7. Özel popülasyonlar ve durumlar
7.4 Kronik böbrek hastal›¤›
(JANEIRO/1853 - JULHO/1853)
5% sobre os gêneros exportados para fora do império 7:547$150 2 1/2 % idem para os que foram para fora da província 23$110
Prêmio d’assignados 78$206
Multas do algodão 82$750
Armazenagem 1:165$000
50% sobre bebidas espirituosas 5:607$000
Emolumentos de visitas de saude 49$200
1$600 em réis em rés de consumo 34:774$000
20% no fumo 816$000
Décima dos prédios urbanos 5:032$000
Idem de heranças e legados 1:649$234
Meia siza dos escravos 3:275$000
Dízimos dos gados grossos 42:929$414
Idem de miunças 15:137$000
1$600 réis em milheiro de charutos 1:440$000
200 réis em libra de rapé 1:442$000
Dízimo do pescado 2:337$000
Imposto sobre escravos que saíram da província 3:990$000
5% sobre os títulos dos empregados 115$878
Impostos sobre currais e redes de pescaria 815$000
* Em negrito os ítens relacionados à pecuária. Livre adaptação da autora.
Contadoria Provincial do Ceará, 20 de agosto de 1853. Fonte: Relatório dos Presidentes da Província do Ceará, 1853)
Infelizmente, os números anteriormente transcritos pouco informam a respeito das especificidades da vida rural cearense, já que são breves dados estatísticos. No entanto, dão a dimensão da importância econômica que a pecuária ali assumiu ao longo do período colonial e imperial. Com isso, podemos afirmar que essa atividade foi muito importante na organização espacial desse território, deixando vestígios materiais na sua paisagem, que serão objeto de estudo no capítulo 3.
Sendo vendido o gado vivo, as vias de comunicação eram fundamentais para o transporte das reses e a realização desse comércio. A Carta da Capitania do Ceará, levantada por ordem do Governador
Manoel Ignacio de Sampaio, por seu ajudante de ordens Antonio Joze da Silva Paulet, datada de
1818, espacializa as redes de comunicação existentes na Capitania do Ceará no início do século XIX (figura 9). Georreferenciamos os dados do mapa de Paulet (figura 10) e isso nos permitiu constatar a densa rede de estradas que cruzava a Capitania do Ceará em 1818.
Oceano Atlântico
Oceano Atlântico
Villa da Parnahiba
Villa d’Granja
Villa da Viçoza Real
Villa d’Sobral
VILLA DA FORTALEZA Villa d’ Mecejana
Villa do Aracati Villa d’ Monte Mór Novo
Villa de S. Bernardo
Villa d’ Portalegre Villa do Icó
Villa do Crato
Villa do Jardim Villa de S. João do Príncipe
Villa d’ Quixeremobim Villa Nova d’EL Rey
Vilas LEGENDA CAPITAL Povoações • • Drenagem Rede de caminhos
Fonte: Construção da autora no ArcGIS com informações da Carta da Capitania do Ceará levantada por ordem do Governador Manoel Ignacio de Sampaio, por seu ajudante de ordens Antonio Joze da Silva Paulete, 1818, sobre base cartográfica georreferenciada do IBGE tendo como pontos principais de referência as vilas de Icó, Sobral, Crato, Aracati e Fortaleza.
Limite dos termos da capitania
Obs: a área total da capitania do Ceará se dá pelo conjunto de seus termos.
Morros e Serras
Levantada por ordem do Governador Manoel Ignacio de Sampaio,
por seu ajudante de ordens Antonio Joze da Silva Paulete,
1818.
Redesenhada por Nathália Diniz
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Escala 1:2.500.000 Planta da Villa de Fortaleza e seu portoFORTALEZA
Infelizmente o mapa de Paulet não apresenta as fazendas de gado como o de Galuzzi, mas é possível imaginá-las atreladas às principais ribeiras. Podemos perceber ainda que, apesar da dispersão e da baixa densidade populacional frente a uma área de quase 150 mil km2, no início do
século XIX a Capitania do Ceará estava interligada por uma rede de caminhos e uma rede urbana substantiva. No entanto, tais vias eram dotadas apenas de rústica infra-estrutura, sendo necessário permanentes intervenções de manutenção por parte do governo da Província.
Ainda analisando a [Carta da Capitania do Ceará levantada por ordem do Governador Manoel Ignacio de Sampaio, por seu ajudante de ordens Antonio Joze da Silva Paulet, 1818] percebemos que o caminho que ligava a vila de S. João do Príncipe à de Icó correspondia à Estrada das Boiadas, que segundo Studart Filho (1937: 31), no território cearense, era um dos escoadouros dos produtos da indústria pastoril do interior piauiense para os mercados consumidores do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Sua origem remontava ao início do século XVIII. O autor menciona que nos documentos sesmariais do Ceará, de 1731, essa estrada aparecia denominada como “estrada que passa para o Piauí”: “Icó, Iguatú, S. Matheus, Saboeiro, Arneirós e Tauá balizam hoje um enorme
trecho desse velho caminho de acesso ás terras do medio Parnaiba” (STUDART FILHO, 1937:
31). Já em direção ao oriente, a “Estrada das Boiadas”, como era conhecida nas crônicas do Rio Grande do Norte e da Paraíba, no Ceará, ainda conforme o autor, era denominada de “Estrada para Pernambuco” e sua rota seguia o seguinte percurso:
“De Campina para o littoral, a estrada principiava atravessando densa floresta de quatro leguas até os lugares Caboclo e Torres, onde descia a Borborema; dava no pequeno valle do Rio Ingá; passava nos lugares onde existem as povoações de Riachão, Varzea-Nova,a Villa do Ingá, Mogeiro, e, uma legua além, attingia o rio Parnaiba, na povoação de Salgado, seguia pelas margens deste rio, tocando em Itabaiana, Pilar e Itaipú, Espirito-Santo, Soccorro, Santa Rita até á Capital. Na altura de Itabaiana, porém, bifurcava-se, dirigindo-se tambm para Itambém ou Desterro, Goiana e Recife, onde findava” (JOFELY, IRINEU. Notas sobre a Parahyba. Apud STUDART FILHO, 1937: 35).
A Estrada das Boiadas é caracterizada por Studart Filho (1937: 33) como a via que possibilitou o intercâmbio comercial entre os Sertões do Norte e a zona da marinha no período colonial.
“Por ella transitavam rumo ao interior comboios de mercadorias estrangeiras, de lá descendo o gado de corte para os matadouros de Paraíba, Recife e Olinda. Adquirido nas feiras de S. Antonio de Surubim, Villa de Mocha, Manga e Jatobá ou nas fazendas dispersas pelas cercanias desses velhos nucleos de povoamento, era a gadaria piauiense reunida em grandes boiadas, que se encaminhavam a Crateús, pelo boqueirão do Potí, unica passagem facil talhada na immensa muralha calcarea que circumda o Ceará ao occidente.
De Crateús rumava para as grandes feiras de Iguaraçú, Goiana, Timbé, Pedra de Fogo, Itabaiana e Campina-Grande pelo caminho do Tauá.
[...] Quixeramobim, com suas ricas pastagens de mimoso10, era talvez o unico ponto onde as reses derreadas pela canicula11 e pela fome podiam refazer-se na longa travessia” (STUDART FILHO, 1937: 33. grifo nosso).
Studart Filho (1937: 36) explica que a ligações do Ceará se davam muito mais para o oriente que para o ocidente, em decorrência das contingências geográficas:
“as ligações do interior cearense para Pernambuco e Paraiba. S.-Luís, apesar de sua proximidade e importancia politica e commercial, ficaria á margem das transacções mercantis, igualmente, por motivos de ordem economica. É que os principaes consumidores de gado e compradores de pele estavam ao orient e não no Maranhão, a cujos mercados bastavam as reses dos sertões piauieneses e fazendas de Tapuitapera, Pindaré, Mearim e Gurupí. Ali demoravam tambm
10 Capim mimoso = uma das principais espécies componentes da dieta do gado (Nota nossa). 11 Derreadas pela canicula = prostradas pelo calor intenso (Nota nossa).
os emporios onde se abasteciam de objectos manufacturados e mercadorias da Europa os fazendeiros das ribeiras septentrionaes do Ceará (STUDART FILHO, 1937: 36).
Capitania do Rio Grande do Norte
Perceberemos que o quadro econômico da Capitania do Rio Grande do Norte era muito semelhante ao do Ceará:
“[...] o producto destes dízimos quazi só constão de gados vacum e cavalares, que nos sertões criam, augmentam-se estes com a fertilidade dos pastos que os invernos produzem, e faltando estes, como muitas vezes se tem experimentado, (___), e diminuem por esta cauza as rendas reaes. [...] E como estes se rematão em Ribeiras, separadas [...]” (Carta do provedor da Fazenda Real do Rio Grande do Norte, Domingos da Silveira ao Rei D. João V sobre a arrematação dos dízimos da Capitania do Rio Grande do Norte. 4 de março de 1732. Fonte: AHU-RIO GRANDE DO NORTE, Cx. 3, D. 8/ AHU_ACL_CU_018, Cx. 2, D. 156)
A documentação do Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa evidencia a maneira de arrecadação do Dízimo Real, também através das ribeiras, e demonstra que os rendimentos da Capitania do Rio Grande do Norte eram exclusivamente oriundos do gado. A arrematação dos contratos era pública e aberta aos particulares, certamente os homens mais ricos da capitania:
“[...] Faso saber a todas as pessoas de qualquer qualidade, estado, ou (___), que quizerem rematar, ou mandar rematar o dito contrato desta capitania” (Carta do provedor da Fazenda Real do Rio Grande do Norte, Domingos da Silveira ao Rei D. João V sobre a arrematação dos dízimos da Capitania do Rio Grande do Norte. 4 de março de 1732. Fonte: AHU-RIO GRANDE DO NORTE, Cx. 3, D. 8/ AHU_ACL_CU_018, Cx. 2, D. 156. Transcrição da autora)
A realização dos contratos nem sempre se dava de acordo com o esperado e muitos eram os obstáculos para que transcorresse normalmente a arrecadação fiscal, havendo recorrentes tentativas de não pagamento dos dízimos.
“[...] os gados do vento, que não tem marca, nem signal, e pondo em execução os rematadores dette a sua cobransa, experimentão nella um notável prejuízo. Porque as pesoas que vivem nos Sertões desta capitania, donde se criam os taes gados, e uns o empedem com violencia, outros pozitivamente os destroem, mantendo-se deles, e deichando-os mortos nos campos, donde o tempo os consome; com o pretexto que chamão lícito, por serem oriundos dos q cada um posue” (Carta do provedor da Fazenda Real do Rio Grande do Norte, Domingos da Silveira, ao Rei D. João V sobe as dificuldades que os arrematadores do gado do vento tinham com o impedimento da arrematação que lhes faziam os moradores dos sertões. AHU-RIO GRANDE DO NORTE, Cx. 3, D. 31/AHU_ACL_CU018, Cx. 3, D. 180. Transcrição da autora. grifo nosso)
Mesmo com tais dificuldades, de acordo com a documentação do Arquivo Histórico Ultramarino, a Coroa Portuguesa, por meio dos funcionários régios, seguia com ações para aumento da arrecadação, modificando o próprio sistema de arrematação.
“Com experiencia conhecida (___) (___) João da Costa Sylva a V. Magde o arbitrio de produzir (___) augmento das Reais Rendas dos dizimos desta capitania, e dado Ceara, rematados estes em Ribeiras separadas, fazendosse em cada huma dellas quatro ramos em quatro rematações distinctas não só adquiria mayor augmento nos lanços com melhor segurança na satisfação por se ficar cobrando de mais devedores e fiadores e menos importancia de cada hum para o que se podião fazer as rematações nesta Cidade as dos ramos mais vezinhos e as dos Certões nas mesmas Ribeyras delles satisfazendosse pello trabalho (___) (___) a os ditos certões e seus officiaes com aquelle sellario que que V. Magde fora servido aplicar aos Provedores em (___) officiaes desta Provedoria quando forem passar mostra ao Terço dos Paulistas que existio na Campanha desta da Capitania como tudo se vê e constada sua carta por copea incluza em consideração da qual foy V. Magde servido aprovar e admitir o exposto nella mandando assim se obcervasse como tambem consta da ordem junta por copia em cujo cumprimento se instituio este modo e forma de rematação nesta dita Cappitania pella do Ceara se separar ao mesmo tempo della formandosse nella quatro Ribeyras com bastante extenção e ordem na repartição dellas a saber, duas na vezinhança desta Cidade donde se rematão e duas que são Assú e Apodi, em distancia esta de cento e oitenta legoas e a que la de cento e vinte pouco mais ou menos de
hida e regresso em seguimento continuado, com cuja delligencia tem a experiencia mostrado em favor della o crescimento q tem havido e continua ser muito differente do valor por que se rematava a hum só lançador em summa, e tambem a facellidade com que melhor se cobra dos muitos rematadores com menos vexame delles e de seus fiadores. Este procedimento faz de despeza annualmente cento e noventa e doys mil reis, a saber, ao Provr noventa e seis mil reis e ao Escrivão e Almoxarife a cada hum quarenta e oito mil reis a metade dos caminhos na distancia assim a refferida e a outra metade do tempo da estada de trinta dias nas refferidas Ribeyras pa o expediente das rematações dellas e cobranças das dividas dos Contractos q por estas se excedem as vezes ao tempo dos ditos trinta dias, mas nunca por essa cauza se augmenta a porção diaria costumada. Esta demora de tempo he preciza em rezão das ditas cobranças por só naquelle tempo se poderem conseguir pella grande distancia não permittir execuções violenta, pello excesso das custas por não inhibir os lançadores atemorizados do rigor na cobrança e não decahir por esta cauza o augmento das rendas reais e sem embargo de que o Cappitão Mor desta Cappitania actual João de Freyre Barreto de Menezes conhece o bom proveyto que se segue as ditas reais rendas com esta forma de rematação [...]” (Provedor da Fazenda Real do Rio Grande do Norte. 1 de maio de 1736. AHU-RIO GRANDE DO NORTE, Cx. 4, D. 3, 4 e 52; PERNAMBUCO/AHU_ACL_CU_018, Cx 3, D. 211. Transcrição da autora. grifo nosso).
No documento supracitado, o provedor da Fazenda Real sugere que a arrematação dos contratos dos dízimos reais das Ribeiras de Assú e Apodi fosse feita na Cidade de Natal, proposta aprovada por D. João V:
“[...] q vos reprovaes a dilligencia de se hirem fazer as arrematações dos Dizimos nas Ribeyras do Assú e Apodi como se pratica por ordem minha dizendo não ser necessario hiremse rematar naquelles certões, mas sim nessa Cidade do Natal. [...]”12 (Resposta de D. João à carta do
Provedor da Fazenda Real do Rio Grande do Norte de 1 de maio de 1736. 10 de novembro de 1736 AHU-RIO GRANDE DO NORTE, Cx. 4, D. 3, 4 e 52; PERNAMBUCO/AHU_ACL_CU_018, Cx 3, D. 211. Transcrição da autora)
TABELA 18: DESPESAS DE PESSOAL DEVIDO À COBRANÇA