1- DEKOR VE AKSESUARLARI
1.4. Dekor Çeş itleri
1.4.4. Çocuk Oyunu Dekorları
Antes de se submeter ao concurso público, Maria atuava como professora da Educação Infantil no município de Caucaia, em uma Creche pública conveniada, e como Secretária Escolar, cargo comissionado, em uma escola municipal. Francisca trabalhava como professora. Lecionava em um estabelecimento particular em duas turmas. Neste mesmo período, Socorro ocupava o cargo de coordenadora em uma instituição particular, também, no
município de Caucaia. Todas as profissionais efetivas estavam contratadas, na época, como celetistas, mas afirmaram que o sentimento de “insegurança” era constante, pois havia o risco de demissão. Deste modo, pode-se afirmar que a instabilidade quanto ao vínculo empregatício era um fator de insatisfação.
Diante das informações apresentadas até aqui, faz-se interessante consultar o Gráfico 10, a fim de identificar, em percentuais, o que motivou o grupo pesquisado a se tornar Auxiliar na rede municipal de Fortaleza.
Gráfico 10 – Motivação para ocupar o cargo de Auxiliar da Educação Infantil apontada pelas profissionais do CEI
Fonte: elaborado pela autora.
Através do Gráfico 10, vê-se que 60% dos sujeitos investigados afirmaram que a principal motivação para fazer o concurso foi a estabilidade financeira. Esta porcentagem corresponde a Maria, Francisca e Socorro. De acordo com Maria,
Até hoje tem gente que olha pra mim e pergunta como é que eu deixei de ser professora pra ser Auxiliar, como é que eu saí do serviço de professora pra trocar fralda de um bocado de criança todo dia; mas eu não ligo para este tipo de comentário. O que importa é que o emprego é efetivo (DIÁRIO DE CAMPO, 19 out. 2016).
Francisca expressou uma fala que revela que esta profissional parece se sentir segura quanto ao emprego atual: “Quando saiu esse edital [do concurso de Auxiliar], eu nem
60% 40%
MOTIVAÇÃO PARA OCUPAR O CARGO DE AUXILIAR DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Pela estabilidade financeira
Para trabalhar com crianças
pensei duas vezes. Me inscrevi na mesma hora. Já ouvi boatos que esse concurso de Auxiliar efetiva foi o primeiro e o último. Eu passei e pronto” (DIÁRIO DE CAMPO, 14 nov. 2016).
Socorro expressou com clareza: “Eu mesma só fiz esse concurso porque era pra ser efetiva. Pelo salário que não foi, porque o dinheiro é pouco.” (DIÁRIO DE CAMPO, 19 out. 2016).
O resultado gerado no CEI “Hora Marcada” se assemelha aos achados de outras pesquisas já realizadas por outros estudiosos. Ostrovski, Sousa e Raitz (2015, p. 9314), por exemplo, em estudo dedicado ao conhecimento das expectativas dos estudantes de Pedagogia quanto ao mercado de trabalho, constatou, entre esses alunos, o “desejo pela estabilidade na profissão, por intermédio de concurso público”. Cavalcanti e Sampaio (2008, p. 15), em estudo promovido com as ADI do município de Recife, diagnosticou que mais de 80% das profissionais concorreram ao cargo porque a “estabilidade de um emprego público se constituiu no maior atrativo para realizar o concurso promovido pela rede municipal”.
Desta forma, percebe-se que a história das Auxiliares que trabalham no CEI “Hora Marcada”, não se trata de um caso isolado, mas expressam condições bem presentes no cenário brasileiro. A crise conjuntural (MÉSZÁROS, 1998, 2007) que assola o país vem ceifando o trabalho de inúmeros profissionais. Nessas condições, um emprego efetivo, marcado por uma suposta estabilidade, desponta como circunstância que não deve ser desperdiçada pelos trabalhadores. Ou seja, a possibilidade de um emprego estável é utilizada pelos governos municipais como estratégia que faz com que o trabalhador acredite que se submeter a este tipo de concurso é desfrutar de uma oportunidade bastante vantajosa. Todavia, o modo como este “sonho” é formatado por este tipo de contratação pouco beneficia os docentes, pois flexibiliza não só suas condições de trabalho, mas seu status como profissional da educação, retirando-o do lugar de professor e colocando-o no lugar de Auxiliar.
Isso não significa afirmar que a crise outrora citada justifica ou elucida a adoção deste tipo de prática. O barateamento dos serviços na Educação Infantil tem sido uma constante no âmbito nacional, desde suas primeiras iniciativas (ROSSETTI-FERREIRA; RAMON; SILVA, 2002; ROSEMBERG, 2002; CAMPOS, 2011). Sendo assim, esta reflexão visa salientar sobre o quanto ainda é preciso avançar para a superação desta realidade, pois como bem assevera Freire (2003, p. 26), “é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz”. Portanto, não basta proferir o discurso da boa qualidade na Educação Infantil, mas colocá-lo em prática.
Ainda com relação ao Gráfico 10, os outros 40% das Auxiliares, portanto, Joana e Raimunda, responderam que a principal motivação para se dedicar a esta função se deu pelo
desejo de “trabalhar com crianças”. Em conversas informais ocorridas no dia a dia do CEI, Joana comentou que: “Eu trabalho aqui porque eu gosto. É um trabalho bom. Muito bom. E eu gosto muito de criança. Os bichinhos [as crianças] são bem bonzinhos. Muito raro eles darem trabalho. Muito raro mesmo! São crianças boas, aí eu gosto desse trabalho aqui com eles” (DIÁRIO DE CAMPO, 21 out. 2016).
Raimunda, certa vez, explicou: “o vereador disse que eu podia escolher aonde eu queria trabalhar. Aí, ele falou que tinha vaga na Creche. Quando ele disse isso, eu escolhi a Creche, porque eu gosto muito de trabalhar com criança e já tinha trabalhado com isso outras vezes” (DIÁRIO DE CAMPO, 7 out. 2016).
As opiniões emitidas por essas Auxiliares fazem rememorar Alves (2006, p. 7), pois a autora afirma que ainda persiste entre as profissionais da Educação Infantil, “a ideia de que seu trabalho docente requer, primeiro e prioritariamente, o amor às crianças e à profissão”.
Contudo, esta se trata de uma tendência romântica da docência e da Educação Infantil que, inclusive, contribui para uma descaracterização desta atividade como uma tarefa de cunho profissional (KRAMER, 2005; BONETTI, 2006a; RABELO, 2007; NÓBREGA, 2012). Isso não significa afirmar que o amor não seja necessário à docência, mas é importante que este amor seja um sentimento marcado pelo entendimento de que “não é possível também ser professora sem lutar por seus direitos para que seus deveres possam ser melhor cumpridos” (FREIRE, 1993, p. 26).
Vale ressaltar que é possível identificar outra descaracterização presente no papel assumido pelo vereador na empregabilidade da Auxiliar, porque sua atitude não demonstrou nenhuma preocupação com os critérios legalmente necessários à contratação de profissionais para a Educação Infantil. Este tipo de prática parece expressar um interesse puramente eleitoreiro, haja vista que a prestação deste “favor” poderá a funcionar como uma forma de garantir mais um voto.
Como pode ser visto, Joana e Raimunda apresentaram respostas que se relacionam ao âmbito afetivo. As crianças, portanto, apareceram como principal elemento motivador para o exercício do trabalho dessas profissionais, o que sugere que a atividade para essas Auxiliares parece ter poucos elementos atrativos além do contato com as crianças, já que não têm estabilidade e seus salários são inferiores aos de suas colegas concursadas.
Vale salientar que essa distinção de vínculo empregatício e salarial parecia gerar uma diferença de status gozado na instituição. A insegurança sentida pelas Auxiliares terceirizadas era expressa não só por elas, mas em comentários das professoras, da
coordenadora e das Auxiliares efetivas, como, respectivamente: “as efetivas têm mais preparo, mais autoestima”, “as meninas concursadas reconhecem e brigam pelos direitos delas” ou “ser Auxiliar efetiva é muito melhor!”. Esses elementos, de algum modo, acabam, talvez, elucidando um pouco mais sobre a justificativa escolhida para esclarecer o que motivou Joana e Raimunda a trabalharem como Auxiliares na rede municipal pública de Fortaleza.