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(a) Fatores positivos
Dentre os fatores positivos em relação ao uso da ferramenta VT citados pelos participantes, o que mais se destacou foi a oportunidade que eles têm de se ouvir. Além disso, eles também apontaram a chance de verificar a pronúncia e de poder praticar o ato de falar, conforme podemos visualizar na Figura 12:
FIGURA 12 – Nuvem de palavras relativa às respostas à terceira pergunta do questionário,
a respeito dos fatores positivos do VT
Alguns alunos afirmaram que, apesar de haver a prática em sala de aula, fazer os exercícios em casa, sem a influência do professor e dos colegas de sala, permitiu uma maior autonomia no aprendizado da língua inglesa - independência do aluno frente à presença do professor - e uma melhor organização das ideias, acarretando, consequentemente, em uma melhor expressão delas:
[...] O fato também de termos liberdade para fazer os exercícios em casa, sem a pressão de um professor, também permitiu que organizássemos melhor nossas ideias e, consequentemente, expressar-se melhor. (participante 3.01)
Positivo: [...] longo tempo para se exercitar diante do computador. (participante 3.08)
[...] Importante também a questão da autonomia, em poder fazer só em casa, sem o professor. (participante 3.12)
Um estudo feito por Fischer (2012) mostrou que os alunos que experimentaram um curso híbrido de alemão evoluíram principalmente em sua proficiência oral, pois, ao se unir as aulas presenciais com as atividades realizadas em casa, os alunos se sentiram menos ansiosos e estressados. Além disso, por ser um ambiente virtual, requer mais envolvimento individual do aprendiz, gerando certa autonomia. Blake (2011) reportou, também, que o tempo extra que os alunos passam em contato com a língua fora da sala de aula parece ter promovido um maior aprendizado. Podemos perceber, no caso do nosso estudo, que os próprios alunos observaram uma melhora na expressão de suas ideias, além de experienciarem certa independência frente ao professor e à aula meramente presencial.
Como podemos verificar nos enunciados a seguir, por ser uma ferramenta online, os alunos também mencionaram gostar dessa ideia de ubiquidade e flexibilidade em poder fazer
a atividade em qualquer lugar, a qualquer hora, bastando ter acesso a um computador com internet. Alguns citaram, ainda, a praticidade, simplicidade e facilidade ao utilizar a ferramenta VT.
[...] Ser usado em qualquer lugar que tenha computador e internet. (participante 3.06)
Fator positivo: a aproximação da pessoa com o speaking e a facilidade, a possibilidade de treinar o speaking em casa. (participante 3.14)
Só tenho elogios, podemos nos “policiar” enquanto ao que falamos, alem do acesso a ferramenta ser simples e prático. (participante 3.24)
Fischer (2012) aponta outra vantagem dos cursos híbridos, que é a oportunidade de organizar os horários de acordo com o tempo que os aprendizes têm disponível, seu ritmo e a escolha individual da rotina de estudos. Na comunicação assíncrona, não há troca de mensagens em tempo real, não necessitando da presença simultânea dos interlocutores. Destarte, estudos concluíram que a discussão assíncrona proporciona uma participação mais igualitária entre os aprendizes, possibilitando que todos falem ao mesmo tempo, diferentemente do que ocorre em sala de aula (WARSCHAUER, 1996; WARSCHAUER; HEALEY, 1998).
Por último, os alunos reportaram também que o uso da ferramenta tornou o aprendizado mais dinâmico, participativo e integrador do que uma aula clássica. O participante 3.20 sugeriu, ainda, ser uma ótima ferramenta para a EaD (Educação a Distância) e viu uma grande utilidade para a ferramenta VT na aprendizagem de uma L2 e na sua integração em aulas clássicas:
Positivo: interação com os colegas e professores, usando como uma ferramenta de aprendizagem. (participante 3.09)
Ponto Positivo: mais dinâmico, participativo e integrador que uma aula clássica. Ótima ferramenta para EaD (Educação a Distância). (participante 3.20)
McCormack (2010) reporta que a utilização do VT na educação pode promover a criatividade, colaboração e comunicação entre os participantes. O fato de poder emitir uma opinião e publicá-la para que os colegas vejam proporciona uma interação e compartilhamento de ideias (ver enunciado do participante 3.09). O uso da tecnologia na aprendizagem de L2 favorece ao aparecimento de novas estratégias de aprendizagem, incluindo o aprendiz no mundo digital, fazendo com que eles, de forma lúdica, exercitem sua oralidade.
No entanto, mesmo com todos os benefícios da ferramenta VT, um pequeno número de participantes mencionou alguns fatores negativos referentes a essa experiência que são discutidos a seguir.
(b) Fatores negativos e implicações pedagógicas
Apesar de a maioria dos alunos não ter apontado pontos negativos com a experiência, como podemos ver na palavra “nenhum” em destaque na Figura 13, uma das críticas à ferramenta VT foi a respeito da ausência de um feedback que os ajudasse a perceber os erros cometidos e corrigi-los.
FIGURA 13 – Nuvem de palavras relativa às respostas à terceira pergunta do questionário,
a respeito dos fatores negativos do VT
Alguns participantes afirmaram que achavam que tinham melhorado sua produção oral, embora não conseguissem mensurar o grau de impacto. Um participante apontou também que se houvesse um feedback/correção, talvez a melhora tivesse sido mais significativa. Para ele, a ferramenta ficou sub-utilizada:
Acredito que sim, embora não consiga avaliar o grau de impacto pela dificuldade de falar (destravar) o inglês. (participante 3.03)
Mas como não houve um feedback/correção, acho que a ferramenta fica sub-utilizada. (participante 3.11)
Acho que sim, mas difícil mensurar. (participante 3.20)
Blake (2011) menciona a iCALL, também chamada de CALL inteligente, que proporciona interações e feedback ao aprendiz, antecipando os erros e sugestionando melhoras e correções. Infelizmente o VT não se enquadra nessas características, mas Blake (2011) cita três sistemas implementados no ano de 2011: o E-Tutor pelos alemães; o Robo-
Sensei pelos japoneses; e o Tagarela pelos portugueses. No caso do VT, o ideal seria a intervenção do professor ou de algum monitor com proficiência em inglês superior à dos alunos, a fim de os auxiliar na percepção e correção das lacunas.
Além disso, alguns aprendizes sugeriram mais exercícios, com mais frequência ou ainda um maior tempo para a prática. Os participantes a seguir mencionaram, ainda, que o VT pode auxiliar na produção oral se utilizado com regularidade. Por último, um participante sugeriu o uso da ferramenta com maior frequência nos cursos de idiomas:
Teve pouco, porque foi pouco tempo [...]. (participante 3.19)
[...] Na verdade acho que fizemos poucos exercícios, se fizéssemos mais, com mais frequência, seria melhor. (participante 3.20)
Achei a experiência interessante e que de uma certa forma poderia ser aplicada com frequência em cursos de inglês. (participante 1.09)
Segundo Warschauer e Healey (1998), desde 1960 se tem visto a utilização de computadores para o ensino de língua. Brown (2007) afirma que o avanço de programas aplicados à educação tem avançado tão rapidamente que professores não têm conseguido acompanhar as atualizações. Já Warschauer (1997), em pesquisa que investigou o uso do e- mail para produção escrita, reporta que, apesar do benefício para os alunos, que tiveram um rápido e detalhado feedback, essa atividade demandou tempo e esforço por parte do professor. Talvez essas razões justifiquem a pouca utilização de tecnologia nas aulas de idiomas.
Rosen (2009) defende que a instrução híbrida talvez seja mais efetiva do que as aulas 100% presenciais ou 100% online, pois permite que os alunos recebam as instruções formais em sala de aula, com a orientação do professor, e possam colocar em prática em casa ou em qualquer momento fora da sala de aula, considerando o tempo e ritmo que acharem necessários. Blake (2011) confirmou essa hipótese ao encontrar um resultado superior por parte dos que participaram de um curso híbrido, quando comparados àqueles que participaram de um curso unicamente a distância ou totalmente presencial, pois os primeiros puderam passar mais tempo engajados nas atividades, sem o tempo determinado existente na sala de aula.
Portanto, analisando-se as percepções dos aprendizes de uma forma geral, pode-se concluir que a experiência com o VT, apesar de breve, parece ter conscientizado os alunos a respeito da importância da tecnologia para o aprendizado de L2. Por meio dessa ferramenta, eles puderam praticar sua oralidade, ouvir e perceber as lacunas presentes na sua L2, tornando-os mais críticos e autônomos em relação ao próprio aprendizado.