Reji Defter
LEYLA DİLİNDEN MURABBA
Na pesquisa de campo, foi possível detectar a grande variedade de grupos representa- dos e de perfis dos representantes que frequentam os espaços participativos institucionaliza- dos. Os grupos socioculturais estudados se interpenetram, estabelecem diversas conexões e
são compostos de atores que frequentemente representam mais de um grupo, diversos interes- ses e demandas. Ademais, foi observada a movimentação de diversas pessoas entrevistadas, que ora desempenham o papel de representantes da sociedade civil, ora do governo nos diver- sos níveis e entre os poderes executivo e legislativo.
Os representantes dos grupos socioculturais12 muitas vezes assumem ligação com di- versos grupos, interesses e demandas: ora são representantes de movimentos sociais (movi- mento negro, movimento das mulheres, movimento dos LGBTs, entre outros), de setores13 (ligados normalmente a manifestações de cunho artístico), de linguagens (há diversas dentro de setores artísticos), de categorias profissionais da cultura (produtores culturais), ora de seg- mentos14(uma forma de denominação mais ampla, que não necessariamente tem a ver com as manifestações artísticas, mas pode denominar a cultura popular, outros tipos de gru- pos/identidades/manifestações culturais e ligadas à religiosidade), ora dos usuários (infinidade de categorias). Também existem representantes de festejos populares (por exemplo, dos ciclos festivos do estado e do município - Carnaval, São João e Natal), de pessoas jurídicas (ONGs, associações de bairro), entre outros.
A separação e categorização dos grupos e seus representantes é na prática, muito com- plexa, pois as representações se combinam de várias formas, de modo que um representante pode ter diversas conexões com grupos e questões. É comum os representantes transitarem por ou se dizerem pertencentes a vários grupos. Muitos entrevistados do Executivo e do Le- gislativo exerceram anteriormente representação enquanto sociedade civil, integrando, por exemplo, os movimentos sociais e entidades sindicais. Muitos transitam em diversos órgãos de governo, nos três níveis da federação, dessa forma, a classificação dos entrevistados como
12Durante a dissertação será utilizada a expressão grupos socioculturais , para englobar a noção ampla de cul-
tura, relativa às práticas sociais simbólicas e, a expressão artístico-cultural , para ressaltar a dicotomia entre cultura e arte.
13Nos âmbitos federal e estadual, que foram objeto do estudo, a palavra setor , além de abranger os setores
artísticos (por exemplo, artes cênicas, artes visuais, audiovisual, música, literatura, etc.) é utilizada para se referir a linguagens específicas, a setores relacionados à economia da cultura (moda e artesanato), a grupos profissio- nais (trabalhadores da cultura, produtores culturais) e até mesmo a grupos identitários (indígenas, afro- brasileiros) ou áreas culturais (patrimônio cultural).
14A palavra segmento no âmbito municipal é utilizada de forma ampla, designando setores artísticos (por exem-
plo, artes cênicas, artes visuais, audiovisual, música, literatura, etc.), até mesmo linguagens dentro dos setores artísticos (por exemplo, dança, teatro, circo, música erudita, hip hop), designando também setores relacionados à economia da cultura (moda e artesanato), a grupos profissionais (trabalhadores da cultura, produtores culturais), a identidades e a manifestações culturais e religiosas.
membros do Poder Executivo, do Legislativo ou da sociedade civil, foi realizada de acordo com sua função principal em relação ao objeto de pesquisa.
Num primeiro momento, a identificação dos grupos sociais de interesse e de possíveis entrevistados foi realizada através da leitura do Plano Nacional de Cultura e, no âmbito do município, do Plano Municipal de Cultura do Recife, em relação ao Estado não foi possível partir desse ponto, pois não se encontrou um plano de cultura consubstanciado em projeto ou lei.
Também foi feita a pesquisa das estruturas burocráticas da área no site do Ministério da Cultura15, observando no organograma a presença da Secretaria de Articulação Institucio- nal SAI, Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural - SID, Secretaria da Economia Criativa (em estruturação), da Secretaria de Políticas Culturais SPC, Secretaria de Cidadania Cultural - SCC e da Fundação Palmares, ademais está em funcionamento desde 2007 o Con- selho Nacional de Política Cultural CNPC.
No âmbito Estadual, constatou-se através da internet que o Estado de Pernambuco dispõe da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco FUNDARPE, insti- tuição responsável pela execução das políticas culturais e que recentemente, em 2010, foi cri- ada a Secretaria Estadual de Cultura. Foi encontrado também um site16, sem dados atualizados sobre a composição e atribuições do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, em funci- onamento desde 1967, que apresenta informações sobre grandes intelectuais, escritores e ou- tras figuras públicas que foram conselheiros como Gilberto Freire, Oliveira Lima, entre ou- tros.
A política cultural de Recife, desde 1979, fica a cargo da Fundação de Cultura da Ci- dade do Recife FCCR, sendo criada Secretaria Municipal de Cultura em 2001, tendo tam- bém um Conselho de Cultura, que foi reformulado a partir de 2005.
A partir dos planos de cultura e dos órgãos públicos, foram identificados possíveis en- trevistados que participaram do processo de elaboração de políticas de cultura, principalmente os gestores e representantes do poder Legislativo indicados nominalmente nos documentos ou mencionados por entrevistados. Os representantes da sociedade civil foram selecionados não
15Disponível em <http://www.cultura.gov.br/site/o-ministerio/organograma/>. 16Disponível em <http://www.cec.pe.gov.br/>.
só a partir de documentos, mas também pela observação dos próprios espaços de participação no âmbito municipal, como é o caso como dos conselheiros representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Políticas Culturais mencionados também no Plano Municipal de Cultura do Recife.
Quanto aos grupos socioculturais de interesse, notou-se, cotejando a versão inicial do Plano Nacional de Cultura apresentada por deputados do Partido dos Trabalhadores em 2006 e a versão final do Plano Nacional de Cultura transformada em Lei, que houve significativo acréscimo de propostas organizadas em diversos eixos, embora o documento gerado diga res- peito a diretrizes gerais para políticas culturais. Esses acréscimos ocorreram nos seguintes temas: Atuação do Estado, Financiamento, Diversidade, Sustentabilidade, Economia da Cul- tura, Acesso e Participação Social, que trazem muitas vezes a menção a grupos socioculturais. Dentre as propostas acrescentadas há diretrizes para a elaboração de políticas inclusi- vas para segmentos da população, grupos de identidade e expressões culturais que abarcam agrupamentos constituídos por diversos aspectos. À primeira vista podem ser identificados no Plano Nacional de Cultura grupos e subgrupos sociais e culturais e até sujeitos (como mes- tres populares ) mencionados no documento em diversas partes, principalmente no capítulo sobre diversidade (discussão principal para este trabalho), através de expressões como: gru- pos sujeitos a discriminação e marginalização , segmentos populacionais marginalizados , populações rurais , populações tradicionais , indígenas , afro-brasileiros , quilombo- las , culturas populares , outros povos e comunidades tradicionais e moradores de zonas rurais e áreas urbanas periféricas ou degradadas , mulheres , segmento LGBT , perfis populacionais e identitários historicamente desconsiderados em termos de apoio , discrimi- nados por questões étnicas, etárias, religiosas, de gênero, orientação sexual, deficiência física ou intelectual e pessoas em sofrimento mental . Há também subgrupos que representam seto- res e linguagens dança, literatura, cinema, teatro, circo, moda e vestuário, música, design, arquitetura, artesanato, culinária, fotografia, webdesign, animação , mídias (audiovisual, rá- dio, tv, internet, etc.) ou movimentos culturais como o hip hop, manifestações culturais e prá- ticas religiosas.
Categorização parecida é feita no Plano Municipal de Cultura, no qual aparecem mani- festações de caráter mais regional, mas que também seguem do ponto de vista da categoriza- ção semelhante em segmentos, linguagens, etc.
Foram escolhidos grupos socioculturais antes excluídos da elaboração de políticas pú- blicas ou da representação parlamentar (o que não foi difícil, pois a área da cultura, salvo se- tores da indústria cultural, normalmente não conta com representantes específicos no Poder Legislativo), do modo mais diversificado possível quanto aos aspectos componentes da capa- cidade de comunicação e do conceito de capital social e quanto à presença de representantes nos espaços deliberativos analisados.
A seleção de grupos e entrevistados não apenas considerou a elaboração do Plano Na- cional de Cultura (transformado na Lei Federal nº 12.343/2010), mas principalmente a pro- posta legislativa do Plano Municipal de Cultura de Recife (projeto de Lei Municipal nº 032/2008) e a observação in loco.
Sob esse ponto de vista, entende-se que a análise da perspectiva local foi extremamen- te importante, porque, a princípio, os fóruns/seminários e conferências municipais são abertos a todo o público que queira participar, mesmo que haja, no caso das conferências, a necessi- dade de eleição de delegados. Ademais, os delegados que compõem parcela significativa dos participantes dos espaços abertos no âmbito estadual e federal, são normalmente originados da base de delegados municipais.
Os atores que participam destas arenas representam grupos e movimentos sociais de maneira autorizada (eleitos e indicados por algum mecanismo) ou simplesmente por afinidade a determinadas causas ou buscando satisfazer interesses individuais. No plano local, foi pos- sível identificar de modo mais claro e concreto quais grupos estavam representados, permitin- do verificar a conexão entre representantes e representados.
É importante ressaltar que não se partiu a priori de uma lista de grupos socioculturais, nem de entrevistados. Durante a realização da pesquisa de campo foram identificadas as pes- soas que realmente participaram do processo e grupos atuantes no âmbito municipal, que por vezes também se articulam no nível nacional e/ou estadual. Para ter acesso aos entrevistados, principalmente dos agentes políticos e gestores do Executivo, houve contatos telefônicos pré- vios no Ministério da Cultura e foram realizadas entrevistas preliminares. O ponto de entrada foi o Estado de Pernambuco e Município de Recife, facilitado através de um contato da rede pessoal da pesquisadora que permitiu iniciar entrevistas na FUNDARPE e Secretaria Estadual de cultura/diretoria de Articulação Institucional. A partir dessa abertura foi possível avançar, transitar no campo e verificar, além dos que constavam formalmente nos documentos, quais
atores políticos e gestores participaram efetivamente do processo de elaboração das políticas e coordenação dos espaços participativos, identificando diversos entrevistados e obtendo infor- mação sobre a articulação de grupos.
Entretanto para não correr o risco de percorrer alguma rede direcionada de entrevista- dos, buscou-se contato direto com os órgãos municipais e participantes da sociedade civil, modificando o ponto de partida, para selecionar outros entrevistados além dos recomendados pelos primeiros contatos. Após certo tempo, a menção aos atores-chave dos processos e in- formações sobre as dinâmicas foram se repetindo e, assim, consolidando a confiabilidade das informações e fortalecendo a compreensão dos fenômenos e evidências observadas.
Um fator muito importante para a diversificação da base dos entrevistados foi desco- brir as atividades de cultura que se desenvolviam no período de permanência em Recife, o que gerou a oportunidade de realizar a observação direta de diversas pré-conferências, tanto dos setores/linguagens culturais, como de regiões administrativas de Recife, preparatórias da V Conferência Municipal de cultura, também objeto de observação direta.
Igualmente, foram entrevistadas pessoas que compareciam aos órgãos para pedirem informações ou se inscreviam em Editais, como, por exemplo, o de Patrimônio Vivo, destina- do aos mestres de cultura popular de Pernambuco. Apesar de tentar-se mobilizar contatos pes- soais, na Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Municipal de Cultura, houve dificulda- de de agendar diretamente entrevistas nos gabinetes, de modo que o contato com os gestores municipais foi travado durante a observação dos espaços de participação e das conferências. Tal fato foi de certo modo interessante para a pesquisa, pois, por algum tempo, foi possível participar de pré-conferências e realizar observação sem chamar tanta atenção dos organiza- dores e participantes. Aos poucos foi estabelecido contato com os gestores organizadores dos espaços e pôde-se obter maiores informações e conversar sobre a participação no âmbito mu- nicipal.
Houve oportunidade de observar uma importante reunião do Pleno do Conselho Muni- cipal de Política Cultural, mas, como a reunião não é aberta à população, foi necessária deli- beração antes da reunião para que permitissem a observação. Os entrevistados do Poder Le- gislativo foram selecionados pelos documentos oficiais de elaboração dos Planos e pelas refe- rências dos entrevistados dos grupos socioculturais, assim como gestores do Executivo que foram entrevistados sem dificuldades para agendar os encontros. Apesar de existir, desde o
inicio, uma intuição da importância de perquirir a atuação de grupos - relacionados ao movi- mento negro, à diversidade sexual, à mulher, aos povos tradicionais indígenas e quilombolas, aos mestres da cultura popular, segmentos e linguagens específicas, como o circo ou a moda - a seleção, a consolidação dos temas e a análise foram se realizando durante o processo de pesquisa. com base na observação realizada e nos relatos, foi possível perceber a atuação dos grupos nos espaços municipais e sua participação ou interligação em relação aos demais entes federativos.
A articulação e a influência dos grupos também foram melhor compreendidas a partir das entrevistas com gestores, com membros do Legislativo e na análise dos editais e políticas de cultura desenvolvidas pelo Ministério da Cultura, Secretarias e Fundações Estadual e Mu- nicipal nos últimos anos.17
Dessa forma chegou-se à seleção de alguns grupos socioculturais objeto de análise, que foram categorizados no decorrer da dissertação como grupos transversais (mulheres, ne- gros, idosos, juventude, infância, LGBT, pessoas com deficiência física ou mental, pessoas em sofrimento psíquico), segmentos/setores/linguagens (artes cênicas, moda-design, artesana- to, circo, hip hop, cinema, literatura e produtores culturais), cultura popular e seus mestres, populações tradicionais (quilombolas, indígenas), os ciganos, os povos de terreiro e por fim a representação de um grupo ou movimento difuso dos usuários da cultura em Recife.
Por tratar-se de pesquisa qualitativa não houve a preocupação em selecionar os entre- vistados numa amostra representativa das proporções em que os grupos socioculturais se en- contram na sociedade ou nos espaços participativos18, mas foram feitas triagens durante o cadastramento dos participantes e utilizada a observação, para que as entrevistas fossem di- versificadas incluindo da maneira mais abrangente possível grupos representados e perfis de representação constatados.
Apesar de não haver a preocupação estatística, não foi negligenciado o fato de que o número de representantes de cada grupo existente nos espaços é um fator que pode fazer parte
17As informações sobre as políticas desenvolvidas nos últimos anos são importantes porque não se pode consi-
derar a criação e a elaboração de políticas como algo estanque no tempo e, consubstanciado apenas nos docu- mentos formais transformados em lei, ou não, relativos aos Planos de Cultura.
18Aliás, seria impossível de assim proceder, já que tais grupos se sobrepõem devido às diversas matrizes que
da explicação de algumas dinâmicas. Todavia, a constatação da maior ou menor presença de representantes dos grupos pôde ser feita através da observação por contraste 19.
Ao final da pesquisa de campo haviam sido realizadas mais de noventa entrevistas, in- cluídas duas conversas exploratórias, sendo todas gravadas. Desse material, foram transcritas oitenta e oito entrevistas para possibilitar a análise, identificando-se os temas, os aspectos e os fatores recorrentes capazes de elucidar as dinâmicas das relações entre representação e parti- cipação social no âmbito da cultura. As falas foram organizadas numa grande tabela, com o objetivo de verificar os aspectos comuns que apareciam nos relatos, assim como os diferentes pontos de vista sobre um mesmo fenômeno.
No decorrer da dissertação optamos por indicar as pessoas ouvidas através de qualifi- cação resumida em função da condição e do papel primordial que exercem ou exerceram em relação ao objeto do estudo. Desta forma, criamos as seguintes categorias e denominações:
19A observação ou contagem por contraste é bastante realizada em fóruns e conferências para considerar que foi
aprovada uma proposta sem ser necessário contar cada um dos votos. Do mesmo modo, a observação das dinâ- micas dos espaços permite constatar a maior ou menor presença de representantes dos grupos.
Tabela 1- Representantes dos poderes Executivo e Legislativo
Categoria Instituição quantidade
gestor/a federal MINC 9
gestor/a federal MDA, quilombola 1
deputado federal Congresso Nacional 3
gestor/a estadual FUNDARPE/Secretaria Estadual de Cul- tura de Pernambuco
6
deputado/a estadual Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco
1
gestor/a municipal Secretaria de Cultura /Conselho Munici- pal de Política Cultural do Recife/ Orça- mento Participativo / Município da região metropolitana
7
Tabela 2 Representantes da Sociedade Civil
Categoria Segmento Quantidade
mestre(a) de cultura popu- lar
circo, artesanato, cultura popular (maracatu, reisado, etc.)
5
delegado/a, conselheiro/a cinema e artes visuais 3
delegado/a, conselheiro/a Música 5
delegado/a, conselheiro/a patrimônio cultural 2
delegado/a, conselheiro/a artes cênicas (dança, teatro e circo) 5
delegado/a, conselheiro/a Artesanato 3
delegado/a, conselheiro/a e/ou participante
movimentos (negro, mulheres, LGBT, pessoas com deficiência, etc.), lideranças comunitárias, sindi- calistas, presidentes de associação de bairro, de clubes de mães entre outros
18
delegado/a, conselheiro/a, e/ou participante
cultura popular (ciclos culturais carnaval, São João, natal - frevo, ma- racatu, boi, reisado, etc.)
6
povos tradicionais ciganos, povos de terreiro 4
participante ou observador Literatura 2
convidados música erudita 1
convidados produtor cultural 2
outros mediador/a, organizador do cadastro
de participantes, psicóloga do SUS 3
As tabelas 3 e 4, respectivamente no Anexo I e no Anexo II, contém a relação comple- ta das entrevistas transcritas, incluindo o perfil mais detalhado dos entrevistados, assim como espaços participativos em que houve observação presencial.
Estruturou-se a parte analítica da dissertação, referente aos estudos de caso, em três blocos de desenvolvimento, que correspondem aos capítulos 3, 4 e 5. O capítulo 3 apresenta a formação do aparato estatal da cultura e características dos dirigentes. Em seguida, passa-se a analisar as funções governativa e representativa e identificar partidos atuantes e propostas de programas elaborados para a área. No momento seguinte, examina-se a representação do setor nos parlamentos nos três níveis da federação que foram objeto da pesquisa.
O capítulo 4 apresenta, inicialmente, a coordenação do governo federal visando à ela- boração participativa de políticas culturais nos entes subnacionais. Depois expõe os arranjos participativos e políticas de editais instituídos na área de cultura nos três estudos de caso (fe- deral, estadual e municipal).
O capítulo 5 tratará da participação dos grupos socioculturais encontrados durante o estudo, analisando-se suas perspectivas, articulação e influência na elaboração das políticas de cultura.
No final, a partir das análises precedentes, serão fechadas as conclusões em relação às perguntas de pesquisa que versam sobre: as condições e dinâmica da relação de complementa- riedade entre representação política eleitoral e espaços de participação social, os interesses do Executivo e a influência do capital social (Bourdieu) e da comunicação, na articulação dos grupos e inclusão de demandas na elaboração das políticas de cultura.
CAPÍTULO3 - CULTURA,APARATO ESTATAL E REPRESENTAÇÃO ELEITORAL
As recentes mudanças na visão sobre o papel do Estado na área cultural e nas respecti- vas políticas públicas podem ser explicadas a partir de discussões travadas na teoria democrá- tica contemporânea sobre ideologia, partidos políticos e sobre a relação entre os Poderes Le- gislativo e Executivo.
Neste capítulo, será analisado o impacto desses elementos no campo das políticas cul- turais para buscar responder às duas primeiras questões de pesquisa: 1) Como e em que con- dições pode existir ou ser potencializada a relação de complementariedade entre representação político-eleitoral e a participação social nos espaços deliberativos, tais como seminários, fó- runs, conferências e conselhos, para a elaboração de políticas públicas? 2) Que usos políticos o Poder Executivo pode fazer dos espaços deliberativos como seminários, fóruns, conferên- cias e conselhos? Quais os interesses por parte do Poder Executivo em institucionalizar ou efetivar tais espaços deliberativos?
Para tanto, dado o peso do Poder Executivo e de sua burocracia na elaboração e im- plementação das políticas públicas no Brasil, será contextualizada a constituição do aparato administrativo e das políticas da área cultural e apresentado o perfil de dirigentes do setor. Em seguida, apresenta-se breve contextualização histórica das políticas culturais a partir da rede- mocratização, para verificar em que medida o setor cultural foi impactado por concepções ideológicas e programas partidários. Finalmente, examina-se a representação da área cultural nas casas legislativas e o envolvimento desse Poder nos processos recentes de reelaboração das políticas de cultura dos três níveis de governo.