1. GİRİŞ
1.5. Kardiyovasküler Hastalıklar
1.5.3. KVH ve Periodontal Hastalık İlişkisi
O Código Tributário Nacional diz aplicar-se à legislação tributária as normas
gerais disciplinadoras da vigência temporal das leis235. Dessa forma, salvo
disposição em contrário, as leis quando vigentes devem ter “efeito imediato”236.
talvez não dimane, eficácia jurídica. Não importa se é singular, ou complexo, desde que, conceptualmente, tenha unidade.” Pontes de Miranda, 1974, p. 77.
233
Nesse sentido afirma Paulsen (2000, p. 112) que se devem “considerar tais situações como de fatos
geradores ocorridos em parte (note-se: fatos geradores já ocorridos nessa parte), parte esta, inclusive,
passível de ser considerado como o próprio todo se nada mais sobrevier. Não há que se considerar, pois, o fato gerador ocorrido em parte como se fosse um fato gerador pendente. Ocorrido em parte sim; pendente, não.” Em sentido contrário, entendendo inexistirem efeitos jurídicos antes do fim do prazo normativamente estipulado, cf. Carvalho, 2005, p. 271.
234 Coelho, 2005, pp. 213 ss.
235 Cabe aqui registrar que posteriormente à Constituição Federal de 1988, no plano infraconstitucional,
houve proposta de alteração da Lei de Introdução ao Código Civil a qual importava alterações na disciplina da matéria ora discutida. De acordo com o Projeto de Lei nº 4.905/95, as disposições do Capítulo II, nominado “Direito Intertemporal”, seriam:
“ Art. 5º Irretroatividade - A lei não terá efeito retroativo. Ela não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
§1º Direito adquirido - Direito adquirido é o que resulta da lei, diretamente ou por intermédio de fato idôneo, e passa a integrar o patrimônio material ou moral do sujeito, mesmo que seus efeitos não se tenham produzidos antes da lei nova.
Conforme já exposto, a idéia do efeito imediato da lei nova remonta à tradição da teoria objetivista, fundamentada na distinção entre efeito imediato e sobrevivência da lei antiga.
Cabe nesse momento considerar preliminarmente o sentido e o alcance dos termos vigência, incidência e aplicação da norma, para estabelecer o que se deve entender por “efeito imediato da lei” ou “sobrevivência da lei antiga”.
Normas gerais e abstratas instituidoras (ou majoradoras) de tributos (regras- matrizes de incidência tributária) são vigentes quando estão prontas para incidir, para juridicizar fatos237. Incidem, quando ocorre no mundo fenomênico a hipótese
abstratamente prevista238. São aplicadas quando, mediante a linguagem jurídica, certifica-se a incidência239.
Assim, as normas quando vigentes240, terão sempre efeito imediato,
porquanto incidam imediatamente sobre o suporte fático que irão juridicizar. A possibilidade de aplicação posterior de uma norma jurídica já revogada ou
§2º Direito a termo ou condição - Constituem igualmente direito adquirido as conseqüências da lei ou de fato idôneo, ainda que dependentes de termo ou condição.
§3º Ato jurídico perfeito - Ato jurídico perfeito é o consumado de acordo com a lei do tempo em que se efetuou.
§4º Coisa julgada - Coisa julgada é a que resulta de decisão judicial da qual não caiba mais recurso.
Art. 6º Efeito imediato - O efeito imediato da lei não prejudicará os segmentos anteriores, autônomos e já consumados, de fatos pendentes.
Art.7º Alteração de prazo - Quando a aquisição de um direito depender de decurso de prazo e este for alterado por lei nova, considerar-se-á válido o tempo já decorrido e se computará o restante por meio de proporção entre o prazo anterior e o novo.”
Percebe-se que tal projeto tenta oferecer soluções para problemas de direito intertemporal não resolvidos pelas disposições normativas até então existentes, embora ainda seja manifesta a influência das teorias tradicionais. É possível identificar a tentativa de esclarecimento do sentido do termo direito adquirido, estendendo-o aos efeitos ainda não realizados, e àqueles dependentes de termo ou condição. De igual forma busca-se, salutarmente, identificar o alcance do termo “efeito imediato” da lei, bem como sua relação com fatos complexos e situações em que haja alteração de prazos.
Apresentado desde 3 de janeiro de 1994, esse projeto teve sua retirada solicitada ao Congresso Nacional, pelo Poder Executivo, em 8 de fevereiro de 1997, restando, portanto, completamente vigente a disciplina conferida pela Lei nº 3.238/57 ao art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil.
236 Cf. LICC: Art. 6º. 237 Pontes de Miranda, 1956, pp. 52 ss. 238 Ibid. p. 55. 239 Ibid. 240
modificada se explica exatamente pela incidência anterior. Nesse sentido, diz Pontes de Miranda:
“Quando se fala de sobrevivência da lei antiga, em verdade se cai em grave engano o que nos dá a ilusão de sobrevivência é o fato de confundirmos incidência e aplicação da lei; o que se considerarmos efeitos de invasão da lei antiga no presente é derivado de pensarmos que a lei incide quando a aplicamos: a lei já incidiu; a aplicação é, apenas, o dizer-se que a lei já incidiu.”241
É nesse sentido que devem ser interpretados os dispositivos dos art. 105, 144 e 146 do CTN. A aplicação imediata da lei diz respeito à lei do tempo da incidência, e é ela que deve ser aplicada. Em razão da previsão constitucional, e de não haver exceções à irretroatividade tributária, mesmo nos fatos de período, há de considerar- se o início do período (início de formação do fato) como marco da incidência e da conseqüente aplicação. Também as alterações de critérios para juridicização de fatos somente podem incidir em fatos posteriores à sua vigência, pois configuram nova norma.
Importa considerar ainda sobre a vigência de normas tributárias, o dispositivo do art. 106 do CTN242 que prescreve serem retroativas as leis “expressamente
interpretativas”. Conforme as premissas adotadas neste trabalho, toda norma é resultado de uma construção (concretização), na qual uma das etapas é a interpretação. Não há norma sem interpretação. Assim, “norma interpretativa” é nova norma e deve obedecer à irretroatividade nos exatos termos até aqui defendidos.
241
Pontes de Miranda, 1968, p. 84.
242 Sobre a retroatividade da norma tributária penal, tratada no mesmo dispositivo do art. 106 do Código
Tributário Nacional, entedemo-la constitucionalmente admissível e amparada pelo inciso XL do art. 5º da Constituição Federal. Não nos estenderemos nessa discussão porquanto os fundamentos dessa exceção à regra da irretroatividade das normas tributárias fujam ao objeto de estudo deste trabalho, a irretroatividade de normas que instituem ou majoram tributos.
4. O sentido normativo da irretroatividade no direito brasileiro atual: uma