B- DEMOKRAT PARTİ HÜKÜMETLERİNDE EĞİTİM KONULARI
1- Liseler
Como até aqui visto, Russell preocupa-se no seu capítulo dedicado à crença apenas com a natureza intrínseca da crença de per si, sem se dedicar a uma reflexão mais profunda a respeito da diferença entre uma crença falsa e uma verdadeira. Os tipos de crenças elencados, o juízo de percepção, a crença inconsciente e a crença
mnemônica, têm por característica comum se referirem a fatos reais vividos pelo sujeito,
que, porém, podem ser distorcidos devido à falibilidade da natureza humana e tornar as crenças falsas, como vimos.
Também não vamos esmiuçar a questão sobre a realidade ou a falsidade de uma crença, já que o objetivo do trabalho não é este e, sim, discutir mais as causas pelas quais uma crença intrinsicamente falsa se forma no crente. Por isso o ponto de partida para nosso trabalho é caracterizar como crença falsa aquela que não apresenta evidência empírica para se constituir numa verdade e que é claramente baseada em uma ficção.
Mas como distinguir ficção de realidade? O que serial “real”? Como estas questões são ainda discutidas pelos filósofos, vamos adotar como premissa a concepção de John Searle que propõe uma teoria da realidade segundo a qual a realidade é tudo o que se enquadra a um Pano de Fundo permeado por duas posições-padrão ou pressuposições básicas. A primeira pressuposição é a de que “há um mundo real que existe independente de nós, independente de nossas experiências, pensamentos, linguagem” (SEARLE, 2000, p. 18), que é chamada de “realismo externo”. Temos acesso perceptivo direto a esse mundo através dos nossos sentidos. Ele já existia antes dos seres conscientes como nós surgirem e continuará a existir caso um dia sairmos de
14 No capítulo 4 abordaremos o papel relevante da emoção, particularmente a provocada por meios artificiais, nas crenças falsas.
cena. Nessa realidade estão todos os fenômenos do mundo que são independentes da mente, como os átomos, as árvores, as montanhas, os planetas, as galáxias, que são objeto das ciências da natureza. Esse realismo físico distingue-se de outros tipos de realismo, como o realismo matemático (composto por entidades como os números, os teoremas, as equações, etc.) ou o realismo ético (composto pelos fatos éticos). 15
A segunda pressuposição, a de que “nossas afirmações são, em geral, verdadeiras ou falsas dependendo de corresponderem ao modo como as coisas são, ou seja, aos fatos do mundo” (SEARLE, 2000, p. 18), é chamada de “teoria da verdade como correspondência”. Assim, o critério que vamos adotar para distinguir uma crença verdadeira de uma falsa é principalmente o definido pela segunda pressuposição, isto é, o de que uma crença será verdadeira se o estado de coisas sobre o qual ela faz uma afirmação corresponde à maneira como esse estado de coisas é no mundo e, consequentemente, uma crença será falsa se ela se referir a uma afirmação sobre um estado de coisas possível que não corresponde a um estado de coisas existente no mundo real, este segundo o critério da primeira pressuposição. Por exemplo, a crença de que “Kant foi um filósofo” é uma crença real porque corresponde a um fato real comprovado por seus próprios escritos. Já a crença de que “Kant foi um grande filósofo” não é uma crença real, pois esta afirmação é apenas uma opinião subjetiva que pode ser confrontada com outras opiniões.
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Filósofos que fazem criticas ao realismo externo, tachando-o de realismo ingênuo, têm uma réplica alentada do filósofo inglês Edward G. Moore em seu artigo “Uma Defesa do Senso Comum” (1974, p. 309). Moore usa a expressão senso comum no sentido de considerar verdadeira toda proposição que expressa uma determinada realidade que é evidente (truísmo) para o senso comum (para mim e outros seres humanos), não contaminada por dúvidas filosóficas de grupos de filósofos. Moore, assim, por
exemplo, irá aceitar como verdadeiro o significado popular e ordinário do senso comum da expressão “a terra existiu muitos anos antes de eu nascer”, que é evidente tanto para mim como para outros seres
humanos que a expressarem. Contrapõe-se, assim, a filósofos que questionam tal proposição de variadas maneiras, submetendo-a a dúvidas pelo simples motivo de ser aceita pelo senso comum ou para manter uma determinada posição filosófica dogmática. O senso comum aqui é defendido por Moore no sentido de contrapô-lo a qualquer posição filosófica que duvide das proposições verdadeiras e evidentes tanto para mim como sei que são para a maioria dos outros seres humanos. Moore, porém, diferencia a visão do
mundo do senso comum, que é verdadeira, das crenças do senso comum, que podem navegar na esfera do
misticismo, isto é, em proposições que não expressam realidades evidentes (podem expressar questões de fé, não de conhecimento). Assim, a defesa do senso comum e da visão do mundo do senso comum de Moore tem apenas o objetivo de contrapor-se aos filósofos metafísicos, céticos ou racionalistas radicais, que desprezam a visão do mundo do senso comum nas certezas mais evidentes (da forma como desprezam as crenças do senso comum, que são coisas diferentes) no único propósito de impor suas doutrinas filosóficas.
Segundo Queiroz (2011): “Os filósofos e os aspirantes a filósofos não escapam à vaidade de serem prestigiados, de ‘ficarem na história’ e, com certa frequência, adulteram as ideias dos seus opositores ou apropriam-se delas dando-lhes uma nova roupagem.”
Assim, as crenças sobre as quais se vai debruçar este trabalho não são as crenças sustentadas empiricamente em estados de coisas reais, mas na imaginação e na irrealidade e, assim, crenças intrinsecamente falsas. A presente dissertação terá como objetivo primordial investigar as causas da adesão a crenças cujos conteúdos estão além da realidade que constitui o pano de fundo para as crenças verdadeiras.
As diversas interpretações sobre o significado do termo “crença” durante a história da Filosofia não se esgotam nas de alguns filósofos aqui apresentadas, visto que vários outros filósofos do mesmo quilate também deram as suas. A ideia de apresentá- las teve por intuito mostrar como historicamente o termo “crença” teve seu significado estritamente associado ao de fé religiosa alterado para um significado mais abrangente que passou a ser associado também ao de fé nas proposições científicas, pois estas também passaram a ser objeto de dúvidas. A busca de filósofos contemporâneos, como Popper, Kuhn e Lakatos, de um critério de demarcação que separasse as crenças comuns das crenças científicas teve o objetivo de não confundir essas duas instâncias de crenças, já de per si bem definidas se considerarmos que as crenças religiosas e pseudocientíficas são baseadas na ficção e as crenças científicas são baseadas na justificação alcançada pelos instrumentos considerados adequados pela comunidade científica.
Apesar de teorias científicas, como a teoria evolucionista, terem problematizado concepções obscurantistas e irracionais, crenças associadas a tais concepções ainda são adotadas e defendidas a partir de vários sistemas de crenças. Assim, o objetivo central deste trabalho é investigar o porquê de tais crenças gerarem a adesão de indivíduos quando evidências apontam para a sua falsidade. É tentar caracterizar o que Hume define como aquele algo a mais, ou algum tipo de sentimento, que ele achou impossível de determinar, que está anexado à crença em coisas fictícias e que a diferencia da ficção pura.
De modo a alcançar esse objetivo, no próximo capítulo apresentaremos a crença falsa no agente como um estado mental caracterizado por um impulso no agente denominado “vontade de crer”, que, por sua vez, é gerada por forças conflitantes entre si que tanto podem incrementá-la como arrefecê-la.