3.5. Non Figüratif Soyutlama
3.5.2. Lirik Non-Figüratif
Conquanto privilegie o homem a conhecer a si e a lidar com a forma, ela inclina-se ao papel de coadjuvante ao facultar-lhe a determinabilidade da forma, na regra, na teoria e um domínio paralelo da aparência e da essência de sua obra em movimento. Esse opõe-lhe à fixidez na idéia, pelo viés positivo. Marcado entre o saber e o conhecer, sentir e pensar coube ao pensamento, sob o ânimo, mediar a faculdade de condição e de previsão da conduta humana no mundo, em que pese que
Precisamente a circunstância que faz com que a natureza, vista de modo global, zombe de todas as regras que lhes prescrevemos através de nosso entendimento, que faz com que ela reduza a pó, no seu curso voluntarioso e livre, as criações da sageza e do acaso com igual desprezo, que faz com que ela arraste consigo para uma única
forma de declínio tanto o que é importante como o que é insignificante, tanto o que é
nobre como o que é comum, que faz com que ela conserve aqui um mundo de formigas e se apodera ali da sua mais maravilhosa criatura, o ser humano, esmagando-o com os seus braços gigantescos, segundo o qual ela desperdiça com freqüência, numa hora de leviandade, as suas conquistas penosamente obtidas, trabalhando com freqüência durante séculos numa obra de insensatez – numa palavra: este desvio global da natureza em relação às regras do conhecimento às quais ela se submete nos seus fenômenos isolados, torna visível a impossibilidade absoluta de explicar a própria natureza através de leis naturais e de deduzir do seu reino, como sendo válido, o que no seu reino tem validade. O ânimo vê-se assim irresistivelmente conduzido para fora do mundo dos fenômenos em direção ao mundo das idéias, do que é condicionado para o que não se encontra submetido a condições (TBST: 228).
A natureza mista do homem bifurca-se entre a faculdade da sensibilidade, na experiência e no fazer e a faculdade moral do dever, condicionada pelo imperativo da lei, oferta da razão, que salvaguarda a geração, na integridade psíquica e física, enquanto se conforma ao estado de moralidade emancipante, como sua primeira natureza, e se lhe abre, em contrapartida, uma segunda natureza de ânimo; já predisposta no homem, a forma. Schiller, na Carta XXVI argumenta da direção e da “disposição estética do ânimo que dá primeira origem à liberdade [...], no feliz equilíbrio que é a alma da beleza e a condição de humanidade” (CEEH: 92), no estado moral, se em ação recíproca, em equilíbrio com a natureza, qual seja, em defesa do empírico para salvaguardar o ânimo na direção do espírito no homem que irrompe.
Diante do foro físico e no plano da natureza, a nossa mentalidade não importa de modo algum senão na medida em que determina ações através das quais o fim da natureza se veja favorecido [...] onde reinam leis tão intimamente entretecidas conformes a um fim moral incluem em simultâneo, através de seu conteúdo, uma conformidade a um fim de ordem física; e assim como todo o edifício da natureza só parece existir para tornar possível o fim supremo que é o bem, do mesmo modo o bem pode ser usado para manter o edifício natural. A ordem da natureza é, portanto, tomada dependente da ética das nossas mentalidades, e não podemos ofender o mundo moral sem causar em simultâneo uma confusão no mundo físico (CEEH: 130).
A concepção cosmológica jorra como uma fonte de ordem perfeita e manifesta-se no homem, liga-o e eleva-o em meio a sua ordenação em processo de vir a ser. No entanto, tal reflexão possibilita-lhe ser tragado por uma certa idéia utópica de seu fim específico e último como e para o gênero humano e omite, esquece a sua base primária, originária de manifestação
ao dar-se por pleno, infinito; se ainda não lida com a forma pura, essa, no entanto, se lhe aparece em sentido na linha do horizonte; enquanto tal advento não acontecer, o sentido não for pleno, a prioridade é a vida que empreende a razão na dura tarefa da harmonização das instâncias da mobilidade e provável fixidez: a natureza fez concessões e as disponibiliza na sua passagem. Este é convite do ânimo para a autonomia e direção na tarefa da liberdade.
Ora se nunca podemos esperar da natureza humana, enquanto ela permanecer humana, que atue de modo uniforme e constante, sem interromper sem recaída, enquanto razão pura sem nunca colidir contra a ordem moral; se, apesar de toda convicção, tanto da necessidade como da possibilidade (negrito nosso) da virtude pura, temos de admitir para nós próprios quão contingente é a prática real, e quão pouco podemos construir sobre a insuperabilidade dos nossos melhores princípios; se, nesta tomada de consciência da nossa instância, nos lembrarmos de que o edifício da natureza sofre com cada uma das nossas faltas morais – se chamarmos tudo isso à memória, seria, portanto, a mais criminosa temeridade deixar depender o melhor que existe no mundo de tal imprecisão da nossa virtude. Pelo contrário, nasce daqui para nós uma obrigatoriedade de satisfazer pelo menos a ordem física do mundo através do conteúdo das nossas ações, ainda que não cheguemos bem a fazê-lo na ordem moral através da
forma das mesmas – pelo menos como instrumentos perfeitos, tributar ao fim da
natureza o que ficamos a dever à razão como pessoas imperfeitas, para não ficarmos desonrados diante de ambos os tribunais em simultâneo (CEEH: 130-131).
Se admitirmos sinceramente a citação acima, ou seja, que nada é mais indigno do ser humano que suportar violência, logo a violência o suprime, de modo que não há saída. Quem a exerce sobre nós está a pôr em causa na nossa pessoa nada menos do que toda a nossa humanidade; quem a suportar por covardia, rejeita a sua humanidade e, por inclusão, desrespeita toda a humanidade. “A nossa natureza sensível tem, portanto de surgir livremente no plano moral, embora não o seja na realidade, e tudo deve surgir como se a natureza executasse apenas a tarefa comandada pelos nossos impulsos do curvar-se perante o domínio da vontade pura” (TBST: 71). O que se dá também na conformação técnica e da regra, precisamente contra os impulsos se eles surgem determinados por si próprios. A necessidade e a vontade equilibram-se provisoriamente no estado de legalidade.
[...] mas quanto mais contingente é a nossa moralidade, tanto mais necessário se torna tomar disposições para a legalidade, podendo uma negligência leviana ou orgulhosa desta última ser-nos moralmente imputada. [...] nós temos o dever de nos prendermos através da religião e de leis estéticas, para que a nossa paixão não fira a ordem física nos períodos da sua hegemonia (CEEH: 131).
Da unidade pulsante da natureza à mobilidade das relações, ligações, conexões com o homem, além de separá-lo do mundo da mistura, agora no entendimento, permite-lhe alcançar a unidade da forma imutável, pulsável na disposição interiorizada da vontade e do querer; possibilita-lhe fazer intervenções e concessões por meio do pensamento às coisas e à espécie, tal qual realiza a natureza do filósofo nos grilhões do entendimento. “A razão filosofante pode gloriar-se de ter feito poucas descobertas que os sentidos não tivessem já obscuramente intuído e a poesia não tivesse revelado” (TBST: 100) no sentimento ingênuo e direto com a natureza. De sorte que esse imperativo da unidade natural pulsante deve realizar-se no homem como desígnio espiritual e natural, no estado de harmonia, alcançável pela pura razão. Porém, o homem, sujeito aos limites dos impulsos da forma, deve reconhecer que:
[...] os conhecidos limites da humanidade obrigam até o mais rígido moralista a reduzir um pouco na prática a severidade do seu sistema – embora na teoria em nada se possa condescender – fixando o bem-estar do gênero humano, que bem mal servido estaria pela nossa virtude contingente, com segurança adicional a essas duas fortes âncoras, a religião, o gosto (TBST: 131).
Ao que nós adicionamos a arte, ao lado do gosto e da religião, como o médium de um interior deduzido de um saber a um exterior de expressão viva, interior, manifesta e autônoma na objetividade.
A arte conforma a matéria e a forma para além do domínio da natureza. Ela o faz de passagem e o homem domina-a, fixa-a na forma da matéria, na condição dadivosa da primeira, a natureza, mas para além dela.