2. GENEL BİLGİLER
2.3. Kronik Allograft Fonksiyon Bozukluğu
As visões da sociedade sobre os jovens são múltiplas, muitas vezes se contradizem, se complementam e se sobrepõem. Os jovens ora são um problema que necessita ser enfrentando, ora um segmento vulnerável que precisa ser objeto de atenção. Podem ser sujeitos protagonistas
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com direitos e deveres ou potencial força produtora econômica. Coexistem, ainda, as ideias de juventude como fase transitória, como espera da vida adulta ou parte fundamental da trajetória de vida das pessoas. (Jovens Urbanos, 2013:10).Sim! A juventude pode ser lida de muitas formas, e evidentemente, de tempos em tempos despontam novas maneiras de conceber os jovens. Estados da arte sobre a produção acadêmica deste segmento, acompanhados dos dados das políticas públicas dirigidas ao mesmo, e a postura dos próprios jovens que se articulam, se expressam, contestam e deixam marcas do “lado de cá e de lá da ponte”15, demonstram a
coexistência de debates, sobreposições e tessituras em constante movimento. Diante deste cenário que combina atores e perspectivas o Programa Jovens Urbanos se anuncia compreendendo juventudes no plural, ao invés de juventude, a fim de refletir a variedade de maneiras de viver e perceber a condição juvenil, além de incorporar um entendimento sobre a diversidade de realidades dos jovens que se formam a partir da mescla das dimensões individuais, sociais, culturais, políticas e econômicas.
No momento em que o PJU aposta em uma perspectiva formativa pautada no desenvolvimento integral dos jovens um recorte de ausências vem à tona, o que não poderia ser diferente em uma sociedade marcada por profundas distâncias sociais. Neste sentido, a condição juvenil é vivida de forma desigual e diversa, reduzindo para alguns as oportunidades de desenvolvimento integral, já que, não possuem acesso aos bens e serviços comuns, podem estar confinados aos seus bairros e expostos a situações de violência.
Tal realidade justifica as principais opções do PJU, no que tange a metodologia formativa adotada - exploração, experimentação, intervenção - atrelada às concepções que tem das juventudes. Por exemplo, ao considerar
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O “lado de lá da ponte” é uma referência que os jovens das periferias das Zonas Sul e Norte fazem as Marginais Tietê e Pinheiros no que diz respeito à separação entre as zonas periféricas e o centro da cidade.
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que as cidades servem de conteúdo para a formação dos jovens, apostam no movimento de ir e vir, propondo que os jovens saiam de suas redondezas familiares e encontrem novos padrões e visões de mundo, mas retornem para os seus pedaços com outras perspectivas que articuladas ao sentimento de pertencimento e identidade irrompa em cidadania ativa, ou seja, ao escolherem os territórios reconhecem que há uma juventude que tem este “passe livre” para chegar a outros espaços bastante diminuído, mas que estas novas sociabilidades e o usufruto de direitos de bens simbólicos e materiais que as cidades oferecem são significativos.Na mesma toada seguem as experimentações se pensadas na relação entre juventude e trabalho, pois elas se configuram como uma ação formativa que não concede um certificado ou garante uma entrevista de emprego, mas enriquecem repertórios que podem impactar positivamente nas trajetórias de trabalho e novamente a escolha dos territórios de atuação do programa e a compreensão sobre os jovens atendidos, são relevantes para analisar esta preferência do PJU, visto que, nas regiões periféricas é bastante comum encontrar coletivos juvenis que atuam na chamada economia criativa, impulsionado pequenos empreendimentos organizados ao redor projetos artísticos e culturais. Estas iniciativas sanam a necessidade precoce de ingressar no mercado de trabalho, ou ter uma atividade remunerada, muitas vezes por sobrevivência pessoal e familiar, mais do que por emancipação financeira, sem precisar aceitar cargos cada vez mais perversos.
De olho na valorização do trabalho coletivo e colaborativo, que permeia a forma como os jovens se organizam e se expressam atualmente, saindo do lugar de espectadores e consumidores e tornando-se produtores, transbordando suas marcas e escrituras nos âmbitos digital e presencial, o PJU aproveita deste universo cultural e estimula os jovens a realizarem intervenções. Os Projetos Jovens se configuram como ponto de partida e chegada dos processos criativos destes jovens urbanos, que refletem, intervêm e participam no meio em que vivem.
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É exatamente por compreender estas novas formas de participação e expressão da juventude que o PJU afirma que as políticas públicas deveriam derrubar completamente as barreiras que não permitem a efetiva participação dos jovens na proposição, elaboração e avaliação das políticas e programas destinados a eles. Segundo as impressões do PJU há uma expectativa por parte dos atuais gestores das políticas para juventude, de que estes sujeitos possam aderir os espaços tradicionais de política, mas ao mesmo tempo não perceber que os jovens estão se articulando e expressando sua participação juvenil de diversas outras formas que se aproximam muito mais de suas realidades cotidianas. E é a partir do entendimento sobre essa multiplicidade de formas de expressão da participação juvenil que o PJU constrói seu diálogo com as juventudes nos territórios de atuação buscando apoiar e fomentar a atuação dos jovens em suas diversas formas e expressões.47
CAPÍTULO DOIS
JOVENS NARRANDO PASSOS E ESPAÇOS:
EXPERIMENTAR O URBANO E PRATICAR A CIDADE
Quem viaja tem muito o que contar...
Walter Benjamin Cidade nem bonita, nem feia, gigante, contraditória, misturada. Essa é a imagem que São Paulo oferece: imagem que se esconde, se reserva, não se entrega; para essa cidade todos os olhos são estranhos, estrangeiros... Enfim, São Paulo é curiosa, incomparável, excessivamente metropolitana.
Lucrécia D'Alessio Ferrara
As vivências na cidade possibilitam que os jovens possam experiencia-la e decodificá-la em espaços de ambiência, em territórios onde haja sentimento de pertencimento. Por meio de suas narrativas é possível compreender as significações que atribuem a estas experimentações, ao vivido, ao espaço vivido. Ao serem impelidos a narrar o cotidiano e rememorar a experiência que tiveram no PJU os jovens imediatamente atribuem novas formas de ver, sentir e perceber o que vivenciaram. E como afirma Carlos Eduardo Ferraço (2007), por meio das narrativas “é possível dialogar com o cotidiano dos jovens dentro de sua própria música com a inventividade e as repetições que comporta”, além de “fazer valer as dimensões de autoria, autonomia e legitimidades, beleza e pluralidade de estéticas dos discursos dos sujeitos cotidianos” (pp. 86).
É por meio das falas, histórias, gestos e ‘causos’ destes jovens praticantes da cidade, que uma São Paulo em fluxos vai se configurando. Desvendam-se sujeitos que absorveram as potencialidades e os limites da metrópole e apropriaram-se dos estímulos, ou chocs (Benjamin, 1989), provocados pela mobilidade. Nessa trama é que as experiências dos jovens se localizam e se desenvolvem, formando cenas e construindo personagens.