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HAKEMSİZ YAZILAR OPINION PAPERS

KREDİ KARTI YOLUYLA YAPILAN HİLE TÜRLERİ VE CEZAİ MÜEYYİDELER

1. KREDİ KARTLARININ TARİHÇESİ:

A criação de um novo herói, superando o índio, que não mais correspondia às necessidades do Estado, foi a alternativa adotada como mediação preponderante aos novos interesses políticos, econômicos e culturais, de raiz hegemônica e totalitária. Através de outro herói, a República poderia mostrar- se forte e presente. Hall (2006) afirma que as primeiras fontes de identidade cultural são provenientes das culturas nacionais. Nesse aspecto, o autor concorda com Gellner (1983) ao declarar: “Sem um sentimento de identificação nacional, o sujeito moderno experimentava um profundo sentimento de perda subjetivo” (HALL, 2006, p. 48).

Para dar sentido ao novo Regime, buscou-se, primeiramente, entre os integrantes da República, alguém que conseguisse protagonizar e atuar como tradução para o novo momento do País. Não havia consenso entre os nomes sugeridos. Alguns não eram carismáticos; outros não tinham um passado de luta pela República ou força suficiente para gerar identificação por todo o País. A única alternativa foi retroceder na historiografia nacional, em busca de um nome que tivesse peso suficiente para carregar os ideais republicanos. Coube a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, protagonizar a República.

Tiradentes emergiu como elemento-chave para a República, instaurada no Brasil em 1889. Transformado em herói, ajudou a legitimar a nova Nação, ao lado de outros elementos criados para dar um novo rosto ao País, como a Bandeira e o Hino nacionais. O nome de Tiradentes era de convincente apelo popular: a extração de classe social a que pertencia; seu enforcamento, que sensibilizava os católicos; e a nobre causa da

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derrama que atingia a todos16. Carvalho (2007, p. 29) diz que o herói “unia o país através do espaço, do tempo, das classes”.

Na tentativa de presentificar o herói, os republicanos publicaram textos em jornais e edificaram monumentos em praças. Clubes foram construídos, levando o nome de Tiradentes, nome que passou a fazer parte das cidades de todo o País, em ruas e avenidas. A imagem de Tiradentes precisava ser idealizada, e o fato de não existir nenhum retrato facilitou a modelação do herói, com os valores que o Regime pregava. “Para os positivistas, boa parte dos republicanos, a idealização dos heróis ‘era regra da estética comtiana’; para os outros fazia parte da tentativa de criar o mito e o culto ao herói” (CARVALHO, 2007, p. 29). Como ilustração, resgatamos trecho do artigo assinado pelo republicano Leôncio Correia, no jornal Folha da Manhã, em 1926, que cultua o herói.

Tiradentes é em verdade um tipo perfeito de patriota iluminado. Humilde de estirpe e de haveres como quase todos os astros que governam a história universal – se pecou com o transbordamento de frases ardentes, em cautela, atirada a todos os ventos foi por excesso de amor a causa que sublimou pelo seu sacrifício, e que a sua vida, ao seu coração, a sua alma se ligou como claridade a aurora, como a lua ao dia [...]. Nem uma vacilação ao andar, nem um tremor na face, nem uma sombra na fisionomia! Era como se levasse a imortalidade no olhar, a glória na prece o céu em si.

O nome Tiradentes emergiu como símbolo necessário ao novo Regime político, já que estabelecia ligação com os brasileiros, por conta da barbárie de sua morte como inconfidente, 100 anos antes da Proclamação da República, e seu nome não causava

16 De acordo com registros, sabe-se que o plano dos Inconfidentes foi desmantelado pelo Governo

através de denúncia de Joaquim Silvério dos Reis, e que Tiradentes foi o único integrante do Movimento a ser enforcado e a ter o corpo esquartejado e espalhado pela região, fato que horrorizou a população.

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divergências entre os republicanos. A imagem de Tiradentes constitui um dos estudos de caso desta pesquisa, dentro dos recursos mediativos do Estado-Nação que promove a figura do herói nacional como requisito indispensável para a instauração efetiva do novo Regime político.

Tiradentes entrou em cena como argamassa aos valores republicanos, pouco antes da Proclamação, em 1889, atendendo aos preceitos positivistas17. Carvalho (1990, p. 10) lembra que símbolos e mitos podem tornar-se elementos poderosos de projeção de interesses. Foi o que aconteceu com Tiradentes.

Na medida em que o alferes era transformado em símbolo, em virtude da sua morte brutal, e da divulgação dos republicanos que o apresentaram com características que o assemelhavam a Cristo, percebemos a projeção dos interesses do Estado-Nação. O mártir entrou em cena para formar uma atmosfera condescendente às pretensões republicanas. Tiradentes, a partir daquela data, fazia-se visto não somente como injustiçado pelo Regime político anterior, mas como representante da República, Governo que não deixaria os brasileiros entregues à própria sorte. O herói deveria emblematizar a promessa de um Estado forte, que atenderia a todos.

Podemos afirmar que o primeiro impacto midiático, relacionado a Tiradentes, foi sentido pela barbárie do enforcamento e do horror difundido pelo corpo

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A influência do Positivismo no Brasil previa a criação de proposta simbólica entre os cidadãos através de comemorações públicas e culturais. De acordo com Leal (2006, p. 67), os mecanismos de sensibilização cívica que visam ao emprego de imagens e ritualizações foram os mesmos empregados pelas estratégias de ação social de Comte, voltada aos operários, e aos positivistas brasileiros “que se voltaram à cooptação de grupos mais intelectualizados”. Para Grange (2000, p. 244 apud LEAL, 2006), Comte esperava sintetizar duas concepções opostas de mediação social e da figuração artística que se reencontrarão e funcionarão espontaneamente: a imagem cristã, a estátua alegórica republicana, a missa e a festa. No Brasil só faltava a imagem republicana. Leal (2006, p. 74) escreve que, a partir de 1884, Tiradentes foi incorporado no que os positivistas chamam de festas sociolátricas. “Milliet, em sua tese, refere-se às festas a Tiradentes, realizadas no período monárquico, sob iniciativa do Clube Tiradentes”. Em janeiro de 1890, dois meses após a Proclamação da República, foi decretado o calendário de festas nacionais e o dia 21/04, dia e mês da morte de Tiradentes, foi escolhido para celebrar os precursores da Independência brasileira, sintetizados no herói republicano.

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esquartejado e exposto em locais de grande circulação. Em 1792, de acordo com Cavalcanti (Revista da Biblioteca Nacional, 2007, p. 38), o cortejo de Tiradentes, no Rio de Janeiro, percorreu o Largo Carioca, o Largo do Rocio, a atual Praça Tiradentes e a Rua da Lampadosa, hoje Avenida Passos. Carvalho (1990: 58) afirma existirem documentos que registram o abalo causado, entre a população da Capitania e da cidade do Rio de Janeiro, pelo processo dos réus e por conta da execução de Tiradentes18.

O nome de Tiradentes era convincente por sua classe social; o enforcamento, que estabelecia ligação com a doutrina católica; por conta da apresentação da pintura do herói, que se assemelha à reconhecida imagem de Cristo a caminho do Calvário; e o grande motivo que o levou à morte; a rebeldia diante das determinações pela Coroa, em questão a derrama. O tributo extra, estabelecido pelo Governo de Portugal, destinado a todos, atuou como elemento de mediação para a expansão do nome de Tiradentes e o firmou como oposição ao contexto da época.

Porém Tiradentes não teve trajetória de herói em vida. Sabe-se que, antes de aderir ao Movimento, havia tentado, sem êxito, carreira como militar e, antes disso, havia sido minerador, tropeiro, proprietário de terras e de escravos. Em 1780, com 34 anos, arregimentou-se como soldado e, um ano depois, foi promovido a alferes. Em 1788, após sua transferência para o Rio de Janeiro, através do Exército, envolveu-se na Inconfidência contra a Coroa Portuguesa e, um ano depois, foi preso como conspirador, no Rio de Janeiro. Em 1792, Tiradentes foi enforcado em praça pública e esquartejado.

18 Lopes (1947) conta: Muita gente se retirou para o campo, ficando as ruas muito pouco freqüentadas

pela gente de mais destaque, e a consternação parecia que se pintava em todos os objetos. Vista a sentença, atendia a atrocidade do crime, não restava mais nenhuma esperança de remédio. Os infelizes já estavam mortos na cabeça de todos (p. 25).

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A historiografia explica que o papel de Tiradentes na Inconfidência se restringia a divulgar os ideais e a transmitir recados aos inconfidentes. É provável que ele nunca tenha participado efetivamente do grupo de articulistas, com ideias para o Movimento. A escolha de seu nome para o esquartejamento, a mando do Governo português, deveu-se à sua popularidade, mais o fato de ser um dos poucos que não tinha família influente e assim, não haveria novos movimentos e nem problemas de ordem política.

A questão principal em torno de Tiradentes, como emblema republicano, está na gênese de seu estereótipo já que, como detalhamos, não havia características suficientes em sua biografia para torná-lo herói. Era preciso que um panteão projetasse confiança no novo Regime e, sobretudo, crédito interna e externamente. Tiradentes viria preencher essa lacuna, para que o Estado pudesse alcançar reconhecimento como autoridade paternal e sólida. Assim, com base simbólica, seria possível forjar a imposição de uma ordem artificial, visto que a nação precisava de crédito.

O prestígio de que o Governo precisava obter, viria primeiramente da simulação de um Estado forte e da divulgação de uma política social ampla. Nesse sentido, um herói, em questão Tiradentes, era visto como apaziguador das animosidades políticas, capaz de desempenhar papel de integrador, um mártir cívico e religioso que espelhava a República por todo o País.

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Benzer Belgeler