A MODEL OF INDUCTIVE-ROC BASED IN REQUIREMENTS DETERMINATION
Adım 12. Şayet tüm örnekler sınıflandırılmışsa bitir, aksi halde Adım 4 'e git
3.2.3.3. Kural çıkarma
Faz-se necessário relembrar o recente período de nossa história, referente ao início da década de 1960 até a ocorrência do golpe militar, em abril de 1964, o qual ficou conhecido pela dinâmica mobilização política das massas populares que tentaram assumir o papel de protagonistas políticos, com poderes decisivos nas lutas e enfrentamentos políticos, que o governo do Presidente João Goulart (1961 a 1964) passou a considerar como sendo fundamentais de serem realizados no País.
As medidas propostas nesse período tinham ênfase na realização de diversas reformas, como a agrária, a bancária, a fiscal e administrativa, a judicial, a urbana e outras. Este processo de discussões e propostas de mudanças em alguns pontos da estrutura sociopolítica e econômica do País foi chamado de “Reformas de Base” (IANNI, 1979, p. 195).
O meio urbano foi objeto de uma série de medidas que o governo federal tomou para enfrentar a escassez de moradias, o alto custo da terra urbana no Brasil e o elevado número de lotes vagos com fins meramente especulativos que proliferavam nas cidades brasileiras. Sobre esse assunto Cintra e Haddad (1978, p. 189) acrescentam que
O alto custo da terra urbana, a especulação imobiliária, as grandes reservas de lotes vagos, a escassez de casas para aluguel a preços razoáveis, assim como as “invasões” de áreas onde os pobres construíam seus barracos, todos esses fatos entrariam forçosamente no diagnóstico dos problemas habitacionais, cada vez mais vistos como sintomas de causas mais profundas, exigindo remédios extremos.
Nesse clima de efervescência política, o tema “Reforma Urbana” tomou forma política, quando o governo federal passou a estudar as medidas intervencionistas que ensaiava aplicar nos mecanismos do mercado imobiliário, principalmente nas cidades. Eram medidas, algumas na forma de leis mais severas, destinadas a tratar com os especuladores e loteadores urbanos, bem como mudanças na sistemática do pagamento dos impostos imobiliários e nas desapropriações de terras urbanas.
36 Havia nesse período, uma luta política já declarada, entre os diferentes interesses da sociedade, sobre a questão urbana. Nela estavam envolvidos os setores mais conservadores de nossa sociedade, ligados aos interesses fundiários, aos grandes proprietários de terras, rurais e urbanas e aos setores conservadores da Igreja Católica, como a organização Tradição, Família e Propriedade (TFP).
Sob as emoções do momento político foi realizado em julho de 1963, no Hotel Quitandinha, na cidade de Petrópolis (RJ), o “Seminário sobre Habitação e Reforma Urbana”, patrocinado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), juntamente com outras entidades da sociedade. Este seminário serviu de palco para que profissionais de diversas áreas, como arquitetos, engenheiros, sociólogos, economistas, advogados e representantes da sociedade civil, pudessem apresentar seus diagnósticos, planos e possíveis soluções, que se faziam necessários para tentar solucionar os graves problemas que as cidades enfrentavam.
As análises e os diagnósticos apresentados durante o Seminário traduziram, muitos deles, denúncias sobre a situação em que se encontravam os principais núcleos urbanos do país e a condição dos seus moradores, principalmente os mais pobres, os trabalhadores. Foi retratada a gravidade dos vários problemas que a população enfrentava naquele momento, principalmente nas maiores cidades.
No documento final do Seminário, foram apresentadas nove considerações, dezoito afirmações e três propostas, que seriam encaminhadas ao governo federal como contribuição (SERRAN, 1976, p. 55). As considerações apresentadas no texto final do Seminário procuraram mostrar a gravidade existente no quadro habitacional das grandes cidades do Brasil, cujo fenômeno da urbanização e das migrações, produziu graves resultados no quadro urbano, agravando o déficit de moradias e a ausência de uma política habitacional por parte do Governo Federal.
As afirmações abordaram o direito à habitação, que deveria ser um direito do homem e de sua família, a necessidade de aprimorar a democracia e a justiça social, as responsabilidades dos Governos na formulação de uma Política Habitacional que contasse com a elaboração de planos regionais, com recursos financeiros e autonomia para serem geridos, e a necessidade imprescindível de criar mecanismos jurídicos e fiscais para cercear a ação da especulação imobiliária.
As propostas foram três: a primeira, solicitava a agilização das providências legais e administrativas para enfrentar os problemas examinados no Seminário; a outra tratou da alteração de determinados artigos da Constituição Federal relativos ao pagamento das
37 indenizações; e a última, solicitava o envio de um Projeto de Lei ao Congresso Nacional, instituindo a Reforma Habitacional e a Reforma Urbana no País.
Durante o Seminário, ficou clara a posição de que era urgente e necessária a realização de uma reforma urbana no Brasil, que alterasse alguns itens até então considerados intocáveis em nosso quadro jurídico, como o princípio do direito de propriedade. As alterações propostas pelo Seminário tinham como objetivo dar um novo enfoque social à questão da propriedade, especialmente a urbana, procurando garantir o cumprimento do princípio da “função social da propriedade”, que seria a forma considerada legal para combater os interesses especulativos existentes nas cidades com relação à retenção de lotes urbanizados e das grandes glebas os quais, aliados com a ausência de uma Política Habitacional, impediam o acesso à terra urbana e à moradia para amplas parcelas da população.
No documento final do Seminário, surgiu, também, a proposta da criação de um órgão executor para administrar o futuro Fundo Nacional de Habitação, que deveria ser criado para financiar a Política Habitacional, e cujos recursos viriam de um novo instrumento tributário, o chamado “imposto de habitação”, que passaria a incidir sobre todas as transações imobiliárias envolvendo terrenos considerados vagos ou inexplorados, com a aplicação de alíquotas diferenciadas no cálculo de seus impostos, do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Abaixo, encontra-se a descrição do referido documento elaborado no Seminário:
Para o financiamento da Política Habitacional deve ser criado um Fundo Nacional de Habitação, administrado pelo Órgão Central, com os seguintes recursos:
a) a arrecadação do imposto de habitação a ser criado e que incidirá sobre: 1 - o registro de loteamentos urbanos no Registro de Imóveis;
2 - a transferência por venda, cessão ou doação de lote de terreno compromissado;
3 - a transferência, por venda, cessão ou doação de unidades residenciais de mais de 100m2 de área total construída;
4 - a não utilização de imóvel urbano, compreendendo terreno inexplorado ou unidade residencial vaga por mais de seis meses.
O imposto de habitação será devido na base das seguintes alíquotas:
I - no caso do item 1 deste artigo, de 5% sobre o valor de venda do loteamento na época do registro de acordo com a avaliação do município onde estiver localizado;
II - no caso do item 2 deste artigo, de 3%, sobre o valor de transferência de lotes até 300m2 e mais 1% sobre cada 100m2 ou fração que exceder;
III - no caso do item 3 deste artigo, na seguinte proporção sobre o valor da transferência de acordo com a área total construída:
1% para os imóveis de 100 a 150m2.
2% para os imóveis de 150 a 200m2.
3% para os imóveis de 200 a 300m2.
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IV - no caso do item 4 deste artigo, de 3% anualmente sobre o valor real do imóvel de acordo com a avaliação do município onde estiver localizado, quando no perímetro urbano e 1% anualmente quando fora deste perímetro. Os loteamentos que apresentarem serviços e equipamentos na ocasião do registro terão as reduções seguintes do imposto de habitação previsto neste item:
a) água: 20% b) esgoto: 20%
c) rede de energia elétrica: 20%
d) equipamento das vias de acesso: 20% e) transporte coletivo: 20%
Terá isenção do imposto de habitação previsto nos itens 2 e 4 deste artigo, o proprietário de um único lote de terreno até 500m2 de área e não possua outro
imóvel. (SERRAN, 1976, p. 60-61).
O documento final do Seminário foi encaminhado ao governo federal, como uma contribuição às providências que se faziam necessárias para combater os alarmantes índices de lotes e imóveis que permaneciam vagos ou sem utilização nas cidades, sob a ação da especulação imobiliária.
O golpe militar de 1964 levou o País a uma Ditadura e implantou um novo governo que mudou radicalmente o contexto institucional e político do País. As discussões sobre a Reforma Urbana discutidas anteriormente foram interrompidas e substituída por novas proposituras para enfrentar a explosiva questão habitacional e urbana, mudando o seu foco e despolitizando a questão do acesso á terra rural e urbana no Brasil.