2. LİMAN
2.6 Limanların Ekonomik Etkileri
Como tema de pesquisa, a inserção profissional é recente e tem o seu surgimento em um contexto em que são possíveis interpretações diversas para o momento em que procura representar: entrada na vida ativa, transição profissional, transição da escola-trabalho, etc. Em princípio, poder-se-ia pensar que estas expressões seriam equivalentes. Contudo, cada um dos conceitos citados teve o seu surgimento em um momento particular, dentro de um corpo social particular, conforme explicam Piccinini e Oliveira (2008). Presentemente, serão desenvolvidas algumas considerações acerca do conceito de inserção profissional.
Convém acrescentar que, com o intuito de entender a trajetória das políticas públicas de juventude em meio ao século passado e o momento contemporâneo, Trevisan e Bellen (2008) delineiam os fundamentais pontos da história que aborda intervenções direcionadas à juventude. Vale lembrar que o primeiro espaço para as políticas públicas de juventude aconteceu em 1927, com o 1° Código de Menores do Brasil, que apresentou como preocupação, saneamento social de tipos indesejáveis à sociedade.
Esse código também era conhecido como Código Mello Matos e norteou a formulação das outras políticas públicas direcionadas aos jovens, isso até o final dos anos de 1970. Era um processo de ajuste moral de crianças e adolescentes na sociedade, porquanto sagrou sugestões produzidas pelo Estado, que poderiam
adotar um caráter desenvolvimentista de desenvolvimento de adultos capacitados para o trabalho (TREVISAN; BELLEN, 2008, p.531).
Verifica-se, portanto, que antes de finalizar o Código Mello Matos, no ano de 1941, nasce o Serviço de Assistência ao Menor, que apresenta a papel de tutela. Entretanto, foi um serviço trocado, em 1964, pela Política Nacional de Bem-Estar do Menor (PNBEM) com a finalidade de resguardar o regime ditatorial. Desse modo, a política apresentou como mecanismo gestor, de representatividade nacional, a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM) e a atuação da FUNABEM encontrava-se em consonância com a Lei de Segurança Nacional e, assim com o Código de Menores, em que o jovem pobre constituía um potencial infrator, que precisaria ser recolhido ao sistema, no momento que praticava determinada transgressão.
De acordo com o período das décadas de 1960 e 1970, as políticas formadas para a juventude, não apenas no Brasil, porém em outros países da América Latina, haveria uma tendência a adotar um caráter de controle político-ideológico dos jovens participantes e agentes no movimento estudantil e de domínio dos estudantes e, igualmente diferentes populações, tal como na Lei de Segurança Nacional (1964). Assim, esse conceito apresenta como argumento a ditadura militar e o entendimento de juventude proveniente dessa ocasião.
Dutra (2010, p.62) resume a representação do jovem nesse momento em que a juventude apenas encontra-se presente para o pensamento e para a atuação da sociedade como problema, tal como objeto de falha, disfunção no procedimento de integração social e, numa expectativa mais abarcante, para a continuidade social, assim a ênfase recai sobre a visão do problema social, ou seja, a juventude apenas passa a se tornar objeto de atenção no momento que representa uma ameaça de ruptura com a continuidade social, ameaça para si própria ou para a coletividade. Desta forma, o jovem vem a ser sinônimo de fonte de problemas e que se desvia do seu caminho em direção à integração social. Já na década de 1960, observa-se a edificação social da juventude como uma geração a ser associada à sociedade, proporcionando o intercâmbio de indivíduo e sociedade. Nesse período, os jovens foram entusiasmados pela Revolução Cubana, pelo movimento de crítica à
interferência americana no Vietnã, isso se tornara mais visível no protesto público contra o Estado e na modelagem capitalista da sociedade. Entretanto, é nos anos 1970 que cresce a visão de representações juvenis em âmbitos populares, como dos movimentos camponeses e das formações de políticos de esquerda, o que igualmente gerou forte reação de autoridade por parte dos Estados.
Cumpre enfatizar outra concepção de políticas públicas que incide de maneira mais marcante na década de 1950 que são as intervenções direcionadas para a profissionalização, ocupação produtiva do tempo livre e educação, acolhendo a lógica do desenvolvimento apregoado em slogans de gestão governamental do tipo 50 anos em 5. Frente a isso, o jovem incumbe a uma sociedade produtiva que apresenta a função de acolher essa demanda de sociedade, tendo como objetivo o progresso nacional.
Na década de 50 e durando até 1980, as políticas destacavam a área de educação e o emprego do tempo livre do jovem. Determinados estudos expostos pela Comissão Econômica. Para Arroyo (2007), aponta que, nessa ocasião, as intervenções igualmente eram direcionadas para trabalhar com jovens avaliados das classes médias e altas e apresentam a finalidade de ocupar o tempo livre desse cidadão. Porém no final da década de 1980, surgiram novos movimentos juvenis em países da América Latina. Verifica-se que, no final dessa mesma década, surge a inquietação com jovens em analogia à violência e às drogas, assim sendo, surgem políticas para abordar tais questões.
Acrescente-se a isso que o ano de 1985 foi afirmado pelas Nações Unidas Ano Internacional da Juventude. Foi a partir desse período que se enfatizou a criação de planos, programas e políticas que apresentavam como finalidade aprimorar as qualidades de vida e as chances para os jovens, em especial daqueles mais desprezados, das áreas urbanas e rurais (AZEVEDO, 2004, p. 17).
Implica considerar que, de 1985 até a contemporaneidade, a condição socioeconômica dos jovens latino-americanos evoluiu de acordo com as tendências adotadas pelas atinentes sociedades nacionais. Determinados jovens conseguiram melhorar sua condição, outros se conservaram estáveis, e outros melhoraram seu status. De maneira paralela a isso, verifica-se o nascimento de importantes
sugestões de planos, programas e políticas públicas de maneira especial direcionada aos jovens mais desprovidos de recursos, assim como diversas medidas legislativas em seu benefício e a criação de instituições adequadas nesse contexto. Compete ressaltar que, do mesmo modo, torna-se possível concluir que, como mancais estratégicos para a formulação de políticas públicas para a juventude, foram levados em consideração as seguintes variáveis, educação, saúde, profissão e integração e participação social (AZEVEDO, 2004, p.19).
Mendonça Filho e Nobre (2009) em resumo, apresentam um desenvolvimento histórico das políticas de juventude e evidenciam três momentos, o primeiro refere- se a educação e ao emprego do tempo livre (entre 1950 e 1980), o segundo, ao controle social de âmbitos juvenis mobilizados (entre 1970 e 1985), já o terceiro aborda o enfrentamento da miséria e a prevenção da delinquência (entre 1985 e 2000) e, há uma inclusão laboral de jovens excluídos (entre 1990 e 2000). Afora essas ocasiões, diversas abordagens foram debatidas nas políticas públicas, que colaboraram para conformar a representação das contemporâneas interferências. Para tanto, distinguir as principais políticas públicas compõe o principal intento de tais momentos, que irá auxiliar o acordo do novo modelo de políticas públicas nessa ocasião, para essa parte da sociedade.
As políticas públicas nacionais para a juventude norteadas pela participação e o novo modelo das "políticas públicas para juventudes" torna-se necessário que se reflita sobre as representações sociais em analogia ao jovem e a concepção do próprio termo participação considerando as especificidades do contexto da juventude. A abordagem em relação aos aspectos do jovem participativo vem a ser contextualizada adotando como ponto inicial a década de 1960, porquanto fora eleito essa década como marco inicial porque ela vem a ser uma das referências para contemporâneos aspectos sociais de juventude. Dessa forma, com esse contexto, espera-se apoiar no entendimento das atualizadas maneiras de participação do jovem, e desse modo como contribuir para entender o perfil do jovem associado à questão do conhecimento.
Outro aspecto vem a serem consagrado contemporâneo da participação da juventude que são observadas as novas exterioridades e conformações do jovem como ator social. Para determinar essas novas formas de participação, é empregada
como referência a pesquisa realizada pela iBase/Pólis em 2006, da qual resultou o relatório Juventude Brasileira e Democracia: participação, esferas e políticas públicas. Vale ressaltar que, a pesquisa apresentou como um dos escopos entenderem as maneiras de participação no contexto contemporâneo e ajudar a formulação de políticas públicas para a juventude.
Falar em juventude constitui, por vezes, ausência de responsabilidade, a não inclusão social, o descaso com o outro, a ausência de solidariedade. Assim sendo, nessas explicações, se constituem comparações, sobretudo, com outros períodos históricos no qual se levava em conta o jovem envolvido com as questões políticas e sociais. Essas comparações são constituídas, sobretudo, com os jovens da década de 1960 e 1970, ocasião da ditadura militar. Busca-se com essa abordagem esclarecer que, o jovem desse período era e é acatado como um militante, que lutava pelos seus direitos. Quanto à década de 1980, a confessada década perdida, pouco se percebeu a participação do jovem. No que tange a juventude da década de 1980, surge como patológica porque contraposta à geração dos anos 60, egocêntrica, consumidora, conservadora e apática aos contextos públicos. Até mesmo, esse perfil do jovem vem a ser destacado por aqueles da geração dos anos 60 e 70, a juventude surge como depositária de certo medo atinente ao fim da História, porquanto nega seu papel como fonte de transformação (ABRAMO, 2007, p.83).
Nos anos 80, muitas lamentações são colocadas, porque se observa a dissipação da juventude da cena política, edificando aquelas formas de ação antes suspeitas a padrões ideais de ação, assim diante aos quais todas as outras manifestações juvenis surgem como sem qualificação frente à política." (NOGUEIRA, 2011, p.77). Até mesmo a manifestação dos estudantes, no ano de 1992, pelo impeachment de Collor, foi avaliada muito mais como festejo do que um momento político. Os jovens que acederam ao movimento foram taxados de "espontaneistas" e constituíam simples marionetes influenciados pela mídia e esse movimento passou a ser desqualificado, à época, por diferentes campos da população.
Em outras palavras, verifica-se, mais uma vez, que o jovem vem a ser considerado indiferente quando se agrega a participação. Todavia, vale ressaltar que a questão juventude e participação social juramentam delicados parâmetros de comparação
em meio a diferentes gerações. Frente a isso, faz-se necessário uma inovação à maneira de se aproximar de tal questão, porquanto não existem dados confiáveis que aceitem descrever que, em termos numéricos, hoje existe mais ou menos jovens compartilhando de determinado tipo de ação coletiva do que os de gerações passadas (NOGUEIRA, 2011, p. 27).
Afora isso, as comparações passam a ser direcionadas, para a participação agregada às questões políticas partidárias. Desse modo, tal relação acontece, porque há uma representação social no qual participar e abranger em questões políticas e/ou atuar em manifestações.
Entretanto, o entendimento de participação vem a ser mais amplo, e contemporaneamente existem diferentes maneiras que determinam o que pode ser levado em conta um ato de participação. Atualmente, encontram-se em pauta, novas questões e linguagens que restauram a política e reinventam probabilidades de o jovem encontrar-se e atuar no espaço público (NOGUEIRA, 2011, p. 29).
Com o processo de redemocratização do país, nos anos 80 do século passado, é promulgada a Constituição de 1988. Assim, a participação localiza apoio na Carta Maior que institui a "democracia participativa" e gera a concepção de mecanismos de participação. Passa a ser essa a nova conformação legal no Brasil. A participação, a inclusão da população passa a ser imprescindível. Nesse sentido modifica a representação de outros períodos, no momento que não havia apoio legal para a participação da população. Entretanto, mesmo após da Constituição de 1988 não há como se garantir que as pressuposições constituídas encontram-se sendo concretizadas.
Em linhas gerais, esta abordagem pretende mostrar que este modelo participativo veio colaborar para uma nova concepção de participação da juventude. Em outras palavras, podemos citar determinados exemplos dessa nova concepção da participação da juventude recomendada pela Carta Magna, formação de grêmios estudantis e a "política pública para juventudes".
Desse modo, pode-se afirmar que, todo esse apoio legal e esses meios de estimular a participação, podem colaborar para reconfigurar às representações sociais a respeito de participação da juventude. Tais mudanças nas representações podem
desencadear novas relações em meio aos diferentes atores sociais, irrompendo o entendimento de juventude como problema social.
Já o termo inserção profissional vai ser encontrado primeiramente em textos legislativos e depois em pesquisas francesas na década seguinte e que são referentes às dificuldades encontradas por um crescente número de jovens que terminam a sua formação e pretendem ingressar no sistema de emprego. Tais dificuldades representam a passagem do universo da educação/formação para o mundo do trabalho, deixando de ser um acontecimento de natureza biográfica instantânea para ser um processo longo e complexo (PICCININI; OLIVEIRA, 2008). A noção de inserção é, antes de tudo, uma noção de debate político e social, sendo historicamente datado e semanticamente fluido. Desse modo, a inserção profissional diz respeito a um conceito que foi construído e adotado pelas comunidades política e científica francesa para entender um fenômeno social que passava a ser preocupação do interesse público (PICCININI; OLIVEIRA, 2008).
Em termos de Brasil, Piccinini e Oliveira (2008) ainda observam que uma pesquisa feita em 2003, pela Fundação Perseu Abramo junto a 3501 jovens entre 15 e 24 anos distribuídos em 198 municípios brasileiros, mostra que quando comparada a outras esferas de sociabilidade, o trabalho representa uma de suas maiores aspirações.
Em outros termos, o trabalho para os jovens entrevistados ocupa um lugar de destaque tanto quando eles são questionados sobre os problemas da atualidade, quanto ao relacionarem direitos que também deveriam ser assegurados a todos os cidadãos.
Ainda com relação à realidade nacional, com o crescimento do índice de desemprego, somado ao excedente de mão de obra, há que se verificar que consequências estas variáveis desencadeiam junto aos jovens que estão em processo de ingresso no mercado e que ainda não possuem as requeridas competências práticas. A entrada dos jovens no mercado de trabalho vem acontecendo principalmente através da prestação de serviços temporários free- lancers, por conta própria, movimentos de economia solidária ou via relações assalariadas precárias, como acontece no caso dos estágios (BUKHARDT, 2006).
A partir do que foi dito, para o presente estudo, optou-se por considerar o seguinte conceito de inserção profissional, conforme Zanelli et al.,
O termo inserção profissional refere-se ao processo de localização e hierarquização dos indivíduos no mundo do trabalho. Constitui-se de disputa de poder e de valorização e legitimação dos saberes e dos diferentes atributos dos indivíduos e dos grupos. Refere-se a diferentes formas de acesso ao emprego, que implica formação, desemprego e atividade profissional. Abrange, de um lado, as trajetórias dos trabalhadores, suas buscas e estratégias e, de outro, as ações dos demais atores sociais que atuam nessa alocação e hierarquização. (ZANELLI et al, 2007, p. 129).
Bitencourt et al. (2012) constataram que as condições de trabalho e emprego têm influenciado a transição do período de formação para o mercado de trabalho. Em outras palavras, explicam que houve o rompimento da noção de equiparação entre trabalho e emprego, de trabalho permanente, de contratos a tempo completo e de longa duração, onde o vínculo empregatício se estendia a toda a vida produtiva do trabalhador, tornando o trabalho objetivamente disforme.
Assim, com a mudança nas relações de trabalho, as pessoas passam a atribuir ao trabalho diferentes sentidos, uma vez que passa existir aspectos de incertezas que cercam as intensas transições entre situações ocupacionais, a imprevisibilidade das trajetórias profissionais, além da individualização do trabalhador que se torna o único responsável pela a sua trajetória profissional (GUIMARÃES, 2005).
Com essas mudanças na estrutura do mercado de trabalho, Trevisan e Bellen (2008) apresentam a ideia de que os jovens desenvolveram uma relação específica frente ao trabalho devido à intensidade com que conviveram com essas mudanças. Para o autor supracitado, os jovens passariam à condição de exilados do trabalho, o que anteciparia o fim da centralidade do mesmo, antes mesmo desta se impor de um modo socialmente mais amplo.
Contudo, há que se ressaltar que não há um movimento de perda de significação do trabalho para os jovens, mas sim uma produção de diferentes significados (GUIMARÃES, 2005). Estes significados, por sua vez, constituem reflexo do mercado de trabalho, a maneira como acontece a sua inserção profissional, as suas expectativas com relação ao trabalho e o perfil do jovem trabalhador.
Guerreiro e Abrantes (2005), em seu estudo com jovens trabalhadores portugueses, puderam constatar que com maior qualificação escolar, científica e técnica frente às
gerações passadas, os jovens terminam tendo acesso a oportunidades em setores em expansão no mercado de trabalho. Por isso, foi observado que um contingente significativo deles deliberou por investir na ideia de alongar o caminho de formação de modo a alcançarem melhores posições no mercado, encontrando alguns que desde cedo já ocupavam cargos de decisão nas organizações, tendo altos salários, mesmo em situação de precariedade nos contratos.
Os autores supracitados explicam que os jovens acabam sendo seduzidos pelas diversas possibilidades oferecidas pelas empresas e, por conseguinte, acabam seguindo horários de trabalho prolongados (10 a 12 horas por dia), mesmo estando ainda em período de formação. Concluem os autores: “Fazem-no por necessidade de sobrevivência num contexto profissional muito exigente e competitivo, mas também por expectativas de promoção em curto prazo” (GUERREIRO; ABRANTES,2005, p.160).
Já em termos de ingresso dos jovens no mercado de trabalho, Pochmann (1998) explica que isso acontecia tradicionalmente de maneira diferenciada, essa distinção estando relacionada ao segmento social ao qual pertenciam. Acontece que mesmo os mais qualificados não tem tido espaço para a sua adequada inserção no mercado de trabalho por causa das transformações ocorridas na organização do trabalho, em consonância com um substancial aumento de portadores de diploma universitário (BITENCOURT et al., 2012).
Bitencourt et al. (2012) ainda analisam que o mercado de trabalho juvenil é homogêneo apenas na aparência porque, por mais que se tente desenvolver uma igualdade de condições entre os jovens das diferentes classes sociais, via o ingresso no sistema de ensino, é provável que a própria sociedade, bem como as regras do mercado façam certos critérios de diferenciação. Por isso, no Brasil, quando se fala em um alongamento da escolaridade, isto é, jovens que passam mais tempo em formação, trata-se, em termos estatísticos, de um contingente significativamente pequeno (SILVA, 2010), desencadeando uma restrição de acesso e, consequentemente, elitizando algumas carreiras e profissões.
O mundo do trabalho passa por profundas transformações, tais como os novos modos de inserção profissional. “Segundo Lima e Vargas (2012, p. 23), as
modificações ocorrem de modo dinâmico, visto que teve profundas repercussões na sua subjetividade e, no íntimo inter-relacionamento destes níveis, afetou a sua forma de ser”. Ainda Liame Vargas, essas transformações ocorreram devido ao desenvolvimento tecnológico, da automação, da robótica e da microeletrônica, que invadiram o universo fabril, inserindo-se e desenvolvendo-se nas relações de trabalho e de produção do capital. Os aparelhos sociais e educacionais passaram transformações de valores, entre elas maior incentivo e preparo dos jovens para o mercado de trabalho. O jovem, diante dessas transformações, passa a ser compreendido como força de trabalho, nicho de mercado, e como potencial transformador por sua reconhecida "flexibilidade" (RODRIGUES et al. (2012).
As relações sociais da atualidade delimitam as exigências e as necessidades do mercado, que se caracterizam por um elevado grau de competitividade, concorrência e qualificação. Como exemplo disso, o estudo de Heidemann (2009) apresenta dados referentes à realidade educacional e de inserção dos jovens brasileiros no mercado de trabalho, e aponta o ingresso precoce deles, o que contribui para um alto índice de evasão escolar, principalmente no ensino médio. Segundo esse estudo, 36,6% dos jovens brasileiros ingressam no mercado de trabalho entre 10 e 14 anos, e 24,2% o fazem entre 15 e 17 anos, demonstrando que parte dos 60,8% de jovens que ingressam no mercado está em idade escolar. Ainda, consideram que 82% dos jovens entre 14 e 29 anos com renda familiar per capita inferior a 40% do salário mínimo trabalham ao mesmo tempo em que completam sua escolaridade (ensinos fundamental e médio). Esses dados nos levam a inferir que o estudante de baixa renda está defasado em relação à escolaridade, seja por sua inserção precoce no mercado, seja pela evasão escolar