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4. BÖLÜM: MİLLİYETÇİ HAREKET PARTİSİ

4.1. Partinin Doğuşu, Amacı ve İlkeleri

4.4.3. Kurucu Liderin Ölümü ve Bahçeli’li Yıllar

Muitos autores defendem a tese de que grandes competições internacionais representam grandes benefícios para suas sedes. Entretanto, em se tratando de requalificação de espaço urbano, ainda não se pode precisar qual o legado a ser esperado após a realização de uma Olimpíada ou Copa do Mundo. Mesmo para as entidades organizadoras desses eventos, como a Fifa ou o Comitê Olímpico Internacional, a preocupação com o impacto deixado pelas competições esportivas é uma quesito recente nos processos de escolha dos países sedes. Apenas a escolha das sedes das competições realizadas nos últimos dez anos exigiu dos países candidatos um planejamento claro capaz de demonstrar os benefícios deixados para a cidade, assim como um plano de gestão adequado dos estádios construídos para o evento.

A ideia de que exista um legado deixado por grandes eventos esportivos ainda é uma definição prematura. Enquanto grandes centros organizam-se na expectativa de sediarem grandes competições internacionais em busca por prestígio, lucros econômicos, culturais e desenvolvimento de sua infraestrutura, textos publicados por autores como Cashman e Hughes (1999), Searle (2002), Graton (2008), Essex e Chalkley (2008) questionam a definição de legado estabelecido por entidades organizadoras desses eventos e buscam entender o verdadeiro impacto deixado pelas grandes competições esportivas internacionais.

Segundo Kassens (2012), o legado deixado por uma competição internacional é uma questão indefinida e, assim sendo, os procedimentos analíticos adotados nos últimos anos mostraram-se equivocados, incapazes de aferir a capacidade de tais eventos em alcançar as metas estabelecidas. O real legado decorrente desse tipo de evento só pode ser observado nos anos seguintes às competições, ao passo que o foco do debate passa a ser as propostas e intervenções a serem realizadas nas próximas competições, e não o real impacto deixado pelos estádios na última sede.

Entretanto, apesar das indefinições acerca dos reais impactos esperados em decorrência da realização de uma Copa do Mundo ou Olimpíada, autores contemporâneos como Mendez (2010), Kassens (2009, 2012), Ahefeldt e Maenning (2006, 2010, 2011), Wood (2008), dentre outros, definem a realização dessas competições como uma grande oportunidade de mudança para os centros urbanos designados como sedes. Em poucos anos, grandes transformações poderão ser implementadas, motivadas pela promessa de crescimento econômico, prestígio internacional, a criação de sistemas de mobilidade, e requalificação de zonas urbanas subutilizadas. Portanto, com a realização uma competição internacional, espera-se que os benefícios sejam observados nas várias esferas urbanas. De fato, o impacto de um evento global como uma Copa do Mundo abrangerá uma escala nacional. Dado o grande número de estádios e suas consequentes intervenções, estas poderão representar desenvolvimento para uma região, ou apenas mais uma evidência de propostas mal planejadas, que não consideraram as metas de desenvolvimento urbano das cidades-sedes.

O legado deixado por uma competição esportiva pode penetrar diversas esferas geográficas e pode ser positivo ou negativo, benéfico ou degradante, tangível ou intangível, visível ou invisível. Entretanto, a característica fundamental é a mesma em todas as situações. Seja qual for o legado, este permanece na cidade-sede por anos, décadas, e às vezes por séculos. (KASSENS, 2012, p. 2, tradução nossa).

Nas últimas décadas, projetos de requalificação urbana tornaram-se experimentos frequentes em grandes centros urbanos que buscam regenerar tecidos subutilizados. Dessa maneira, muitas cidades encontram na realização de grandes competições esportivas uma oportunidade para acelerar o processo de qualificação de seu espaço urbano.

Para tanto, os sistemas de mobilidade apresentam-se como uma das principais alternativas para o desenvolvimento urbano de regiões esquecidas, uma vez que o edifício esportivo pode ser entendido como um aglutinador de vetores de mobilidade urbana. Entretanto, os projetos de requalificação que envolvam sistemas de transporte público deverão alinhar as demandas do evento de curta duração com as metas de desenvolvimento a longo prazo da cidade nos anos posteriores à competição. A partir desse expediente, fica clara a importância crescente na implantação de grandes estádios no contexto urbano das grandes cidades e na sua concepção conjugada com o desenvolvimento das redes de transporte de massa que se sobreponham ao tecido consolidado.

A maioria das cidades-sedes ignora suas metas de planejamento urbano no longo prazo na expectativa de se tornarem sedes de grandes competições esportivas. Essa situação acontece por não disporem de um plano diretor efetivo ou por terem como

foco outras metas como crescimento econômico ou prestígio global, ao invés de um legado urbano edificado. (KASSENS, 2012, p. 4, tradução nossa).

Entretanto, a associação entre projetos de regeneração urbana e grandes competições esportivas não é um fenômeno recente. Ao longo dos últimos cinquenta anos, grandes cidades buscaram redesenhar áreas específicas de seu tecido urbano por meio de intervenções que tiveram nos Jogos Olímpicos ou na Copa do Mundo a sua principal justificativa. Essex e Chalkley (2003) afirmam que a realização de megaeventos esportivos ao longo dos últimos cem anos apresenta uma crescente escala de impacto urbano e complexidade organizacional, assim como maior atenção internacional. Ao mesmo tempo em que a dimensão desses eventos tem crescido, os autores identificaram que, a cada nova edição, aumenta a discrepância entre os projetos apresentados pelos países e cidades-sedes no ato de sua candidatura e as suas metas de desenvolvimento urbano em longo prazo. Como afirmam Essex e Chalkley (2008), as cidades focam no prestígio iminente e na atenção internacional sobre os jogos, assim, investem em infraestruturas extravagantes e pouco necessárias para o planejamento desses centros.

Outro ponto questionado pela literatura internacional no tocante à eficácia de megaeventos esportivos como agentes em processos de renovação urbana refere-se aos reais beneficiários do legado deixado por tais competições. Alguns autores argumentam que raramente grandes eventos esportivos geram um legado edificado que beneficie uma ampla parcela da população e que, na maioria dos casos, as intervenções são direcionadas a setores ricos da população.

Sobre a Copa do Mundo de 2010, Wood (2008) afirma que os recursos destinados inicialmente para a construção dos estádios foram insuficientes, demandando investimentos públicos e gerando questionamentos sobre a relevância desses edifícios para a população após o evento. No caso da África do Sul, a maioria dos investimentos foi destinada à construção de novos estádios ou reforma dos antigos em resposta às pressões exercidas pelas entidades organizadoras do evento. Com isso, muitos argumentos sobre a falta de investimentos em áreas carentes como habitação, sistemas de mobilidade e saneamento questionavam o planejamento feito para o evento e as promessas de que a competição traria desenvolvimento para toda sociedade. Em suma, mesmo com as afirmações de que os investimentos feitos para a Copa do Mundo iriam beneficiar todos os sul-africanos, na realidade, apenas as grandes empresas lucraram em virtude do aumento do prestígio e do investimento internacional.

Especialmente em países em desenvolvimento, a realização de um megaevento esportivo deve ter como objetivo central o legado deixado pela competição. No caso da África do Sul, os grandes investimentos foram feitos na construção de estádios e na implantação de um sistema de transporte sobre trilhos que liga zonas ricas ao norte de Johanesburgo à região sul, local onde está implantado o principal estádio do evento. Os estádios edificados e essas intervenções pontuais permitiram a realização do evento e a sua transmissão para o resto do globo. Entretanto, as propostas realizadas para o evento não contemplaram benefícios para grandes carências sul-africanas como saneamento básico, equipamentos de saúde, habitação, sistema de energia ou um sistema de transporte público eficiente.

Em contrapartida, a cada nova edição de megaeventos esportivos fica evidente o alcance global de tais competições e, assim, grandes negócios publicitários são fechados pelos organizadores dos eventos. No caso da África do Sul, a Copa de 2010 atingiu o maior volume de negócios em toda história da competição. Segundo Wood (2008), os investimentos feitos por patrocinadores privados superaram em 40% os números da edição anterior, realizada na Alemanha em 2006.

Sobre esse cenário de investimento privado, Kassens (2010) afirma que, especialmente em países em desenvolvimento, a captação desses investimentos e a sua aplicação passam por uma atuação decisiva das entidades organizadoras do evento como a Fifa ou COI no caso dos Jogos Olímpicos. Portanto, essas organizações são importantes agentes no planejamento das intervenções propostas, influenciando diretamente o legado deixado pelas competições.

Pode-se afirmar que as agências organizadoras dessas competições podem influenciar as metas de desenvolvimento urbano das cidades-sedes, em alguns casos criando, mas em muitos outros levando as cidades a desperdiçarem valiosas oportunidades. Ao menos que os governos locais tomem atitudes proativas para garantir que as decisões tomadas sobre as intervenções urbanas e de mobilidade não sejam pensadas apenas para as breves necessidades do evento, o legado esperado pelo planejamento urbano da cidade não será alcançado. (KASSENS, 2009, p. 174, tradução nossa).

No contexto de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos, o legado esperado a partir da realização desses eventos está diretamente ligado à ideia de regeneração urbana. Nesse sentido, não apenas os edifícios esportivos mas todos os sistemas de infraestrutura ao redor destes têm uma importante participação na constituição de um legado construído para a cidade-sede. Entretanto, em muitos países a construção de

grandes estádios foi adotada como uma credencial dessas nações aos grandes eventos esportivos globais, assim como equipamentos centrais em processos de requalificação urbana.

Seja como elemento central de um megaevento esportivo, ou como um equipamento independente de grandes competições, os estádios não podem ser compreendidos como edifícios regeneradores de seu entorno. Portanto, o legado deixado por grandes competições esportivas deverá ir além de grandes estádios, especialmente se estes forem financiados com recursos públicos. Apesar de se tornarem importantes emblemas de uma sociedade, apenas um grande estádio representa muito pouco diante do investimento aplicado. Nessa direção, alguns autores como Bovy (2004, 2007) e Kassens (2009, 2012) apontam para a importância dos sistemas de mobilidade urbana como o principal legado a ser deixado pela realização de grandes eventos esportivos.

Observa-se que os edifícios esportivos, especialmente os estádios de futebol, tornam- se regeneradores à medida que se consolidam como equipamentos aglutinadores de vetores de mobilidade urbana. Essa condição permite que o edifício em si – assim como toda a importância histórica, ideológica e sociológica relacionada à prática esportiva e em especial ao futebol – se conecte a diferentes partes do centro urbano.