As participantes deste estudo são quatro professoras alfabetizadoras de um município do interior do Estado de São Paulo, que desde 2013, participam do PNAIC. O foco desta investigação se centrará na formação oferecida no ano de 2014, visto que os conteúdos estudados foram relativos à Alfabetização Matemática.
Em 2014, o município, cenário desta investigação, contava com 366 Professoras Alfabetizadoras33, distribuídas entre 13 grupos de formação34, sendo que a pesquisadora atuava em dois destes grupos: em um como OE responsável pela formação do grupo e, em outro, como suporte pedagógico35 de outra OE.
A pesquisadora, como uma das Orientadoras de Estudos do PNAIC no município, convidou as Professoras Alfabetizadoras que pertenciam a grupos de formação distintos dos em que ela atuava como formadora. É importante esclarecer que pesou nessa decisão o envolvimento da pesquisadora no processo formativo estudado, como esclarece Lüdke (1986) em relação aos limites de distanciamento entre o pesquisador e o objeto de pesquisa:
Não há, portanto, possibilidade de se estabelecer uma separação nítida e asséptica entre o pesquisador e o que ele estuda e também os resultados do que ele estuda. Ele não se abriga, como se queria anteriormente, em uma posição de neutralidade científica, pois está implicado necessariamente nos fenômenos que conhece e nas consequências desse conhecimento que ajudou a estabelecer (p. 05).
Mantendo esse distanciamento, explicou aos demais professores alfabetizadores que, por se tratar de uma pesquisa de abordagem qualitativa, seriam
33 Nos anos de 2013 e 2014, houve somente participação de profissionais do sexo feminino nas
formações do PNAIC, portanto optamos pela flexão do gênero.
34 Em 2014, houve redução do número de estudantes/classes do ciclo de alfabetização, o que
impactou no número de Professoras Alfabetizadoras inscritas no programa e, consequentemente, na diminuição de 02 (duas) OEs em relação à quantidade inicial de 2013.
35 O apoio pedagógico consistia em disponibilizar uma das OEs da equipe (que não estivesse em
formação com seu grupo naquela data) para exercer a função de auxiliar de outra OE que estivesse responsável por um grupo em formação. O apoio consistia em auxiliar na preparação da sala, de materiais, em ligar/testar equipamentos de informática e/ou mídias que fossem utilizadas, distribuir materiais, receber tarefas etc. Quando a OE que serviu de apoio assumia a regência de sua turma, havia inversão de papéis, ou seja, quem estava no comando passava para apoio e o apoio assumia o comando de seu grupo de formação, dessa maneira, diante de quaisquer imprevistos, sempre havia a presença de uma segunda responsável para auxiliar no que fosse necessário e garantir um melhor desenvolvimento dos encontros formativos.
escolhidos três professores, sendo uma professora de cada ano do ciclo de alfabetização (1º ao 3º ano). Alertou-as que o critério de seleção seria por ordem de adesão voluntária.
Escolhidas as três professoras do 1º, do 2º e do 3º ano, primeiras inscritas, identificamos uma docente que em 2015 teve atribuída uma classe do 4º ano de escolaridade. Esse fato nos levou a considerar ser importante estender a pesquisa a essa docente. Avaliamos que seria interessante contar com a participação de uma professora de 4º ano, que atuou no ciclo de alfabetização e participou do PNAIC de alfabetização matemática em 2014. Ela poderia proporcionar-nos outras reflexões, tendo em vista estar atuando com estudantes que haviam vivenciado práticas de professoras participantes do PNAIC durante dois anos: no 2º ano, em 2013 e no 3º ano, em 2014.
As quatro professoras estavam distribuídas em duas Unidades Escolares (UE) da rede municipal cenário desta pesquisa, como explicitaremos mais a diante. Além das quatro professoras selecionadas, uma quinta docente, pertencente a uma terceira UE, colocou-se à disposição para contribuir com a pesquisa, mas como a proposta inicial já estava contemplada, essa docente ficou como suplente caso houvesse necessidade de substituição de alguma participante ou complementação dos dados; o que não se fez necessário no decorrer desta investigação.
Considerando as questões éticas presentes nas pesquisas de abordagem qualitativa, pois a fonte de dados é constituída por seres humanos e ao perscrutar a intimidade do sujeito isso pode torná-lo vulnerável a críticas, prejudicando ou beneficiando sua imagem, todos os cuidados foram tomados para não causar constrangimentos às professoras alfabetizadoras. Assim, como forma de garantir a proteção da sua integridade diante de suas declarações, o projeto de pesquisa foi submetido à apreciação de comitê especializado nas questões éticas, que avaliou os riscos e benefícios do estudo, bem como a equalização das relações entre investigador e sujeitos investigados. A esse respeito, Fiorentini e Lorenzato (2012, p. 196) afirmam que:
No caso específico da pesquisa, os questionamentos éticos dizem respeito, entre outros, aos direitos dos entrevistados, ao respeito e bem- estar dos participantes, à preservação da identidade das pessoas envolvidas, aos usos e abusos das informações e citações de outros autores, à fidedignidade das informações, às implicações sociais e políticas da pesquisa.
Com efeito, o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética, Plataforma Brasil36, e, após emissão da aprovação, a pesquisa de campo teve início e as
professoras alfabetizadoras participantes puderam ter acesso ao projeto de pesquisa através da apreciação e aceitação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A).
36 Plataforma Brasil: http://aplicacao.saude.gov.br/plataformabrasil/login.jsf <Acesso em 20/05/2016>
3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS PARA COLETA DE