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KRİTİK HASTA ÇOCUKLARDA KLORHEKSİDİN EMDİRİLMİŞ ŞEFFAF KATETER TESPİT ÖRTÜLERİNİN KATETER İLE İLİŞKİLİ KAN AKIM ENFEKSİYONLARI ÜZERİNE ETKİSİ

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KRİTİK HASTA ÇOCUKLARDA KLORHEKSİDİN EMDİRİLMİŞ ŞEFFAF KATETER TESPİT ÖRTÜLERİNİN KATETER İLE İLİŞKİLİ KAN AKIM ENFEKSİYONLARI ÜZERİNE ETKİSİ

De início, verifica-se uma distinção quanto à exposição dos referidos autores no opus nietzschiano: enquanto Goethe é explicitamente evocado como espécie de modelo de humano

98 KSA 6, Ecce Homo. p. 297 (EH. p. 42 – II § 4.). 99

KSA 3, Die fröhliche Wissenschaft. p. 563 (GC. p. 224, § 335. Grifo do autor.). Nisto, afinamo-nos inteiramente com o que pensa Machado acerca desta passagem de A Gaia Ciência: “vemos, por esse texto, que tornar-se significa criar-se, produzir-se, construir-se e não propriamente descobrir-se, conhecer-se a si mesmo, princípio apolíneo apropriado pelo racionalismo socrático-platônico” (MACHADO, Roberto. Zaratustra,

tragédia nietzschiana. Ibidem. p. 140.). Vemos no que afirma Richard Rorty uma chave de entendimento que se

estende à face ultramoderna deste racionalismo na proposta kantiana de delimitação-restrição do campo do

possível; noutras palavras, do até onde é permitido ao homem conhecer e determinar-se enquanto sujeito

universal. Segundo o filósofo norte-americano, “Nietzsche percebe que alguém que quer criar-se a si mesmo não pode se dar ao luxo de ser demasiadamente apolíneo. Em particular, não pode imitar a tentativa de Kant de examinar do alto todo o domínio da possibilidade, pois, a ideia de um ‘domínio da possibilidade’ fixa e imutável é difícil de combinar com a ideia de que alguém poderia, pelo seu próprio esforço, ampliar este domínio – não simplesmente tomar o seu lugar dentro de um esquema pré-determinado, mas mudar o esquema” (RORTY, Richard. Contingency, irony and solidarity. New York: Cambridge University Press, 1989. p. 108. Grifo nosso.). Nietzsche, enquanto ironista na perspectiva rorthyana, colocaria como requisito da autocriação, para além da exigência teórica de atualização-fechamento da derradeira possibilidade (ao modo de Kant), a necessidade de criar uma nova atualização (abertura) e novas possibilidades. Nisto consiste especificamente a demanda pela modificação do esquema em que é pensado e circunscrito o possível.

100 Para Onfray, “é da natureza de uma ética ser difícil: os ideais que ela propõe são sempre inatingíveis e valem

elevado, Lord Byron aparece implicitamente como tal. No mais, ambos são artistas no sentido abrangente consolidado por Nietzsche, uma vez que personificam a autocriação (Selbstschaffung) e põe em jogo a exeqüibilidade de um ethos artístico. Em Crepúsculo dos

Ídolos, há três emblemáticos parágrafos dedicados a Goethe101, cujo teor faz temporariamente cessar o antigermanismo nietzschiano. Tratando o autor de Werther como um tentame de ultrapassamento do século XVIII, e de ascensão à naturalidade típica da Renascença, Nietzsche descreve-o carregador de fortíssimos instintos, por conta dos quais “não se desprendeu da vida, pôs-se dentro dela”. Ao continuar seu encômio, o filósofo de Röcken concede-nos uma nítida senha, afirmando que Goethe “disciplinou-se para a inteireza, criou a si mesmo... [er schuf sich]”. E ainda: “Goethe foi, em meio a uma era de propensões irreais, um convicto realista: ele disse Sim a tudo o que nesse ponto lhe era aparentado”102.

Destaquemos a evidente constatação das palavras nietzschianas: Goethe ‘criou a si mesmo’. Por quais motivos Nietzsche chega a esta conclusão? O que leva o baluarte do classicismo alemão a ser assim avaliado? Respondamos de modo prévio: o cômputo mais ou menos equilibrado dos quatro aspectos que perfazem o sentido da criação do ponto de vista estético-ético, quais sejam, a atividade avaliadora, a experimentação, a sabedoria cosmológica e a afirmação da vida. Partamos do seguinte raciocínio: claro está que o último Nietzsche examina as instituições humanas em geral sob o crivo da vida, é dizer, de sua expansividade ou degenerescência. Com efeito, Goethe é exaltado no itinerário nietzschiano como exemplar de uma existência artística por ter se colocado à plena disposição da vida, sendo um afirmador incontinenti da mesma: “quanto aos artistas de todo gênero, utilizo-me agora da distinção fundamental: foi o ódio à vida ou o excesso de vida que aí se fez criativo? [schöpferisch] Em Goethe, por exemplo, foi o excesso; em Flaubert, o ódio”103.

O homem Goethe, misturado às suas obras e personagens, esculpiu-se tanto quanto se permitiu ‘dizer Sim’ à multiplicidade de impulsos vitais, fez deles argila para modelar modelando-se. A este propósito, Alexander Nehamas declara: “é somente por causa de sua habilidade para controlar esta multiplicidade que Goethe, o qual tentou formar uma totalidade de si mesmo, na crença de que apenas na totalidade tudo se redime e parece se justificar”, torna-se para Nietzsche, conforme escreve, “seu grande herói”104. Uma das noções mais benquistas pelo filho de Röcken, a ideia de transfiguração existencial, equivalente conceitual de espiritualização, justifica-se mediante o deixar-se experienciar e vivenciar os fluxos

101 Cf. Crepúsculo dos Ídolos § 49, 50 e 51 – Incursões de um extemporâneo.

102 KSA 6, Götzen-Dämmerung. p. 151 (CI. p. 99. § 49 – Incursões de um extemporâneo. Grifo do autor). 103

KSA 6, Nietzsche contra Wagner. p. 426 (NCW. p. 60 – Nós, antípodas. Grifo do autor).

pulsionais e as contingências da existência. O artista Goethe, paradigma de afirmação da vida, é louvado como alguém que foi ‘grato aos sentidos’ por tê-los experimentado e espiritualizado. Eis um critério indispensável a um ethos artístico: fruir os sentidos e não vituperá-los ou excomungá-los; criar-se, transfigurar-se a partir desta fruição-experimentação. Nisto consiste o caráter paradigmático do ilustre filho de Frankfurt, tal como é expresso nas linhas abaixo:

é um indício de boa formação quando alguém igual a Goethe, sempre com enorme prazer e cordialidade tenda para ‘as coisas do mundo’: – e dessa forma mantenha a grande concepção do homem, a de que o homem se torna o transfigurador da existência à medida que aprende a transfigurar a si mesmo105.

A apologia nietzschiana do gênio goetheano acha uma de suas motivações na consideração do próprio fazer poético, cogitado não como redescrição do passado ou representação do agora, mas enquanto trabalho de construção de futuro, e, tão logo, de instauração de novos valores. Conforme a indicação de Nietzsche, haveria entre os homens de seu tempo tanta excedente de força plástica, que tais homens deveriam dedicar-se, em razão das mesmas, “à sinalização do futuro”106. Ora, não são os filósofos-artistas precisamente filósofos do futuro? A tarefa central destes não é essencialmente criar novos valores? Não seria este um exercício propriamente poético no sentido denso pretendido por Nietzsche? Tais indagações derivam do testemunho nietzschiano do papel fundamental de Goethe neste empreendimento, pois, de acordo com suas ilações, “vários caminhos para essa poesia do futuro partem de Goethe”107.

Goethe é então posto como parâmetro de autocriação na condição de construtor de si próprio, enquanto forma tensa, aberta, agonística, equilíbrio dinâmico nos moldes da boa Éris108, vencendo resistências e economizando forças na descerrada esfera intitulada

105

KSA 11, p. 557/558, af. 37 [12] de junho-julho de 1885. Grifo do autor. Antes, em Humano, demasiado

Humano, Nietzsche sugere como “meio de escapar ao naturalismo” na arte (impossibilitador da liberação dos

cânones) o conceito de limitação, entendendo que “Goethe procurou salvar-se dele, limitando-se renovadamente de várias maneiras; mas mesmo o mais talentoso artista consegue apenas um experimentar contínuo, se estiver rompido o fio da evolução” (KSA 2, Menschliches, Allzumenschliches. p. 181 [HDH. p. 149, § 221. Grifo nosso.]).

106

KSA 2, Vermischte Meinungen und Sprüche. p. 419 (OSD. § 99, p. 51).

107 KSA 2, Vermischte Meinungen und Sprüche. p. 420 (OSD. § 99, p. 52. Grifo do autor.).

108 Aqui encontramos o terreno onde Nietzsche arvora sua dívida com o que intitula Grécia trágica.

Particularmente, sua profunda influência das figuras de Homero e Hesíodo – muitas vezes embrumadas pela ode aos filósofos pré-platônicos, mormente a Heráclito. Tal como afirma em Humano, demasiado Humano, no parágrafo denominado Ambição de artista, “os artistas gregos, os trágicos, por exemplo, criavam [dichteten] para vencer; toda sua arte é impensável sem a competição: a boa Éris de Hesíodo, a Ambição, dava asas ao seu gênio” (KSA 2, Menschliches, Allzumenschliches. p. 2 [HDH. p. 129, § 170.]). Cf. também O Andarilho e sua Sombra §

corporeidade. Destarte, o elemento identitário entre aquele que é capaz de conquistar (de expansão, crescimento, aumento de poder), de legislar (um criador de valores) e de artisticizar-se, transformando ao mesmo tempo o seu entorno, é exatamente aquilo que Nietzsche percebe em Goethe: “a identidade na essência do conquistador, do legislador e do

artista – configurar a si mesmo na matéria [...]”109. A sabedoria trágico-cosmológica deve ser pressuposta no panorama ora aventado: apenas numa existência reputada fatalmente aberta e asseverada como tal, à luz da simbólica do dionisíaco no último Nietzsche, torna-se compreensível um ethos artístico110.

Por conseguinte, o transfigurar-se constitui uma recíproca dinâmica criadora de sentido e instauradora de valores (interpretações, perspectivas), implodindo os rijos limites entre interioridade e exterioridade. Além disso, a exemplaridade goetheana é motivo de explícita filiação da parte de Nietzsche111. Segundo ele, o autor alemão participaria do seleto grupo daqueles que são julgados seus precursores: “‘o homem é algo que deve ser superado’ – isso depende do tempo: os admiráveis gregos: sem precipitação, – meus antecessores

Heráclito, Empédocles, Spinoza e Goethe”112. Concedendo-nos outro liame, também a Lord Byron é possível confiar certos brios nietzschianos e, quem sabe até mesmo posicioná-lo no citado rol de seus predecessores.

29. Paulo César de Sousa traduz dichteten, oriundo do verbo dichten (poetar, fazer versos, compor versos) por ‘criavam’, reforçando o fluxo semântico entre o poetizar e o criar como nomes diferentes para designar os processos cuja figura é a vontade de poder.

109 KSA 11, p. 32, af. 25 [94] da primavera de 1884. Grifo do autor. E ainda, no mesmo fragmento, Nietzsche

parece sustentar a auto-configuração como “máxima forma do impulso de procriação [Zeugung-Triebes] e, ao mesmo tempo, das forças maternas. A transformação do mundo a fim de que se possa suportá-lo; isso é o que dá impulso: consequentemente, como pressuposto, um enorme sentimento de contradição. Para os artistas, basta rodear-se de imagens e cópias delas. Por exemplo, Homero, entre os ‘deploráveis imortais’” (KSA 11, p. 32/33, af. 25 [94] da primavera de 1884. Grifo do autor.).

110 Voltando ao Crepúsculo dos ídolos, uma rica ambivalência semântica entre o homem Goethe e o tipo humano

por ele concebido, é ofertada a nós por Nietzsche sob a inimputável tutela do sem-sentido da existência, o que ratificaria o influxo entre a criação de si e a afirmação da tragicidade: “Goethe concebeu um homem forte, altamente cultivado, hábil em toda atividade física, que tem as rédeas de si mesmo e a reverência por si mesmo, que pode ousar se permitir todo o âmbito e a riqueza do que é natural, que é forte o suficiente para tal liberdade; o homem da tolerância, não por fraqueza, mas por fortaleza, porque sabe usar em proveito próprio até aquilo de que pereceria a natureza média; o homem para o qual já não há coisa proibida senão a fraqueza, chame-se ela vício ou virtude... Um tal espírito que assim se tornou livre, acha-se com alegre e confiante fatalismo no meio do universo, na fé de que apenas o que está isolado é censurável, de que tudo se redime e se afirma no todo – ele já

não nega...” (KSA 6, Götzen-Dämmerung. p. 151 [CI. p. 99. § 49 – Incursões de um extemporâneo. Grifo do

autor.]).

111 “Goethe é o último alemão pelo qual sinto reverência: ele teria percebido três coisas que percebo – também

nos entendemos acerca da ‘cruz’...” (KSA 6, Götzen-Dämmerung. p. 153 [CI. p. 100. § 51 – Incursões de um extemporâneo. Grifo do autor.]).

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