As explorações pela cidade de São Paulo ocorrem ao longo de todo percurso formativo proposto pelo Programa Jovens Urbanos, ainda que haja um período em que as saídas sejam mais constantes para atender a matriz programática do programa. No caso da 7ª edição - etnografada para esta investigação -, a intensificação das incursões na urbe ocorreu entre os meses de abril e julho de 2012, portanto, foi principalmente neste período que os jovens cartógrafos tiveram seus olhares aguçados para a multifacetada e polifônica Paulicéia.
As explorações é a coisa mais incrível que quem ‘bolou’ o programa conseguiu entender, porque todo mundo acha que todos os jovens já conhecem tudo, já andaram pelo mundo todo e não é assim, tem gente que não sai, tem muito jovem que não conhece nada além do seu quarto. (R. - 18 - ZS - Cidade Ademar)
Contagiados pela possibilidade de envolverem-se com os conteúdos da metrópole, todos os jovens entrevistados afirmam que as explorações são os momentos ‘mais incríveis’, ‘mais gostosos’ e ‘mais importantes’ de todo o processo formativo do PJU, além de, principalmente, contemplar a demanda de mobilidade e circulação destes jovens na cidade - demanda esta que foi uma das principais ocorrências na Pesquisa “Juventude e Integração Sul-
Americana”, do Ibase e do Instituto Pólis (2007), em que os participantes
sinalizavam que gostariam de ter direito à cidade e fruir dos equipamentos e espaços da metrópole e não ficarem apenas no perímetro dos bairros.
Por meio de usos, práticas, aparições, produções e reproduções, a cidade parece ser o cenário em que a juventude se faz, estimulada pelos fluxos, espaços e temporalidades que transpassam todos os poros e sentidos dos que se lançam nos labirintos urbanos. E como nem todos os jovens ‘já
andaram pelo mundo todo’ os narradores desta investigação ansiavam pelas
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A cartografia dos lugares que os jovens conheceram era definida de acordo com as sugestões e curiosidades que apareciam durante o processo de formação do PJU - onde jovens e educadores percebiam a emergência de temáticas que poderiam ser ressignificadas em interfaces com a urbanidade, como por exemplo, tratar da questão do racismo no Museu Afro, além da indicação do próprio CENPEC de equipamentos da cidade - resultado de parcerias ou debates internos sobre espaços orientados à população jovem (como o Centro Cultural da Juventude na Zona Norte).Definimos duas maneiras de pensar os lugares, um a partir do que eles vinham trazendo em forma de problemas ou vontades, tipo se aparecer bastante a questão do racismo vamos no Museu Afro ou em algum lugar neste sentido, ou vamos no terreiro, então a partir do que acontecia na dinâmica do dia a dia e também a partir daquilo que a gente julgava que eles deveriam ir mesmo, tipo eles precisavam ir no CCJ, porque a gente tá trabalhando com jovens é um espaço que foi pensado pra eles é numa periferia e é um lugar incrível...(M. - 30 - ZL - Jardim Helena)
O curso era terça, quarta e quinta e nós sempre combinamos que na terça a gente ficava na ONG, fazia coisas escritas, conversas, debates, mesa redonda e no final do dia a gente colocava tudo no papel os lugares que a gente queria ir para todo mundo junto poder escolher o melhor lugar e daí a gente ia. Nunca aconteceu de alguém não querer ir no lugar, porque como eram lugares novos, todo mundo queria conhecer. (M. - 17 - ZS - Jardim Ângela)
A vontade de conhecer as fissuras da cidade promoveu nos jovens potencialidades expedicionárias e assim que decidiam quais seriam as próximas caminhadas pela cidade, passavam a compilar detalhes sobre os trajetos, as memórias, os registros de cores e texturas da metrópole, fundindo tais dado com o imaginário dos significantes que poderiam recolher ao longo dos percursos.
Neste contexto os educadores partilhavam suas experiências enquanto praticantes da cidade, lançando mão da multiplicidade de leituras sobre São Paulo que há nas linguagens artísticas. Os jovens mostravam conhecer a cidade antes de circular por ela. Nas experimentações houve a ampliação das percepções mobilizadas para ler a cidade, tendo em vista que antes de cada saída os jovens tinham acesso a filmes, fotografias, músicas, etc. que retratavam o espaço a ser conhecido. Todos eles mencionaram a graça e a
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beleza de passar pelo cruzamento da Avenida Ipiranga com a Avenida São João após ouvir Sampa de Caetano Veloso.Uma semana antes eles avisavam que ia ter exploração, falavam qual seria o lugar e a gente começava a pesquisar sobre o local, passavam um filme que tivesse alguma ligação com a saída ou a gente conversava sobre algum fato histórico ou problematizava alguma questão que a gente ia ter contato lá, quer dizer se era a Liberdade, eles falavam da cultura oriental e apontavam coisas para despertar mais a nossa curiosidade... (R. - 18 - ZS - Cidade Ademar)
Sempre que tinha uma saída eles já iam preparando o terreno, para dialogar com o que a gente ia ver nas saídas, às vezes mostravam um filme, ou tocavam uma música para que a gente pudesse ter um entendimento maior sobre o lugar que a gente ia conhecer e a gente ficava doido na internet buscando um monte de coisas. (J. - 19 - ZL - São Miguel Paulista)
A música também ajudava bastante, por exemplo, a música que falava de duas avenidas... Sampa, é Sampa o nome! Eu fiquei emocionada quando passei pelo cruzamento e quando voltei pra casa ouvi a música de novo só pra perceber tudo que tinha visto por ali. (G. - 19 - ZL - Jardim Helena)
Nota-se neste trânsito de mensagens, que a imagem veiculada por esses distintos suportes em relação à cidade, desencadeia processos de subjetivação nos jovens. Janice Caiafa (2002) afirma que tal circulação de imagens, sons e percepções, marca a representação do espaço urbano, e o que se fez evidente é que as experimentações se deixam afetar por estas formas de produção comunicativa e produzem novas sensações e relações com a cidade.
Os trajetos para se movimentar na cidade também precisaram ser cuidadosamente traçados, já que a grande maioria dos jovens desconhecia as formas de acessar os espaços da cidade. No entanto, é recorrente nas entrevistas dos jovens como a experimentação proporcionou maior confiança e autonomia para esboçarem outros roteiros e proporem saídas dos seus bairros.
E quando a gente começou a fazer mesmo e começamos a sair, foi meio que impressionante, porque eu como muitas outras pessoas não sabia andar de metrô, a gente não sabia exatamente para onde os ônibus iam e a gente aprendeu muito sobre isso. (M. - 17 - ZS - Jardim Ângela)
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É evidente que todos os jovens já haviam andado de ônibus, metrô ou trem na cidade de São Paulo, porém, quando recorriam às lembranças para narrar a dificuldade que tinham para se locomover, foi possível perceber que as saídas eram muito pontuais e normalmente estavam acompanhados por algum familiar - o que dispensava os olhos atentos para os trajetos, afinal nos passeios tem sempre alguém que vai dar sinal e ninguém vai perder o ponto. Nas explorações, ao contrário, o mais interessante era saber qual jovem conhecia o ponto para descer.Ao descobrir os pontos de parada os jovens simultaneamente perceberam as muitas fragilidades que há no transporte público da cidade de São Paulo. Ônibus, metrô ou trem nunca atendiam às expectativas dos usuários que, segundo Jorge Wilheim (2013), são: proximidade com o ponto de embarque, pontualidade e conforto. O primeiro deles impactou significativamente as explorações, especialmente por conta do tempo despendido para se deslocar da região sul (localização da ONG) ao centro. Caso houvesse um metrô mais próximo dos bairros Jardim Ângela e Cidade Ademar, haveria maior facilidade para a locomoção inter-regional. Neste caso, a afirmação de Janice Caiafa (2002) de que o transporte coletivo é uma figura-chave na promoção da heterogeneidade urbana, faz todo sentido. O mesmo não acontecia com as ONGs da Zona Leste alocadas nos bairros de São Miguel Paulista e Jardim Helena – ambos com acesso à estações de trem.
E aqui também a gente tem um grande problema com a distância, museus, teatros e centros culturais estão bem distantes de nós, e ainda tinha o negócio do horário para ir e voltar das explorações com trânsito que é caótico por aqui, a gente escolhia os lugares mais próximos e acabou prejudicando um pouco as explorações na região central (D. - 30 - ZS - Jardim Ângela)
(...) a gente estava muito bem de acesso aos transportes ali porque tem trem na Estação de São Miguel, podia pegar na estação Dom Bosco também e tinha o metrô a 20min dali (M. - 30 - ZL - Jardim Helena)
No que tange as demais expectativas dos usuários do transporte público, foi o conforto que ganhou no número de reclamações dos jovens, pois eles sempre voltavam dos passeios no horário de pico – seis da tarde –, momento em que os transportes e as vias da cidade estão praticamente intransitáveis. Outra recorrência nas entrevistas, ainda se tratando dos
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transportes públicos, diz respeito à comparação que faziam entre a qualidade dos serviços prestados nas linhas que atendem as regiões não periféricas daquelas das quais dependiam para chegar em casa. Contudo, quando questionados sobre se prefeririam que as saídas ocorressem em um ônibus fretado, todos foram categóricos na recusa desta possibilidade. Segundo eles, perderiam a beleza de acompanhar as cenas protagonizadas pelos outros caminhantes da cidade que também se deslocam por meio dos transportes públicos. A fusão de mundos que é possibilitada pela vida na cidade desperta o interesse dos jovens, pois “na cidade nos confrontamos com estranhos” (Caiafa, 2007:117) e é esta interação com diferentes códigos que produz a vida social nas metrópoles.Não, eu não acho que fretado seja legal para proposta do PJU porque por mais que a gente pegue trânsito a gente tá conhecendo a cidade e outra São Paulo é trânsito a gente vê tudo parado na TV todos os dias. Então sem experimentar o trânsito não tem como experimentar São Paulo. E outra, quando a gente tá no ônibus a gente fica mais atento aos caminhos, às vezes o Siva falava o que tinha acontecido em tal rua, que tal casa tinha sido de alguém super importante, então acho que isto faz parte da experiência também, e com o fretado seria tudo muito simples e perderia um pouco desta beleza. (T. - 16 - ZS - Jardim Ângela)
De acordo com a entrevistada é preciso experimentar a cidade em suas angústias e encantos, e em toda complexidade que uma cidade como São Paulo pode apresentar, já que o enredamento do urbano consiste no fato de esse ser produto e processo, em fluxo e fixo, materialidade e movimento. Viver a cidade observando os trajes, os gestos, as formas de praticar o idioma, as relações e projeções dos corpos no espaço, os usos e as ressignificações do movimento, se configuraram em lapsos de leituras que despertaram nos jovens novos olhares, podendo assim dar muitos sentidos à cidade e perceber que é possível cartografar e experimentar a urbe ativando os sete buracos da cabeça, como afirma Caetano Veloso.
(...) inclusive, nas nossas primeiras saídas a gente foi de olhos vendados e começamos a andar, para que eles percebessem também que tem vários sentidos que podem ser aguçados nesta caminhada pela cidade e que a cartografia do espaço não precisa ser feita só pelo visual, mas também pelo cheiro, pelo som e foi bem legal esse dia. (M. - 30 - ZL - Jardim Helena)
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Como em um diálogo com Michel de Certeau (2009) que aponta o ato de caminhar e de se deslocar como o movimento de tessitura da cidade, os jovens afirmaram em diversos momentos o quanto gostavam das caminhadas, como se os espaços se instituíssem simultaneamente ao momento de suas passagens.Gostava de ficar caminhando, sentar um pouco e descansar, eu adoro o centro porque quando tô sentada na praça não escuto tanto barulho de carro, acho que por conta dos prédios que abafam o barulho dos carros. (G. - 19 - ZL - Jardim Helena)
E continua:
Caminhando eu redescobri a cidade, me fez enxergar São Paulo de outra forma, a gente pensa que a cidade é só os pedaços que a gente vê na televisão, mas quando a gente começa a andar descobre outros lugares que não aparecem na TV. (G. - 19 - ZL - Jardim Helena)
Quando eu passava de ônibus eu só ficava olhando os prédios bonitos. Andando foi outra coisa, outra experiência, tinha um cheiro diferente, percebi um monte de gente dormindo na rua, gente com fome, aqui no bairro não tem tanta gente com fome nas ruas. (T. - 17 - ZS - Jardim Ângela)
É interessante perceber que os jovens, ao transitarem pela cidade, não a vivenciaram enquanto algo dado, preexistente ou cristalizado, mas se permitiram embarcar em um jogo de interferência mútua com os lugares praticados, deixando-se atravessar pelos acontecimentos que emergiam e despertavam novas impressões sobre ela, além de possibilitar posses afetivas do espaço. Trata-se da experiência microbiana de praticar a cidade (De Certeau, 2009) que revela modos de apropriação, de percepção e possibilidades de produção de sentidos, em suma, revela cidades.
Quando os jovens foram questionados sobre os espaços que mais gostaram de ter ido ou conhecido, muitos identificaram algum ícone de São Paulo ou imagens de cartão postal, afirmando o quanto é interessante ter contato com tais lugares. No entanto, quando questionados se preferiam as visitas aos museus, por exemplo, ou as explorações em espaços abertos, foi unânime a preferência pela rua, pelo externo e pelo ar livre. O que pode ser confirmado no relato das educadoras:
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(...) ir em um museu é bacana, mas as vezes não mexe tanto. Quando a gente foi no museu no Ibirapuera sabe, é atravessar a cidade e é tudo, é um conjunto, e ai acabou que a gente foi com outra ONG, encontrou uma galera, acho que quando eles conseguiam vivenciar a cidade marcava muito mais, a experiência era muito mais rica (E. - 29 - ZL - São Miguel Paulista)Dificilmente eles pediam pra ir em museu, e quando ia não ficavam muito interessados. Mas eu acho que o público jovem daqui, não tem muitas áreas verdes, áreas livres, para respirar mesmo, porque estão sempre nos concretões, na escola, nos predinhos, nas casas, então acho que o foco deles era esse lance de ser livre. Quando iam nos museus, já queriam sentar um pouco, ficavam se escorando e procurando o wi-fi (D. - 30 - ZS - Jardim Ângela)
Conhecer e saber fruir dos equipamentos culturais é extremamente válido e importante para qualquer cidadão. Acessar estes espaços que estão majoritariamente localizados na região central evidencia o caráter segregador de São Paulo (Bógus e Pasternak, 2011), e demonstra uma mediação significativa proposta pelo PJU. Os jovens percebem e relatam a experiência de ter conhecido tais equipamentos conscientes da efetivação de uma possibilidade que até então não havia ocorrido. Por outro lado, percebe-se, por meio dos depoimentos acima, que eram os trajetos, o caminhar pela cidade, que mais mexiam com os jovens, a possibilidade de ser livre na cidade era o que mais fazia sentido nas explorações.
Contextualizando esta preferência pelos espaços abertos e as construções estigmatizadas sobre os jovens moradores de periferia, que são diariamente reforçadas pela mídia e que podem desembocar em relações de hostilidade, os jovens foram questionados se havia um desconforto ou alguma situação de hostilidade nos espaços fechados (apesar de públicos), que tenha estimulado esta escolha. No geral, os jovens percebiam quando atraiam olhares e ficavam um pouco desconfortáveis nas primeiras saídas, mas depois de um tempo afirmavam que não ligavam mais para os olhares já que tinham tanto direito de frequentar qualquer espaço da cidade como qualquer outra pessoa. Há uma auto-afirmação do sujeito jovem por meio da exposição pública e do estranhamento oriundo principalmente por uma questão de classe.
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Mas tinha lugares na cidade que eles ficavam incomodados, na Avenida Paulista mesmo, apesar de ser a novidade e querer entender como aquele lugar funciona, eles se sentiram deslocados. No Jardins eles também se incomodavam, porque parecia que não era pra eles aquilo. E eu falava ‘é isso mesmo gente, vocês precisam se atentar a esta cidade segregada’. (M. - 30 - ZL - Jardim Helena)Via de regra quando a gente ia para o centro, Paulista, eles ficavam incomodados, mas depois de um tempo eles começaram a ficar meio folgados também, e apertaram o dane-se (E. - 29 - ZL - São Miguel Paulista)
As pessoas nem sempre entendem a dinâmica de um monte de jovens caminhando junto na cidade, nem se preocupam em saber de onde nós estávamos vindo, já olhavam de cara feia e ponto. Só porque nosso comportamento não agradava. Mas acho que todos que estavam na turma não se importavam muito com que os outros pensavam, a gente sentia que as pessoas ficavam incomodadas, mas fazer o que? A gente também tem direito de ir no lugar que a gente quiser. (G. - 17 - ZL - Jardim Helena)
Uma das propostas do PJU é orientar os jovens sobre o direito à cidade que não é uma mera abstração e deve ser entendido como o direito de participar das riquezas socialmente produzidas na urbe, sejam elas econômicas, culturais ou simbólicas. Enquanto mediador, o PJU possibilitou que os jovens se apropriassem amplamente da cidade, e os estimulou a formular quais seriam os pontos eleitos para visitar que em certa medida dialoga com seus símbolos, gostos, valores e opções que também foram sendo preenchidos com outras referências ao longo do processo formativo.
Neste sentido percebe-se que os jovens foram rearranjando as formas de praticar a cidade, estabelecendo pontos de contato em redes que eram plenas de significado para suas vivências. São sujeitos capazes de elaborar uma forma de conhecimento sobre a realidade circundante, refletir sobre sua própria realidade e lhe atribuir sentido, reelaborando significados para os trajetos e circuitos que perpassam sua vida cotidiana.
Os jovens que por dezesseis meses tiveram garantidas suas incursões na cidade, optaram pelas ruas, pela descoberta de atalhos nos labirintos de São Paulo. Optaram por se perder e se encontrar, intertextualizando suas falas com a de Walter Benjamin: “saber orientar-se numa cidade não significa muito. No
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entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução” (Benjamin, 1987: 73).(...) então foi importante isto de se perder para conhecer o lugar, se perder para achar, porque muitas pessoas falavam que eu precisava me perder para me achar e realmente é isto. (R. - 18 - ZS - Cidade Ademar)
(...) a gente sempre se perdia, mas encontrava um outro lugar interessante. Tem que prestar bastante atenção! Porque parece um labirinto, você entra num lugar e sai em outro completamente diferente. (G. - 19 - ZL - Jardim Helena)
Porque se perdendo você acaba encontrando várias coisas surreais. Você encontra coisas que nem imaginava no meio do caminho, essa cidade é cheia de atalho. (T. - 17 - ZL - São Miguel Paulista)
A caminhada, que é da ordem das intensidades segundo Glória Diógenes (2008), revelou caminhos, trajetos, gostos, ordens de sensibilidade e outras tantas descobertas que se atrelam as subjetividades de cada jovem. Percebe-se também, por meio dos relatos, que se perder e se achar na cidade promoveu uma sensação de autonomia nestes jovens exploradores que o tempo todo foram se habituando a buscar informações sobre os lugares, e que, portanto, já poderiam sair sozinhos a qualquer momento em busca de territórios ainda inexplorados. Porém, quando perguntados se tornaram-se de fato protagonistas desta mobilidade urbana com a finitude do PJU, a resposta não é positiva para maioria, e por mais que as razões sejam distintas, não são desconhecidas.
Normalmente eu não tenho a grana da condução para sair. Pra mim o maior problema é para chegar nos lugares é a locomoção. Eu me vejo muito limitado por tudo isto, a passagem é muito cara em São Paulo, mesmo pagando o valor de estudante não é barato. Não voltei em nenhum lugar que eu conheci. Pelo menos no Programa Jovens Urbanos a nossa condução era paga, isso pra mim era mágico, porque a gente podia ir para o lugar que programava. (J. - 19 - ZL - São Miguel Paulista)
Minha mãe não deixa eu sair, e ela não confia muito nas pessoas, pra ela eu vou morrer, vou ser violentada e parar no meio da vala. (T. - 17 - ZL - São Miguel Paulista)
Já passei em frente dos prédios que eu fui junto com o João Paulo, o Martinelli e o Banespa, mas não voltei mais lá. Porque minha família não
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gosta de sair. A Thaisnão pode sair e não tenho com quem ir então eu não vou. (N. - 17 - ZL - São Miguel Paulista)Tô trabalhando e estudando que nem doido, não sobra tempo pra conhecer novos lugares, na minha folga eu só quero dormir. (R. - 18 - ZS - Cidade Ademar)
Os depoimentos explicitam diversas facetas que podem fazer com que os jovens não se movimentem na cidade em um perímetro ampliado, já que