3.3.1 Corpus de análise
O corpus de análise foi constituído basicamente por textos orais: entrevistas. Algumas entrevistas foram realizadas nos locais de trabalho dos informantes, universo
discursivo do reggae ludovicense, outras, para comodidade, por exigência e/ou a pedido dos informantes, foram realizadas em residências ou em outros locais por eles sugeridos.
Trabalhamos com um corpus apenas de língua falada devido à quase inexistência de textos especializados escritos sobre o reggae ludovicense, assim como de obras de referência terminológica sobre o reggae de São Luís e, também, pelo nosso interesse em produzir um glossário atualizado, ou seja, que contemplasse, sobremaneira, as unidades e as variantes terminológicas, e seus respectivos significados, em circulação, no momento, no universo regueiro de São Luís.
É importante ressaltarmos também que, para complementação ou esclarecimentos dos conceitos fornecidos pelos informantes, recorremos aos representantes dos segmentos do reggae em São Luís.
3.3.2 Localidade
O município de São Luís — capital do Estado do Maranhão, tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1997, e eleita a Capital Brasileira da Cultura 2009 — foi por nós escolhido por ser, especialmente no Maranhão, o eixo de organização promoção e divulgação do reggae como atividade socioeconômica e como manifestação cultural e, também, por ser o eixo da produção, circulação e comercialização do reggae como gênero musical. Atualmente, estima-se que haja, na capital maranhense, dezenas de radiolas, clubes e bares de reggae, bem como de programas específicos de reggae nas rádios e na televisão.
3.3.3 Amostragem
A amostragem desta pesquisa é constituída de 22 (vinte e dois) regueiros maranhenses, pertencentes aos segmentos regueiros responsáveis pela organização, promoção e divulgação do reggae como atividade socioeconômica e como manifestação cultural, assim como pela produção e comercialização do reggae como gênero musical.
3.3.4 Perfil dos informantes
Os informantes são pessoas pertencentes aos segmentos do reggae ludovicense selecionados para esta pesquisa, a saber: a) apresentadores de programas de televisão e de rádio; b) cantores; c) colecionadores; d) dançarinos; e) DJs; f) empresários; g) investidores; h) produtores musicais; i) promotores de festas e de eventos; j) proprietários de espaços de reggae; l) radioleiros.
É oportuno esclarecermos que, dada a dinâmica de relações, de dependência e/ou de interdependência, que se estabelece entre os segmentos que constituem o reggae ludovicense atualmente, a maioria dos informantes entrevistados pertence a mais de um segmento, e isso, em nada compromete a validade e a relevância da análise e dos resultados de nossa pesquisa.
Os segmentos anteriormente mencionados foram por nós selecionados por revelarem, de forma geral, a atual estrutura organizacional do reggae em São Luís, e por serem os segmentos de maior atuação dentro do reggae maranhense, já que são responsáveis pela organização, promoção, divulgação, produção e comercialização do reggae, sobretudo, em São Luís, mas também em outras cidades do Maranhão, do Brasil e até do exterior.
Os segmentos regueiros contemplados nesta pesquisa estão entre os segmentos que constituem o que se tem chamado, atualmente, de cadeia produtiva do reggae. A cadeia produtiva do reggae ludovicense — composta por empresários; radioleiros; proprietários de casas, clubes e bares; promotores de festas e eventos; DJs; apresentadores de programas de televisão e rádio; colecionadores; dançarinos; cantores e intérpretes, representantes de associações, ONG e conselhos, entre outros — foi reconhecida e oficialmente definida pela Secretaria Municipal de Turismo de São Luís – SETUR, via Projeto Ilha do Reggae, com a criação da Comissão Integrada do Reggae – CIR.
Selecionamos 2 (dois) informantes por segmento, totalizando 22 (vinte e dois) informantes, por julgarmos ser esse número suficiente para obtermos informações fidedignas, detalhadas e diversificadas sobre a terminologia regueira ludovicense e, ao mesmo tempo, evitarmos repetições demasiadas e desnecessárias.
Além disso, os informantes atenderam ao seguinte perfil: a) Naturalidade: maranhense.
b) Faixa etária: de 18 a 70 anos, para possibilitar a investigação de variação de natureza temporal.
c) Tempo de atuação no movimento reggae ludovicense: mínimo de 05 (cinco), porque acreditamos que nesse ínterim um integrante atuante do movimento reggae domina a terminologia desse movimento e, dada a familiaridade, está apto a descrever com confiabilidade e riqueza de detalhes as denominações e respectivas conceituações que caracterizam o universo do reggae em São Luís.
3.3.5 Estratificação do corpus
a) Número de informantes: 22
b) Faixa etária: b. 1) 18 a 35 anos: 01 informante b. 2) 40 a 75 anos: 01 informante
Optamos por organizar os (02) dois informantes de cada segmento selecionado nesses dois grupos etários, para verificação de influência de natureza temporal no condicionamento de variantes na terminologia do reggae em São Luís — dada a divisão do reggae ludovicense em duas visíveis fases: a fase inicial, também chamada de primeira fase (1f) –1970/1980/1990 e a fase atual, também chamada de segunda fase (2f) – 1990/2000.
É importante destacarmos que definimos essas duas faixas etárias em razão da atuação dos informantes em uma das duas fases do reggae ludovicense, isto é, ou na fase inicial ou primeira fase, referente, aproximadamente, à segunda metade da década de 1970, à década de 1980 e a meados da década de 1990 do século XX, fortemente marcada pela influência do gênero musical reggae produzido, principalmente, na Jamaica e em Londres; ou na fase atual ou segunda fase, correspondente ao final da última década do século XX e à primeira do século XXI – 1990/2000, caracterizada pela acentuação das produções maranhenses eletrônicas de reggae, chamadas, popularmente, de reggaes eletrônicos e pela revelação de cantores-solo maranhenses.
Assim, os informantes de 40 a 75 anos, em tese, pertencem à fase inicial ou primeira fase do reggae ludovicense e os de 18 a 35 anos, à fase atual ou segunda fase. Contudo, é indispensável esclarecermos que — embora, em geral, tenha vigorado o alinhamento faixa etária–fase do reggae ludovicense por nós estabelecido — mais do que o enquadramento a uma das faixas etárias delimitadas, a atuação efetiva de um informante em uma das fases do reggae constituiu, de fato, fator determinante para sua seleção e, consequentemente, para sua inserção em uma das fases do reggae ludovicense estabelecidas.
Dessa forma, deixamos claro que previmos a possibilidade de, por exemplo, um informante com idade entre 40 e 75 anos — que, em tese, deveria integrar o grupo da fase inicial ou primeira fase do reggae ludovicense — ser inserido no grupo da fase atual ou segunda fase do reggae ludovicense em razão de sua atuação e envolvimento efetivos com o reggae, no segmento para o qual foi selecionado, terem ocorrido somente a partir do final da década de 1990 do século XX, ou seja, na fase atual ou segunda fase do reggae ludovicense.
c) Segmentos regueiros: apresentadores de programas de televisão e rádio: 02 informantes cantores: 02 informantes colecionadores: 02 informantes dançarinos: 02 informantes DJs: 02 informantes empresários: 02 informantes investidores: 02 informantes
produtores musicais: 02 informantes
promotores de festas e eventos: 02 informantes proprietários de espaços de reggae: 02 informantes radioleiros: 02 informantes
É oportuno evidenciarmos, ainda, que, a seleção dos segmentos regueiros acima mencionados deu-se, sobretudo, em virtude de viabilizarem a investigação de variantes condicionadas a questões de discurso, mais especificamente, à adoção dos estilos de monitoração estilística decorrentes da maior/menor pressão comunicativa exercida pelas relações, papéis e atividades desempenhados pelos regueiros nos ambientes e situações de interação que vivenciam, ou melhor, exercida pela maior/menor/não-exposição pública a que estão sujeitos, quando em atividade, os integrantes pertencentes a certos segmentos regueiros.
Os informantes estão identificados por uma sigla formada pelas iniciais dos nomes dos informantes, pela abreviatura ou sigla do segmento regueiro a que pertencem e por um número, seguido de abreviação da palavra fase (f), que indicará a faixa etária a que pertencem: primeira fase ou fase inicial – (1f), segunda fase ou fase atual – (2f).