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Nas entrevistas realizadas com os professores, uma das questões buscava saber o que estes professores sentiam em relação aos desafios gerados pela política que envolve o ENEM. Utilizamos o verbo sentir, pois ele pode levar à reflexão sobre as percepções do sujeito em relação a um fato, sobre as suas experimentações, a sensibilidade e o modo de ver específico a partir de sua perspectiva. Desta forma, sendo o ENEM uma avaliação externa do sistema e, ao mesmo tempo, do estudante e do trabalho do professor, os desafios colocados ao profissional do ensino podem ser de várias naturezas. Neste tópico, portanto, buscamos reconhecer na fala dos professores quais os desafios e demandas gerados pelo ENEM, partindo do pressuposto que este exame está circunscrito numa política educacional reconstruída pelos professores no contexto da prática, e que repercute sobre sua prática profissional docente.

Para Laura, o ENEM trabalha com muitos assuntos e, portanto, preparar seus alunos para este exame demanda tempo para leitura, para estudo, para preparo das aulas:

Principalmente nessa questão da leitura que é essencial não é? Pro aluno, eles precisam. Nós professores precisamos exercitar essa questão da leitura porque eles (quem formula o ENEM) trabalham com vários assuntos. E mesmo em português quando você pensa na prova especifica de português os gêneros textuais que eles trazem ali são gêneros diversos que mobilizam e que exigem do professor esse conhecimento. Então pra trabalhar o professor precisa ter esse conhecimento, precisa ler principalmente, essa questão da leitura porque aquilo que eles (os alunos) precisam. Então é impossível incentivar o aluno, falar de leitura se o professor não faz sua parte (Laura).

Em sua fala é evidente o compromisso profissional que se cria tendo o aluno como motivador do trabalho e também a demanda pessoal pela autoformação. Já sinalizamos a força que têm a motivação do aluno e o conteúdo que se ensina na construção de identidade do professor. A análise da fala de Laura nos leva à compreensão de Pimenta (2011), para a qual a identidade profissional se constrói a partir da significação social da profissão, da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas, também, da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas.

Para Laura, a leitura é uma destas práticas que resistem a inovações porque continua prenhe de saberes válidos às necessidades da realidade. Realidade hoje marcada pelo peso que a avaliação externa tem nas práticas dos professores em sala de aula. A necessidade de ler, de continuar aprendendo, é condição fundamental para que o professor incentive o aluno, afirma Laura. Está aqui uma demanda que o ENEM gera: a constante formação.

Vimos, segundo a literatura sobre o desenvolvimento profissional da docência, que este processo se baseia na aprendizagem e que seu objetivo mais claro é potencializar a profissionalidade. Segundo Díaz (2001), isto supõe o desenvolvimento da autonomia docente

necessária para poder decidir e controlar aqueles processos sobre os quais é responsável. Ao falar sobre o que cabe ao professor (“o professor precisa ter esse conhecimento, precisa ler principalmente”), fica implícita a compreensão da docente sobre a necessidade de formação profissional que a lógica da avaliação externa gera. O que pode ser visto, dentro de certos limites (que engessam o trabalho docente, típicos da regulação pelos resultados), como um mecanismo potencial para o desenvolvimento profissional dentro de uma identidade profissional que pode se abrir neste contexto.

Knowles (1990) já sinalizou que o adulto se interessa mais em aprender quando a aprendizagem lhe for útil para lidar com situações de vida e que, portanto, tem aumentada sua capacidade de se autodirigir, de usar experiências no ato de aprender e relacioná-lo com vivências cotidianas. Desta forma, os desafios colocados ao professor na prática de um novo currículo, de uma nova avaliação, acaba por mobilizar a aprendizagem autodirigida, ainda mais quando o ENEM aponta novas possibilidades para os alunos que motivam a carreira docente. Sobre a capacidade de se autodirigir (aprender a aprender), Helena afirma:

Especificamente do ENEM eu percebo que eu preciso me dedicar cada vez mais. Ler cada vez mais, me inteirar cada vez mais. Mesmo porque o mundo exige isso. Tá tudo aí puff (sic). A todo instante está aí noticia pra cá noticia pra lá. Eu preciso também passar isso para os alunos, eu procuro fazer sempre isso. Eu procuro, não sei se eu consigo fazer isso, e comigo também, ensinar os alunos a aprender a aprender, sabe? (Helena).

O fortalecimento da avaliação externa como foco do trabalho está presente na grande maioria das falas dos professores. Mesmo expondo suas dificuldades iniciais, para Laura, conhecer melhor o tipo de avaliação do ENEM, por motivação dos alunos e esforço pessoal, gerou desenvolvimento profissional. Ela diz que é possível ter melhor desempenho em concursos.

Quando o ENEM começou eu às vezes pegava uma prova e os alunos me traziam provas. Eles queriam saber, queriam que eu explicasse e eu tinha uma certa dificuldade. Acho que devido a essa nova proposta de avaliação e eu percebo agora que eu entendo muito mais a questão depois que eu comecei a entender como era feita essa avaliação, como essa questão de habilidade e competência. Eu acho até que para o meu desenvolvimento em relação frente a essas questões acho que até facilitou. Eu sinto hoje uma facilidade maior e acho até mais fácil a prova hoje. Mas acho que é por esse contato, trabalhar, de estudar, de saber o que eles estão avaliando acabou facilitando até inclusive essa habilidade que você desenvolve frente à prova de repente até te ajuda nas outras provas em outros concursos (Laura).

A forma como os professores se auto responsabilizam pelo conhecimento da proposta curricular e avaliativa e também a maneira como eles assumem o compromisso pelo seu desenvolvimento profissional nos leva à afirmação de Marcelo (2009) de que uma das identidades que marcam a docência hoje reside na ideia de que “Tudo depende do professor”. Para o autor, confirma-se a tese de Huberman (1993), segundo a qual, o professor é compreendido como um “artesão”:

Aquele que é muito individualista e sensível ao contexto, e que, como resultado, implica a acumulação idiossincrática de um tipo de conhecimento base e de um repertório de habilidades [...] esses professores trabalham sozinhos, aprendem sozinhos e desenvolvem a maior parte de sua satisfação profissional sozinhos ou através de suas interações com os alunos em vez de com os companheiros (HUBERMAN, 1993, p. 22-23).

A fala de Mário abaixo também aponta que os desafios que o ENEM coloca geram desenvolvimento profissional na medida em que para este profissional o desenvolvimento ocorre se estiver atrelado ao sucesso do aluno:

A gente procura estratégias em sala de aula pra que o aluno consiga absorver, ele consiga aprender pra levar não só na prova, mas sim se ele conseguir e passar cursar uma faculdade pra vida dele. Então acho que pra mim como professor eu acredito que é uma ideia válida (o ENEM). Toda ideia que a gente tem, toda estratégia que a gente tem em sala de aula com os alunos é valido. É um desenvolvimento trabalhando em cima do ENEM.Que nem eu vou fazer o simulado pra eles já é uma estratégia válida pra que ele se dê bem no mercado de trabalho. Hoje se a gente for analisar ensino médio o que é que o governo ele impôs. Não impôs não, o que ele fala pra nós. Ensino médio é o quê, preparar, capacitar o aluno para o mercado de trabalho. É com essa linha também que a gente trabalha (Mário).

A lógica desse professor nessa fala é: o ensino médio deve preparar o aluno para o mercado. Se o aluno sabe fazer simulados, ele está bem preparado para o mercado de trabalho (é uma habilidade adquirida). E também, se ele ingressa numa faculdade, o professor cumpriu seu papel de realizador da função que o governo coloca para o ensino médio. Parece-nos que o professor sente que está cumprindo a função que o Estado impõe ao ensino médio, sente que realiza o seu papel. Assume uma identidade profissional de acordo com o contexto histórico e específico. A identidade profissional também se constrói pelo significado que cada professor confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e anseios, do sentido que tem em sua vida o ser professor. Nesse caso, do sentido que tem a escola também.

O modo como os professores demonstram superar as dificuldades do dia-a-dia da escola sugere uma construção individual e solitária da identidade profissional. Uma construção sem incentivo. Embora os professores tenham relatado a busca pela aprendizagem (desenvolvimento profissional) de forma autodirigida e, mesmo reforçando o isolamento que caracteriza as práticas docentes, há vários depoimentos que indicam o sentimento de despreparo frente às demandas que o ENEM gera. O professor reconhece as dificuldades para trabalhar os conteúdos, a forma como avalia. Ele reconhece que seu conteúdo é insuficiente diante da proposta sofisticada do exame. Ele sabe que para o aluno conseguir fazer a prova, antes o professor precisa estar preparado. E que isso requer investimento. Para Mário, por exemplo:

Eu acho que precisaria ter mais. Acho que precisaria ter mesmo mais investimento. Todos os professores pra gente saber também trabalhar em sala de aula. Pra que o aluno também ele consiga fazer a prova com facilidade (Mário).

Para Laura, não há “nenhuma orientação” por parte os elaboradores do ENEM sobre como trabalhar em prol desta avaliação:

Eu trabalho porque eu acho importante pro aluno. É uma oportunidade que ele tem inclusive depois com o Prouni. Então eu falo sempre isso com ele, que é importante que eles façam, eu incentivo apesar de que nem todos fazem. Uma parte só deles fizeram do 3º ano. Então eu acho importante então o que eu trabalho, que não é muita coisa, o que eu faço em sala de aula eu fui procurar, eu trago, eu estudo as competências e habilidades do ENEM. Essa semana eu estou trabalhando com os terceiros as competências e habilidades da redação pra que eles saibam e tenham ideia do que eles observam na hora da correção. Mas assim, é tudo por minha conta, eu busco, eu estudo pra tentar passar pra eles. Porque não há essa preocupação (Laura).

O isolamento para a aprendizagem denota ao mesmo tempo a preocupação com os alunos e seu futuro e o reconhecimento de que falta um preparo mais articulado dos profissionais. O sentimento de despreparo é evidente aqui também. E como afirmam Gatti e Barreto (2009), as representações, atitudes, motivação dos professores necessitam ser vistas como fatores de capital importância a se considerar na implementação de mudanças e na produção de inovações na prática educativa.

É importante notarmos a atitude favorável dos professores frente ao ENEM enquanto modelo de avaliação inovadora:

Eu acho bem vinda. Acho bem vinda essa proposta. Acho que faltava, achei muito interessante, porque o aluno tem que ter a noção do todo, ele tem que saber que o conhecimento é uma coisa única. Então isso é muito legal. (Helena).

Eu gosto. Eu acho a prova do ENEM muito bem feita. A maneira como eles trabalham essas habilidades e competências é interessante, eu gosto. Inclusive quando eu elaboro provas escritas eu às vezes até pego alguma coisa, não a questão inteira, mas a maneira que eles colocam ali a questão, como eles fazem a avaliação de determinada habilidade de determinada competência. Então eu acho, eu gosto muito da prova gosto como eles fazem ali. Até acho que se eles dessem esse treinamento, se eles passassem isso para os professores da rede pública não só com o objetivo assim de que o aluno tire nota no ENEM, mas, pra mostrar assim como que é a prática avaliativa nessa avaliação escrita, como montar uma questão. A maioria dos professores tem muita dificuldade, eu tenho também dificuldade. Aprendi muito olhando as provas do ENEM, mas é mostrar isso para os professores, como você avaliar determinada competência, determinada habilidade. Isso ia ajudar muito os professores (Laura).

Notamos nesta fala de Laura que, mesmo com a admiração, o sentimento de despreparo em relação ao modelo avaliativo que o ENEM sugere aparece. Ela afirma que aprendeu olhando as provas (atitude de isolamento), mas que tem dificuldade. E sugere:

Então, se eles passassem isso para o professor iria ajudar muito até na prática de sala de aula, de repente pra você desenvolver uma atividade se você tivesse essa noção de o que fazer pra desenvolver aquela competência ou aquela habilidade ia ajudar muito. Porque às vezes a gente pensa na atividade pensando assim no conteúdo, como eu vou desenvolver aquele conteúdo, mas você não pensa na habilidade, na competência. Porque eu não tive essa formação. É que isso tudo de habilidade e competência é uma coisa muito nova. Pra mim né, quase 20 anos e eu não tive essa formação. Quem hoje está fazendo de repente até tenha contato, saiba, mas os professores que estão aí há muito tempo vai ser muito difícil (Laura).

Apesar das afirmativas de que o ENEM pode projetar melhorias no trabalho do professor e, de fato, as falas dos professores indicam que houve motivação para buscar novas aprendizagens, é preciso notarmos que a análise das repercussões práticas de políticas públicas para a educação deve considerá-las um processo em desenvolvimento e em conjunto com outras ações governamentais (CAVALCANTI, 2012), como, a formação docente, o suprimento dos recursos materiais e financeiros destinados à área da educação, enfim, como garantia de condições básicas de sua realização.

A desvalorização profissional evidente na falta de professores para determinadas áreas do ensino, especialmente no ensino médio, aparece na observação de Beto:

Sem falar na falta de professores. Por exemplo, eu tenho alunos num curso técnico em que eu trabalho que o aluno fala assim “professor (pra mim me referindo a mim) eu nunca tive aula de química e hoje no curso técnico eu estou fazendo curso técnico de química”. Então aquela base inicial que o aluno deveria ter ele não teve, quando ele entrar numa faculdade se ele escolher uma engenharia química, uma engenharia

civil, qualquer uma das engenharias ele vai ter muita dificuldade, por quê? Porque tem escolas que estão, não é esse ano de 2012, já há alguns anos sem nenhum professor dessas áreas específicas. Principalmente da área de física, da área de química. Tem professor, só que não tem formação nenhuma para atuar nessa área e essas áreas são áreas que só consegue atuar quem realmente tem uma formação. Se a pessoa não tem uma formação de física ela não consegue dar aula de física e às vezes ela até [...] já está até chegando na nossa época agora jovens que fizeram outras faculdades bacharel em administração, por exemplo, que as vezes o cara nunca teve aula de química e hoje pela falta de professor ele está dando aula de química. Então ele não sabe nada de química, ele não vai acrescentar nada, ele pode dar algumas atividades básicas de química, mas preparar o aluno para um desafio de ENEM fica totalmente perdido (Beto).

Costa (2013b) sinaliza que a precarização e a intensificação do trabalho docente se manifestam principalmente em quatro circunstâncias que se interpenetram e envolvem os professores da educação básica no Brasil, especialmente no nível médio: formação indevida, infraestrutura imprópria, remuneração inadequada e jornada de trabalho intensificada, entre outros fatores, os quais contribuem para que as condições de trabalho docente nas escolas públicas não sejam as mais favoráveis ao bom andamento da educação e ao conforto para os que nela atuam. Nestas condições, não é surpreendente que haja cada vez mais falta de professores. Ora, se o ENEM demanda um ensino pautado em uma nova concepção curricular e que, portanto, requer formação continuada dos professores e envolvimento do corpo docente, a ausência de professores com formação adequada dificulta seriamente a realização de qualquer projeto educacional.

A falta de infraestrutura escolar também aparece como um obstáculo à realização de um projeto de ensino frente aos desafios que o ENEM sugere:

Então você quer um incentivo à leitura e a escola não tem biblioteca. Ai é difícil. Eu, matemática. Eu quero desenvolver uma atividade diferenciada com meus alunos. Eu queria ter um laboratório de informática. Inclusive teve um trabalho meu na faculdade que eu fiz um projeto “matlab” – matemática laboratório – aonde você possa manipular figuras geométricas, manipular não só, mas a tecnologia. Onde você possa levar os alunos e instalar lá o “geogebra” pra ele e mostrar pra ele “ó dá pra você fazer essa figura no computador”, ou seja, e não tem isso também pra nós, um laboratório especificamente pra isso. Porque é uma aula diferenciada. Isso é valioso hoje (Mário).

Quando realizamos o encontro com os professores na escola para coleta de dados eu notei “a escola estava em reforma. Uma grande reforma. A infraestrutura do prédio é boa. Arborizada, quadra de esportes bem cuidada, salas amplas e arejadas. O diretor disse que não têm previsão de término da reforma e terão que continuar as aulas no meio da bagunça” (Diário de Campo da Pesquisadora). Interessante perceber como a reforma aqui apresenta dois

sentidos: a que o Estado sugere para o ensino e a reforma da estrutura física. Para os professores, são obstáculos a serem enfrentados no cotidiano.

Sobre a infraestrutura física e pedagógica das escolas, Costa (2013b) sinaliza que estas são fundamentais ao trabalho do professor. Para este pesquisador, a inadequação da infraestrutura tem reflexos sobre o trabalho docente, que requer um ambiente escolar agradável, capaz de oferecer aos alunos instrumentos que favoreçam a aprendizagem e seja estímulo para sua permanência na escola. Quem atua em escolas sabe o quanto faz diferença estar num ambiente organizado, agradável, com recursos que favoreçam as atividades de ensino.

O professor do ensino médio como “aquele que coloca o corpo” (FANFANI, 2010), ou seja, aquele que está diante dos estudantes de maneira próxima lidando com os desafios do cotidiano e com os conflitos que a contemporaneidade coloca a escola é quem reconhece, por exemplo, as diferenças entre os alunos. Beto afirma que o rankiamento lançado a partir dos resultados do ENEM ignora as condições próprias da escola, de seus alunos, de seu funcionamento, enfim, ignora a diversidade que marca o sistema escolar brasileiro:

A política avaliativa do ENEM na realidade é uma faca de dois gumes. Por quê? Tem escolas que às vezes desenvolve um excelente trabalho, tem alunos preparados pra aquela prova e ai o quê que acontece, é, a escola funciona manhã, tarde e a noite, às vezes manhã e noite com ensino médio. Os alunos da manhã estão super preparados porque eles têm tempo pra fazer aquilo que eu falei antes, que é estudar previamente os conteúdos, os tópicos a serem abordados na aula. O aluno do noturno já não tem essas condições. As escolas que funcionam manhã e noite essa avaliação tem prejudicado muito a nota da escola e o “rankiamento” dessa escola. Por quê? Porque o aluno do noturno é um aluno diferenciado, ele trabalha o dia todo, ele não vai preparado para aquelas aulas, você passa o conteúdo da mesma maneira que você tem que passar para o ensino médio da manhã, mas só que é um outro público é um outro atendimento, uma outra realidade. Eles têm bem menos tempo pra estudar que os da manhã. Hoje quem quer ter uma boa nota no ENEM, a escola, os alunos, não é possível fazer esse resultado somente com as quatro horas que os alunos ficam dentro da escola. Precisa ter mais quatro horas de estudo (Beto).

Compreendemos, assim como Krawczyk (2011), que os docentes são sensíveis à situação de vida de seus alunos, mas, ao mesmo tempo, têm baixas expectativas em relação a eles e ao seu futuro. No geral, segundo a autora, os professores conhecem muito pouco sobre a vida de seus alunos: com quem moram; as atividades que realizam além de ir à escola; como ocupam os finais de semana; as características de suas famílias etc. Em sua pesquisa com professores do ensino médio, conclui que “os comentários dos professores são muito ambíguos e tendem a se limitar à diferenciação, às vezes estereotipada, entre os alunos do curso diurno e do noturno” (KRAWCZYK, 2011, p. 763).

Os comentários dos professores sobre os desafios que o ENEM os colocam acabam