2- DEKOR VE AKSESUAR MALZEMELERİ
2.2. Kullanı mda Dikkat Edilecek İ lkeler
São inúmeros os fatores que influenciam na qualidade do trabalho docente, dentre eles, a carga horária. Alguns estudos demonstram que quanto maior o tempo de trabalho, maior é o desgaste profissional, o que acaba ocasionando reflexos na qualidade do trabalho exercido (VIEIRA, 2004; GOUVEIA et al., 2006; DOURADO; OLIVEIRA, 2009; GATTI, 2012; VIEIRA; OLIVEIRA, 2013).
Considerando essas informações, tornou-se importante indagar as Auxiliares investigadas sobre este tema, a fim conhecer a realidade dessas profissionais. O Gráfico 12 representa as respostas informadas por esses sujeitos.
Gráfico 12 – Média de horas trabalhadas por dia pelas Auxiliares do CEI
Fonte: elaborado pela autora.
Como pode ser visto no Gráfico 12, não houve um consenso entre as Auxiliares. Joana, Maria, Francisca e Socorro afirmaram trabalhar oito horas por dia. Entretanto Raimunda, diferente das colegas, informou que sua carga horária diária é de dez horas de trabalho.
De acordo com a SME, a carga horária84 das Auxiliares terceirizadas é de 44 horas semanais, enquanto as profissionais efetivas trabalham 40 horas semanais. Com base nisso, verifica-se que existe, realmente, uma diferença no tempo de trabalho dessas funcionárias, o que parece não ser percebido por Joana. Enquanto isso, Raimunda revela possuir uma carga horária superior àquela estabelecida pela SME para as Auxiliares terceirizadas.
Durante o período em que foi realizada a observação participante, identificou-se, diariamente, que Joana e Raimunda, Auxiliares terceirizadas, chegavam ao CEI antes das sete horas da manhã, pois eram responsáveis por arrumar e organizar as salas de atividades para receber as crianças. O trecho, a seguir, ilustra essa afirmativa:
Após uma semana de observação na turma do Infantil I, percebi que o trabalho de organização da sala, antes da chegada das crianças, era uma atividade realizada apenas por Joana, Auxiliar terceirizada, pois era comum ver a professora chegando no mesmo horário das crianças. Todos os dias, pude acompanhar este processo realizado pela Auxiliar. Joana chega à instituição por volta de 6 horas e 45 minutos da manhã, guarda seu pertences e inicia o que ela chama de “arrumação para a
84 Informação fornecida pela SME através do processo P470347/2016 (FORTALEZA, 2016).
0 2 4 6 8 10 12
Francisca Maria Socorro Joana Raimunda
HORAS TRABALHADAS POR DIA
HORAS TRABALHADAS POR DIA
MÉDIA DE HORAS TRABALHADAS
acolhida das crianças”. Limpa e arruma as cadeiras para as crianças, liga a televisão, escolhe um DVD. Em outros dias, separa livros de histórias pelo chão ou massa de modelar pelas mesas para que as crianças possam se ocupar no momento de chegada com alguma dessas atividades (DIÁRIO DE CAMPO, 14 out. 2016).
Além de iniciarem suas atividades antes de sete da manhã, Joana e Raimunda concluíam a rotina de trabalho somente às 17 horas. Portanto, ao fim da tarde, havia mais de dez horas de trabalho. Contudo, cabe salientar que este expediente nem sempre se encerrava neste horário. Em algumas situações, mesmo que pontualmente, as Auxiliares ultrapassavam o suposto horário de saída. Outro fragmento, registrado durante o período das observações, pode ilustrar esta realidade:
A maioria das crianças já tinha ido embora. Às dezessete horas, a professora pegou seus pertences e também saiu. Quase vinte minutos depois, Marcela era a única criança que ainda aguardava que a mãe ou o pai fosse buscá-la na Creche. Nesta situação, intencionalmente, provoquei a Auxiliar: “Já passou do seu horário, Joana!”. Ela respondeu: “É, passou. Mas eu vou deixar essa criança com quem? Só posso ir quando a mãe dela chegar” (DIÁRIO DE CAMPO, 18 out. 2016).
Considerando o que foi exposto até aqui, a realidade do CEI “Hora Marcada” corrobora com a reflexão de Oliveira (2006, p. 214), que afirma que é possível “observar a intensificação do trabalho docente resultante de ampliação da jornada de trabalho e do aumento considerável de responsabilidades”. Essas situações acontecem com frequência, mas estão tão arraigadas na rotina e cultura do trabalho docente que, muitas vezes, sequer são percebidas.
Esta ausência de percepção relacionada ao tempo de trabalho pode ser identificada em Joana, que, como já mencionado, afirmou trabalhar “oito horas por dia”, reação que demonstra que não se dá conta do prolongamento de sua jornada de trabalho e nem da alienação de sua função (MARX, 1989). Assim, refletindo sobre as condições de trabalho de muitos professores, Enguita (1991, p. 41) alerta que os “docentes encontram-se submetidos a processos cuja tendência é a mesma que para a maioria dos trabalhadores assalariados: proletarização”. Sem dúvida, essa reflexão também é extensiva à situação das Auxiliares do CEI.
Raimunda informou que possui uma carga horária de dez horas diárias. Na última questão do questionário85, escreveu que considera a rotina de uma Auxiliar bastante prolongada e o trabalho “cansativo”. De acordo com Dal Rosso (2006, p. 33), “a intensidade
85 A última questão do questionário pedia que a Auxiliar escrevesse algo acerca de sua função que não tivesse
tem a ver com o investimento das energias das pessoas com o trabalho”. Este caráter intenso foi expresso por esta Auxiliar, pois afirma que sua ocupação requer investimento “físico e mental”.
É preciso esclarecer que na carga horária das Auxiliares está prevista uma pausa para o horário de almoço. Todavia, neste tempo, os sujeitos investigados se ocupavam com a supervisão do repouso das crianças, com exceção de Socorro, já que a turma de Infantil III não vivenciava mais esta atividade no CEI.
Ainda com base no Gráfico 12, é importante destacar que Maria chegava ao CEI por volta de sete horas e 20 minutos, assim como Francisca, ambas Auxiliares concursadas. Socorro, apesar de efetiva, tinha uma rotina diferenciada. Iniciava seu trabalho pouco antes de sete horas da manhã, assim como Joana e Raimunda. No entanto, diferente dessas outras Auxiliares, tinha duas horas de intervalo, isso porque a turma da manhã saía às 11 horas e a turma do período da tarde só chegava a partir de uma hora, tempo que ela utilizava para almoçar e repousar. Quanto ao horário de saída, todas as Auxiliares efetivas finalizavam o expediente às 16 horas e 30 minutos. Para Maria, Francisca e Socorro, este período totalizava oito horas de trabalho. Para as Auxiliares terceirizadas, o tempo de trabalho era superior ao das profissionais efetivas.
É importante assinalar que o horário das Auxiliares efetivas causava insatisfação das professoras, como foi apontado, em tom de desabafo, durante a entrevista com a PRA II86, que trabalhava na companhia de Maria, Auxiliar concursada:
A Auxiliar terceirizada tem o horário diferente. O tempo que o professor vai ficar em sala, o Auxiliar vai estar lá presente. Já a Auxiliar efetiva não. Em algum momento o professor vai estar só, sem a figura dela, por conta dessa configuração de horário. Inclusive, no início de ano foi complicado pensar nesse ajuste. A Auxiliar terceirizada entra sete horas e sai cinco horas. Elas têm uma hora a mais dentro do contrato delas. Já a Auxiliar efetiva não. São oito horas! Ela entra, no caso, sete e meia e sai meia hora antes de mim. Como ela não fica duas horas de repouso, porque acompanha a dormida das crianças logo depois do almoço, a coordenação tem que definir esse horário na chegada e na saída de um jeito diferente. E isso é muito complicado! É muito ruim ficar sozinha, mesmo que seja só meia hora na chegada e meia hora antes da saída. A correria fica grande só pra uma pessoa porque aqui são vinte [crianças]!
Inicialmente, é possível destacar que quando a PRA II informa sobre a dificuldade de “estar sozinha” com o grupo de crianças, está considerando apenas suas necessidades profissionais. Ou seja, a ausência da Auxiliar é “ruim” porque a professora se percebe
86 Conforme mencionado no item 5.2 deste trabalho, a sigla PRA faz referência ao termo Professora Regente A,
enquanto a numeração correspondente se relaciona com a idade das crianças do agrupamento em que esta profissional trabalha.
sobrecarregada diante do quantitativo de crianças e das atividades que precisa desenvolver mesmo nessas condições.
Portanto a ausência da Auxiliar foi citada pela professora como algo que, na sua opinião, atinge a qualidade e o desenvolvimento do seu trabalho de forma direta. Apesar da “reclamação” da PRA II sobre “ficar sozinha” com vinte crianças, diariamente, após a saída da Auxiliar, é preciso dar destaque que no conteúdo previsto na Resolução Municipal nº 002/2010 (FORTALEZA, 2010), a organização das turmas de Educação Infantil deve basear- se na quantidade de crianças por professora. Sendo assim, para uma turma de Infantil II, formada por 20 crianças, seriam necessárias duas professoras. Assim, a condição mais grave não é a ausência de Maria, mas, justamente, a sua inserção nesse contexto, afinal, ela não está contratada como professora. Com base na lei supracitada, uma professora não é suficiente para trabalhar com 20 crianças, mas também não parece adequado, quando se considera da Resolução nº 002/2010 (FORTALEZA, 2010), substituir a contratação de duas professoras por uma Auxiliar e uma professora.
Cabe ainda destacar que a fala da professora também sugere que a carga horária das terceirizadas seria a mais adequada à rotina vivenciada no CEI, já que o horário das Auxiliares efetivas não consegue dar cobertura às necessidades inerentes à rotina junto às crianças pequenas. A PRA II, portanto, pareceu desconsiderar as condições exaustivas e precárias de trabalho quando a carga horária está sujeita a uma rotina longa e intensa, cujo tempo diário destinado à atividade laboral é apenas um dos fatores87 que corroboram para a precarização da docência, mas que deve ser levado em conta.
Em meio a este cenário, vê-se que, se as necessidades das crianças fossem tomadas como ponto de partida da organização da Educação Infantil no município de Fortaleza, certamente sequer haveriam Auxiliares no contexto público municipal, sobretudo, porque a criança tem direito de ser cuidada e educada por professores. A contratação de Auxiliares, efetivas ou não, como já ressaltado, expressa o descumprimento de inúmeros direitos, não só da criança, mas também do profissional da docência.
De acordo com o que foi exposto nesta seção, fica claro que para selecionar profissionais para a Educação Infantil, a carga horária surge como um aspecto a ser previamente considerado pela rede municipal. É importante que os direitos que possuem os
87 Há inúmeros fatores que demonstram que um profissional contratado sob a condição de Auxiliar está sujeito a
condições de precarização. Quando comparada à professora, as Auxiliares possuem maior carga horária de trabalho, menor salário e nível de formação, bem como executam tarefas que, normalmente, os professores pouco ou não realizam. Este quadro ora aqui descrito também foi encontrado no CEI investigado (CERISARA, 1999b; VIEIRA; OLIVEIRA, 2013).
trabalhadores, quanto à carga horária de suas atividades, sejam respeitados. Junto a isso, é fundamental considerar, também, os direitos das crianças de serem educadas e cuidadas, integralmente, o que pressupõe a presença de docentes junto aos agrupamentos de crianças. Todavia, conforme a lei (BRASIL, 1996a; FORTALEZA, 2010), numa sala com 20 crianças, seria necessário, dentre vários outros aspectos definidos em documentos como os Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças (BRASIL, 2009d) e os Indicadores da qualidade na Educação Infantil (BRASIL, 2009c) a admissão de duas professoras e não de uma Auxiliar e uma professora.