2.4. Fenolik Bileşikler
2.4.1. Lignoselulozik Materyallerden Fenolik Bileşiklerin Üretimi ve
A questão fundiária também apresenta peculiaridades em cada uma das regiões estudadas. No Vale do Ribeira, o contexto político-econômico do processo de desenvolvimento regional
coloca em pauta a questão da expropriação, da migração e, atualmente, do assentamento rural. Pioneiro em Sete Barras, o assentamento Projeto de Desenvolvimento Sustentável – PDS denominado “Alves, Teixeira & Pereira” é um exemplo de conflito fundiário no qual os sitiantes, expropriados em 1960, conquistaram o seu direito de retorno à terra. No entanto, são mais comuns os casos em que as famílias foram direta ou indiretamente expropriadas e levadas a migrar para outras áreas: encostas dos morros; vilas ou cidades. Sobre este conflito, no bairro Guapiruvu/Sete Barras:
Desde o início a questão central que se colocava eram as transformações no modo de vida e no território da comunidade, mas agora ficavam mais claros os processos que estavam ligados a essa realidade de mudanças, ou seja, a agricultura comercial, a especulação imobiliária e o próprio ambientalismo, geradores ali de um estado de conflito fundiário (BERNINI, 2005, p. 10).
A antiga estrutura fundiária, onde predominavam as posses de terra, facilitou a expansão da bananicultura em larga escala e a criação das UC’s. Acostumadas a trabalhar a terra conforme suas necessidades, as famílias posseiras sofrem as restrições impostas pelo regime de propriedade privada das terras (Lei de Terras - 1850) e têm suas áreas de produção extremamente limitadas.
Em Joanópolis, também se observou um processo de redução do tamanho das terras disponíveis para cada família. Neste caso, contudo, a redução das terras é identificada pelos próprios sitiantes como uma conseqüência da divisão das terras por herança. Ou seja, sem estarem imunes às dificuldades legislativas impostas pela Lei de Terras, as famílias entrevistadas nesta região viveram condições políticas e socioeconômicas significativamente diferentes daquelas primeiras.
A situação da partilha das terras por meio da herança foi discutida na maioria das entrevistas realizadas em Joanópolis. S. Ricardo [Joanópolis, 2009] conta que seu avô, vindo da Itália, comprou terras naquela região. Ainda no tempo de seu pai, por volta da década de 1960, o ‘dinheiro era só para comprar terras’. O consumo da família era garantido pela produção do próprio sítio e o dinheiro adquirido na venda do leite e dos produtos da lavoura possuía apenas dois destinos: o banco ou a compra de terras. No entanto, como narrou sua irmã, D. Neuci, as terras ‘foram reduzindo’ através da divisão por herança, ou seja, a geração de D. Neuci e S. Ricardo herdou sítios menores que os de seus pais. Esta geração de pais (terceira geração após a imigração) já não reuniu condições necessárias para aumentar suas ‘posses’, viabilizar uma nova repartição de terras e garantir à reprodução das condições de vida através da herança. Desse
modo, na maioria dos casos, a partilha dos sítios não é mais viável e os jovens de hoje já não poderão contar com a herança para dar continuidade à vida no campo.
Aqui toda vida meu pai tirava leite, desde pequena meu pai tirava leite, tudo que ele comprou foi com o dinheiro do leite. Tinha os bois, tinha as vacas que davam o leite e se plantava de tudo, naquela época se plantava de tudo, arroz, feijão, milho. Vendia o leite e sobrava todo o dinheiro, porque plantava o que comia e com o dinheiro do leite ficava comprando terra. O leite naquela época compensava. O dinheiro do leite sobrava para investir em outra coisa, por isso que meu pai conseguiu sobreviver do leite. Ele conseguiu deixar isso para nós por isso... e ensinou os filhos a trabalhar [D. Neuci, Joanópolis, 2009]
Além das questões econômicas (ou do sistema produtivo) que dificultam a acumulação de terras e, portanto, a “transmissão” das terras aos filhos, S. Igor percebe um limite “natural” no processo de divisão de terras por herança. Na fala transcrita, ele comenta sobre o limite dos espaços do mundo diante da reprodução humana.
(...) eu ainda falo pra turma que é final de tempo... num acreditam muito no que eu falo. Falo assim, pensando... porque o mundo desde que o mundo é mundo, é o mundo, num é? Na casa seus num era só seu pai e sua mãe? Daí num veio você? Num veio os irmãos? Aí você num casa junto com ele? E num tem um filho? E o mundo é mundo... Aqui era só o pai, o pai no ranchinho dele lá, né? Hoje está eu... e se tivesse os três irmão, tava os três irmão. Que num tem como você ficar junto com o pai... eu acho que um pouco é disso também [S. Igor, Joanópolis, 2009].
A reflexão de S. Igor encontra fundamento teórico em Moura (1978). A autora discute sobre às estratégias camponesas quanto à manutenção da integridade de seus patrimônios territoriais ao longo das gerações, ou seja, a herança da terra segundo o “código local”. Sobre o tamanho das áreas, a autora concordaria com S. Igor na concepção de que, apesar de todos os esforços no sentido da continuidade do ciclo de aquisição de terras por herança, a diminuição dos patrimônios territoriais é, geralmente, inevitável.
O tipo de reprodução que as regras de herança (...) asseguram a essa área de campesinato parcelar tem um nexo paradoxal: reproduzem a propriedade camponesa, lutam contra a fragmentação, mas ainda assim diminuem quase sempre as dimensões dos patrimônios territoriais. De modo impressionista pode- se observar que está havendo uma diminuição do tamanho das famílias, mas é provável que, sendo sentida por parte delas a necessidade de poupar ainda mais as propriedades da fragmentação, a solução esteja na migração de herdeiros e
não num controle significativamente rígido sobre a natalidade (MOURA, 1978, p. 87).
S. Lucas [Joanópolis, 2009], irmão de S. Ricardo, preocupa-se em deixar aos filhos ao menos aquilo que lhe foi deixado pelo pai. É interessante notar, através dessa postura de vida, que a questão da herança é colocada por esses sitiantes mais como uma questão de honra do que por necessidade de acumulação de capital. A terra herdada pelo pai deve ser honrada. Vendê-la ou perdê-la para o mercado significaria desonrar a própria família. S. Pedro e D. Rosália [Joanópolis, 2009] possuem apenas dois filhos (um filho e uma filha) que migraram para a cidade. O casal está certo de que seus filhos não os farão esta desonra.
Por isso que a gente quer cuidar do nosso pedacinho aqui, tudo organizadinho... pequenininho, mas... é pra deixar isso aí pra eles, né? Porque acho que esse terreno aqui, acho que nunca vai ser vendido. Porque eles acho que jamais, o dia em que eu num tiver, o Pulo num tiver, num é vendido não. (...) Igual essa coisa da APP, foi plantado acho que umas 3 ou 4 mil árvores, na fila. A gente num vai ver o resultado, mas a esperança é dos netos ver, né? É o que a gente espera [D. Rosália, Joanópolis, 2009].
A solidariedade entre irmãos, para Moura (1987), é um elemento importante na luta contra a fragmentação do patrimônio. Como o “código local” institui que as mulheres quando se casam mudam para as terras do marido, é comum haver uma “negociação” da parte do patrimônio entre o irmão e o cunhado, ou seja, o irmão compra, a preço baixo, as terras da irmã52.
As regras de herança só se consumam na sua especificidade porque se exerce um tipo de solidariedade entre irmã e irmão, entre irmãos e também entre cunhados. Essa solidariedade entre indivíduos de sexo oposto mas irmãos e entre indivíduos do mesmo sexo sendo ou não irmãos é a condição para que a propriedade se subdivida o menos possível e não se fragmente em áreas descontínuas (MOURA, 1987, p. 45).
As estratégias do “código local” na luta contra a fragmentação das terras foram observadas nas realidades pesquisadas, assim como a redução das famílias e a inevitabilidade da redução dos tamanhos dos patrimônios territoriais.
52 As mulheres normalmente não possuem o poder que realizar qualquer tipo de negociação com a terra, ainda que