvidos por Henri Desroche e Roger Bastide, e que as obras consideradas para a revisão bibliográfica feita aqui são, por meio das obras publicadas e ou traduzidas no Brasil: Thiollent (2011, 2006, 2009), Morin (2004), El Andaloussi (2004), Brandão (1981), Dionne (2007), Barbier (2007) e Liu (1997).

Segundo Morin (2004, p. 56), muitos são os autores que reconsideraram o pensamento de Kurt Lewin, quer para continuá-lo, quer para explicitá-lo em função de novos paradigmas. Morin (2004) salienta que a corrente francófona tem explorado novos caminhos da instituição educativa e da transdisciplinaridade com René Barbier (2007) e do movimento cooperativo com Henri Desroche (2006).

Thiollent (2009, p. 3) afirma que “o processo de pesquisa-ação não existe de forma totalmente padronizada, pois, dependendo da situação social ou do quadro organizacional em que se aplica, os procedimentos e a ordenação das etapas podem variar. Há também grande diversidade nos graus de implicação dos atores”. Mas, existe para estes pensadores de origem da língua francesa, um pensamento único quando se fala em procedimentos para o desenvolvimento da pesquisa-ação? Quais os diferenciais em um projeto de pesquisa-ação?

Os referidos autores fazem algumas leituras da pesquisa-ação e de uma maneira ou de outra, se aproximam. Por exemplo, Barbier (2007) apresenta uma modalidade de pesquisa-ação denominada por ele de pesquisa-ação existencial. Sua noção de pesquisa- ação é a de “uma arte de rigor clínico, desenvolvida coletivamente, com o objetivo de uma adaptação relativa de si ao mundo” (BARBIER, 2007, p. 67), o que implica uma mudança do

sujeito (indivíduo ou grupo) com relação à sua realidade. A sua noção pode ser considerada como bastante próxima à do canadense Morin (2004), de quem agrega o sentido de pesquisa-

ação integral, que visa à mudança pela “transformação recíproca da ação e do discurso”.

Ambos os autores recorrem à teoria da complexidade de Edgar Morin para contrapor-se ao “ideal de simplicidade” das ciências da natureza. Afinal, só um paradigma da complexidade poderia apreender o ser humano entendido como “uma totalidade dinâmica, biológica, psicológica, social, cultural, cósmica, indissociável” (BARBIER, 2007, p. 87). Esse paradigma, como reconhece Barbier, impõe ao pesquisador uma visão sistêmica aberta: “Ele deve combinar a organização, a informação, a energia, a retroação, as fontes, os produtos e os fluxos, input e output, do sistema, sem fechar-se numa clausura para onde o leva geralmente seu espírito teórico” (BARBIER, 2007, p. 91). Por meio da Figura 2 pode-se ver as noções entrecruzadas de Barbier.

Figura 2: Noções entrecruzadas de Barbier Fonte: Barbier (2007, p. 86)

Enfim, ao analisar estas duas obras, pode-se dizer que os autores vinculam a noção da pesquisa à ideia de mudança, de transformação dos atores e da sua realidade e, que consequentemente, investigam o conceito de pesquisa junto à ação, junto à prática, com a resolução dos saberes nas ciências humanas e sociais dando-se, preferencial ou exclusivamente, no campo da prática e da ação social. Postulam também uma noção de totalidade que se afirma referida à prática e diz respeito a tudo que nela se constitui,

Abordagem em espiral Processo Autorização avaliação negociação complexidade mudança pesquisador coletivo escuta sensível

abrangendo a ação e a experiência do sujeito. Enfim, a pesquisa-ação, mais do que uma abordagem metodológica, é um posicionamento diante de questões epistemológicas fundamentais, como a relação entre sujeito e objeto, teoria e prática, reforma e transformação social.

Na concepção de Desroche (2006), a questão da participação é muito discutida. Neste contexto, o autor direciona para a cooperação, como sendo muito mais exigente que a participação ou a simples colaboração, pois ela requer um maior grau de comprometimento e de reciprocidade entre os atores implicados (THIOLLENT, 2009, p. 142).

Entre os métodos participativos, a pesquisa-ação ocupa um lugar de destaque. Sua fundamentação encontra apoio em várias concepções psicossociológicas, comunicacionais, educacionais e críticas (EL ANDALOUSSI, 2004). Enquanto metodologia de pesquisa, a pesquisa-ação não deve ser confundida com outros métodos participativos cujas características e finalidades são diferentes, como no caso de técnicas de planejamento, monitoramento ou validação. É importante enfatizar que a principal vocação da pesquisa-ação é principalmente investigativa, dentro de um processo de interação entre pesquisadores e população interessada, para gerar possíveis soluções aos problemas detectados (THIOLLENT e SILVA, 2007). De acordo com (LIU, 1997), a pesquisa-ação não se limita à resolução dos problemas práticos dos usuários, não deve ser confundida com uma simples técnica de consultoria, já que a ambição que lhe é associada consiste também em fazer progredir os conhecimentos fundamentais.

Todo esse processo ocorre em um “trabalho conjunto que é aprendizagem mútua entre pesquisadores e usuários” (a função educativa é muito desenvolvida em certos projetos ambientais) e dentro de um quadro “ético negociado e aceito por todos” (LIU, 1997).

Os resultados da pesquisa-ação se verificam nos “modos de resolução de problemas concretos encontrados no decorrer da realização do projeto”. Os conhecimentos produzidos são “validados pela experimentação”. Há “formação de uma comunidade capacitada, com competências individuais e coletivas” e também “novos questionamentos para pesquisas e estudos posteriores” (LIU, 1997).

Pode-se afirmar então, que a corrente francófona tem um olhar voltado para a educação não formal, ou seja, a educação de adultos, educação popular, educação permanente e a animação sociocultural. Seu alvo é a consciência do grupo para uma ação conjunta em busca da emancipação.

Como fechamento sobre as correntes, nada melhor do que citar o próprio Thiollent (2009, p. 16):

Nos últimos 40 anos, a área de pesquisa e consultoria em organização tem sido objeto de diversas escolas e “modas”: “Relações Humanas” e “Desenvolvimento Organizacional” de tipo americano, “Sociotécnica” de origem inglesa e escandinava... a pesquisa-ação de origem lewiniana (Kurt Lewin) tem sido utilizada, com diversos graus de sistematicidade, por várias dessas “escolas”, em particular, as do “Desenvolvimento Organizacional” e da “Sociotécnica”.

Tripp (2005, p. 455) faz a seguinte declaração:

a pesquisa-ação produz muito conhecimento baseado na prática, que devia ser incorporado ao conteúdo acadêmico de disciplinas ‘vocacionais’ tais como ensino, negócios e jornalismo, porém muito pouco do conhecimento gerado pela pesquisa- ação é realmente teorizado e publicado em periódicos acadêmicos de prestígio. A pesquisa-ação deveria ser capaz de fazer a ligação tanto da teoria para a transição da prática quanto da prática para a transformação da teoria, embora haja poucos sinais de que o faça, talvez por orientar-se em grande medida para a melhora da prática.

Dick (2004), pesquisador australiano, traz opiniões próprias quando o assunto é: por que usar pesquisa-ação? O referido autor, independentemente da área, diz que os pesquisadores não encontram nos métodos de pesquisa que foram ensinados formas de serem integrados facilmente com a sua prática. E afirma tanto os estudos norte-americanos quanto os australianos centram-se sobre os trabalhos dos psicólogos clínicos. Outro aspecto é com relação à pressão que os acadêmicos têm com relação à publicação de artigos. Dick (2004) relata que a pesquisa-ação oferece a essas pessoas uma chance de fazer mais uso de sua prática como uma oportunidade de pesquisa.

Conforme exposto, a pesquisa-ação pode ter uma “roupagem” diferente em decorrência de fatores próprios a cada país e a cada cultura, mas é preciso e possível identificar as suas principais características, independentemente de onde será aplicada e em qual contexto. Desta forma, o próximo item traz as características consideradas por todas as correntes apresentadas.

Benzer Belgeler