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Kuzey Akım (Kuzey Avrupa) Doğalgaz Boru Hattı (NEGP)

3.4. Doğal Gaz Özelinde Soğuk Savaşın Sona Ermesinden Sonra Rusya-AB İlişkileri

3.4.4. Enerji Güvenliği Bağlamında Rus Doğal Gazını AB’ne Taşıyan Mevcut,

3.4.4.2. Kuzey Akım (Kuzey Avrupa) Doğalgaz Boru Hattı (NEGP)

Um mercado de crédito necessita de sistemas de informação que garantam a minimização da assimetria informacional entre tomadores e credores (STIGLITZ; WEISS, 1981). Quanto menor a assimetria informacional, maior será a confiança do credor em ofertar crédito, visto que consegue distinguir os bons pagadores dos maus pagadores. Com isso, o sistema de informação exerce um papel fundamental na mitigação dos riscos de oportunismo, risco moral e seleção adversa.

No lançamento do SNCR, o sistema central de controle das informações das operações de crédito agrícola consistia no RECOR. Assim, toda cédula rural deve ser registrada no sistema e, dessa maneira, os agentes financeiros, como bancos públicos e privados e cooperativas de crédito, possuem acesso ao endividamento dos produtores. Entretanto, com a evolução das formas contratuais não houve avanço similar nos sistema de informação que auxiliam os credores na identificação da capacidade de pagamento dos tomadores.

Os atuais sistemas de informação que servem os agentes do crédito agrícola não permitem uma leitura objetiva sobre a liquidez e o histórico de crédito dos tomadores. No que se refere à inadimplência, é conduzida como uma caixa preta e os números são revelados pelo Banco Central apenas aos bancos e cooperativas de crédito, referentes às transações de crédito controlado. Com isso, os demais agentes econômicos da cadeia agroindustrial da soja não conseguem avaliar de forma acurada o real comprometimento de seus clientes com os agentes financeiros. Para tanto, esses agentes utilizam a rede social e meios informais, como forma de checar as informações prestadas pelos produtores-clientes e colher depoimentos sobre a sua reputação e relacionamento com outras empresas.

As empresas do agronegócio não revelam seus índices de inadimplência por precaução à reação da concorrência a essas informações. Conclui-se que as informações estão dispersas e há um esforço de todos os agentes em coletá-las aumentando os custos de transação. Esses custos são, de algum modo, repassados às operações em forma de spread nas taxas de juros e mecanismos de seleção dos tomadores.

Como visto, o sistema de enforcement dos contratos de crédito sofreu avanços que sinalizam positivamente aos credores, principalmente nas operações de CPR. Entretanto, há, ainda, disfuncionalidades no sistema judiciário que gera insegurança nos credores quanto ao futuro de suas transações. Em situação como essa, os sistemas de informação assumem papel crítico para reduzir os riscos ex post (DJANKOV et al, 2004). Há avanços, no Brasil, por meio do crescimento dos bureaux de informação como Serasa e a Central de Risco do Banco Central, mas não há sistemas específicos sobre as operações com CPRs registradas que possam ser acessados por todos os agentes econômicos que realizam esses contratos com produtores. E como obter informações sobre as CPRs de gavetas que representam 3 vezes o volume de CPRs registradas?

Ciente dessa necessidade de transparência e segurança nas operações com CPRs que atraiam os agentes financeiros e investidores para o mercado agrícola, a BM&F (Bolsa de Mercados e Futuros), conjuntamente, com outras sete bolsas regionais de mercadorias fundaram em 2003 a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM). Trata-se de um sistema integrado de registro eletrônico que funciona como uma clearing house32 para contratos

agropecuários incluindo as CPRs. De acordo com Gonçalves et al (2005), no final de 2004, quase 70 mil contratos tinham sido registrados na BBM com um volume total financiado de US$ 900 mil. A maior barreira à adoção desse sistema está na questão cultural da grande maioria dos produtores, ainda pouco afeitos ao mercado de capitais e à venda antecipada, já que por natureza, são especuladores (SOUZA; PIMENTEL, 2005).

As barreiras informacionais continuarão para os novos entrantes do SAG da soja, que deverão construir cadastros próprios de histórico de crédito de seus clientes visto que não há uma fonte centralizadora dessas informações. Observa-se, portanto, um antagonismo ante o avanço das formas contratuais: criam-se títulos que permitem a entrada de investidores e outras agentes do mercado de capitais, mas não se assegura a eles que as informações sobre os tomadores estarão disponíveis, situação essa que pode diminuir a atratividade do mercado de crédito agrícola.

32 Clearing Houses são as entidades privadas que atuam na compensação e liquidação das operações, podendo efetuar a liquidação de todas as operações financeiras no âmbito do próprio ambiente de sua contratação, tendo como objetivo o fortalecimento do mercado financeiro (ROBLES; BACCI, 2001).

Os agentes credores enfrentam problemas para prever a viabilidade dos projetos de financiamento pela própria natureza incerta da atividade agrícola. Dada a incerteza, os agentes reduzem o risco por meio da requisição de salvaguardas contratuais como hipotecas e a safra futura.

No Brasil, toda garantia deve ser registrada em cartório e esse processo, segundo relato de entrevistados, pode ser a porta de entrada para ações oportunistas por parte dos produtores, uma vez que o sistema é descentralizado e requer do credor esforços para se certificar se o penhor da safra ou a hipoteca já foi dado em garantia a outro credor.

A constituição do sistema de registro brasileiro remete à tradição da Civil Law33. Essas

instituições estão sob o controle do Poder Judiciário e são consideradas extrajudiciais, pois não exercem, diretamente, o papel de auxílio aos juízes na resolução dos processos. Seu objetivo central consiste em resguardar os direitos individuais da propriedade privada e daqueles celebrados nos contratos (BRANDELLI, 2005). De acordo com Arruñada (1996), os sistemas de registros da Civil Law oferecem uma variedade de serviços complexos e serve como uma medida de controle sobre a legalidade dos contratos, dando assistências às partes implicadas.

No Brasil, o sistema de registros extrajudiciais é composto basicamente por dois organismos: registros de notas e documentos ou cartório de notas e o registro de imóveis. Cada cartório está sob a inspeção das Corregedorias Gerais da Justiça, alterando o grau de sua autonomia a depender das determinações do Colégio Notorial de cada Estado. Os cartorários são funcionários públicos e escolhidos por meio de concursos públicos.

Arrunãda (1996) ressalta o caráter monopolístico do sistema de registro público da Civil

Law, porque ele possui uma série de procedimentos e padrões que se tornam restrições

competitivas, como: adoção de concursos públicos, demanda cativa, preços tabelados e uma lista de regras que governam sua funcionalidade. Economistas tenderiam a condenar essa forma de organização uma vez que carregam os malefícios associados aos ganhos monopolísticos. Entretanto, Arruñada (ibid.) demonstra que tais instituições podem ser

33 O sistema de registros da Civil Law, baseado em documentos público, abrange as regiões romanos- germânicas – Alemanha, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, parte da Suíça, Portugal, Áustria e a maioria dos países latinos (ARRUÑADA, 1996).

eficientes se comparadas ao sistema de registros em países da Commom Law, como os Estados Unidos, onde não há organismos responsáveis pelos registros e os direitos são preservados por salvaguardas formais e informais. O autor argumenta que os sistemas de registros notoriais ganham em economia de escopo e, portanto, podem reduzir os custos de transação ao oferecer um serviço de arbitragem e conciliação, dissolvendo eventuais conflitos por meio da emissão de certificados que preservam os direitos de propriedade formalizados em contratos e títulos.

Brandelli (2006, p. 14) aponta para a função social e econômica do registro de imóveis:

O registro de imóveis, conferindo certeza e segurança ao direito de propriedade, permite a realização do tráfico imobiliário, reduzindo custos, especialmente no que toca aos custos de informação. A falta de informação das transações imobiliárias gera insegurança e incerteza intoleráveis à alocação de capital, e assim, um sistema jurídico que não tenha um sistema centralizador das informações a respeito da propriedade, levará os autores econômicos a buscarem tais informações por outros meios, a um custo mais elevado, a ponto de poder inviabilizar a negociação, e com segurança muito discutível.

O autor indica outro benefício econômico dos registros imobiliários visto que confere segurança a priori, ou seja, antes de surgir o conflito de interesses.

Sobre os registros de bens mobiliários, o Manifesto do IV Encontro Ibero-Americano do Direito Registral (IRIB, 2006) atesta a importância das garantias mobiliárias como instrumento para o desenvolvimento econômico. A existência de propriedades marginais associadas ao rigorismo dos registros de imóveis conduz à exclusão dos pobres do sistema capitalista. Sem ingresso no sistema registral, tal propriedade não pode gerar riquezas, não servindo como colateral a transações de crédito. A saída, nos tempos atuais, é o uso dos bens móveis, não só porque esses podem ter grande valor de troca, mas, também, porque, “diferentemente dos bens imóveis, estão ao alcance de toda a população e podem servir de suporte a investimentos modestos e igualmente geradores de riqueza e bem-estar” (IRIB, 2006, p. 3).

A condução do mercado de crédito agrícola absorve essas duas categorias de registros: imobiliários e mobiliários, e o sistema de registro cumpre seu papel de guardião dos direitos, sendo suporte para a construção de um sistema legal e flexível que sirva de apoio ao mercado de capitais e reduza os custos de transação num ambiente de certeza e segurança.

No Brasil, o problema relativo ao serviço dos cartórios está na sua descentralização. Supondo que um banco tenha tomado duas ou mais hipotecas como colaterais de um contrato de crédito e se os imóveis estão localizados em regiões distintas, os registros estarão em cartórios de imóveis distintos localizados em cada região. Se associado a essas hipotecas estão penhores, outros registros devem ser feitos em outros cartórios, nesse caso, o cartório de notas e documentos. De acordo com o Banco Mundial (2005), uma busca pode levar até cinco dias úteis em São Paulo, que é considerado uma exceção por possuir uma central de distribuição que facilita a localização dos registros na capital.

De maneira geral os credores concentram-se na safra futura como garantia dos contratos pela sua liquidez em relação às hipotecas. No entanto, tem sido comum a não contemplação desse direito devido a problemas quanto ao registro que pode ter ocorrido em duplicidade ou triplicidade em cartórios diferentes. Além disso, a depender da localização da propriedade e das disfuncionalidades do serviço de registro, o credor teria dificuldades em acessar o comprometimento da safra futura com outros credores. No caso das hipotecas, o credor pode acessar o certificado de matrícula da hipoteca rural. A depender da região em que está localizada a propriedade, tal requisição pode levar períodos longos aumentando os custos de transação da operação.

Tais situações fragilizam o sistema e levam à alocação ineficiente dos recursos e à seleção adversa, prejudicando aqueles que precisam do crédito, mas não são contemplados devido à precaução ex ante do credor contra oportunismos.