a) Como se caracteriza a proposta curricular de língua espanhola do CEL investigado? O CEL investigado não possui uma proposta curricular constituída, ele norteia-se a partir do Quadro Europeu Comum de Referências para as Línguas (2001) quanto às habilidades e competências a serem atingidas para o avanço em cada Estágio e na legislação Estadual principalmente Resolução 81, de 2009 e agora a mais atual a Resolução 44 de 2014, sobre a organização, funcionamento e inclusive materiais didático-pedagógicos conforme SEÇÃO III desta última resolução supracitada.
Apesar do material ainda ser de escolha livre para cada CEL e de acordo com a disponibilidade de cada Diretoria de Ensino, evidenciou-se que no campo das avaliações, os professores usaram dois instrumentos comuns como avaliação escrita e oral e também avaliaram a participação e envolvimento dos alunos nas ações desenvolvidas dentro deste CEL, como os Workshops de Idiomas e os projetos desenvolvidos por meio da parceria da AIESEC com os intercambistas, contemplando assim a habilidade cultural do Apêndice A.
Com relação aos conteúdos trabalhados, a proposta curricular atende ao disposto nas Orientações Curriculares Nacionais (2006) e Parâmetros Curriculares Nacionais (1999, 2000) quanto ao desenvolvimento de habilidades de compreensão e produção, oral e escrita, com uso de tecnologias em diferentes espaços da escola.
Os diários evidenciam que embora todos os professores tivessem objetivos comuns, determinados pelo próprio CEL (Anexo B), não há na proposta um direcionamento único quanto ao enfoque metodológico a ser seguido.
Conforme as análises já explicitadas no capítulo anterior, pôde-se constatar que não houve um planejamento anual ou semestral estruturado, ou que o planejamento de cada aula se dava poucos dias antes de sua realização, todavia todos os professores realizaram devidamente os registros em seus diários de classe, alguns de maneira mais sucinta ou em
tópicos. Há também aqueles que as fizeram de maneira mais detalhada, descrevendo todas as ações e possíveis objetivos para cada aula.
Evidenciamos que ao longo dos semestres/anos os registros melhoraram, principalmente na maioria dos diários dos professores com mais tempo de magistério, há constatações de diários que em 2011 estavam bem incompletos quanto a descrição da aula dada, dos conteúdos e das atividades desenvolvidos e em 2013 foi possível verificar que o mesmo professor muda completamente sua forma de escrever, dando mais detalhes e destacando se teve o uso de alguma mídia ou espaço para auxiliar em sua aula, essas mudanças com certeza começam a complementar a proposta inicial, mas ainda é necessário trabalhar com mais variedades, principalmente no campo gramatical e dos elementos comunicativos e lexicais, todos são trabalhados, mas não em sua quase totalidade, conforme está no Apêndice A, o esboço da Matriz Curricular.
Não nos cabe aqui dizer, avaliar ou julgar a razão das muitas variáveis para isso, desde a questão da carga horária, ao dia e ou turno e também a questão dos materiais e espaços disponibilizados. Mas ainda assim, somos otimistas e acreditamos que, é possível avançar ainda mais frente as dificuldades e tornar este CEL uma referência de ensino de línguas, principalmente esta, objeto de nossa pesquisa e tão procurada pelos alunos que é a Língua Espanhola.
b) Quais aspectos devem constar na matriz curricular desse CEL que contemple as necessidades de aprendizagem verificadas, levando em conta os diários de classe dos professores e a legislação correspondente?
Se partirmos de uma comparação dos documentos legais que o CEL se limita, no que tange ao funcionamento, organização e demais providências é possível dizer que as lacunas aqui encontradas se referem mais a ajustes quanto ao QECR, que conforme nosso apêndice A ajudará muito na melhoria das aulas, com novos tópicos e/ou sugestões do que ensinar em cada estágio. Infelizmente não foi possível verificar trabalhos discursivos, houve trabalhos individuais e em grupos que expuseram à sua forma de entender e compreender as culturas hispânicas, isto por meio das atividades expositivas e apresentativas, como Workshop de Idiomas, festival de músicas e apresentações com o projeto da AIESEC dos intercambistas.
Constata-se também o papel do professor Interculturalista (SERRANI, 2005), pois num mesmo CEL e em um mesmo nível/estágio encontraram-se vários papéis de professor, desde o Iniciante ao Experiente, assim como aos mais “antenados” com novidades dos países
hispânicos, plataformas de ensino online, dentre outros fatores que tornam um professor interculturalista. O professor, ou melhor, o interculturalista, segundo define Serrani (2005), tem que utilizar o manual para introduzir as temáticas e matérias propostas, e não como único recurso.
Pensando assim, faz-se muito necessário um trabalho de formação docente assíduo, que talvez por se tratar de um CEL novo, recém-instalado e demais circunstâncias, fez com que ficasse essa lacuna, no entanto, isto não desmerece o trabalho já até aqui realizado, pelo contrario, foi uma grande luta para conseguir a instalação e o funcionamento deste CEL na cidade e na Diretoria de Ensino, foi um desafio torná-lo real e edificar seus pilares foi ainda mais desafiador, mas aconteceu e hoje já é procurado e conhecido por todos os alunos da rede publica estadual e inclusive há alunos de outras redes como a municipal e privada que ficaram sabendo e procuram por vagas, que tem interesse, só isto já é motivo de vitória, já é um retorno positivo. Existe muito a se adequar e esta pesquisa vem neste sentido, mostrar um pouco do que pode ser melhorado, a partir de tudo o que o CEL de São Carlos já fez e vem realizando desde sua implantação em agosto de 2011.