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4. FiNANSAL TABLOLARlN ANALİZ GEREGİ VE ANALizDE

4.2. Finansal Tabloların Analizinde Kullanılan Teknikler

4.2.3. Eğilim Yüzdeleri ile Analiz Tekniği

4.2.4.1. Likidite Oranları

administrativa

O segundo momento da reforma do estado de Pernambuco, o de consolidação, deu-se a partir do Governo Eduardo Campos (PSB), no período de 2007 a 2010. Apesar de Campos apresentar-se como oposição declarada ao governo Jarbas Vasconcelos – PFL (1999-2006), o seu Programa de Governo não se afastou do projeto político- econômico adotado pelo governo anterior. Pelo contrário, a estratégia assumida pela administração evidenciou convergência com as orientações de reforma do estado propostas pelo neoliberalismo e com modelo de modernização da gestão pública, uma vez que manteve a base dos dispositivos legais que nortearam a redefinição das atribuições do estado em Pernambuco, em especial o PNAGE-PE, que teve início em 200 e perpassou todo o primeiro mandato do “novo” governo.

O embate político ocorrido nas eleições para o governo de Pernambuco, em 2006, deu-se entre as três principais frentes partidárias do estado6: a União por Pernambuco7,

6 Participaram do pleito, ainda, a Frente de Esquerda Poder Popular (Partido Socialismo e Liberdade

PSOL e Partido Comunista do Brasil - PCB) e a Frente Trabalhista Social Cristã (Partido Social Liberal – PSL, Partido Trabalhista Cristão – PTC, Partido Republicano Progressista – PRP, Partido Trabalhista do Brasil – PTdoB), além dos candidatos de partidos que não se coligaram: Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados – PSTU, Partido de Reedificação da Ordem Nacional – Prona, Partido Social

do qual fazia parte o PMDB do então governador Jarbas Vasconcelos e que apoiava o candidato Mendonça Filho (PFL), a Frente Popular de Pernambuco8, que contava com a indicação de Eduardo Campos (PSB) para o governo do estado, e a Frente Melhor para Pernambuco9, que apoiava o candidato Humberto Costa (PT).

Os acontecimentos envolvendo os partidos e candidatos da Frente União por Pernambuco e da Frente Melhor para Pernambuco tornaram o cenário político bastante favorável à Frente Popular de Pernambuco para as eleições em 200610.

O estudo do Programa de Governo da Frente Popular de Pernambuco, de Eduardo Campos, e dos dispositivos legais que orientaram o processo de reforma em seu governo (2007-2010) permite afirmar que, apesar de suas propostas terem sido apresentadas como projeto alternativo ao modelo de gestão neoliberal realizado por Jarbas Vasconcelos (PMDB -1999-2006), não se afastavam do projeto político implementado pelo governo anterior e também estiveram revestidas dos princípios inerentes do projeto neoliberal de Terceira Via, discutidos no Capítulo 1 deste estudo.

Os programas e dispositivos legais elaborados pelo Governo Campos (2007-2010) estiveram voltados para a construção de estratégias políticas que possibilitassem a redefinição do papel do Estado na administração pública, superando a proposta do Estado mínimo neoliberal e assegurando a construção de uma nova relação entre o governo e o cidadão com vistas à governabilidade, entendida pela Terceira Via, como a articulação entre a esfera estatal e privada (LIMA; MARTINS, 2005). Ao mesmo

Democrata Cristão –PSDC e Partido da Causa Operária – PCO. Segundo Barreto (2006), “estes partidos jamais ameaçaram do ponto de vista eleitoral as três principais frentes”

7 A União por Pernambuco era composta pelo Partido da Frente liberal – PFL, Partido da Social

Democracia Brasileira – PSDB, Partido Humanista da Solidariedade – PHS, Partido Trabalhista Nacional – PTN, Partido Popular Socialista – PPS e Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB.

8 A Frente Popular de Pernambuco era formada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB, Partido

Progressista – PP, Partido Democrático Trabalhista – PDT, Partido Liberal – PL e Partido Social Cristão – PSC.

9 A Frente Melhor para Pernambuco era composta pelo Partido dos Trabalhadores – PT, Partido

Trabalhista Brasileiro – PTB, Partido Comunista do Brasil – PcdoB, Partido Republicano Brasileiro – PRB, Partido dos Aposentados da Nação – PAN e o Partido da Mobilização Nacional –PMN.

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Entre esses acontecimentos, destacamos o enfraquecimento do então governo do estado de Pernambuco (PMDB), componente da Frente União por Pernambuco, ao ter realizado, no período de 2003 a 2006, a administração estadual em oposição ao governo do PT em âmbito federal, que gozava de crescente apoio popular em Pernambuco. No que se refere aos obstáculos enfrentados pela Frente Melhor para Pernambuco, destacamos as denúncias de envolvimento do candidato indicado pela Frente, Humberto Costa (PT), no caso dos sanguessugas e na máfia dos vampiros, que se referiam a possíveis desvios de verba do setor da saúde no governo federal, prejudicando sua imagem frente ao eleitorado pernambucano. Em contrapartida, a exclusão do nome do candidato da Frente Popular de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), do chamado “caso dos precatórios”, envolvendo emissão ilegal de títulos públicos, enquanto era Secretário Estadual da Fazenda (1995-1998), e a estreita relação do PSB como Governo Lula (PT) contribuíram para fortalecer a intenção de votos a Eduardo Campos (BARRETO, 2006), levando à sua eleição para o governo estadual em 2007.

tempo, tais estratégias buscavam o fortalecimento do modelo de administração pública gerencial, a partir da criação de mecanismos planejamento de metas e de avaliação de desempenho das políticas públicas do estado e seus servidores.

No que se refere às ações políticas destinadas à reconfiguração do Estado, destacamos a regulamentação da Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) através do Decreto nº 30.433/2007. Essa regulamentação foi proposta ainda no Programa de Governo da Frente Popular (2006) do candidato Eduardo Campos como substituição da antiga Secretaria de Administração e Reforma do Estado (SARE), instituída, em 1999, pelo Governo Vasconcelos (1999-2006). Segundo o Programa de Governo (2006), a SARE preconizou um enxugamento das instituições estatais atendendo a uma perspectiva de modelo liberal de gestão do Estado. Essa redução teria provocado a diminuição da importância estratégica do estado no atendimento às demandas sociais. Diante dessa crítica, o Governo Campos (2007-2010) buscou, de acordo com o proposto no Programa, por meio da SEPLAG, aumentar a interferência pública nas políticas estaduais, assegurando o fortalecimento dos modelos de gestão que contemplassem as políticas em todo o estado.

A SEPLAG envolve ações que vão desde a coordenação e captação de recursos, o planejamento e supervisão de política de meritocracia até o monitoramento e avaliação das políticas, buscando a elevação do nível de eficiência e eficácia das metas propostas pelo governo (PERNAMBUCO, 2007b), por meio de suas secretarias11.

Nesse sentido, a SEPLAG representou uma alternativa de gestão mais centralizadora do Governo Campos (2007-2010) em relação ao SARE do governo anterior. Com a SEPLAG, o executivo estadual objetiva centralizar a definição das políticas estatais, das prioridades, das metas a serem alcançadas e a realização da avaliação de seu alcance. Desse modo, o Governo Campos, em Pernambuco, buscou instituir o modelo de estado regulador e avaliador, conforme analisado por Freitas (2007) no âmbito federal. Esse modelo de Estado compreende, ao mesmo tempo, a descentralização da execução das políticas sociais, que passam a ser efetivadas pelas parcerias público-privadas, ONGs, organizações sociais, por serem atividades não exclusivas do Estado.

11 A Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) está subdividida em seis secretarias: Secretaria

Executiva de Planejamento, Orçamento e Captação de Recursos, Secretaria executiva de Gestão Estratégica, Secretaria executiva de Gestão por Resultados, Secretaria Executiva do Desenvolvimento do Modelo de Gestão e a Superintendência Geral Técnica e de Gestão.

Para obter consenso de suas propostas e legitimidade política, o Governo Campos criou o Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social (CEDES) e o Modelo Todos por Pernambuco.

O CEDES foi criado por meio do Decreto nº 30.313, de 27 de março de 2007. Foi instituído diante da necessidade apontada pelo governo de articular com a sociedade civil políticas capazes de promover o desenvolvimento econômico e social do estado. Segundo o Decreto 30.313/2007, em seu Art. 2º, compete ao Conselho “construir parcerias no âmbito público e privado para juntos fazerem levantamentos indicadores de desenvolvimento econômico e social e propor metas de desenvolvimento” (PERNAMBUCO, 2007b). Dessa forma, o CEDES enfatiza o estreitamento das relações entre público e privado, com subordinação à gestão privada, característico do projeto do neoliberalismo de Terceira Via.

Outro instrumento utilizado para contribuir com o processo de legitimação das ações do governo, a partir da articulação entre sociedade civil e sociedade política, e acompanhar as ações administrativas do estado foi a formatação do Modelo de Gestão Todos por Pernambuco: gestão democrática e regionalizada com foco em resultados, pela SEPLAG. O Modelo Todos por Pernambuco é definido pelo Programa como um mecanismo de consulta e de participação social na definição das prioridades e no acompanhamento das ações de governo. Essas consultas deveriam ser realizadas por meio de plenárias e conselhos regionais, sendo apresentadas como uma forma de gestão democrática, regionalizada e com foco em resultados (PERNAMBUCO, 2013).

As fragilidades desse processo democrático no Governo Campos (2007-2010), sob as premissas do modelo neoliberal de Terceira Via, são analisados por Silva e Antônio (2011). Para os autores, o modelo consultivo adotado por Campos, por meio do Movimento Todos por Pernambuco, vitima a sociedade civil que se organiza apenas para atuar na aferição dos compromissos e das políticas públicas do Estado nas diversas áreas. Para eles, esse modelo tem provocado o desprestígio de conselhos e conferências estaduais de habitação, saúde, segurança, transporte, educação, comunicação, por exemplo. Nesse sentido, o governador se utilizou das conferências promovidas pelo Todos por Pernambuco como mera formalidade desviada de sua missão.

A análise dos limites da participação da sociedade civil no Governo Campos (2007-2010) é corroborada por Silva (2013, p. 79), ao afirmar que

a participação efetiva da população e dos servidores públicos se resumiu ao consultivo, à legitimação da política. A participação funcional da população no processo de planejamento não demonstrou ir além do levantamento de demandas e, de fato, pareceram visar muito mais ao aumento da margem de efetividade do governo do que propriamente o fortalecimento dos mecanismos de democracia direta.

As premissas do equilíbrio fiscal, da articulação entre a sociedade civil e o governo, da eficiência do gasto público e do controle dos resultados apresentadas pelo CEDES e pelo Modelo Todos Pela Educação foram consolidadas em 2009, com o estabelecimento do Modelo Integrado de Gestão pela Lei Complementar nº 141, de 3 de setembro de 2009. A aprovação desse modelo, correspondeu, segundo Silva (2013), à consolidação do modelo gerencial em Pernambuco. Essa Lei teve como objetivo a racionalização do uso dos recursos disponíveis e a ampliação do desempenho geral do governo, adotando, para isso, metodologias e práticas gerenciais desenvolvidas nas áreas de ciência da administração, aplicáveis ao setor público (PERNAMBUCO, 2009c). Além disso, o Modelo Integrado de Gestão visou: coordenar as relações do governo, na implantação de suas políticas públicas com os diferenciais setores da sociedade civil organizada, através de instrumentos de consulta; instituir sistemas de controle interno, envolvendo a responsabilização dos governantes a partir de sistemas de auditoria, transparência e combate à corrupção, assim como envolver os secretários vinculados às secretarias na execução das metas prioritárias do governo (PERNAMBUCO, 2009c).

De uma forma geral, o direcionamento da administração pública estadual pelo Governo Campos – PSB (2007-2010) revelou a ausência de antagonismos em relação ao governo anterior. Os eixos norteadores para a condução das políticas em Pernambuco propostos pelo Governo Campos buscaram a consolidação das bases da reforma iniciada durante o governo Jarbas Vasconcelos – PMDB (1999-2006), fundada na redefinição do papel do Estado, na intensificação das parcerias público-privadas e na instituição da avaliação do desempenho.

As reformas educacionais empreendidas por Eduardo Campos (2007-2010) podem ser analisadas na mesma perspectiva do aprofundamento dos direcionamentos políticos implementados no Governo Jarbas Vasconcelos (1999-2006). Apesar de criticar as condições precárias do sistema educacional de Pernambuco, e em especial os indicadores educacionais, as ações de Campos para a superação dos entraves

educacionais não divergiram em grande escala das estratégias adotadas pelo governo anterior, como observaremos a seguir.

2.3 Governo Jarbas Vasconcelos (1999-2006): início da modernização gerencial na