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A Súmula 379, do Supremo Tribunal Federal, não prevaleceu na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em cuja corte ainda se mostra válida e eficaz a cláusula de renúncia a alimentos em separação judicial, não podendo o cônjuge renunciante voltar a pleitear o seu pensionamento. Senão, vejamos algumas decisões recentes neste sentido:

CIVIL. FAMÍLIA. SEPARAÇÃO CONSENSUAL. CONVERSÃO. DIVÓRCIO. ALIMENTOS. DISPENSA MÚTUA. POSTULAÇÃO POSTERIOR. EX- CÔNJUGE.IMPOSSIBILIDADE.1 - Se há dispensa mútua entre os cônjuges quanto à prestação alimentícia e na conversão da separação consensual em divórcio não se faz nenhuma ressalva quanto a essa parcela, não pode um dos ex-cônjuges, posteriormente, postular alimentos, dado que já definitivamente dissolvido qualquer vínculo existente entre eles. Precedentes iterativos desta Corte. 2 - Recurso especial não conhecido. (STJ, REsp 199427/SP; RECURSO ESPECIAL 1998/0097892-5 Relator(a) Ministro FERNANDO GONÇALVES (1107), T4 – QUARTA TURMA, Data do Julgamento 09/03/2004, Data da Publicação/Fonte DJ 29.03.2004 p. 244) DIVÓRCIO CONSENSUAL. ALIMENTOS. RENÚNCIA. Não pode o ex-cônjuge pretender receber alimentos do outro, quando a tanto renunciara no divórcio devidamente homologado, por dispor de meios próprios para o seu sustento. Recurso

conhecido e provido. (STJ, REsp 226330/GO; RECURSO ESPECIAL 1999/0071331-1 Relator(a) Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) Órgão Julgador T4 – QUARTA TURMA Data do Julgamento 05/12/2002 Data da Publicação/Fonte DJ 12.05.2003 p. 304 RSTJ vol. 170 p. 391)

CIVIL. FAMÍLIA. AÇÃO DE ALIMENTOS. EX-CÔNJUGE. SEPARAÇÃO

CONSENSUAL. RENÚNCIA EXPRESSA. PLEITO POSTERIOR.

INADMISSIBILIDADE. I. Os alimentos devidos ao ex-cônjuge, uma vez dissolvida a convivência matrimonial e renunciados aqueles em processo de separação consensual, não mais poderão ser revitalizados. II. Precedentes do STJ. III. Recurso especial conhecido e provido. (STJ, REsp 70630 / SP ; RECURSO ESPECIAL 1995/0036606-1 Relator(a) Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR (1110) Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento 21/09/2000 Data da Publicação/Fonte DJ 20.11.2000 p. 296 JBCC vol. 186 p. 300 LEXSTJ vol. 139 p. 79 RSTJ vol. 145 p. 419)

Alimentos. Separação judicial. Cláusula de dispensa recíproca. 1. Já assentou a Corte que a dispensa inserida em cláusula de separação judicial é válida e eficaz, não podendo nenhum dos cônjuges pleitear seja depois pensionado. 2. Recurso especial não conhecido. (Resp 221216/MG; RECURSO ESPECIAL 1999/0058391-4 Relator(a) Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO (1108) Órgão Julgador T3 - TERCEIRA TURMA Data do Julgamento 10/04/2000 Data da Publicação/Fonte DJ 05.06.2000 p. 156 LEXSTJ vol. 133 p. 210)

Entende o Superior Tribunal de Justiça que os alimentos oriundos da relação matrimonial podem ser dispensados. Tal entendimento prestigia o princípio da igualdade, equiparando os cônjuges nos direitos e deveres.

Nestes casos, o direito de alimentos não deriva do vínculo de consangüinidade, mas de outro fundamento, isto é, da mútua assistência. A doutrina e a jurisprudência majoritária é no sentido de permitir a renúncia do direito alimentar, convalidando definitivamente a cláusula separatória que prevê a exoneração dos alimentos entre cônjuges.

Esta tese, que ainda predomina nos tribunais, desenvolve o argumento da inexistência de parentesco entre os cônjuges, o que justifica a possibilidade judicial de renúncia dos alimentos.

Segundo esse pensamento, no antigo Código Civil de 1.916, os alimentos considerados irrenunciáveis eram tão-somente aqueles destinados a manutenir os parentes ligados por consangüinidade. Entretanto, os alimentos devidos ao ex-cônjuge se baseavam na Lei de Divórcio, e não no Código Civil. Portanto, só os primeiros eram irrenunciáveis, porque assim expressamente previa o Código Civil. A Lei do Divórcio, por sua vez, não estabeleceu a irrenunciabilidade dos alimentos.

Destarte, uma vez extinta a sociedade conjugal e dela não remanecendo alimentos, tornava-se perfeitamente renunciável o direito alimentar, não podendo o ex-cônjuge postulá- los depois da homologação do acordo de sua separação, salvo provando haver sua renúncia se assentado em erro, dolo, coação ou fraude.

A separação consensual foi facilitada, sobremaneira, com a admissão judicial da renúncia definitiva dos alimentos, pois os cônjuges não teriam o interesse de provar que a separação se deu por culpa imputável ao outro.

Os tribunais e a doutrina criaram, então, a figura da renúncia aos alimentos do casamento pela ausência do vínculo de parentesco. Bastaria consignar cláusula expressa de renúncia no corpo da separação consensual, cujo processo é devidamente fiscalizado pelo juiz. Assim, sepultava-se de vez a possibilidade do cônjuge inocente ou culpado postular futuramente uma ação alimentar contra o ex-consorte.

As dissensões conjugais ganharam novo alento, pois os separados passaram a eleger a separação consensual como uma via segura para sepultar a irreversível renúncia alimentar, não mais precisando lançar mão da separação judicial litigiosa como a única maneira de evitar que o cônjuge culpado pela separação retomasse a discussão alimentar.

Mesmo que a renúncia fosse expressa em termos de mera desistência, tal manifestação de vontade era interpretada como desistência definitiva do direito alimentar, sendo irrelevante o emprego correto dos termos renúncia ou desistência.

O não-exercício dos alimentos pelo cônjuge que desistia ou renunciava à verba alimentar com a sua separação importava abdicá-los para sempre. Assim, mesmo que no futuro o renunciante perdesse o seu emprego, dilapidasse os seus bens, ou abandonasse sua atividade remunerada, não poderia pleiteá-los novamente.

A validade da renúncia aos alimentos feito pelo cônjuge em sua separação era justificável ante a legislação então vigente, o que contrariava a própria orientação esposada pela Súmula 379, do Supremo Tribunal Federal. O cônjuge que ao separar renunciava expressamente ao direito de alimentos estava também declarando sua capacidade para se autosustentar.

Segundo a doutrina e a jurisprudência em tempo pretérito à nova codificação civil, a renúncia meramente abdicativa do direito alimentar, afigurava-se como totalmente legítima. Entendia-se que manter, ainda que em parte, o crédito alimentício representaria também manter o vínculo entre os ex-cônjuges e, por conseguinte, o direito de revisar a quantificação da pensão para majorar ou reduzir o seu valor. Portanto, se mantido o direito aos alimentos, o alimentante viveria em eterna angústia, sempre sujeito a enfrentar futura demanda alimentar.

Ocorre que a renúncia a um direito ou um patrimônio devem ser feitos por atos inequívocos. Há de existir uma emanação de vontade e não uma simples declaração desta.

O artigo 111, do novo Código Civil, diz que o silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos autorizem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. Assim, a renúncia de um crédito requer sempre a declaração de vontade expressa, pois o não exercício do direito de crédito não importa em renúncia.

Entretanto, nas separações consensuais em que simplesmente é omitida qualquer referência ao exercício do direito alimentar entre os cônjuges, os Tribunais vêm interpretando como uma renúncia tácita aos alimentos do matrimônio.

Interessante anotar que mesmo com o advento da nova Constituição, que igualou os homens e mulheres nos direitos e deveres, há o costume de os separandos explicitarem apenas a renúncia ou a desistência dos alimentos da mulher, olvidando-se da renúncia ou desistência do direito alimentar do homem.

Desse modo, o ex-esposo está habilitado a pleitear alimentos de que não expressamente renunciou, prevalecendo pelo descuido processual a desistência vitalícia dos alimentos do cônjuge mulher.

Frise-se que a renúncia jamais poderá ser consentida com o mero silêncio dos cônjuges em separação judicial, sendo necessário constar cláusula expressa, que não comporte qualquer dúvida quanto à intenção de lançarem mão dos alimentos. Cumpre observar que o direito aos alimentos não se confunde com o crédito alimentar, tanto que o primeiro é imprescritível, e este último, agora, prescreve em dois anos.

5. A IMPOSSIBILIDADE DA RENÚNCIA AO DIREITO DE ALIMENTOS NO NOVO

Benzer Belgeler